31 de out de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 4

CAUSA E EFEITO

“PORQUE NÓS SOMOS DE ONTEM, E NADA SABEMOS; PORQUANTO NOSSOS DIAS SOBRE A TERRA SÃO COMO A SOMBRA.” JÓ 8:9

A causa nós vamos entendê-la como sendo aquilo ou aquele que faz com que uma coisa exista, que determina um acontecimento. É a razão, o motivo, a origem, ao passo que o efeito é o resultado, a consequência.

Um dos pontos mais importantes da nossa vida é termos a capacidade de entender que nos situamos debaixo da lei e que a lei não se modifica nas suas expressões.

Quer dizer, a manifestação da lei corresponde a um processo natural da harmonia cósmica. Ela não acontece porque tem um juiz externo definindo o que é necessário para as pessoas, então, não vamos ficar naquela ideia antiga de um Deus punitivo. Isso é coisa do passado. Não existe uma reação negativa por parte das leis que nos regem, elas não tem aquele sentido negativo, ainda que machuquem, ainda que sofra a criatura envolvida por elas. Ficou claro? As reações da lei não tem o sentido puramente de dizer basta ou mesmo de mostrar a nossa pequenez.

A própria dor, a própria enfermidade, os próprios desafios da vida, são componentes impulsionadores da evolução, seja no respaldo dos débitos perante a lei ou na instauração dos processos de indução para o crescimento da individualidade.

Em todos os planos da existência o instituto da justiça divina funciona de forma natural, com os seus princípios de compensação. Primeiro vem a semeadura, depois a colheita, e tanto as sementes positivas como as nocivas, encontrando terra propícia, produzirão a seu modo na mesma pauta de multiplicação. Isso é muito profundo e a gente tem que entender, na resposta da natureza ao esforço do lavrador vigora simplesmente a lei.

Você se lembra daquela passagem do evangelho em que Jesus disse a um cego "vai e não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior"? (João 5:14) Pois é, o mestre disso aquilo porque o problema daquela cegueira não era algo que surgiu do nada, de graça, aleatório, mas decorrente de suas ações pretéritas, consequência de sua instabilidade.

Nós todos vivemos em um mundo onde paralelamente ao lado de uma proposta reeducacional de melhoria dos seres existe também a presença de elementos definindo, sobre as causas já lançadas no espaço e no tempo, os efeitos, isto é, os resultados a que estaremos sujeitos a recolher em meio a momentos peculiares.

Deu para acompanhar? Estamos dizendo que cada sementeira propicia o cultivo, a germinação, o crescimento e a frutificação no devido tempo. As circunstâncias atuais que envolvem a nossa vida representam reflexos de situações mais ou menos felizes que semeamos em um passado mais próximo ou mais distante. Os fatores externos simplesmente vem de encontro às nossas concepções mais íntimas e tudo o que nos ocorre se dá em conformidade às nossas carências pessoais.

E tem mais, a severidade do castigo é sempre proporcional à gravidade da falta. Nós aprendemos isso, não é? Então, os que abusaram da riqueza material ontem voltam destituídos da mesma hoje; mãos que continuamente se levantaram para ferir os semelhantes podem vir a ser cortadas; o pai que deu um vestido novo para a filha rebelde e ela o rasgou propositadamente, não lhe dá de imediato um mais bonito, como também não dispensa recursos mais amplos aos filhos que não deram valor e desperdiçaram os recursos recebidos anteriormente sem proveito algum.

São os desafios e as dificuldades que fazem com que as pessoas busquem melhorar. O que levou o indivíduo a fabricar o guarda-chuva foi o fato de tomar tanta chuva na cabeça. O planeta em que vivemos é de reajustamento, de provas e expiações, onde se conjuga o passado com o presente. A roda do tempo gira incansável, a paciência divina é eterna e não adianta se desesperar, pois tudo se processa sob o império da justiça superior que nos rege os destinos.

Jó já dizia "porque nós somos de ontem, e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra" (Jó 8:9). 

O homem é senhor do futuro, mas escravo do passado, e é dessa conjugação de passado e presente que resulta o futuro que nos espera. Muitos podem questionar, de forma válida, porque tantas pessoas boas sofrem enquanto muitas pessoas más desfrutam de prazeres e aparente prosperidade. A resposta exige análise. O sofrimento dos bons consiste em muito no resgate de culpas passadas. Isto é, resgatam no momento atual a dívida de outrora. Estes que estão sofrendo estão colhendo, ao passo que o outro grupo se encontra semeando. Porque não é possível colher sem antes ter semeado, nem tampouco pagar dívidas sem antes tê-las contraído. Percebeu a questão? A semeadura sempre precede a colheita e a solvência vem após compromisso. Semeia-se em um tempo, colhe-se noutro. E ponto final.

Cada um de nós é totalmente responsável pela emissão das forças que lança em circulação nas correntes da vida. Não tem outra, somos os arquitetos do nosso destino. Cada espírito representa um universo próprio e deverá a si mesmo a ascensão sublime ou a queda deplorável. Você está lendo com atenção? Da mesma forma que a semente traz em seu íntimo de forma oculta os caracteres mínimos de onde procede a árvore, com os seus ramos, folhas, flores e frutos, trazemos conosco, perfeitamente encadeadas, as causas e os efeitos que determinam tudo o que nos acontece. Daí, a conclusão não pode ser outra, é preciso pensar com acerto e não viver de qualquer jeito, no oba-oba.

A vida, embora seja uma aventura gostosa, não é uma brincadeira. É da lei de Deus que toda semeadura se desenvolva, portanto, que haja suficiente cuidado em nós a cada dia, porque o bem ou o mal, uma vez semeados, crescerão junto de nós. E é melhor prevenir antes do que chorar depois.

A vida é um processo de eleição pessoal, e tanto é que o evangelho nos propõe trabalhar a semente, não o fruto.

Em qualquer fase da evolução nós elegemos os tipos de experiência em que nos propomos estagiar. O que for semeado produzirá a essência do que será colhido. 

Quando mais céu no interior da alma, pela sublimação da vida, mais ampla a incursão da alma nos céus exteriores, quanto mais luz dentro, menos trevas no plano exterior. Assim, vamos procurar compreender a substância dos atos que praticamos nas atividades diárias. Vamos cumprir bem agora o que nos cabe fazer, uma vez que estamos acionando o passado em termos de experiências e o futuro em nível de paciência e operosidade segura. Não nos esqueçamos de conduzir o tesouro da consciência tranquila em toda a estrada na qual nos movimentarmos, porque um dia surgirá, entre todos os outros, em que seremos invariavelmente chamados à prestação de contas nas leis da vida. E, chegado semelhante momento, nada nos será perguntado sobre as atividades e causas alheias, mas tão somente sobre nós mesmos.

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