13 de nov de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 6

EIS QUE A POREI NUMA CAMA

“21E DEI-LHE TEMPO PARA QUE SE ARREPENDESSE DA SUA PROSTITUIÇÃO; E NÃO SE ARREPENDEU. 22EIS QUE A POREI NUMA CAMA, E SOBRE OS QUE ADULTERAM COM ELA VIRÁ GRANDE TRIBULAÇÃO, SE NÃO SE ARREPENDEREM DAS SUAS OBRAS." APOCALIPSE 2:21-22

Dois fatores podem nos levar a situações difíceis na caminhada: a nossa omissão diante das próprias responsabilidades e dos próprios deveres e a nossa ação negativa ou desvirtuada diante dos fatos e circunstâncias.

O primeiro é a omissão ou inatividade. Quando ela surge? Quando nos sentimos intimidados diante do progresso, quando ficamos acomodados e nos colocamos naquela posição de cansados. O cansaço é natural, óbvio, mas se chegamos ao extremo de parar as nossas ações e desanimar, de entregar as pontas, como se diz, costumamos deitar nos braços da inércia e as forças negativas nos acalentam, passam a mão na nossa cabeça e nós costumamos pagar um preço alto depois por causa disso.

O segundo meio de arranjarmos complicação para o nosso destino é mediante a ação menos feliz, a ação de forma desvirtuada, pelo erro deliberado. É quando entramos num processo de conturbação, de viciação, de adulteração dos padrões informativos ou de prostituição. Por isso, nós temos que nos esforçar para manter uma posição uníssona no que diz respeito ao nosso crescimento consciente, mantendo aquele cuidado de não baratearmos, de não vulgarizarmos o que estamos fazendo, de não seguirmos a doutrina da prostituição, evitando o cultivo das nossas imperfeições e fazer o melhor ao nosso alcance.

Nós falamos em prostituição e no evangelho a acepção tem um alcance bem mais abrangente.

Diz respeito ao sentido essencial, de vulgarização dos valores essenciais, de barateamento e distorção. A questão da prostituição no sentido espiritual, ao que tudo indica, expressa aquela sensibilidade e busca restrita ao prazer imediato no plano material. Prostituir passa aquela ideia de baratear, de distorcer, de dar um valor diferente, distorcido. A pessoa tem uma informação e dá uma sequência e aplicação de modo prostituído, de modo, vamos dizer, falso, corrompido. Macula-se o conhecimento pela ação distorcida dele. Agora, essa prostituição só surge quando já se tem uma percepção nítida da idoneidade do valor, da pureza, da segurança. Percebeu? Enquanto isso não acontece o que está aparentemente na prostituição está seguindo tranquilamente a sua linha natural de vida.

E, se diante dos desvarios cometidos o arrependimento não é acionado para mudar a rota, sabe o que pode acontecer? A criatura pode ser posta numa cama.

Quer dizer, aí começa às vezes a funcionar a lei não mais ao nível de prova, mas de expiação.

Por na cama é um ângulo da resposta da lei. É como se a individualidade fosse abatida, fosse visitada por um processo de anormalidade, talvez uma doença, quem sabe, ou coisa parecida. É a circunstância que chega e invalida aqueles seus padrões que estão ativados, por meio de uma doença ou um problema qualquer. Por na cama é retirar a capacidade operacional da individualidade, porque na cama a pessoa não tem como operar. Não é isso? A cama define o quê? A inércia. Ela fica ali sem poder operar. Equivale a entrada dentro de um processo de desativação das possibilidades de operar.

E uma coisa tem que ficar clara: não é o criador que está colocando na cama (eis que a porei), quem está colocando é a própria oscilação do campo mental da criatura, que acaba levando-a a uma ineficácia, a um desequilíbrio, a um desajuste.

Por isso, não se pode confundir o que é fator de origem, o que é causa, com a circunstância, que nesse caso funciona como resposta da ação, que surge como efeito.

Você se lembra da passagem do evangelho que preceitua que quem fere com a espada pela espada será ferido? Pois é. Aqui a situação é a mesma. O que importa é o entendimento acerca do mecanismo, saber entender como a coisa funciona.

Veja bem, nós temos que levar a questão para o sentido essencial. Concorda? Logo, na prostituição qual é o instrumento usado para a aquisição do prazer? Não é a cama? Percebeu agora? É o retorno. O que se dá é uma transformação. Ou seja, aquilo que era utilizado de maneira indevida como um instrumento de prazer, pela utilização distorcida do livre-arbítrio, passa a se transformar em componente de dor. Porque a reparação é pela mesma linha do erro praticado, ou seja, a criatura sofre naquilo que errou deliberadamente. Ficou claro? A cama, que era instrumento do prazer, se transforma no componente da dor. A cama passa a funcionar como efeito, de forma que o pagamento se dá na mesma moeda. Fere pela espada e pela espada será ferido.

E a criatura terá que aprender pelo retorno do problema.

O ensinamento é muito bonito e profundo e exige nossa atenção. Hoje, para se ter ideia, tem muita gente cooperando nas mais variadas frentes de auxílio, não tem? Tem gente engajada em várias atividades de assistência, de cooperação. E que não estão visando somente ganhar dinheiro como profissional na área específica não. Buscam auxiliar. E sabe porque fazem assim? Entre outras coisas, estão fazendo por onde não ir para a cama, para não ter que sofrer na própria pele as dificuldades. Estão buscando adquirir harmonia maior pelo trabalho no bem.

E só mais um ponto importante: essa questão da cama até funciona como uma ameaça, no entanto, não vamos ficar nessa de trabalhar debaixo da ameaça não, porque nós já estamos trabalhando sob a luz do esclarecimento espiritual, graças a Deus.

E, se para um o retorno vai ser a colocação na cama, para outro o retorno pode não ser a ida para a cama da dor, mas outro fator, ou seja, virão tribulações.

Vamos tentar explicar da melhor forma. Imagine que um indivíduo esteja criando complicações à sua volta, e que esse indivíduo, apesar de estar precisando acertar os passos não o faz. Ele não está nem aí para isso. E imagine que ele que não esteja sozinho no contexto, ele tem companheiros com os quais se relaciona e que lhe garantem certa segurança. Não tem casos assim? Então, tem duas formas. Ou o plano superior trabalha com ele tirando-o do circuito, por exemplo, adoeceu (Cadê fulano? Adoeceu! Ué, mas ele não estava tão bem? Pois é, estava, mas adoeceu.) ou, então, retira os indivíduos que integravam a sistemática junto com ele. Deu uma ideia? Retira as pessoas em volta que participavam, que estavam mantendo ou ajudando ("e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem de suas obras" Apocalipse 2:22).

Este é outro ângulo. E esses, em razão das dificuldades que lhes virão, em razão das tribulações, não vão ter condições de se aproximarem mais. E se as tribulações vem, é natural que para ficarem livres delas esses indivíduos também terão que fazer um trabalho de reestrutura íntima, um trabalho de renovação pessoal com vistas a dias melhores.

Antigamente costumava-se dizer que a justiça vinha a cavalo. Não era comum se ouvir isso? Pois é, hoje é outro tempo. Ela vem mais rápida. E pode colocar rápida nisso. Às vezes, chega pelo WhatsApp.

Na prestação de contas a Deus nem sempre a criatura precisa desencarnar para receber os resultados da lei. Não é preciso morrer na carne para conhecer a lei das compensações. E para constatar a gente nem precisa ir longe, basta reparar na rotina diária e nos exemplos bem próximos a nós. O homem que vive a indiferença pelas dores do próximo acaba por receber dos semelhantes a indiferença pelas dores que lhe são próprias. Basta nos afastarmos do convívio social, nos isolarmos das pessoas, para que a solidão deprimente se torne para nós a resposta do mundo.

Não existe essa de que o justo paga pelo pecador. Isso é conversa mole. O justo não paga pelo pecador. Cada um responde pela sua ação. A justiça começa invariavelmente em nós mesmos sempre que lhe defraudamos os princípios e cada alma conduz consigo o inferno ou o céu que edificou no âmago da consciência.

Expiar o mal que se fez para depois repará-lo é impositivo da justiça divina ao alcance de todos. Sendo assim, muitos vezes penetramos forçosamente no inferno que criamos aos outros para experimentar o fogo com que afligimos o próximo e nos melhorar.

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