13 de set de 2015

Cap 53 - A Caridade (2ª edição) - Parte 5

MELHOR CAMPO

“MAS, SOBRETUDO, TENDE ARDENTE AMOR UNS PARA COM OS OUTROS; PORQUE O AMOR COBRIRÁ A MULTIDÃO DE PECADOS.” PEDRO I-4:8

Quem está querendo crescer, quem está buscando seguir adiante, mudar o rumo da caminhada e encontrar uma parcela maior de reconforto pessoal, isolado da caridade e do interesse de cooperação vai ter uma grande frustração. Este é o conceito que a gente tem aprendido e a opinião que temos recolhido.

Nós estamos hoje em dia aprendendo a cultivar uma sementeira nova e a identificar recursos para trabalhar no lenitivo das nossas próprias dificuldades. É assim que as coisas funcionam. O trabalho realizado no bem é o melhor campo para se resolver problemas. Muitos tem aprendido e muitos ainda irão aprender.

O criador, com a sua misericórdia fantástica, quer de nós o trabalho do amor e não o estigma do pagar. De forma que ninguém precisa esperar reencarnações futuras envoltas em dores e lágrimas e em ligações expiatórias para diligenciar a paz com os inimigos do pretérito e a consciência denegrida. Toda ação pela felicidade geral é concurso na obra divina. Em tantas ocasiões nós temos que trabalhar com a aflição de muitos para resolvermos a nossa. Lidando com aqueles que sofrem os nossos problemas começam a desaparecer, atendendo o necessitado talvez consigamos administrar pontos necessários em nosso íntimo.

E o melhor de tudo: isto não é filosofia, é ciência!

Porque o próximo é a nossa ponte de ligação com Deus, e não se chega efetivamente a Deus sem obras realizadas junto aos seus filhos. Sendo assim, se buscamos o Pai, precisamos, de nossa parte, ajudar seus filhos e nossos irmãos.

Qual é a grande proposta que o evangelho traz para nós? Ao invés de você ficar contabilizando as suas dificuldades, você abre o parâmetro e vai cooperar. Pelo menos, uma grande massa de criaturas encarnadas está fazendo isto hoje.

O processo ascensional não se encontra no fechar, mas no abrir. Definitivamente não temos como resolver problemas íntimos dentro de um sistema fechado em nós mesmos, em uma luta fechada conosco em um quarto fechado. Como servidores do evangelho, somos compelidos a sair de nós próprios a fim de beneficiarmos corações alheios. Sair de nós mesmos como fez o indivíduo na parábola do semeador. Segundo os registros atestam, o semeador não agiu através do contrato com terceiras pessoas, ele mesmo saiu a semear. Compete a nós fazer o mesmo, lançando sementes de amor junto dos corações que transitam no mundo em dificuldades maiores que as nossas.

Se na extinção dos nossos problemas pequeninos costumamos solicitar o máximo de proteção ao Senhor, é natural que o Senhor nos peça o mínimo de concurso na supressão das grandes dores que abatem o próximo. É da lei que não se recebe sem dar.

Quando passarmos efetivamente a dar, seremos aos poucos perfeitamente atendidos dentro de um suprimento da misericórdia. Por cooperação ao próximo atraímos simpatias valiosas com intervenções providenciais a nosso favor. Quando conseguirmos superar as nossas aflições para criarmos a alegria dos outros a felicidade alheia nos buscará onde quer que estivermos para improvisar a nossa ventura. Mas não significa que nós temos que sair por aí procurando os outros, os outros chegam à nossa porta a toda hora.

Quando nos lançamos nessa faixa, entendemos o amor como sendo uma boia que nos é oferecida para que consigamos atravessar o imenso mar de dificuldades que pode nos levar a sucumbir. E como disse Simão Pedro, em uma de suas cartas, "o amor cobre a multidão de pecados". Em algumas versões o verbo é cobrirá, a definir com muita tranquilidade que o amor teórico cobrirá quando se transformar em caridade, ou seja, quando for aplicado. Ao dizer que o amor "cobre" (ou cobrirá) ele quer dizer amar, pois a ação no bem atenua ou, quem sabe, até liquida e cobre os impositivos da justiça. Deu uma ideia?

Porque conforme a contabilidade do amor, o bem que se faz sempre diminui o mal que já se fez. O amor dinamizado sempre cobre essa multidão que nos acompanha ao longo do destino. Ajudando os outros estamos resolvendo nossos problemas. Aquele que muito faz tem praticamente saneados muitos dos seus problemas. Quando nós cooperamos com alguém de maneira positiva aquilo pesa como um lastro em nossa estrutura de harmonia e projeção de vida.

O amparo aos outros cria amparo a nós mesmos. Todo esforço no bem, por menor que seja, retorna invariavelmente a favor de quem o realiza. O bem realizado, com quem for e onde for, constitui recurso vivo atuando em favor de quem o exercita. Guarde isto. Junto dos corações que temos auxiliado é que encontramos o respaldo interior da segurança, a força para a nossa caminhada.

Todo o bem que se faz aos outros propicia linha de simpatia, e ainda que o auxiliado não entenda e não compreenda, o seu amigo espiritual fica amigo da gente porque auxiliamos o tutelado dele. O bem constante por nós realizado gera sempre o bem constante. E mantida essa movimentação infatigável no bem, todo o mal por nós amontoado se atenua gradativamente, desaparecendo ao impacto das vibrações de auxílio nascidas a nosso favor em todos aqueles aos quais dirigimos a mensagem de entendimento e amor, sem a necessidade expressa de recorrermos ao concurso da enfermidade para eliminar os resquícios de treva que eventualmente se incorporam em nosso fundo mental.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...