4 de out de 2015

Cap 53 - A Caridade (2ª edição) - Parte 10

AS ÚLTIMAS OBRAS

“EU CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU AMOR, E O TEU SERVIÇO, E A TUA FÉ, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE AS TUAS ÚLTIMAS OBRAS SÃO MAIS DO QUE AS PRIMEIRAS.” APOCALIPSE 2:19

Por enquanto, nós vamos praticando a lei sem muitas noções acerca do amor. Mas é dentro desse contexto que o amor realmente se expressa. Ao passo que permanecemos na prática do amor, resolvendo ou desativando a dificuldade que está nos prendendo lá atrás, vamos notar que esses valores novos, positivos, vão ganhando corpo.

Em outras palavras, começa pela disciplina e a sua continuidade vai gerando aos poucos a espontaneidade.

Vamos investindo no conhecimento e na dinâmica do conhecimento e, com o tempo, de forma gradativa, começamos a fazer e a investir por amor. Aí, surgem festas enormes e alegrias incomensuráveis por parte daqueles que nos amam. 

Atestamos o amor que existe dentro de nós pelo que fazemos. A árvore é conhecida pelos frutos que dá e o amor surge nas linhas da espontaneidade. E este é um grande segredo do crescimento: "as tuas últimas obras são mais do que as primeiras". Deu uma ideia? De maneira natural, como decorrência da continuidade e do aperfeiçoamento, as últimas obras passam a ser maiores do que as primeiras. Porque aquele que se encontra matriculado no plano do aprimoramento espiritual, no plano da melhoria e do crescimento, ele não pode ficar conformado com si próprio. Não pode estagnar.

A princípio, nós trabalhamos com os outros, na linha de cooperação, para resolver os nossos problemas. Buscamos dar uma condição diferente ao nosso mundo íntimo, trabalhando na eliminação das nossas trevas interiores. Tanto que nos primeiros lances é fácil notar que o amor apresenta um sentido muito forte de justiça. Todavia, na proporção em que o débito interior vai sendo sanado, porque sabemos que o amor "cobre a multidão de pecados", na hora em que as nossas trevas chegarem a desativação praticamente total, nós passamos a entrar em uma outra etapa da evolução. Ou seja, nós respaldamos com o terreno da justiça e abrimos o sol do amor. Vamos chegar na fase de servir aos outros pela simples felicidade de servir. Percebeu?

Nós vamos passar a atuar por amor. Com os nossos problemas resolvidos, no futuro, vamos atender o necessitado sem a marca pesada e sem a lágrima do débito anterior, mas sim com a abertura íntima, com o prazer e a felicidade. Vamos começar a trabalhar com as trevas do semelhante, e quem sabe até de outros mundos.

É interessante, mas tem gente que acha que amar é dar a sua vida ao outro e fazer tudo o que o outro quer: "Quem ama é aquele que dá a sua vida pelo semelhante".

Tudo bem, cada qual pensa da maneira como quer, mas tem gente que dá a vida pelo outro e faz tudo que o outro quer, mas não ama o outro. Percebeu? Ela não sente prazer nisso, não vibra com isso. Não sente o gostinho bom de interagir com aquela criatura, com aquele fato, com aquela situação. Deu para entender? Não sente o melhor. Faz, mas não sente alegria no fazer. Não se entusiasma.

Daí, fica um recado para todos nós que estamos aqui tentando aprender alguma coisa: vamos amar ao próximo, mas vamos procurar fazer de modo que o nosso campo mental sinta prazer nisso. Porque se eu faço o bem e não sinto prazer nisso eu não estou me refazendo, eu estou me desgastando. Eu estou andando na contramão. Porque o amor conforta, refaz, o amor alimenta a alma.

E o amor de fato é fazer bem por amor ao próprio bem. Notou? Então, cá para nós, essa postura da gente querer ser feliz por ser muito amado também já é outra coisa do passado. Já está caindo por terra. Não existe mais. É uma postura muito frustrante. Quem quiser ser feliz não espere ser amado. Ame! Porque a nossa felicidade reside no sorriso, no olhar, no bem estar, no estado feliz naquele com quem nós convivemos. E não vamos cansar de fazer as coisas da melhor forma, de operar no bem, não vamos nos cansar de fazer alguém feliz.

E mais uma coisa a gente aprende: "as últimas obras são mais do que as primeiras". Isso é ótimo. É uma beleza. É tudo que a gente quer. Crescimento, projeção.

É um sinal claro de que a gente está indo bem, que a gente está progredindo, está crescendo.

Este é o caminho, só que temos que ficar atentos para um ângulo relevante. Se começamos a ver que as obras seguintes vão sendo maiores do que as anteriores, isso é bom, mas pode gerar uma complicação. E sabe qual? A vaidade e o orgulho também podem crescer dentro de nós, e como é que a gente deixa a vaidade de lado? Porque na maioria das vezes não dá outra.

Então, nós temos que zelar pelo nosso crescimento, temos que manter a nossa proposta e buscar o melhor, mas não ao nível do orgulho, da presunção e da vaidade. Na medida em que as portas operacionais vão se abrindo, cada qual tem que ter um cuidado para que não venha a se tornar um elemento pretensioso, presunçoso, monopolizador, chato. Temos que ficar atentos. E a vaidade se desativa ou não se instala sabe como? Quando fazemos e sabemos nos calar.

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