24 de nov de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 8

A MISERICÓRDIA NA CAUSA E EFEITO

O evangelho chegou ao mundo como o roteiro sagrado e a sua substância foi aos poucos penetrando o aparelho judiciário de todos os povos. Analisando a situação com tranquilidade notamos que lá atrás, bem no passado mesmo, a sociedade começou a compreender as suas obrigações quanto aos indivíduos e passou a segregar o criminoso da mesma forma como se isola um doente. Quer dizer, passou a isolar, mas buscando auxiliar-lhe na melhoria, utilizando para isso os meios ao seu alcance.

A finalidade das prisões já deixou de ser, faz tempo, a imposição do sofrimento, seja este um sofrimento físico ou moral, e passou a visar prioritariamente a reforma do infrator. 

Não é isso? Os regimes de recuperação e reparação em todo o planeta tem por objetivo hoje a melhoria moral do delinquente, a sua reeducação e consequente readaptação no meio social. Pode-se dizer que o fim de toda pena é a educação da vontade do infrator, afinal de contas, é no interior do homem, na sua vontade, que reside tanto o fundamento da pena como o fundamento da recompensa.

Nas civilizações mais avançadas a preocupação com o delinquente é reeducá-lo, por meio das prisões domiciliares, das colônias agrícolas e de outros métodos que substituem as punições medievais, para que ele se recupere e passe a cooperar com a sociedade. 

Nos dias atuais, mediante um sistema combinado de notas, pela disciplina, pela aplicação aos estudos e dedicação ao trabalho, em muito se tem colocado a sorte do recluso em suas próprias mãos, estimulando-o de forma a que procure alcançar progressivamente a melhoria de sua situação e, mais tarde, a sua libertação de forma definitiva.

Não vamos nos esquecer que quem governa o mundo é Deus. É ele quem governa. 

Em razão disso, a justiça divina jamais foi exercida sem amor. E mais, a lei divina, toda ela, eleva e estrutura-se sobre o perfeito amor. Até mesmo quando Deus exerce a sua justiça ele não suspende o curso da misericórdia. Até mesmo na lei de causa e efeito nós encontramos a presença do amor.

Repare para você ver, se baseado apenas no plano da sementeira e da colheita todo o esquema de nossa vida está montado e definido. Não está? Porém, a lei é de uma grandeza extraordinária, a gente acaba por receber na pauta certinha, sem mais nem menos, aquilo que nós estamos fazendo ou temos feito. Sem mais nem menos. Mas com uma exceção: muito mais misericórdia. Porque se dependesse só dos nossos lances de sementeira, aí sim, nós estaríamos sem solução.

Mas funciona a bondade e a misericórdia. O pai jamais pune os seus filhos que erram. Corrige-os, perdoando sempre. E, cá pra nós, existe uma diferença entre punir e corrigir. Quem pune humilha para submeter, e quem corrige aperfeiçoa para libertar. Vamos entender, o criador não repreende e tampouco castiga, o que existem são leis imutáveis que funcionam dentro da necessidade de cada um.

A lei divina vinga, mas não vinga sob o aspecto finalístico de fazer a criatura pagar o que deve. Ela atua visando um processo reeducacional com visa a um porvir melhor.

Percebeu? Os momentos difíceis na vida nos cerceiam sim, sem dúvida alguma, no entanto, dentro desse cerceamento e da aplicação da lei vigora uma alta dose de investimento superior. E o objetivo natural dessa justiça é conseguir em cada ambiente cósmico o máximo de equilíbrio. 

A misericórdia objetiva sempre a mesma finalidade: a evolução das almas. Sendo assim, analisado de lá para cá, do plano de cima para o de baixo, da esfera celestial para a nossa, existe um investimento em uma oportunidade para que debaixo do mecanismo da dor e do sofrimento, dentro desse processo difícil de quitação e reajuste, a gente se harmonize com as leis soberanas, aprenda o caminho e seja feliz.

E isso é muito bonito de entender. As reações da lei trazem consigo uma abertura nova chamada amor, equilíbrio, exame da caminhada, recuperação e recomposição do destino. Trazem consigo uma instrumentalidade didática para que a gente descubra o processo e se ajuste a um caminho novo e melhor.

E isso acontece porque para além do cumprimento da lei de causa e efeito existe uma lei maior: a lei do progresso. E em cima daquela máxima de "matou, morreu, pagou o que devia" simplesmente não haveria progresso algum para a criatura. Ficou claro agora? Por isso, muitas vezes, atrás do contexto demorado entre a causa infeliz (causa) e o resgate doloroso (efeito), existe uma proposta superior de reeducação do ser. 

E reclamar a gente não pode. De forma alguma. Mesmo diante dos pontos fechados que deparamos em nossa caminhada nós encontramos diversas oportunidades de orar, refletir e laborar novas propostas. Sempre podemos encontrar condições de amenizar as ressonâncias da lei em nós mesmos, sempre vamos encontrar condições de criar uma estrutura íntima mais firme, mas positiva, mais segura e com mais qualidade. E dependendo de nosso esforço e de nossa simpatia exteriorizada nós podemos conquistar amigos que poderão até nos sustentar nos momentos mais duros.

A proposta da misericórdia divina não é machucar ou punir e, sim, fazer o ser avançar, libertar e integrar-se nas faixas expressivas do amor. Isso é algo que nós precisamos compreender quando estivermos sofrendo ou nos depararmos com o sofrimento de outrem. 

Essa mesma misericórdia divina não preceitua que o infrator seja flagelado com uma extensão indiscriminada de dor expiatória. Muito pelo contrário, os tribunais divinos são invariavelmente regidos pela equidade soberana e entre os espíritos superiores, diante dos soberanos códigos, é mais importante reparar o erro do que fazer a individualidade expungir em lágrimas, retificar o ser do que aprisioná-lo nos limites estreitos da impiedade vingativa.

E mais ainda, preceitua a misericórdia de Deus que o mal seja suprimido de suas vítimas com a possível redução do sofrimento. A lei objetiva o retorno do equilíbrio, claro, mas com respeito aos direitos alheios e dentro da mínima cota de pena.

Logo, nada de apavoramento, precisamos estar com os corações abertos para recolhermos a vontade de Deus.

A própria misericórdia define que a lei, quando está debaixo do envolvimento da grandeza de Deus em amor, ela sofre alteração. Para se ter ideia, quando a fidelidade sincera ao Senhor se mantém viva e atuante no coração dos homens há sempre lugar para o acréscimo da misericórdia a que se referia Jesus em seus apostolado de luz.

Não sei se você já observou, mas às vezes nós somos ajudados sabe por quê? Por causa de um filho, por causa do marido, da esposa, do tio, de um parente que está conosco ou de alguém que precisamos auxiliar ou por causa de uma tarefa que nós temos que realizar. São coisas que podem pesar a nosso favor.

Outro ponto fundamental que é interessante saber é que todas as vezes que a lei nos procura para obter de nós o resgate quanto aquilo que devemos, quando ela vem nos cobrar a dívida que é nossa, e nos encontra trabalhando em favor do bem coletivo, é acionada a lei de misericórdia e a nossa dívida passa para a frente. Você sabia disso?

18 de nov de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 7

O FIO DO COMPROMISSO

A consciência nós podemos entendê-la como sendo aquela faculdade do espírito pela qual ele é capaz de refletir acerca de si mesmo e da luz da justiça divina. 

Fator interessante é que se nenhuma criatura humana consegue fugir da lei, tampouco consegue se eximir da consciência de si mesmo, uma vez que Deus escreveu na própria consciência os seus códigos soberanos.

Cada individualidade traz consigo o seu próprio juiz. E porque estamos dizendo isto? Porque sempre que o homem infringe algum preceito da lei ele se torna réu consciente e abre espaço para o processo da regeneração. Ou seja, do delito praticado, com pleno conhecimento de causa, resulta a responsabilidade e, consequentemente, o sofrimento.

O determinismo divino impulsiona para que todos, sem exceção, mudem para melhor. 

E não tem outra, todos os espíritos um dia aprenderão. Até mesmo os mais endurecidos e recalcitrantes no erro, uma vez que um dia virá em que as suas dores serão tão grandes que estarão dispostos a pagar qualquer preço para fazê-las cessar.

A consciência culpada não esquece a ação infeliz. Não adianta. Isto é fato. E a dívida sempre tem os fantasmas da cobrança. É da lei. Em toda parte a dívida sempre anda com os devedores. Quando existe devedor sempre vai haver cobrador.

Nos pauta dos processos atuais de evolução do planeta é da lei maior que onde estiver o devedor aí se apresentem a dívida e o cobrador. E mais uma coisa da maior importância: entre ambos, entre o credor e o devedor, vigora sempre o fio espiritual do compromisso. Sempre. Esse fio, embora invisível, embora vibracional, é vigoroso.

Os crimes que alguém comete ele realiza no fundo contra si próprio e já falamos sobre isso.

Todo indivíduo responsável pela queda de terceiros experimenta em si mesmo a ampliação dos próprios crimes. Não raras vezes o doloroso inferno que ele sente no íntimo constitui a aflitiva condenação. 

Vamos entender de uma vez por todas que podemos nos esconder dos homens, não de Deus. O criminoso jamais consegue fugir da verdadeira justiça universal, e sabe porquê? Porque ele carrega o crime cometido em qualquer parte. Tanto nos círculos carnais como nos espirituais a paisagem real do espírito é a do campo interior, onde cada qual vive com as criações mais íntimas de sua alma.

A gente não consegue fugir da gente. A gente pode fugir dos ambientes, mas da gente mesmo não tem como.

Ninguém foge da consciência culpada e os sofredores trazem consigo, individualmente, o estigma dos erros deliberados a que se entregaram. A morte, como fim, não existe e os infratores, no corpo físico ou fora dele, permanecem algemados às consequências de suas ações. E mesmo com a possibilidade de poderem ausentar-se da paisagem do crime, os pensamentos dos infratores se mantém presos ao ambiente e à substância da falta cometida. Como se diz na linguagem policial, o criminoso sempre volta ao local do crime.

E como ninguém avança sem saldar as próprias contas com o passado, a felicidade nunca será obtida mediante a fuga ao processo reparador. O assunto é complexo e a culpa somente desaparece quando se liberta aqueles que lhe sofreram o mal.

O criminoso nunca consegue fugir da justiça universal, uma vez que carrega o crime cometido em qualquer parte. E a consciência pessoal não libera culpado algum sem a conveniente regularização do delito.

Não é possível alguém avançar livremente para o amanhã sem solver os compromissos do ontem, sem o devido pagamento das dívidas que contraiu. Presos a montante de débitos com o passado, é da lei que ninguém se emancipe sem pagar o que deve.

E como reparar? Inicialmente, é preciso que o agente causador do dano assimile ideias novas com as quais passe a trabalhar, ainda que lentamente, melhorando a sua visão interior e reestruturando o destino, pois a renovação mental é a renovação da vida. Não existe mudança de fora sem a legítima mudança na intimidade do coração.

13 de nov de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 6

EIS QUE A POREI NUMA CAMA

“21E DEI-LHE TEMPO PARA QUE SE ARREPENDESSE DA SUA PROSTITUIÇÃO; E NÃO SE ARREPENDEU. 22EIS QUE A POREI NUMA CAMA, E SOBRE OS QUE ADULTERAM COM ELA VIRÁ GRANDE TRIBULAÇÃO, SE NÃO SE ARREPENDEREM DAS SUAS OBRAS." APOCALIPSE 2:21-22

Dois fatores podem nos levar a situações difíceis na caminhada: a nossa omissão diante das próprias responsabilidades e dos próprios deveres e a nossa ação negativa ou desvirtuada diante dos fatos e circunstâncias.

O primeiro é a omissão ou inatividade. Quando ela surge? Quando nos sentimos intimidados diante do progresso, quando ficamos acomodados e nos colocamos naquela posição de cansados. O cansaço é natural, óbvio, mas se chegamos ao extremo de parar as nossas ações e desanimar, de entregar as pontas, como se diz, costumamos deitar nos braços da inércia e as forças negativas nos acalentam, passam a mão na nossa cabeça e nós costumamos pagar um preço alto depois por causa disso.

O segundo meio de arranjarmos complicação para o nosso destino é mediante a ação menos feliz, a ação de forma desvirtuada, pelo erro deliberado. É quando entramos num processo de conturbação, de viciação, de adulteração dos padrões informativos ou de prostituição. Por isso, nós temos que nos esforçar para manter uma posição uníssona no que diz respeito ao nosso crescimento consciente, mantendo aquele cuidado de não baratearmos, de não vulgarizarmos o que estamos fazendo, de não seguirmos a doutrina da prostituição, evitando o cultivo das nossas imperfeições e fazer o melhor ao nosso alcance.

Nós falamos em prostituição e no evangelho a acepção tem um alcance bem mais abrangente.

Diz respeito ao sentido essencial, de vulgarização dos valores essenciais, de barateamento e distorção. A questão da prostituição no sentido espiritual, ao que tudo indica, expressa aquela sensibilidade e busca restrita ao prazer imediato no plano material. Prostituir passa aquela ideia de baratear, de distorcer, de dar um valor diferente, distorcido. A pessoa tem uma informação e dá uma sequência e aplicação de modo prostituído, de modo, vamos dizer, falso, corrompido. Macula-se o conhecimento pela ação distorcida dele. Agora, essa prostituição só surge quando já se tem uma percepção nítida da idoneidade do valor, da pureza, da segurança. Percebeu? Enquanto isso não acontece o que está aparentemente na prostituição está seguindo tranquilamente a sua linha natural de vida.

E, se diante dos desvarios cometidos o arrependimento não é acionado para mudar a rota, sabe o que pode acontecer? A criatura pode ser posta numa cama.

Quer dizer, aí começa às vezes a funcionar a lei não mais ao nível de prova, mas de expiação.

Por na cama é um ângulo da resposta da lei. É como se a individualidade fosse abatida, fosse visitada por um processo de anormalidade, talvez uma doença, quem sabe, ou coisa parecida. É a circunstância que chega e invalida aqueles seus padrões que estão ativados, por meio de uma doença ou um problema qualquer. Por na cama é retirar a capacidade operacional da individualidade, porque na cama a pessoa não tem como operar. Não é isso? A cama define o quê? A inércia. Ela fica ali sem poder operar. Equivale a entrada dentro de um processo de desativação das possibilidades de operar.

E uma coisa tem que ficar clara: não é o criador que está colocando na cama (eis que a porei), quem está colocando é a própria oscilação do campo mental da criatura, que acaba levando-a a uma ineficácia, a um desequilíbrio, a um desajuste.

Por isso, não se pode confundir o que é fator de origem, o que é causa, com a circunstância, que nesse caso funciona como resposta da ação, que surge como efeito.

Você se lembra da passagem do evangelho que preceitua que quem fere com a espada pela espada será ferido? Pois é. Aqui a situação é a mesma. O que importa é o entendimento acerca do mecanismo, saber entender como a coisa funciona.

Veja bem, nós temos que levar a questão para o sentido essencial. Concorda? Logo, na prostituição qual é o instrumento usado para a aquisição do prazer? Não é a cama? Percebeu agora? É o retorno. O que se dá é uma transformação. Ou seja, aquilo que era utilizado de maneira indevida como um instrumento de prazer, pela utilização distorcida do livre-arbítrio, passa a se transformar em componente de dor. Porque a reparação é pela mesma linha do erro praticado, ou seja, a criatura sofre naquilo que errou deliberadamente. Ficou claro? A cama, que era instrumento do prazer, se transforma no componente da dor. A cama passa a funcionar como efeito, de forma que o pagamento se dá na mesma moeda. Fere pela espada e pela espada será ferido.

E a criatura terá que aprender pelo retorno do problema.

O ensinamento é muito bonito e profundo e exige nossa atenção. Hoje, para se ter ideia, tem muita gente cooperando nas mais variadas frentes de auxílio, não tem? Tem gente engajada em várias atividades de assistência, de cooperação. E que não estão visando somente ganhar dinheiro como profissional na área específica não. Buscam auxiliar. E sabe porque fazem assim? Entre outras coisas, estão fazendo por onde não ir para a cama, para não ter que sofrer na própria pele as dificuldades. Estão buscando adquirir harmonia maior pelo trabalho no bem.

E só mais um ponto importante: essa questão da cama até funciona como uma ameaça, no entanto, não vamos ficar nessa de trabalhar debaixo da ameaça não, porque nós já estamos trabalhando sob a luz do esclarecimento espiritual, graças a Deus.

E, se para um o retorno vai ser a colocação na cama, para outro o retorno pode não ser a ida para a cama da dor, mas outro fator, ou seja, virão tribulações.

Vamos tentar explicar da melhor forma. Imagine que um indivíduo esteja criando complicações à sua volta, e que esse indivíduo, apesar de estar precisando acertar os passos não o faz. Ele não está nem aí para isso. E imagine que ele que não esteja sozinho no contexto, ele tem companheiros com os quais se relaciona e que lhe garantem certa segurança. Não tem casos assim? Então, tem duas formas. Ou o plano superior trabalha com ele tirando-o do circuito, por exemplo, adoeceu (Cadê fulano? Adoeceu! Ué, mas ele não estava tão bem? Pois é, estava, mas adoeceu.) ou, então, retira os indivíduos que integravam a sistemática junto com ele. Deu uma ideia? Retira as pessoas em volta que participavam, que estavam mantendo ou ajudando ("e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem de suas obras" Apocalipse 2:22).

Este é outro ângulo. E esses, em razão das dificuldades que lhes virão, em razão das tribulações, não vão ter condições de se aproximarem mais. E se as tribulações vem, é natural que para ficarem livres delas esses indivíduos também terão que fazer um trabalho de reestrutura íntima, um trabalho de renovação pessoal com vistas a dias melhores.

Antigamente costumava-se dizer que a justiça vinha a cavalo. Não era comum se ouvir isso? Pois é, hoje é outro tempo. Ela vem mais rápida. E pode colocar rápida nisso. Às vezes, chega pelo WhatsApp.

Na prestação de contas a Deus nem sempre a criatura precisa desencarnar para receber os resultados da lei. Não é preciso morrer na carne para conhecer a lei das compensações. E para constatar a gente nem precisa ir longe, basta reparar na rotina diária e nos exemplos bem próximos a nós. O homem que vive a indiferença pelas dores do próximo acaba por receber dos semelhantes a indiferença pelas dores que lhe são próprias. Basta nos afastarmos do convívio social, nos isolarmos das pessoas, para que a solidão deprimente se torne para nós a resposta do mundo.

Não existe essa de que o justo paga pelo pecador. Isso é conversa mole. O justo não paga pelo pecador. Cada um responde pela sua ação. A justiça começa invariavelmente em nós mesmos sempre que lhe defraudamos os princípios e cada alma conduz consigo o inferno ou o céu que edificou no âmago da consciência.

Expiar o mal que se fez para depois repará-lo é impositivo da justiça divina ao alcance de todos. Sendo assim, muitos vezes penetramos forçosamente no inferno que criamos aos outros para experimentar o fogo com que afligimos o próximo e nos melhorar.

8 de nov de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 5

A REPARAÇÃO  

Toda queda moral nos seres responsáveis opera certa lesão no campo psicossomático ou perispirítico.

Não dá para desconsiderar isso, tampar os ouvidos, fingir que não sabe, que não se interessa, que não acredita e tentar passar despercebido. Não funciona assim. A questão é séria e profunda.

Pense no seguinte: toda vez que lesamos alguém, seja lá quem for esse alguém, nós não apenas lesamos esse alguém, nós lesamos antes de tudo a estrutura de equilíbrio que vigora no universo. Quando ferimos os outros, na essência nós ferimos a obra de Deus. Pelo mal aos semelhantes praticamos o mal contra nós mesmos. Os crimes que alguém comete pratica-os contra si próprio. E agindo dessa forma, mediante as leis soberanas nos tornamos réus reclamando quitação e reajuste e abrimos uma conta resgatável em tempo certo. Sabe porquê? Porque não existem males ocultos na Terra. Cada uma das nossas infrações às leis de Deus é uma ofensa que lhe fazemos e uma dívida que contraímos, e cedo ou tarde teremos que saldar.

Na evolução para Deus o bem é passagem livre para os cumes da vida superior, ao passo que o mal é sentença de interdição, constrangendo-nos a paradas mais ou menos difíceis de reajuste. Já pensou com atenção nesse aspecto? Nossos atos tecem asas de libertação ou algemas de cativeiro para nossa vitória ou nossa perda.

Por princípio de direito cósmico universal arquivamos em nós mesmos as raízes do mal que acalentamos, como tumores de energias profundas na profundidade da alma.

As menores quedas e as mínimas viciações ficam impressas na alma exigindo retificação. 

Não há uma infração sequer à lei de Deus que fique sem correspondente punição, para serem extirpadas depois à custa do esforço próprio, na companhia daqueles que se nos afinam à faixa de culpa. Deu para entender? Porque a gente precisa compreender isso bem. Embora em processo reparador de culpas recíprocas, somos antes de tudo devedores da lei em nossas próprias consciências.

A vida é um laboratório fantástico de sementeira e colheita, onde o bem semeia a vida e o mal, por sua vez, semeia a morte. Então, não há dúvida alguma, seja qual for o resultado da ação de quem a encaminhou para o mal ocorrerá sempre o choque do retorno. Quer dizer, retorna ao agente o efeito da sua realização.

E isto ocorre porque qualquer sombra de nossa consciência mantém-se impressa em nossa vida até que a mácula seja lavada por nós mesmos. E o que lava é a água, consubstanciada no suor do trabalho ou no pranto do sofrimento. O resultado é que o homem sofre sempre a consequência de suas faltas, porque é da lei divina que cada qual receba em si mesmo o fruto da plantação que realizou. 

Assim, guarde isso com você, aonde você for e como for: as transgressões deliberadas às leis apresentam corrigenda na individualidade do próprio infrator.

A alma, aqui ou em qualquer lugar, recebe sempre conforme o trabalho de edificação de si mesma. Cada espírito inventa o seu inferno ou cria as belezas do seu céu.

Todos nós, sem exceção, aprontamos lá trás pelo uso indevido do livre-arbítrio, e esses aprontos nossos criaram uma série de forças que nos circundam e nós ficamos meio que na corda bamba. No momento em que perdemos equilíbrio caímos no plano envolvente das circunstâncias. Daí não tem outra, situamo-nos debaixo de determinados pontos que são fechados da lei, onde não tem alteração, não dá para correr. Cada um de nós tem suas marcas. São aqueles pontos em que nós ficamos sujeitos ao cumprimento básico e fundamental da lei.

Logo, nem tudo são flores em nossa estrada e transitamos debaixo de certos pontos. E não adianta ficar bravo e bater o pé. Afinal de contas, cada qual, como efeito do que plasmou, tem a sua cruz e o retorno da lei tem que ser aceito com paciência.

Pelo nosso comprometimento diante das leis divinas, em qualquer idade de nossa vida responsável, impomo-nos o resgate de obrigações em qualquer tempo. Ficou claro isso? Vou até repetir: em qualquer tempo. Porque ninguém ilude a justiça divina, ninguém trai o tempo ou engana o espírito de sequência da natureza. A seu tempo cada qual acabará ceifando, porque existe o tempo de plantar como existe o tempo de colher e todos os crimes e todas as falhas humanas se revelam algum dia em algum lugar. E mais uma coisa, o fruto que plantarmos nesta vida e não colhermos aqui, pode ficar tranquilo que colheremos sem dúvida nenhuma na próxima etapa. É da lei.

O parâmetro de tempo, observado sob uma visão acertada, não é aquele em que a vida começa no berço e termina no túmulo. Em pleno século que vivemos isso já é coisa ultrapassada, é visão restrita aos materialistas. Para conhecedor do evangelho o parâmetro é bem mais ampliado e abrangente, isto é, abre-se bem antes do berço e coloca-se após o túmulo. Não é para nós ficarmos espantados, mas a sepultura não finda nada, ela apenas derruba o muro da carne, porque a gente continua tão vivo depois dela quanto antes. Vamos examinar a vida sob o aspecto global, e não sob o ângulo de uma única experiência física.

É importante compreender que toda reparação à lei divina defraudada realiza-se em termos de vida eterna, e não segundo a vida fragmentária que conhecemos na presente encarnação humana. Ficou claro? A sabedoria do espírito, ligando passado ao presente, abrange a vida na sistemática das múltiplas existências. Isto é, as reparações podem ser transferidas no tempo, mas são sempre fatais.

As dívidas cármicas, assim chamadas por se ligarem a causas infelizes lançadas no destino, são perfeitamente transferíveis de uma existência para outra, como no caso de dívidas financeiras que podem se estender por meses e até anos.

As existências são solidárias umas com as outras. E por meio da pluralidade das existências aprendemos que os males e aflições da vida são muitas vezes expiações do passado, bem como sofremos na vida presente as consequências das faltas que cometemos em existência anterior, e assim até que tenhamos pago a dívida de nossas imperfeições. Assim, é muito comum um fato visitar uma determinada criatura na vida e ela nem saber explicar o porque daquela situação, ou mesmo questionar o porque daquilo estar lhe acontecendo. Ou seja, aquilo é coisa do seu passado. Percebeu a questão? É algo que passou, venceu a etapa da encarnação anterior e agora surgiu essa encarnação e pegou mesmo.

Essas circunstâncias menos felizes que resultam da manifestação da lei, como é o caso das dores, emergem e dão uma sacudida na intimidade do ser, para que ele possa, quem sabe, visualizar e propor uma nova maneira de pensar, um novo terreno de crescimento. O fracasso, a desilusão, a dor, vão chegando bem devagarzinho e acordando a alma dormente para as realidades eternas, para o reajustamento.

E isso não é vingança não, é um processo reeducacional para o devedor da lei! 

Porque o que importa não é que ele apenas pague o que deve, o que importa é que ele, pagando o que deve, entre em um processo diferente num futuro próximo. Que ele aprenda com a experiência e se reeduque. De forma que a proposta da misericórdia divina não é machucar ou punir. A proposta superior é fazer o ser avançar, crescer, melhorar, progredir e integrar-se nas faixas lindas e expressivas do amor. Este é objetivo.

Certas escolhas menos felizes que fazemos geram frutos que acabam nos dando condições de saneamento do destino pelo próprio impacto da vida. Deu para acompanhar? O sofrimento do indivíduo implica no reajustamento do seu passado ao presente.

Sendo assim, enquanto o bem é movimento na escala ascensional para Deus, o mal é estagnação.

Então, preste atenção: às vezes, lá atrás, nós criamos uma dificuldade cármica e essa dificuldade apresentou o coroamento ou o resultado em um período tal. Ok? E não significa que nós vamos gastar na limpeza cármica o período de tempo equivalente ao seu coroamento, no entanto, teremos lutas e dificuldades que não poderão ser tiradas em dois dias, por exemplo. Ficou claro isso? Sendo assim, não podemos querer resolver a toque de caixa e de forma apressada problemas que podem ainda estar em curso de saneamento, simplesmente por um lance de sabedoria ou de intuição acentuadamente feliz.

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