24 de nov de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 8

A MISERICÓRDIA NA CAUSA E EFEITO

O evangelho chegou ao mundo como o roteiro sagrado e a sua substância foi aos poucos penetrando o aparelho judiciário de todos os povos. Analisando a situação com tranquilidade notamos que lá atrás, bem no passado mesmo, a sociedade começou a compreender as suas obrigações quanto aos indivíduos e passou a segregar o criminoso da mesma forma como se isola um doente. Quer dizer, passou a isolar, mas buscando auxiliar-lhe na melhoria, utilizando para isso os meios ao seu alcance.

A finalidade das prisões já deixou de ser, faz tempo, a imposição do sofrimento, seja este um sofrimento físico ou moral, e passou a visar prioritariamente a reforma do infrator. 

Não é isso? Os regimes de recuperação e reparação em todo o planeta tem por objetivo hoje a melhoria moral do delinquente, a sua reeducação e consequente readaptação no meio social. Pode-se dizer que o fim de toda pena é a educação da vontade do infrator, afinal de contas, é no interior do homem, na sua vontade, que reside tanto o fundamento da pena como o fundamento da recompensa.

Nas civilizações mais avançadas a preocupação com o delinquente é reeducá-lo, por meio das prisões domiciliares, das colônias agrícolas e de outros métodos que substituem as punições medievais, para que ele se recupere e passe a cooperar com a sociedade. 

Nos dias atuais, mediante um sistema combinado de notas, pela disciplina, pela aplicação aos estudos e dedicação ao trabalho, em muito se tem colocado a sorte do recluso em suas próprias mãos, estimulando-o de forma a que procure alcançar progressivamente a melhoria de sua situação e, mais tarde, a sua libertação de forma definitiva.

Não vamos nos esquecer que quem governa o mundo é Deus. É ele quem governa. 

Em razão disso, a justiça divina jamais foi exercida sem amor. E mais, a lei divina, toda ela, eleva e estrutura-se sobre o perfeito amor. Até mesmo quando Deus exerce a sua justiça ele não suspende o curso da misericórdia. Até mesmo na lei de causa e efeito nós encontramos a presença do amor.

Repare para você ver, se baseado apenas no plano da sementeira e da colheita todo o esquema de nossa vida está montado e definido. Não está? Porém, a lei é de uma grandeza extraordinária, a gente acaba por receber na pauta certinha, sem mais nem menos, aquilo que nós estamos fazendo ou temos feito. Sem mais nem menos. Mas com uma exceção: muito mais misericórdia. Porque se dependesse só dos nossos lances de sementeira, aí sim, nós estaríamos sem solução.

Mas funciona a bondade e a misericórdia. O pai jamais pune os seus filhos que erram. Corrige-os, perdoando sempre. E, cá pra nós, existe uma diferença entre punir e corrigir. Quem pune humilha para submeter, e quem corrige aperfeiçoa para libertar. Vamos entender, o criador não repreende e tampouco castiga, o que existem são leis imutáveis que funcionam dentro da necessidade de cada um.

A lei divina vinga, mas não vinga sob o aspecto finalístico de fazer a criatura pagar o que deve. Ela atua visando um processo reeducacional com visa a um porvir melhor.

Percebeu? Os momentos difíceis na vida nos cerceiam sim, sem dúvida alguma, no entanto, dentro desse cerceamento e da aplicação da lei vigora uma alta dose de investimento superior. E o objetivo natural dessa justiça é conseguir em cada ambiente cósmico o máximo de equilíbrio. 

A misericórdia objetiva sempre a mesma finalidade: a evolução das almas. Sendo assim, analisado de lá para cá, do plano de cima para o de baixo, da esfera celestial para a nossa, existe um investimento em uma oportunidade para que debaixo do mecanismo da dor e do sofrimento, dentro desse processo difícil de quitação e reajuste, a gente se harmonize com as leis soberanas, aprenda o caminho e seja feliz.

E isso é muito bonito de entender. As reações da lei trazem consigo uma abertura nova chamada amor, equilíbrio, exame da caminhada, recuperação e recomposição do destino. Trazem consigo uma instrumentalidade didática para que a gente descubra o processo e se ajuste a um caminho novo e melhor.

E isso acontece porque para além do cumprimento da lei de causa e efeito existe uma lei maior: a lei do progresso. E em cima daquela máxima de "matou, morreu, pagou o que devia" simplesmente não haveria progresso algum para a criatura. Ficou claro agora? Por isso, muitas vezes, atrás do contexto demorado entre a causa infeliz (causa) e o resgate doloroso (efeito), existe uma proposta superior de reeducação do ser. 

E reclamar a gente não pode. De forma alguma. Mesmo diante dos pontos fechados que deparamos em nossa caminhada nós encontramos diversas oportunidades de orar, refletir e laborar novas propostas. Sempre podemos encontrar condições de amenizar as ressonâncias da lei em nós mesmos, sempre vamos encontrar condições de criar uma estrutura íntima mais firme, mas positiva, mais segura e com mais qualidade. E dependendo de nosso esforço e de nossa simpatia exteriorizada nós podemos conquistar amigos que poderão até nos sustentar nos momentos mais duros.

A proposta da misericórdia divina não é machucar ou punir e, sim, fazer o ser avançar, libertar e integrar-se nas faixas expressivas do amor. Isso é algo que nós precisamos compreender quando estivermos sofrendo ou nos depararmos com o sofrimento de outrem. 

Essa mesma misericórdia divina não preceitua que o infrator seja flagelado com uma extensão indiscriminada de dor expiatória. Muito pelo contrário, os tribunais divinos são invariavelmente regidos pela equidade soberana e entre os espíritos superiores, diante dos soberanos códigos, é mais importante reparar o erro do que fazer a individualidade expungir em lágrimas, retificar o ser do que aprisioná-lo nos limites estreitos da impiedade vingativa.

E mais ainda, preceitua a misericórdia de Deus que o mal seja suprimido de suas vítimas com a possível redução do sofrimento. A lei objetiva o retorno do equilíbrio, claro, mas com respeito aos direitos alheios e dentro da mínima cota de pena.

Logo, nada de apavoramento, precisamos estar com os corações abertos para recolhermos a vontade de Deus.

A própria misericórdia define que a lei, quando está debaixo do envolvimento da grandeza de Deus em amor, ela sofre alteração. Para se ter ideia, quando a fidelidade sincera ao Senhor se mantém viva e atuante no coração dos homens há sempre lugar para o acréscimo da misericórdia a que se referia Jesus em seus apostolado de luz.

Não sei se você já observou, mas às vezes nós somos ajudados sabe por quê? Por causa de um filho, por causa do marido, da esposa, do tio, de um parente que está conosco ou de alguém que precisamos auxiliar ou por causa de uma tarefa que nós temos que realizar. São coisas que podem pesar a nosso favor.

Outro ponto fundamental que é interessante saber é que todas as vezes que a lei nos procura para obter de nós o resgate quanto aquilo que devemos, quando ela vem nos cobrar a dívida que é nossa, e nos encontra trabalhando em favor do bem coletivo, é acionada a lei de misericórdia e a nossa dívida passa para a frente. Você sabia disso?

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