31 de out de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 4

CAUSA E EFEITO

“PORQUE NÓS SOMOS DE ONTEM, E NADA SABEMOS; PORQUANTO NOSSOS DIAS SOBRE A TERRA SÃO COMO A SOMBRA.” JÓ 8:9

A causa nós vamos entendê-la como sendo aquilo ou aquele que faz com que uma coisa exista, que determina um acontecimento. É a razão, o motivo, a origem, ao passo que o efeito é o resultado, a consequência.

Um dos pontos mais importantes da nossa vida é termos a capacidade de entender que nos situamos debaixo da lei e que a lei não se modifica nas suas expressões.

Quer dizer, a manifestação da lei corresponde a um processo natural da harmonia cósmica. Ela não acontece porque tem um juiz externo definindo o que é necessário para as pessoas, então, não vamos ficar naquela ideia antiga de um Deus punitivo. Isso é coisa do passado. Não existe uma reação negativa por parte das leis que nos regem, elas não tem aquele sentido negativo, ainda que machuquem, ainda que sofra a criatura envolvida por elas. Ficou claro? As reações da lei não tem o sentido puramente de dizer basta ou mesmo de mostrar a nossa pequenez.

A própria dor, a própria enfermidade, os próprios desafios da vida, são componentes impulsionadores da evolução, seja no respaldo dos débitos perante a lei ou na instauração dos processos de indução para o crescimento da individualidade.

Em todos os planos da existência o instituto da justiça divina funciona de forma natural, com os seus princípios de compensação. Primeiro vem a semeadura, depois a colheita, e tanto as sementes positivas como as nocivas, encontrando terra propícia, produzirão a seu modo na mesma pauta de multiplicação. Isso é muito profundo e a gente tem que entender, na resposta da natureza ao esforço do lavrador vigora simplesmente a lei.

Você se lembra daquela passagem do evangelho em que Jesus disse a um cego "vai e não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior"? (João 5:14) Pois é, o mestre disso aquilo porque o problema daquela cegueira não era algo que surgiu do nada, de graça, aleatório, mas decorrente de suas ações pretéritas, consequência de sua instabilidade.

Nós todos vivemos em um mundo onde paralelamente ao lado de uma proposta reeducacional de melhoria dos seres existe também a presença de elementos definindo, sobre as causas já lançadas no espaço e no tempo, os efeitos, isto é, os resultados a que estaremos sujeitos a recolher em meio a momentos peculiares.

Deu para acompanhar? Estamos dizendo que cada sementeira propicia o cultivo, a germinação, o crescimento e a frutificação no devido tempo. As circunstâncias atuais que envolvem a nossa vida representam reflexos de situações mais ou menos felizes que semeamos em um passado mais próximo ou mais distante. Os fatores externos simplesmente vem de encontro às nossas concepções mais íntimas e tudo o que nos ocorre se dá em conformidade às nossas carências pessoais.

E tem mais, a severidade do castigo é sempre proporcional à gravidade da falta. Nós aprendemos isso, não é? Então, os que abusaram da riqueza material ontem voltam destituídos da mesma hoje; mãos que continuamente se levantaram para ferir os semelhantes podem vir a ser cortadas; o pai que deu um vestido novo para a filha rebelde e ela o rasgou propositadamente, não lhe dá de imediato um mais bonito, como também não dispensa recursos mais amplos aos filhos que não deram valor e desperdiçaram os recursos recebidos anteriormente sem proveito algum.

São os desafios e as dificuldades que fazem com que as pessoas busquem melhorar. O que levou o indivíduo a fabricar o guarda-chuva foi o fato de tomar tanta chuva na cabeça. O planeta em que vivemos é de reajustamento, de provas e expiações, onde se conjuga o passado com o presente. A roda do tempo gira incansável, a paciência divina é eterna e não adianta se desesperar, pois tudo se processa sob o império da justiça superior que nos rege os destinos.

Jó já dizia "porque nós somos de ontem, e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra" (Jó 8:9). 

O homem é senhor do futuro, mas escravo do passado, e é dessa conjugação de passado e presente que resulta o futuro que nos espera. Muitos podem questionar, de forma válida, porque tantas pessoas boas sofrem enquanto muitas pessoas más desfrutam de prazeres e aparente prosperidade. A resposta exige análise. O sofrimento dos bons consiste em muito no resgate de culpas passadas. Isto é, resgatam no momento atual a dívida de outrora. Estes que estão sofrendo estão colhendo, ao passo que o outro grupo se encontra semeando. Porque não é possível colher sem antes ter semeado, nem tampouco pagar dívidas sem antes tê-las contraído. Percebeu a questão? A semeadura sempre precede a colheita e a solvência vem após compromisso. Semeia-se em um tempo, colhe-se noutro. E ponto final.

Cada um de nós é totalmente responsável pela emissão das forças que lança em circulação nas correntes da vida. Não tem outra, somos os arquitetos do nosso destino. Cada espírito representa um universo próprio e deverá a si mesmo a ascensão sublime ou a queda deplorável. Você está lendo com atenção? Da mesma forma que a semente traz em seu íntimo de forma oculta os caracteres mínimos de onde procede a árvore, com os seus ramos, folhas, flores e frutos, trazemos conosco, perfeitamente encadeadas, as causas e os efeitos que determinam tudo o que nos acontece. Daí, a conclusão não pode ser outra, é preciso pensar com acerto e não viver de qualquer jeito, no oba-oba.

A vida, embora seja uma aventura gostosa, não é uma brincadeira. É da lei de Deus que toda semeadura se desenvolva, portanto, que haja suficiente cuidado em nós a cada dia, porque o bem ou o mal, uma vez semeados, crescerão junto de nós. E é melhor prevenir antes do que chorar depois.

A vida é um processo de eleição pessoal, e tanto é que o evangelho nos propõe trabalhar a semente, não o fruto.

Em qualquer fase da evolução nós elegemos os tipos de experiência em que nos propomos estagiar. O que for semeado produzirá a essência do que será colhido. 

Quando mais céu no interior da alma, pela sublimação da vida, mais ampla a incursão da alma nos céus exteriores, quanto mais luz dentro, menos trevas no plano exterior. Assim, vamos procurar compreender a substância dos atos que praticamos nas atividades diárias. Vamos cumprir bem agora o que nos cabe fazer, uma vez que estamos acionando o passado em termos de experiências e o futuro em nível de paciência e operosidade segura. Não nos esqueçamos de conduzir o tesouro da consciência tranquila em toda a estrada na qual nos movimentarmos, porque um dia surgirá, entre todos os outros, em que seremos invariavelmente chamados à prestação de contas nas leis da vida. E, chegado semelhante momento, nada nos será perguntado sobre as atividades e causas alheias, mas tão somente sobre nós mesmos.

27 de out de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 3

A CADA UM SEGUNDO AS SUAS OBRAS

“ASSIM, TODA A ÁRVORE BOA PRODUZ BONS FRUTOS, E TODA A ÁRVORE MÁ PRODUZ FRUTOS MAUS.” MATEUS 7:17

“PORQUE O FILHO DO HOMEM VIRÁ NA GLÓRIA DE SEU PAI, COM OS SEUS ANJOS; E ENTÃO DARÁ A CADA UM SEGUNDO AS SUAS OBRAS.” MATEUS 16:27

“NÃO ERREIS: DEUS NÃO SE DEIXA ESCARNECER; PORQUE TUDO O QUE O HOMEM SEMEAR, ISSO TAMBÉM CEIFARÁ.” GÁLATAS 6:7

“PORQUE TODOS DEVEMOS COMPARECER ANTE O TRIBUNAL DE CRISTO, PARA QUE CADA UM RECEBA SEGUNDO O QUE TIVER FEITO POR MEIO DO CORPO, OU BEM, OU MAL.” II COR 5:10

A afirmação de Jesus é clara. E interessante demais. Não deixa a menor dúvida: "A cada um segundo as suas obras". Basta ler com um pouquinho de atenção para se observar a profundidade. No entanto, a maioria esmagadora das pessoas transita pela vida ocupada demais para lhe dar atenção.

Para ser sincero, não está nem aí. E quando dá atenção acredita estar livre da sua área de atuação. Quer dizer, até reconhecem que a vida pode retornar às criaturas conforme as suas obras, mas os acontecimentos desagradáveis irão alcançar os outros. A maioria supõe se achar livre dos acontecimentos negativos que o ensinamento anuncia. Parece estranho, mas é assim mesmo que elas pensam.

Um percentual enorme de indivíduos acredita que os resultados externos menos felizes, em razão das sementes lançadas, frutificarão nos terrenos dos outros, não nos deles.

E quando colhem situações desagradáveis em suas próprias vidas acreditam que esses fatores lhe são estranhos à conduta. Analisam com muita convicção o que fizeram para merecer. Consideram determinadas dificuldades como sendo algo injusto e questionam consigo mesmos: "O que eu fiz para receber isto? Porquê tantos problemas e desventuras em cima de mim? Justo de mim?" Consideram inexplicáveis a ocorrência dos obstáculos e certos tropeços nos caminhos da vida. Pensam, avaliam, quebram a cabeça. Sem encontrar explicações procuram, sem êxito, esclarecimento nas filosofias do mundo. Quem sabe não encontram algum consolo ou alguma coisa que apascente a atribulação da mente. Tentam e tentam. Depois de algum tempo, cansados e confusos, concluem que o melhor é não pensar no assunto, que o mais acertado é esquecer. Esquecer a questão, deixar pra lá, como se os fatos se solucionassem sozinhos, por si mesmos. Só que não acontece assim, os fatos e os momentos vão se sucedendo e incumbindo de mantê-los ligados ao campo das cogitações.

Você já se atentou para o símbolo da justiça? A balança simboliza a precisão com que a justiça atua. Instrumento de pesagem que registra as mínimas oscilações, tanto para mais como para menos, confere a cada individualidade aquilo que de direito lhe pertence, segundo o mérito ou demérito.

A venda nos olhos possibilita julgar o fato com imparcialidade absoluta sem atentar para quem o praticou. E a espada, após o golpe preciso e necessário, sem a imposição de dano superior à necessidade, acaba por voltar sempre à mesma posição.

"Porque o filho do homem virá na glória de seu pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras". (Mateus 16:27) Apenas o evangelho nos oferece a expressão máxima da justiça. Vamos analisar que "dará a cada um segundo as obras" é o mesmo que dizer receberá, correto? Daí, a verdade é muito simples. Nada, absolutamente nada, acontece por acaso.

O efeito o próprio nome já diz, é efeito, logo, sempre tem uma causa. Cada um colhe sempre aquilo que semeia. Nisso não há mágica ou interferência de qualquer ordem. Nada mais há que a ocorrência natural e intransferível alcançando todos na esteira do universo, onde tudo se processa mediante leis divinas e naturais.

Assim, a dor ou a alegria, a paz ou a inquietação, a sombra ou a luz, o merecimento ou a desvalia, em nosso caminho, será sempre o resultado de acordo com as nossas próprias obras. Nós todos estamos colhendo o que semeamos. Não importa a época nem as condições em que a sementeira foi feita.

O que importa é que cada um colha, onde estiver e como se achar, aquilo que semeou.

Daí, nós temos hoje acontecimentos que definem expressões cármicas e planos positivos de conquista, como resposta da vida às nossas ações do passado.

As pessoas acreditam ser possível fraudar impunemente as leis que regem os destinos do espírito, só que somos todos semeadores. E como semear é toda manifestação nossa para com a vida, a vida nos retribui igualmente em conformidade com o que lhe exteriorizamos, por adequação justa e natural à lei da providência divina. Cada um de nós recebe na essencialidade o resultado do próprio cultivo. Temos os acontecimentos de ordem exterior como sendo resultantes da soma dos reflexos interiores. O homem é o senhor do futuro e escravo do passado. Todos os espinhos e todas as dores que nós temos são decorrentes de uma ação menos feliz lá atrás. Resgata-se agora a dívida de outrora.

A matemática é simples, nosso amanhã nascerá do hoje, como o hoje nasceu do ontem.

A natureza não dá saltos evolutivos e a justiça divina não admite nem de longe a ideia de vítimas.

É por sermos semeadores que cada um recebe conforme suas obras. O sistema é semear, germinar, crescer e frutificar. Quem planta colhe a seu tempo segundo a qualidade da semeadura e isso vale tanto para o bem quanto para o mal.

Toda semente lançada irá crescer e frutificar-se, cedo ou tarde. Toda semente produz no solo do tempo e os resultados invariavelmente são frutos da nossa escolha. O que oferecemos à vida a vida nos retribui. Cada atitude nossa, portanto, representa uma semente que lançamos na esteira do tempo, e é por essa semente que vamos praticamente projetando no destino inclusive o que chamamos de determinismo cármico. No momento em que vivemos estamos emitindo componentes positivos ou negativos, logo, vamos ter calma e cuidado com nossos pensamentos, palavras, gestos e ações, pois receberemos da vida o que oferecermos a ela.

Nós somos livros vivos de quanto pensamos e praticamos e os olhos cristalinos da justiça divina nos lêem em toda a parte. Isto tem que ficar muito claro, o presente é a consequência natural do passado como o futuro será o resultado inevitável do presente. Possuímos agora o que ajuntamos no dia de ontem e possuiremos amanhã o que estivermos buscando no dia de hoje. Não existe mistério.

A vida, exprimindo os desígnios do criador, assumirá para conosco atitudes adequadas às atitudes que assumirmos para com ela. Vamos lutar e nos aprimorar trabalhando e realizando com Jesus, confiantes no futuro e na certeza de que a vida de hoje nos espera amanhã. É evidente que muitas criaturas, mesmo colhendo a dor continuarão a semeá-la, até determinado momento em que se não for por algum dispositivo da misericórdia os sofrimentos ampliados as compelirão ao redirecionamento. Mas de nossa parte, vamos nos esforçar.

Nós, que já estamos entendendo a realidade da vida, vamos aprimorar o mecanismo de seleção e de critério. E examinar cada situação para que a gente erre menos daqui para a frente. Isso mesmo, já que não podemos acertar todas as vezes, que pelo menos a gente procure fazer por onde errar o menos possível.

24 de out de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 2

A LEI DE AMOR E A QUEDA

Cada país tem os seus códigos de leis, não tem? Que são elaborados e adequados à capacidade evolucional em que se encontram. Certo? Então, veja bem, se nós abrirmos o parâmetro para além do planeta Terra e considerarmos o universo inteiro como sendo o reino divino, fica fácil perceber que todos nós, indistintamente, situamo-nos sob o império de leis das quais não podemos trair. Concorda?

Existe uma ordem vigorante em toda a estrutura universal. E essa ordem não é à toa, não se mantém ao caso, de onde entendemos que dentro dessa ordem toda existe a presença de uma lei. Aliás, é a lei que define a estruturação da ordem e sem ela nós estaríamos debaixo de um imenso caos.

É impressionante a grandeza das leis. Deus é a inteligência suprema do universo que em tudo age por meio de leis sábias e imutáveis. Leis que os homens primitivos desconheciam e ignoravam e que vem sendo gradativamente compreendidas ao longo do tempo. Essas leis, todas elas fundamentadas na misericórdia e no amor, fundamentam-se em princípios de equilíbrio e não podem ser derrogadas sob a pena de apresentarem aflições penosas aos seus infratores. O resultado é simples, a Terra não é um campo em que podemos fazer o que quisermos ao nosso bel-prazer. É, sim, uma organização viva possuidora de certas leis que nos escravizarão ou libertarão, segundo as nossas obras.

A presença da divindade, com toda a sua sabedoria e inteligência, é que mantém todos os componentes de ampla expressão heterogênea nas suas mais variadas faixas evolucionais, diligenciando providências para a manutenção da dinâmica e para que o amor seja cada vez mais ampliado e presente em nossos corações. A visão divina, abrangendo todos os ângulos dos acontecimentos, estabelece diretrizes que facultam a manutenção do equilíbrio em toda parte.

A vibração dimanada do criador é amor. A determinação divina é sempre o bem e a felicidade para todas as criaturas. O bem está presente em toda a extensão universal, e não duvide disso. O amor é o legítimo ponto de equilíbrio do universo. É o princípio e toda estrutura fecundante. Constitui o acervo sobre o qual o universo se elabora. As leis de que se constituem o determinismo divino, as leis do universo, todas derivadas do amor, são estatuídas para dignificar e desenvolver os valores inatos das criaturas que, por sinal, trazem o anjo dormente na estrutura intrínseca, aguardando apenas o momento do despertar.

De forma que ninguém pode alegar desconhecimento do propósito divino ao nosso respeito.

A cada momento que avançamos no plano da sensibilidade observamos que vão aumentando incrivelmente os elementos ou contingentes de recursos que vão chegando para nós. O evangelho define que o conhecimento da verdade propicia libertação, e disso não há dúvida. Agora, aquele que vai conhecendo a verdade o que vai acontecendo com ele? O conhecimento vai implicando em responsabilidades.

O indivíduo vai tendo responsabilidades novas. Daí, aquele que se desperta no campo perceptivo da vida mais ampla passa a ter uma responsabilidade a mais.

Deus gerencia a nossa vida, mas nós também temos responsabilidades no encaminhamento da jornada. Aliás, responsabilidade é uma palavra chata, que incomoda, que intimidade a gente, mas fazer o quê? Temos que aprender a administrar.

Vamos incrustando em nosso psiquismo novos conhecimentos e isso vai gerando de nossa parte uma exigência maior. Nossas exigências vão se ampliando na medida em que vamos crescendo. É preciso considerar sempre a responsabilidade que permanece em nossas mãos, porque a responsabilidade acompanha o espírito em suas várias reencarnações.

Pense nisso. Quanto mais informações você detém, maior é o índice da sua responsabilidade.

Então, repare no seguinte. O momentos que passamos nas igrejas curvados aos sermões, os puxões de orelha que vez por outra recebemos ao nível da consciência através dos séculos, as palavras que tocam os nossos corações e que ficamos meio entristecidos, tudo isto representa expressões de fora para dentro que chegam para nos fazer abrir e metabolizar acerca das nossas responsabilidades, de um melhor posicionamento nosso e melhores posturas diante da própria vida.

Infelizmente, quanto mais o homem tem crescido, mais ele tem confiado em si em demasia. 

E essa confiança em excesso ocasionalmente transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias às leis de Deus, a ponto de efetuar intervenções indébitas no plano da harmonia. Acompanhou? Não é preciso ir longe, quantos males somos nós que decretamos para nós mesmos por meio de nossas ações despropositadas? Raros homens tem andado debaixo do respeito aos desígnios do criador. Ações negativas geram o mal, e com o mal surge a necessidade imperiosa de recompor os elos sagrados dessa harmonia. Esse mal gera o quê? O resgate. Ou seja, quem errou tem que consertar o erro que fez.

Todos aqueles que tentam enganar a natureza, achando que são extremamente espertos, agem de maneira equivocada e acabam por enganar a si mesmos.

A vida é uma sinfonia perfeita e quando procuramos desafiná-la somos compelidos a estacionar em pesado serviço de recomposição da harmonia quebrada.

Ninguém trai a vontade de Deus nos processos evolutivos sem graves tarefas de reparação.

A maioria das pessoas desconsidera que as menores quedas e as mínimas viciações ficam impressas na alma exigindo retificação. Assim, vamos estudando e observando que quanto mais conhecimento alcançamos, mais responsabilidade. Nós temos o livre-arbítrio a nosso favor, no entanto, se não chegamos a um ponto em que precisamos mudar o rumo nós acabamos por sair de uma linha de auto-escolha e somos lançados à mudança em uma linha compulsória.

E se soubéssemos o terrível resultado de nosso desrespeito às leis divinas nós jamais nos afastaríamos do caminho reto. Essa é a mais pura verdade. 

Não há balança de precisão mais delicada e perfeita que a da justiça distributiva. E também não há como fazer conchavos e negociações com Deus. Ele está na imutabilidade da lei. Aliás, Deus não tem que intervir nas sanções dos atos humanos porque cada ato leva em seu interior o prêmio ou o castigo. Quem desarmoniza as obras do criador pode se preparar para a recomposição. Quem lesa o Pai algema o próprio eu aos resultados de sua ação infeliz e, por vezes, pode gastar até séculos desatando grilhões.

Muitos podem perturbar as obras de Deus com sorrisos, todavia serão forçados a repará-las com o próprio suor e o choro. E, cá pra nós, hajam lágrimas depois. Vale acrescentar, ainda, que a sujeira psíquica é mais intensa tanto quanto mais ampla for a consciência que a individualidade tinha no momento em que procedia de maneira inadequada ante o conhecimento recebido. O assunto dá o que pensar.

20 de out de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 1

APARENTE INJUSTIÇA, PERFEITO EQUILÍBRIO

É comum no plano físico em que nos achamos as pessoas se verem inclinadas a observar somente os efeitos, sem ponderar as origens e as causas.

Ao verem um mendigo constatam apenas a miséria, no enfermo apenas o problema físico, e daí por diante. Muitos concluem de forma imediata que aqui no planeta Terra não existe justiça. Apressados de toda ordem declaram em voz alta e em todos os ambientes: "Cadê a justiça? Neste mundo de contrastes e desigualdades a justiça não passa de ilusão!" À primeira vista, parece que eles tem razão. Argumentos visíveis é o que não lhes faltam para essas considerações. Exemplos diversos se mostram aos olhos de todos, e em todos os cantos possíveis.

Próximo a nós, vemos um marido exemplar suportando uma esposa fútil, cheia de caprichos, vaidosa ao extremo e dissimulada. Ali, o oposto, uma esposa dócil, criteriosa e dedicada ao lar passando maus pedaços no convívio com um marido rude, estúpido e infiel. Além, pais bondosos e caridosos sacrificando-se por filhos ingratos que os destratam e menosprezam. Ao lado, filhos meigos e respeitosos ligados a pais viciados e preguiçosos que os tratam com desleixo e ignoram a educação e o futuro dos mesmos. Adiante, o empresário astuto e poderoso explorando os pobres funcionários. Ricos orgulhosos desprezando os pobres de toda ordem. O desonesto triunfando ao lado de pessoas honestas humilhadas. A virtude abatida ao lado do vício incansável. O delinquente impune e a vítima desamparada. A saúde e o vigor nos banquetes da alta sociedade e a enfermidade gemendo inaudível no leito dos hospitais. Artistas brilhando nos palcos e nas televisões como estrelas em posição de destaque e problemáticos e desorientados perambulando pelas ruas sem rumo. O supérfluo e o desperdício de um lado, e do outro miseráveis e famintos carecendo de pão. A beleza física atraindo sorrisos e assobios múltiplos, junto de várias chagas e deformidades que horrorizam. O sorriso relapso paralelamente à lágrima sem consolo. E, por fim, o prazer sem medidas junto da dor que infelicita. Coisas que fazem a gente pensar.

No mundo em que vivemos, análises e julgamentos são geralmente efetuados de forma superficial, com a utilização quase que exclusiva dos sentidos. E os sentidos vêem parcelas, vêem o fragmento desligado do todo. Observando com as faculdades do espírito é que nos surpreendemos com a realidade das coisas e enxergamos a perfeita justiça se revelando sob a ótica clara da razão. Nossos olhos físicos comumente vêem vítimas em todos os ambiente, mas é indispensável identificarmos as causas. Na verdade, não existem vítimas nas aparentes contrariedades e desigualdades que o mundo apresenta. Basta abrirmos os olhos espirituais para vermos nas vítimas de hoje os verdugos de ontem.

A vida é um processo de eleição pessoal e todos nós elegemos os tipos de experiência em que nos propomos estagiar.

À medida em que nos aprofundamos no conhecimento, e vamos entendendo a dinâmica da evolução, vamos notando que aquilo que parecia ser um quebra-cabeça enigmático ou uma sequência complicada de desastres e dificuldades sem fim, tudo isso passa a ser compreendido de maneira muito natural. É algo fundamental de se entender.

As ocorrências do hoje procedem de fatores ocultos do ontem, que desencadearam reações só agora aparecidas. 

Uma das belezas do estudo do evangelho é a de entendermos que no mundo em que vivemos não existem vítimas, embora possa parecer à primeira vista que em todos os lugares transitam uma grande quantidade delas. Guarde o seguinte: seja nesta ou em qualquer outra fase da evolução, discórdia e tranquilidade, ação e preguiça, erro e corrigenda, débito e resgate, são frutos da nossa escolha.

E quando se fala que o universo está em harmonia, fique tranquilo, ele está mesmo.

O criador gerencia o universo. Quem governa o mundo é Deus. Logo, no universo tudo é ordem e harmonia. O mundo é bonito e nós não podemos é nos apavorar diante dos acontecimentos. Não podemos dimensionar o universo com a condição anômala em que estamos vivendo hoje. Vamos caminhar com paciência e tranquilidade, o que estamos vivendo é um momento muito específico. Apesar das aparentes conturbações o planeta está em perfeito equilíbrio.

Tudo está ocorrendo dentro de uma linha de sabedoria do criador. 

A força invisível que administra os bens e os males é uma lei e não é possível que essa lei incida no mínimo erro sequer. Em toda parte do infinito universal, a suprema justiça se cumpre em sua plenitude. É uma ilusão querer que os nossos sentidos observem e concluam, vendo uma parte específica do quadro como se fosse o quadro inteiro. O universo não esmaga a mais pequenina formiga à toa.

Tudo o que acontece tem uma razão de ser. A lei se revela entre as causas e os efeitos e tudo o que se sucede neste mundo é efeito de causas, próximas ou remotas.

Tudo. Sem exceção. O caos que vez por outra nos envolve o ambiente de lutas, onde tudo chega a parecer confuso, obscuro e desigual, é precisamente a expressão dessa infalível justiça divina que se cumpre, cujos esplendores somente podemos ver com os olhos da razão.

Deu para ficar um pouco mais tranquilo? Pois é, nós não podemos estranhar nada. Por mais que pareça errado e estranho, está tudo certo neste mundo de Deus.

A vida é bela e sábia demais. E como a semeadura sempre traz os resultados positivos ou negativos segundo a semente, somos o perfeito reflexo de nós mesmos, colhendo invariavelmente conforme a natureza das nossas ações nos terrenos da vida imortal. Vivemos muitas vezes pela nossa própria escolha e no fundo somos os resultantes, sob a tutela de Deus, dos nossos próprios valores.

Muitas situações de natureza negativa nada mais são do que os efeitos de ocorrências pretéritas, que o tempo arquivou na memória perispirítica e não chegou a consumir. Deu uma ideia? Seja qual for a posição em que nos situamos, temos sempre a resposta da vida na vida que procuramos. Encontramo-nos todos em equilíbrio, sem exceção, possuindo o que conquistamos e à frente dos ideais que almejamos. Defrontamos no caminho os frutos do bem ou do mal que semeamos num passado mais próximo ou mais distante e cada qual se situa no quadro das próprias conquistas ou dos próprios débitos.

Assim, a alma conduz consigo o inferno ou o céu que edificou no âmago da própria consciência e cada individualidade apresenta hoje o equilíbrio ou o desequilíbrio pela obras do ontem. Os maus exibem o inferno que criaram para o íntimo e os bons revelam o paraíso que edificaram no coração.

17 de out de 2015

Cap 53 - A Caridade (2ª edição) - Parte 12 (Final)

AJUDAR, NÃO RESOLVER II

Quando envolvidos no plano da carne, muitas vezes nos inclinamos a verificar somente os efeitos sem a ponderação das origens. Entramos no terreno da cooperação, e isso que eu estou dizendo vale para todos nós, e costumamos querer resolver o problemas das pessoas de uma maneira totalmente esdrúxula e ineficiente.

Ficamos dando uma de papai do céu no contexto. Vemos a pessoa com um problema e logo já queremos resolver. O filho chega com um problema, não sabe como vai fazer, e o pai logo diz: "Não esquenta não, meu filho, que eu vou resolver. Deixa comigo, que eu dou um jeito!" Não é assim, ou eu estou exagerando? Talvez até mais por um impulso de sentimentalismo do que propriamente por uma condição educacional de amor. Quase sempre nós queremos avocar aquela posição do pai por excelência. Nós não nos atentamos muito para as mensagens intrínsecas das coisas, ainda olhamos de forma superficial, embalados pelo vapt-vupt dos acontecimentos.

É natural que a gente dê parcelas da nossa vida em favor dos outros, e queira aos outros aquilo que nos faz bem. A premissa é essa. Mas por causa dessa premissa de querer levar para os outros aquilo que é bom para nós, nós temos entrado em cada fria, em cada desajuste, que realmente não é fácil. Eu acho que a gente tem aprendido uma coisa, nós de fato temos buscado ajudar o semelhante, mas nem sempre vamos poder ajudá-lo na dimensão em que nós imaginamos.

O nosso grau de ansiedade é muito grande. Faz parte de nossa índole querer tudo de forma imediata.

Até na linha de cooperação nós queremos realizar a toque de caixa. Mas guarde o seguinte, não coloque o próximo como a razão de sua vida. Tentar resolver o problema do outro, se você não aprendeu ainda vai aprender, é utopia. Todos vamos aprender isso com o tempo.

Existe um plano de auxílio. O amor tem que ser amor na sua legitimidade. Com letra maiúscula. Não amor sentimentalismo. Percebeu? Nos círculos terrestres é comum viciarmos situações. A hipertrofia do sentimento é um mal comum em quase todos nós e o mecanismo de sentimentalismo é tão complicado quanto o sentimento totalmente fechado. Repare que, às vezes, embora estejamos envolvidos na melhor das intenções, a ansiedade de implementar o amor nos faz sofrer. Em tantas situações, com a nossa atuação baseada unicamente no sentimento exacerbado, nós precipitamos as respostas da lei e é preciso consultar a linha racional para não ficarmos suscetíveis a envolvimentos dessa ordem.

Como não temos um conhecimento muito nítido das condições intrínsecas ou espirituais daqueles com os quais convivemos, costumamos ficar entristecidos quando desejamos que as pessoas mais próximas a nós tenham uma mentalidade que elas ainda não estão preparadas para vivenciá-la. Conhecer informativamente elas já conhecem, mas a vivência do conteúdo é outra história.

E nós ignoramos que no plano natural da vida, tantas vezes a nossa solução para um problema alheio pode até mesmo significar colocar em risco a nossa estabilidade. Porque nós passamos a dificultar a manifestação da lei. Deu uma ideia? Então, vamos ter calma. Pode não parecer, mas está tudo debaixo da abrangência da visão superior em Deus. Vamos fazer o que pudermos, com carinho e sem precipitação, porque a precipitação tem levado muita gente às lágrimas.

Tem muita gente que em termos de auxílio fecha o circuito. "Eu estou cumprindo a minha parte. Ajudo mesmo! Faço o que tenho que fazer. É meu filho, minha mãe, meu tio, meu esposo, minha mulher." Faz tudo para o outro e acha que está dando seu recado. Só que pode não estar dando nada. O que essa pessoa pode é estar em desarmonia até na busca de sua própria segurança. 

Como também podemos encontrar indivíduos querendo ajuda e que são, entre aspas, verdadeiros parasitas. Não tem gente assim? Ele nota que alguém quer ajudá-lo e fica ali, sufocando de tudo que é jeito. Este se acomodou, dá uma de vítima e quer que algo seja sempre em favor dele. Cobra, pede, insiste. A pessoa que quer ajudá-lo pode fazer e soltar tudo para essa criatura. O ano inteiro ajudou, 364 dias. Um dia não fez. Sabe o que acontece? Todos os 364 dias que fez são jogados por terra, são desconsiderados, anulados na concepção errônea do que recebeu e não deu valor.

Nós estamos trazendo o assunto não para ditar normas, porque as normas tem que desaparecer. As normas nada mais são do que a adequação correta às leis. Agora, só se consegue penetrar além das normas quem as entende, absorve e as transforma em ponto estrutural da própria individualidade.

Tem muita gente por aí vivendo dramas dessa natureza: "Não sei se ainda tenho que continuar ajudando o meu filho ou se já está na hora de partir para outra". Não tem acontecido casos assim? "Até onde eu vou ter que aguentar aquela criatura?" Um outro chega e fala: "Quê isso? Você está fazendo demais. Se fosse comigo eu tinha feito isso, já tinha deixado, já tinha largado, ..." E por aí, vai. Só que "se fosse comigo" não é a solução, porque a situação envolve caracteres que apresentam abrangência maior do que parece para o que está envolvido.

Os questionamentos chegam e quando não se alcança o  discernimento abre-se para a criatura uma interrogação, levando-a a ter que aprender. Por isso, existe sempre um desafio para as novas faixas de aprendizagem, para que a lucidez e a intuição realmente funcionem de modo tranquilo e criterioso. E a pessoa vai notando que na medida em que ela começa a se preocupar com isso ela vai adquirindo uma condição bem mais favorável para discernir com segurança.

É preciso caminhar com tranquilidade e cooperar sem desespero pessoal. Quantas vezes a gente percebe a necessidade básica do semelhante, possui os instrumentos para essa criatura e temos que calar? Porque o processo não é resolver dificuldade da pessoa, tirá-la da dificuldade. Certo? Já aprendemos isso, a dificuldade é instrumento útil para fazer crescer.

O auxílio não pode ser por um sistema de manifestação de sentimento periférico não. 

É fundamental compreender, saber o que está acontecendo ali. Quase sempre os mais complicados, os mais sofridos, os mais desajustados, sabem porque eles estão nessa situação? Porque elegeram de maneira determinante o direito de ser feliz. Elegeram um método de forma fechada, fixaram o objetivo e simplesmente foram em cima dele. Então, para ajudar o criador tem que entrar toda a estrutura da mente: razão e sentimento. Pode acontecer de estarmos caminhando por um ponto e ter outros ângulos a mais que nós não temos acesso, que nós não visualizamos, não percebemos.

Quando começamos a querer ajudar nós temos que ter um fundamento nessa ajuda. Repare que se houve aprovação da sua consciência não tem problema. Acabou, você não vai levar remorso. Agora, se bater a ideia de que você poderia ter feito, poderia ter ajudado mais, aí é uma questão que começa a remoer na sua intimidade. O importante é ter calma e operar com naturalidade, que a gente nota que a vida acaba respondendo com carinho para nós.

O problema é mais uma questão de consciência. Até que ponto se deve ajudar, até onde enxergar a outra pessoa como sendo um parasita. Coisas desse tipo. Até que ponto fica a nossa consciência.

É muito comum nos dias atuais questionamentos dessa natureza: "Será que eu posso ajudar um pouquinho mais? Estou preocupado se não estou alimentando uma complicação, uma criminalidade". Não está acontecendo hoje? Precisamos avaliar com carinho as nossas ações, até onde acreditamos estar auxiliando e até onde estamos sendo coniventes com os erros e os disparates do outro. Nos trabalhos de auxílio é necessário ter o bom senso de saber quando se deva efetivamente investir. Não basta fazer ou não fazer e deixar a vida seguir. É fundamental entender que o que manda agora não é o ato de fazer ou não fazer, mas sim a tranquilidade e a serenidade de agir de maneira correta.

E notamos que usando desse equilíbrio, ligando sentimento e razão com inteligência, o nosso amor, por menor que ele seja, vai adquirindo uma moldura de sabedoria.

O desafio não é atender a vontade do semelhante, é pacificar a nossa postura no contexto. É estar bem. Deu uma ideia? Ter a consciência de que nós fizemos o que podíamos. 

Tem mãe que desencarna sem ter conseguido atingir o objetivo com o filho, não tem? E ela pode estar bem do outro lado porque olha, pensa e diz: "Eu fiz o que eu podia. O que eu pude fazer, eu fiz!" Ela está bem. Uma outra, com o mesmo caso, pode não estar bem. Desencarna, acha que fez e não fez. É por isso que entra o painel do conhecimento acerca do evangelho. Porque esse conhecimento vai criando liberdade e amplitude no nosso campo de análise.

A pessoa que está em uma situação melhor não pode ter pena da que está em uma situação pior. Eu falo pena naquele sentido negativo, de "coitado, puxa, eu estou aqui e ele está lá". Isso não pode existir. O que está aqui não pode ter pena, pois se tiver pena ele está demonstrando que não está entendendo o mecanismo da evolução. Ele pode ter compaixão do sofrimento do outro, e isto é diferente. Mas o sentimento de pena representa ainda dificuldades, que podem até dificultar a passagem do indivíduo que se tem pena para uma posição melhor.

Sem contar que por uma carga emotiva distorcida muita gente, e nós também nos incluímos, costuma se arrepender de muita coisa que fez para tirar obstáculos dos outros. E avalia depois se o indivíduo não deveria ter permanecido lá mais um pouquinho de tempo. Mas porque precipitou? O que faltava na época? Um visão de profundidade.

É por esta razão que até para ter misericórdia nós temos que conhecer. Ela não pode ser apenas por um simples processo de manifestação de sentimento periférico. 

Guarde isso: não se ajuda o criador somente por um impulso de sentimentalismo nosso. Tanto o sentimento doentio, como a frieza correta, não edificam o bem. Estamos investindo no evangelho para nos habilitarmos a ser servos fieis e o servo fiel não é o que chora ao contemplar as desventuras alheias ou tampouco as observa impassível a pretexto de não interferir na resposta da justiça. Aquele que quer auxiliar tem que estudar mesmo. Tem que mergulhar no plano do conhecimento, porque senão ele vira secretário, com muita boa vontade, mas apenas cheio de sentimento. E ao sentimento tem que associar o quê? A linha intelectiva da razão.

Deu uma ideia? É por isso que temos que conhecer. Operar sem permitir que os acontecimentos do mundo exterior nos precipitem nos aspectos negativos da emotividade.

Somente uma visão abrangente da realidade da vida, aliada ao sacrifício próprio, é capaz de redimir a nossa alma. Na hora que o auxiliador alcança uma visão clara da realidade divina, de que tanto ele é filho de Deus como o que está em uma situação abaixo, ele se asserena e trabalha sem a preocupação específica de querer resolver o problema alheio.

Todos nós mantemos os nossos interesses, os nossos objetivos e as nossas prioridades e, sem dúvida alguma, todos eles com uma ótica centrada no agora.

Continuamente nós temos batido nessa tecla, para se edificar em base de amor é preciso inicialmente conhecer. É fundamental a instrução para se ter a consciência do que está fazendo. Porque tem muita gente que opera sem conhecer e, às vezes, sabe o que acontece? Cai em grandes enrascadas. Não tem outra, nós temos que aprender a observar a marcha dos acontecimentos. O verdadeiro cooperador apresenta uma profunda capacidade de análise. Nos terrenos da cooperação e do auxílio, quanto mais valores nós tivermos em nossas mãos, quanto mais conhecimento dispormos, mais nós vamos ter que ponderar quanto à nossa ação em favor do semelhante, para que nós, na melhor das intenções, no exercício do amor e da caridade, não venhamos a torpedear o encaminhamento natural da evolução de quem quer que seja.

E tem mais, agir em nome do criador, como instrumento útil dele, exige uma ampla capacidade de abrangência de passado, futuro e conhecimento das leis divinas. 

Entre outras coisas, é indispensável identificar as causas. Nós possuímos um interesse e uma visão centrados no agora, no entanto, a misericórdia do alto visualiza tudo sob uma ótica que envolve o ontem e o amanhã a curto, médio e longo prazo do que vai se delinear. E, comumente, a resolução do problema do semelhante, sob a nossa ótica, significa a quebra da oportunidade sob a ótica divina para esse filho do criador. Será que deu para acompanhar? Então, vamos agir com prudência.

O bom trabalhador é aquele que ajuda sem fugir ao equilíbrio necessário, realizando todas as ações benéficas que estejam ao seu alcance consciente de que seu esforço traduz a vontade divina. E como a gente pode ajudar os outros, em nome da amplitude dos padrões do evangelho, sem estudar, sem conhecer, sem interessar-se num processo dessa ordem? Como é que nós vamos avançar no plano operacional da dinâmica divina, como instrumentos da misericórdia divina, sem esses conhecimentos que nós temos tido o ensejo de receber? À medida em que progredimos a nossa mente vai alcançando novos parâmetros, vai ficando mais elástica e mais ampliada. E o que é bonito, quando a gente conhece de maneira mais ampla os quadros visualizados tudo fica mais fácil. Bem mais fácil.

9 de out de 2015

Cap 53 - A Caridade (2ª edição) - Parte 11

AJUDAR, NÃO RESOLVER I

Se o assunto é cooperação, tem um ângulo importante a ser analisado. Nossa ação não pode impedir a caminhada de alguém. Não é muito fácil assimilar isto, mas não podemos nutrir o desejo de interferir de modo finalístico na edificação ou nas decisões de quem quer que seja. Isso tem que ficar claro. Nós simplesmente não podemos violentar ninguém.

Quanto mais valores nós tivermos em nossas mãos, quanto mais recursos, mais nós vamos ter que ponderar quanto à nossa ação em favor dos semelhantes, para que na melhor das nossas intenções, no exercício do amor e da caridade, não venhamos a torpedear o encaminhamento natural da evolução de alguém, seja quem for esse alguém.

É algo para ser levado em conta. A liberdade interior é prerrogativa de todos os filhos do criador e não é possível organizar precipitados serviços de socorro para todos os que caem nos precipícios dos sofrimentos por ação propositada, com plena consciência de suas atitudes. Nós não podemos interferir em um sistema de vida de alguém que ainda é o sistema de vida eleito por ele. Enquanto a vida de alguém for aquela que ele elegeu não há porque alterá-la. Não será caridade dar àqueles que não querem receber e ninguém pode ajudar aquele que se desajuda.

Não vamos querer depressa o que Deus está esperando acontecer. Não adianta atropelarmos o mecanismo evolucional. Ninguém está aqui para desativar o funcionamento da lei. Para se ter ideia, em muitas circunstâncias o companheiro que queremos ajudar se mostra sob o domínio de enganos tão extensos que a forma de ajudá-lo é esperar que a vida lhe renove o campo do espírito.

Tem pessoas que elegem a morte como um sistema de vida. E fazer o quê? Não podemos tirar alguém da vida que ele está vivendo, e que para nós é morte, para tentar colocá-lo em uma vida que é pseudo-vida para ele e que ele não vai se adequar, não vai se situar. Não podemos falar com esse alguém que ele está em um estado equivocado e que ele tem que sair daquilo. Sabe por quê? Porque aquilo é a vida dele. Enquanto alguém está na treva densa, e se deleita com ela, essa treva é luz para ele. Aquilo propicia vida plena para ele, embora seja um estado de morte para quem já alcançou um degrau acima. O problema é criado quando o indivíduo descobre a morte e mesmo assim se deleita nela.  

Temos que saber esperar o momento de definição de vida dessas pessoas, dessas criaturas.

Às vezes, o amor fala alto dentro de nós, o desejo de auxiliar, mas nem sempre aquele que pretendemos ajudar está preparado, e costuma vir com paus e pedras nas mãos, com reações duras de várias formas. Assim, em primeiro lugar nós temos que notar se ele já tem potencial para sair daquela treva. É por isso que quando um professor vai trabalhar ele tem que saber os potenciais do aluno. Não adianta você querer lançar luz num coração que na sua ótica está meio apagado, embora na ótica dele exista uma luz enorme lá. Não adianta. Você fica querendo clareá-lo de qualquer maneira. Às vezes, a pessoa não aguenta mais do que a luzinha de um palito de fósforo ou de uma lanterninha, mas não, você não se contenta com isso, chega com toda vontade, com todo o entusiasmo, predisposto a jogar um farol de caminhão no coração dele.

O estudo do evangelho visa, entre outras coisas, sensibilizar o nosso coração relativamente às pessoas. Mas o assunto é muito extenso e em nome de nossa adesão ao evangelho nós não podemos largar nossa vida, nosso piso de evolução, para ficar por conta dos problemas dos outros. Talvez a gente queira ficar dando uma de papai do céu, resolvendo o caso de todo mundo e descuidando da nossa própria proposta.

Vamos entender uma coisa, nem sempre nós vamos conseguir ajudar quem queremos.

Precipitando acontecimentos as situações não são alcançadas. Para se ter ideia, ficamos querendo ajudar, mas se o indivíduo complicado não tiver condições de descomplicar-se ele é retirado do nosso lado. Sabia disso? Já notou situações assim? Ninguém pode, em razão de um sentimentalismo ou de uma ternura, prejudicar a marcha do serviço divino. Cada espírito tem as suas contas a acertar com a justiça do eterno e não devemos contrariar os desígnios de Deus. Em muitos casos, é aconselhado até mesmo deixar a criatura entregue a si mesma durante algum tempo, a fim de que ela possa reconsiderar o passado e identificar os valores que desprezou. Lembre disso, as lágrimas e remorsos na solidão do arrependimento são portadores de calma no espírito irrefletido e ninguém, em hipótese alguma, pode carregar a cruz do outro.

Aprendemos que de nossa parte a cooperação, a atitude positiva no bem, tem que ser efetuada a todo momento. Temos que investir o que pudermos em favor de quem está precisando. Só que não podemos adotar a posição que muita gente adota, inclusive nós às vezes, de querer resolver o problema dos outros. Isso não dá.

Não fique chateado com o que eu vou dizer, mas Jesus não resolve o problema de ninguém. Ele mesmo disse: "vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mateus 11:28). Mas nós não, nós não queremos só isso. Em várias ocasiões queremos até ser mais do que Jesus. Não queremos aliviar, queremos é resolver. E entramos de cabeça nas dificuldades dos outros como se nós pudéssemos saná-las. E esse é um grande problema que tem nos feito sofrer muito. Preste atenção, quando começamos a colocar na cabeça aquela ideia de resolver problema alheio nós começamos a circular em zona de perigo.

De forma alguma você pode fazer para o outro o que é atribuição do outro. Ok? O processo não é resolver a dificuldade da pessoa, tirá-la da dificuldade, porque sabemos que a dificuldade é instrumento para crescer. É certo que nos cabe trabalhar tanto quanto esteja ao nosso alcance pelo bem do próximo, todavia não podemos exonerar os nossos semelhantes das obrigações contraídas.

Auxiliemos dando o melhor que pudermos, com o discernimento de fazer ao outro o que gostaríamos que nos fosse feito, mas vamos observar o seguinte: uma coisa é ajudar alguém a levantar a sua cruz e até dar alguns passos com ela, e outra coisa bem diferente é querer carregar a cruz do outro. É diferente cooperar com o outro e avocar o problema do outro. Portanto, ajude, mas leve a sua vida.

Não podemos querer viver em função da solução dos problemas dos outros. Precisamos servir, mas sem nos prender. É de muito bom senso, uma questão até mesmo lógica, que não venhamos a assinar promissórias de quem quer que seja.

Você entendeu o que eu estou querendo dizer, não entendeu? Nada de avocar o débito alheio, de avocar a dificuldade de outra pessoa. Do contrário, quase sempre que o fazemos costumamos enveredar por áreas que geram ressonâncias e que costumam nos levar a várias preocupações. Se ficamos apenas nos problemas alheios podemos vir a nos alienar, isso sem contar que se eu avoco totalmente a dificuldade do outro eu estou impedindo a caminhada dele. Então, guarde isto: não adianta querer sair resolvendo o problema do mundo, mas podendo criar dificuldades que vão emergir dentro da gente amanhã.

4 de out de 2015

Cap 53 - A Caridade (2ª edição) - Parte 10

AS ÚLTIMAS OBRAS

“EU CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU AMOR, E O TEU SERVIÇO, E A TUA FÉ, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE AS TUAS ÚLTIMAS OBRAS SÃO MAIS DO QUE AS PRIMEIRAS.” APOCALIPSE 2:19

Por enquanto, nós vamos praticando a lei sem muitas noções acerca do amor. Mas é dentro desse contexto que o amor realmente se expressa. Ao passo que permanecemos na prática do amor, resolvendo ou desativando a dificuldade que está nos prendendo lá atrás, vamos notar que esses valores novos, positivos, vão ganhando corpo.

Em outras palavras, começa pela disciplina e a sua continuidade vai gerando aos poucos a espontaneidade.

Vamos investindo no conhecimento e na dinâmica do conhecimento e, com o tempo, de forma gradativa, começamos a fazer e a investir por amor. Aí, surgem festas enormes e alegrias incomensuráveis por parte daqueles que nos amam. 

Atestamos o amor que existe dentro de nós pelo que fazemos. A árvore é conhecida pelos frutos que dá e o amor surge nas linhas da espontaneidade. E este é um grande segredo do crescimento: "as tuas últimas obras são mais do que as primeiras". Deu uma ideia? De maneira natural, como decorrência da continuidade e do aperfeiçoamento, as últimas obras passam a ser maiores do que as primeiras. Porque aquele que se encontra matriculado no plano do aprimoramento espiritual, no plano da melhoria e do crescimento, ele não pode ficar conformado com si próprio. Não pode estagnar.

A princípio, nós trabalhamos com os outros, na linha de cooperação, para resolver os nossos problemas. Buscamos dar uma condição diferente ao nosso mundo íntimo, trabalhando na eliminação das nossas trevas interiores. Tanto que nos primeiros lances é fácil notar que o amor apresenta um sentido muito forte de justiça. Todavia, na proporção em que o débito interior vai sendo sanado, porque sabemos que o amor "cobre a multidão de pecados", na hora em que as nossas trevas chegarem a desativação praticamente total, nós passamos a entrar em uma outra etapa da evolução. Ou seja, nós respaldamos com o terreno da justiça e abrimos o sol do amor. Vamos chegar na fase de servir aos outros pela simples felicidade de servir. Percebeu?

Nós vamos passar a atuar por amor. Com os nossos problemas resolvidos, no futuro, vamos atender o necessitado sem a marca pesada e sem a lágrima do débito anterior, mas sim com a abertura íntima, com o prazer e a felicidade. Vamos começar a trabalhar com as trevas do semelhante, e quem sabe até de outros mundos.

É interessante, mas tem gente que acha que amar é dar a sua vida ao outro e fazer tudo o que o outro quer: "Quem ama é aquele que dá a sua vida pelo semelhante".

Tudo bem, cada qual pensa da maneira como quer, mas tem gente que dá a vida pelo outro e faz tudo que o outro quer, mas não ama o outro. Percebeu? Ela não sente prazer nisso, não vibra com isso. Não sente o gostinho bom de interagir com aquela criatura, com aquele fato, com aquela situação. Deu para entender? Não sente o melhor. Faz, mas não sente alegria no fazer. Não se entusiasma.

Daí, fica um recado para todos nós que estamos aqui tentando aprender alguma coisa: vamos amar ao próximo, mas vamos procurar fazer de modo que o nosso campo mental sinta prazer nisso. Porque se eu faço o bem e não sinto prazer nisso eu não estou me refazendo, eu estou me desgastando. Eu estou andando na contramão. Porque o amor conforta, refaz, o amor alimenta a alma.

E o amor de fato é fazer bem por amor ao próprio bem. Notou? Então, cá para nós, essa postura da gente querer ser feliz por ser muito amado também já é outra coisa do passado. Já está caindo por terra. Não existe mais. É uma postura muito frustrante. Quem quiser ser feliz não espere ser amado. Ame! Porque a nossa felicidade reside no sorriso, no olhar, no bem estar, no estado feliz naquele com quem nós convivemos. E não vamos cansar de fazer as coisas da melhor forma, de operar no bem, não vamos nos cansar de fazer alguém feliz.

E mais uma coisa a gente aprende: "as últimas obras são mais do que as primeiras". Isso é ótimo. É uma beleza. É tudo que a gente quer. Crescimento, projeção.

É um sinal claro de que a gente está indo bem, que a gente está progredindo, está crescendo.

Este é o caminho, só que temos que ficar atentos para um ângulo relevante. Se começamos a ver que as obras seguintes vão sendo maiores do que as anteriores, isso é bom, mas pode gerar uma complicação. E sabe qual? A vaidade e o orgulho também podem crescer dentro de nós, e como é que a gente deixa a vaidade de lado? Porque na maioria das vezes não dá outra.

Então, nós temos que zelar pelo nosso crescimento, temos que manter a nossa proposta e buscar o melhor, mas não ao nível do orgulho, da presunção e da vaidade. Na medida em que as portas operacionais vão se abrindo, cada qual tem que ter um cuidado para que não venha a se tornar um elemento pretensioso, presunçoso, monopolizador, chato. Temos que ficar atentos. E a vaidade se desativa ou não se instala sabe como? Quando fazemos e sabemos nos calar.

1 de out de 2015

Cap 53 - A Caridade (2ª edição) - Parte 9

AS PRIMEIRAS OBRAS

“4TENHO, PORÉM, CONTRA TI QUE DEIXASTE O TEU PRIMEIRO AMOR. 5LEMBRA-TE, POIS, DE ONDE CAÍSTE, E ARREPENDE-TE, E PRATICA AS PRIMEIRAS OBRAS; QUANDO NÃO, BREVEMENTE A TI VIREI, E TIRAREI DO SEU LUGAR O TEU CASTIÇAL, SE NÃO TE ARREPENDERES.” APOCALIPSE 2:4-5

É interessante essa questão. O versículo mencionado não fala tenho contra ti que pisaste na bola em tal época ou em tal lugar, que cometeste um deslize, que ti deixaste envolver com um certo problema ou com algum tipo de vício. Que falhaste descaracterizando sua personalidade no erro. Não. Nada disso.

O problema todo é um só, que você faltou com o amor aplicado. O tenho contra ti é que deixou a primeira caridade. Que você deixou de operar com aquilo que perante a sua consciência já é uma condição que não pode mais deixar de ser feita.

E se você não pratica o amor, tem que passar a praticar, porque a não prática vai detonar respostas negativas por parte da lei, como a retirada do castiçal, que vamos abordar em outro capítulo. Logo, começar por onde? A primeira caridade está bem clara e não é novidade: "amar a Deus acima de todas as coisas".

Só que o amar a Deus é amplo demais, é infinito, razão pela qual não é algo sistematizado, mecanizado. Quer dizer, de certa forma não dá para saber ao certo qual é a primeira caridade. Dá para saber? Não dá. E tanto não dá que o versículo nos sugere lembrar onde caímos (“Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras.” Apocalipse 2:4-5).

Ficou claro? Não está dimensionado qual a natureza da obra ou o tamanho da obra, e sim chamando ao campo realizador das obras que nos compete apresentar individualmente no contexto da vida. Fala da necessidade de fazermos um levantamento das possibilidades. E para isso é preciso lembrar onde caímos e nos reerguer, porque a primeira caridade vai se dar no âmbito da consciência de cada um. Essa primeira caridade nos primeiros movimentos de sensibilização para com o próximo, no seu sentido operacional, está muito ligada ao impulso da consciência. São aquelas almas ansiosas por refazerem o destino e que se acham nas primeiras esperanças, em meio a disputas mais ásperas por arrebentarem o casulo das paixões inferiores na aspiração de crescer.

"Lembra-te, pois, de onde caíste". Repare que quase sempre a nossa queda se dá pelo esquecimento. 

Se você analisar com carinho, vai notar que na maioria das circunstâncias de nossa queda nós esquecemos a lei divina, literalmente esquecemos a lei do criador. É um pouco esquisito, mas à medida em que se refinam os conhecimentos intelectuais parece que nós vamos tendo a impressão de que passa a existir no homem menos respeito com relação às dádivas sagradas. Então, não tem outra, toda queda nossa se dá em decorrência do esquecimento à lei divina, que toda ela objetiva uma ação positiva para o encaminhamento da redenção dos seres.

Por isso, a primeira obra vai depender de cada criatura. Lembrar de onde caiu é porque existem marcas dentro de nós. E nada mais lógico, porque é simplesmente impossível evoluir sem lembrar. Se, por um lado, a queda se dá pelo esquecimento, por outro a ascensão se faz pela lembrança. E a própria propaganda nos ensina que o que não é visto não é lembrado. Aquilo que a gente não exercita a gente tende a esquecer. Tem que lembrar para se reerguer.

E lembrar tem um sentido bastante aplicativo. Equivale a pessoa reter consigo mesma naquele sentido prático, de ação. Diz respeito à assimilação para a implantação de um sistema novo de vida. O primeiro estágio é lembrar. De modo que temos que fazer um trabalho de levantamento íntimo. Reconhecer o tipo de sentimento que nos fez penalizar, que serviu de base para a nossa queda. Não há como operar um crescimento consciente sem uma auto-análise. Temos que nos reciclar, olhar para dentro do nosso coração e tirar o ponto de referência para uma caminhada mais segura, mais tranquila. Avaliar nossas dificuldades e evidenciar nossos valores positivos. Muitas vezes voltar ao ponto de partida, voltar ao início, levantar nossos potenciais, nossas possibilidades e retornarmos às primeiras obras. Pois é assim que se cresce de maneira sólida e efetiva.

O fato é que não existe, em tese, uma redenção linear. Quer dizer, a elevação é como a subida a uma longa escada, com alguns tropeços. Cada um vai notar que nos primeiros passos de edificação no bem nós ficamos mesmo suscetíveis de cair.

Costumamos subir um degrau, descer dois, subir três, e por aí vai, subindo escada afora. Inicialmente, a consciência nos dá uma pancada leve, uma chamada de atenção. Que tem contra nós que deixamos de amar, para logo a seguir nos estimular convidando-nos à retomada. Daí se observa que é necessário partir no íntimo das primeiras obras para se adquirir força, ganhar autoridade na cooperação, identificar as propostas de cima, saber o que é bom cultivar e o que é preciso deixar de lado e não mais cultivar. E, acima de tudo, fazer.

Nós todos temos andado cheios de ansiedades e de desejos. E quando entramos nessa proposta de buscar o conhecimento, nessa proposta de estudar, na verdade não fazemos a mínima ideia do que vai nos aguardar na frente. Mas passamos a sentir algo se iniciando dentro da gente. Um chamado sutil, e até de forma velada e inconsciente, de que precisamos cooperar, que precisamos ser útil.

Não acontece assim? A criatura sente que precisa fazer alguma coisa lá fora para resolver a sua dificuldade. Percebe que precisa cooperar com o mundo para resolver o seu problema íntimo. Ela vai atuar, mas está vendo primeiro o seu interesse. Passa a auxiliar porque está preocupada com a sua situação, ela tem uma auto-adoração muito grande por si mesma. Está calçando, ainda, sapatos de chumbo, no sentido bastante acanhado, bastante egocêntrico, embora a cabeça já rode por aí, começando a ver coisas e a perceber sob uma ótica diferenciada. Ela vai auxiliar porque sente que precisa ficar numa boa, que precisa melhorar, ter mais saúde, melhorar nisso, melhorar naquilo. Fica entre a auto-adoração e o cultivo do amor a Deus. Então, vigora um mercantilismo nesse início. Seu interesse essencial não é auxiliar o próximo com as melhores possibilidades, mas está buscando salvar a própria pele na engrenagem da evolução. Está trabalhando a faceta do interesse.

É assim. Quando somos convocados a operar, quando nosso coração acha que temos que ajudar, o fazemos buscando limpar um verdadeiro território complicado de nosso espírito. Auxiliamos sim, mas por enquanto ao nível da justiça.

Percebeu? Não fazemos com aquele amor em plenitude, mas objetivando respaldar o espírito, o nosso próprio destino. Com isso, nós não queremos dizer que não tenha amor não. Tem, mas por enquanto não vibramos muito com o semelhante. É um amor muito ligado à justiça. Estamos saindo da massa, alterando as linhas de concepção, por enquanto estamos querendo matar o homem velho, resolver nossos problemas, mudar nossos conceitos, erguer novas propostas. É um trabalho que se faz com um amor relativamente sumido no contexto. Uma ação no bem com um certo peso voltado para o lado reeducacional.

Uma ligação muito forte com a justiça. Uma necessidade que sentimos de fazer alguma coisa ao outro para resolvermos a nossa dificuldade, o nosso problema.

E esse lance de quebrar a conveniência pessoal, quebrar a diretriz egoística que cultivamos para nos abrirmos ao trabalho efetivo em nome do amor é um desafio que estamos vivendo hoje. Muita gente entra para tirar a dor. Outros também entram para se resguardarem, porque estão vivendo debaixo de um regime de privilégios. Por esse motivo, fica difícil definir se agimos por justiça ou por amor. Mas como a justiça é parcela do amor, na medida em que vamos nos integrando e conhecendo mais acerca do mecanismo outros aspectos vão surgindo.

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