8 de nov de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 5

A REPARAÇÃO  

Toda queda moral nos seres responsáveis opera certa lesão no campo psicossomático ou perispirítico.

Não dá para desconsiderar isso, tampar os ouvidos, fingir que não sabe, que não se interessa, que não acredita e tentar passar despercebido. Não funciona assim. A questão é séria e profunda.

Pense no seguinte: toda vez que lesamos alguém, seja lá quem for esse alguém, nós não apenas lesamos esse alguém, nós lesamos antes de tudo a estrutura de equilíbrio que vigora no universo. Quando ferimos os outros, na essência nós ferimos a obra de Deus. Pelo mal aos semelhantes praticamos o mal contra nós mesmos. Os crimes que alguém comete pratica-os contra si próprio. E agindo dessa forma, mediante as leis soberanas nos tornamos réus reclamando quitação e reajuste e abrimos uma conta resgatável em tempo certo. Sabe porquê? Porque não existem males ocultos na Terra. Cada uma das nossas infrações às leis de Deus é uma ofensa que lhe fazemos e uma dívida que contraímos, e cedo ou tarde teremos que saldar.

Na evolução para Deus o bem é passagem livre para os cumes da vida superior, ao passo que o mal é sentença de interdição, constrangendo-nos a paradas mais ou menos difíceis de reajuste. Já pensou com atenção nesse aspecto? Nossos atos tecem asas de libertação ou algemas de cativeiro para nossa vitória ou nossa perda.

Por princípio de direito cósmico universal arquivamos em nós mesmos as raízes do mal que acalentamos, como tumores de energias profundas na profundidade da alma.

As menores quedas e as mínimas viciações ficam impressas na alma exigindo retificação. 

Não há uma infração sequer à lei de Deus que fique sem correspondente punição, para serem extirpadas depois à custa do esforço próprio, na companhia daqueles que se nos afinam à faixa de culpa. Deu para entender? Porque a gente precisa compreender isso bem. Embora em processo reparador de culpas recíprocas, somos antes de tudo devedores da lei em nossas próprias consciências.

A vida é um laboratório fantástico de sementeira e colheita, onde o bem semeia a vida e o mal, por sua vez, semeia a morte. Então, não há dúvida alguma, seja qual for o resultado da ação de quem a encaminhou para o mal ocorrerá sempre o choque do retorno. Quer dizer, retorna ao agente o efeito da sua realização.

E isto ocorre porque qualquer sombra de nossa consciência mantém-se impressa em nossa vida até que a mácula seja lavada por nós mesmos. E o que lava é a água, consubstanciada no suor do trabalho ou no pranto do sofrimento. O resultado é que o homem sofre sempre a consequência de suas faltas, porque é da lei divina que cada qual receba em si mesmo o fruto da plantação que realizou. 

Assim, guarde isso com você, aonde você for e como for: as transgressões deliberadas às leis apresentam corrigenda na individualidade do próprio infrator.

A alma, aqui ou em qualquer lugar, recebe sempre conforme o trabalho de edificação de si mesma. Cada espírito inventa o seu inferno ou cria as belezas do seu céu.

Todos nós, sem exceção, aprontamos lá trás pelo uso indevido do livre-arbítrio, e esses aprontos nossos criaram uma série de forças que nos circundam e nós ficamos meio que na corda bamba. No momento em que perdemos equilíbrio caímos no plano envolvente das circunstâncias. Daí não tem outra, situamo-nos debaixo de determinados pontos que são fechados da lei, onde não tem alteração, não dá para correr. Cada um de nós tem suas marcas. São aqueles pontos em que nós ficamos sujeitos ao cumprimento básico e fundamental da lei.

Logo, nem tudo são flores em nossa estrada e transitamos debaixo de certos pontos. E não adianta ficar bravo e bater o pé. Afinal de contas, cada qual, como efeito do que plasmou, tem a sua cruz e o retorno da lei tem que ser aceito com paciência.

Pelo nosso comprometimento diante das leis divinas, em qualquer idade de nossa vida responsável, impomo-nos o resgate de obrigações em qualquer tempo. Ficou claro isso? Vou até repetir: em qualquer tempo. Porque ninguém ilude a justiça divina, ninguém trai o tempo ou engana o espírito de sequência da natureza. A seu tempo cada qual acabará ceifando, porque existe o tempo de plantar como existe o tempo de colher e todos os crimes e todas as falhas humanas se revelam algum dia em algum lugar. E mais uma coisa, o fruto que plantarmos nesta vida e não colhermos aqui, pode ficar tranquilo que colheremos sem dúvida nenhuma na próxima etapa. É da lei.

O parâmetro de tempo, observado sob uma visão acertada, não é aquele em que a vida começa no berço e termina no túmulo. Em pleno século que vivemos isso já é coisa ultrapassada, é visão restrita aos materialistas. Para conhecedor do evangelho o parâmetro é bem mais ampliado e abrangente, isto é, abre-se bem antes do berço e coloca-se após o túmulo. Não é para nós ficarmos espantados, mas a sepultura não finda nada, ela apenas derruba o muro da carne, porque a gente continua tão vivo depois dela quanto antes. Vamos examinar a vida sob o aspecto global, e não sob o ângulo de uma única experiência física.

É importante compreender que toda reparação à lei divina defraudada realiza-se em termos de vida eterna, e não segundo a vida fragmentária que conhecemos na presente encarnação humana. Ficou claro? A sabedoria do espírito, ligando passado ao presente, abrange a vida na sistemática das múltiplas existências. Isto é, as reparações podem ser transferidas no tempo, mas são sempre fatais.

As dívidas cármicas, assim chamadas por se ligarem a causas infelizes lançadas no destino, são perfeitamente transferíveis de uma existência para outra, como no caso de dívidas financeiras que podem se estender por meses e até anos.

As existências são solidárias umas com as outras. E por meio da pluralidade das existências aprendemos que os males e aflições da vida são muitas vezes expiações do passado, bem como sofremos na vida presente as consequências das faltas que cometemos em existência anterior, e assim até que tenhamos pago a dívida de nossas imperfeições. Assim, é muito comum um fato visitar uma determinada criatura na vida e ela nem saber explicar o porque daquela situação, ou mesmo questionar o porque daquilo estar lhe acontecendo. Ou seja, aquilo é coisa do seu passado. Percebeu a questão? É algo que passou, venceu a etapa da encarnação anterior e agora surgiu essa encarnação e pegou mesmo.

Essas circunstâncias menos felizes que resultam da manifestação da lei, como é o caso das dores, emergem e dão uma sacudida na intimidade do ser, para que ele possa, quem sabe, visualizar e propor uma nova maneira de pensar, um novo terreno de crescimento. O fracasso, a desilusão, a dor, vão chegando bem devagarzinho e acordando a alma dormente para as realidades eternas, para o reajustamento.

E isso não é vingança não, é um processo reeducacional para o devedor da lei! 

Porque o que importa não é que ele apenas pague o que deve, o que importa é que ele, pagando o que deve, entre em um processo diferente num futuro próximo. Que ele aprenda com a experiência e se reeduque. De forma que a proposta da misericórdia divina não é machucar ou punir. A proposta superior é fazer o ser avançar, crescer, melhorar, progredir e integrar-se nas faixas lindas e expressivas do amor. Este é objetivo.

Certas escolhas menos felizes que fazemos geram frutos que acabam nos dando condições de saneamento do destino pelo próprio impacto da vida. Deu para acompanhar? O sofrimento do indivíduo implica no reajustamento do seu passado ao presente.

Sendo assim, enquanto o bem é movimento na escala ascensional para Deus, o mal é estagnação.

Então, preste atenção: às vezes, lá atrás, nós criamos uma dificuldade cármica e essa dificuldade apresentou o coroamento ou o resultado em um período tal. Ok? E não significa que nós vamos gastar na limpeza cármica o período de tempo equivalente ao seu coroamento, no entanto, teremos lutas e dificuldades que não poderão ser tiradas em dois dias, por exemplo. Ficou claro isso? Sendo assim, não podemos querer resolver a toque de caixa e de forma apressada problemas que podem ainda estar em curso de saneamento, simplesmente por um lance de sabedoria ou de intuição acentuadamente feliz.

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