20 de out de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 1

APARENTE INJUSTIÇA, PERFEITO EQUILÍBRIO

É comum no plano físico em que nos achamos as pessoas se verem inclinadas a observar somente os efeitos, sem ponderar as origens e as causas.

Ao verem um mendigo constatam apenas a miséria, no enfermo apenas o problema físico, e daí por diante. Muitos concluem de forma imediata que aqui no planeta Terra não existe justiça. Apressados de toda ordem declaram em voz alta e em todos os ambientes: "Cadê a justiça? Neste mundo de contrastes e desigualdades a justiça não passa de ilusão!" À primeira vista, parece que eles tem razão. Argumentos visíveis é o que não lhes faltam para essas considerações. Exemplos diversos se mostram aos olhos de todos, e em todos os cantos possíveis.

Próximo a nós, vemos um marido exemplar suportando uma esposa fútil, cheia de caprichos, vaidosa ao extremo e dissimulada. Ali, o oposto, uma esposa dócil, criteriosa e dedicada ao lar passando maus pedaços no convívio com um marido rude, estúpido e infiel. Além, pais bondosos e caridosos sacrificando-se por filhos ingratos que os destratam e menosprezam. Ao lado, filhos meigos e respeitosos ligados a pais viciados e preguiçosos que os tratam com desleixo e ignoram a educação e o futuro dos mesmos. Adiante, o empresário astuto e poderoso explorando os pobres funcionários. Ricos orgulhosos desprezando os pobres de toda ordem. O desonesto triunfando ao lado de pessoas honestas humilhadas. A virtude abatida ao lado do vício incansável. O delinquente impune e a vítima desamparada. A saúde e o vigor nos banquetes da alta sociedade e a enfermidade gemendo inaudível no leito dos hospitais. Artistas brilhando nos palcos e nas televisões como estrelas em posição de destaque e problemáticos e desorientados perambulando pelas ruas sem rumo. O supérfluo e o desperdício de um lado, e do outro miseráveis e famintos carecendo de pão. A beleza física atraindo sorrisos e assobios múltiplos, junto de várias chagas e deformidades que horrorizam. O sorriso relapso paralelamente à lágrima sem consolo. E, por fim, o prazer sem medidas junto da dor que infelicita. Coisas que fazem a gente pensar.

No mundo em que vivemos, análises e julgamentos são geralmente efetuados de forma superficial, com a utilização quase que exclusiva dos sentidos. E os sentidos vêem parcelas, vêem o fragmento desligado do todo. Observando com as faculdades do espírito é que nos surpreendemos com a realidade das coisas e enxergamos a perfeita justiça se revelando sob a ótica clara da razão. Nossos olhos físicos comumente vêem vítimas em todos os ambiente, mas é indispensável identificarmos as causas. Na verdade, não existem vítimas nas aparentes contrariedades e desigualdades que o mundo apresenta. Basta abrirmos os olhos espirituais para vermos nas vítimas de hoje os verdugos de ontem.

A vida é um processo de eleição pessoal e todos nós elegemos os tipos de experiência em que nos propomos estagiar.

À medida em que nos aprofundamos no conhecimento, e vamos entendendo a dinâmica da evolução, vamos notando que aquilo que parecia ser um quebra-cabeça enigmático ou uma sequência complicada de desastres e dificuldades sem fim, tudo isso passa a ser compreendido de maneira muito natural. É algo fundamental de se entender.

As ocorrências do hoje procedem de fatores ocultos do ontem, que desencadearam reações só agora aparecidas. 

Uma das belezas do estudo do evangelho é a de entendermos que no mundo em que vivemos não existem vítimas, embora possa parecer à primeira vista que em todos os lugares transitam uma grande quantidade delas. Guarde o seguinte: seja nesta ou em qualquer outra fase da evolução, discórdia e tranquilidade, ação e preguiça, erro e corrigenda, débito e resgate, são frutos da nossa escolha.

E quando se fala que o universo está em harmonia, fique tranquilo, ele está mesmo.

O criador gerencia o universo. Quem governa o mundo é Deus. Logo, no universo tudo é ordem e harmonia. O mundo é bonito e nós não podemos é nos apavorar diante dos acontecimentos. Não podemos dimensionar o universo com a condição anômala em que estamos vivendo hoje. Vamos caminhar com paciência e tranquilidade, o que estamos vivendo é um momento muito específico. Apesar das aparentes conturbações o planeta está em perfeito equilíbrio.

Tudo está ocorrendo dentro de uma linha de sabedoria do criador. 

A força invisível que administra os bens e os males é uma lei e não é possível que essa lei incida no mínimo erro sequer. Em toda parte do infinito universal, a suprema justiça se cumpre em sua plenitude. É uma ilusão querer que os nossos sentidos observem e concluam, vendo uma parte específica do quadro como se fosse o quadro inteiro. O universo não esmaga a mais pequenina formiga à toa.

Tudo o que acontece tem uma razão de ser. A lei se revela entre as causas e os efeitos e tudo o que se sucede neste mundo é efeito de causas, próximas ou remotas.

Tudo. Sem exceção. O caos que vez por outra nos envolve o ambiente de lutas, onde tudo chega a parecer confuso, obscuro e desigual, é precisamente a expressão dessa infalível justiça divina que se cumpre, cujos esplendores somente podemos ver com os olhos da razão.

Deu para ficar um pouco mais tranquilo? Pois é, nós não podemos estranhar nada. Por mais que pareça errado e estranho, está tudo certo neste mundo de Deus.

A vida é bela e sábia demais. E como a semeadura sempre traz os resultados positivos ou negativos segundo a semente, somos o perfeito reflexo de nós mesmos, colhendo invariavelmente conforme a natureza das nossas ações nos terrenos da vida imortal. Vivemos muitas vezes pela nossa própria escolha e no fundo somos os resultantes, sob a tutela de Deus, dos nossos próprios valores.

Muitas situações de natureza negativa nada mais são do que os efeitos de ocorrências pretéritas, que o tempo arquivou na memória perispirítica e não chegou a consumir. Deu uma ideia? Seja qual for a posição em que nos situamos, temos sempre a resposta da vida na vida que procuramos. Encontramo-nos todos em equilíbrio, sem exceção, possuindo o que conquistamos e à frente dos ideais que almejamos. Defrontamos no caminho os frutos do bem ou do mal que semeamos num passado mais próximo ou mais distante e cada qual se situa no quadro das próprias conquistas ou dos próprios débitos.

Assim, a alma conduz consigo o inferno ou o céu que edificou no âmago da própria consciência e cada individualidade apresenta hoje o equilíbrio ou o desequilíbrio pela obras do ontem. Os maus exibem o inferno que criaram para o íntimo e os bons revelam o paraíso que edificaram no coração.

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