27 de dez de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 11

O DIÁLOGO DE CAIM

“14EIS QUE HOJE ME LANÇAS DA FACE DA TERRA, E DA TUA FACE ME ESCONDEREI; E SEREI FUGITIVO E VAGABUNDO NA TERRA, E SERÁ QUE TODO AQUELE QUE ME ACHAR, ME MATARÁ. 15O SENHOR, PORÉM, DISSE-LHE: PORTANTO QUALQUER QUE MATAR A CAIM, SETE VEZES SERÁ CASTIGADO. E PÔS O SENHOR UM SINAL EM CAIM, PARA QUE O NÃO FERISSE QUALQUER QUE O ACHASSE.” GÊNESES 3:14-15

Você leu os versículos acima? Muitas pessoas provavelmente não os conhecem. Eles narram o diálogo de Caim com Deus, presente no livro de Gênesis. Caim, a gente sabe, ele matou o seu irmão Abel.

"Eis que hoje me lanças da face da Terra". Imagine você lançando alguma coisa de algum lugar para outro. Imaginou? O que é lançar da face da Terra? É arremessar da Terra. Ao dizer isso, Caim está se referindo ao seu desencarne, que equivale a ir do plano físico para o plano espiritual. Quando inicia este diálogo ele estava onde? Desencarnado. Define que passou para o plano espiritual, foi lançado para fora do orbe, para fora do planeta Terra, entrou no plano do espírito. Estava desencarnado. E desencarne é morte aqui e vida para lá.

"Eis que hoje me lanças da face da Terra e da tua face me esconderei". Observe o verbo esconder. Ele tem inúmeros pontos, mas independente de qual seja, lá no fundo a criatura busca um sentido de proteção. Eu não sei se você se lembra, mas o Adão também se escondeu. Ele se viu nu e tentou se esconder.

Daí, é possível notar que o ato de esconder normalmente está vinculado ao medo.

Tem muita gente procurando regressão de memória e lutando para saber o porque das coisas pelas quais está passando, conhecer o seu passado. O processo adotado hoje de regressão costuma ser um processo que trás à tona o que está escondido, todavia reflete não apenas saber o que está escondido, acima de tudo reflete uma expressão vibracional de medo. Às vezes, o que está criando dificuldade ou desajuste para uma individualidade é o temor ou o medo que uma determinada coisa propicia a ela. Está percebendo? O esconder-se seria como se a criatura quisesse manter o esquecimento o mais amplo possível. Porque na intimidade do seu psiquismo, no seu inconsciente, ele não quer isso não, ela não quer saber, não quer colocar para fora. O que ela quer é permanecer escondida mesmo. Deixar o problema para lá. Existe uma tendência nossa de nos recolhermos a nós próprios, no sentido de refúgio, de fuga.

O esconder expressa aquele momento em que nós estamos saturados, que nós pedimos um pouco de refrigério, que buscamos um pouco de alívio porque a luta está enorme, a barra está pesada.

No entanto, para qualquer um que se esconde, isso é uma medida provisória. Ninguém pode andar escondido por muito tempo, não dá para eleger o medo e andar a vida inteira debaixo dele. Nós podemos ser visitados por ele e mantê-lo certo tempo como um ponto de defesa, todavia não dá para caminhar debaixo desse estigma.

A vida pede caminhada e vamos notar que esconderijo apresenta um sentido de proteção. E para sairmos do esconderijo nós temos que adentrar em uma proposta nova.

O esconder da tua face pode apresentar duas opções. A primeira é esconder da luz abeirando-se nas trevas, isto é, nas regiões de sombras, nas regiões trevosas de sofrimento e purgação existentes no plano espiritual. O outro aspecto, e mais interessante, sugere reencarnação. Como assim? Vamos explicar.

Caim, depois do que fez, aceitou esconder-se, não foi? Ele queria sair daquela consciência plena que o estava machucando, que o estava punindo intimamente.

Em relação a isto, e pelo que temos estudado e aprendido, qual a melhor providência que a gente nota que vigora no plano espiritual? Se ele não dá conta de solucionar a questão intrínseca, manda ele de volta ao plano físico pela reencarnação. Percebeu? Esconder é isto. A solução é esconder-se da situação complicada que ele criou para si mesmo retornando ao plano físico. "E serei vagabundo e fugitivo na Terra" continua o versículo, a mostrar para nós, de forma clara, que esconder é reencarnar. Quer dizer, ele vai esconder-se da situação que criou voltando para cá para resolver. E o que não pode passar despercebido é o tempo do verbo, no futuro: "esconderei". O verbo esconder está no futuro.

Então, esconder é reencarnar, e das mais variadas formas. Ele vai retornar no futuro para poder resolver o plano cármico da sua consciência. Daí, em muitas ocasiões, aquele que andou aprontando lá atrás, fazendo o que não devia, aquele chefe truculento, aquele indivíduo presunçoso, pode estar hoje escondido humildezinho em um corpo, vivendo uma vida de privações e dificuldades.

O esconder não é apenas a reencarnação na sua mecânica. Este verbo também mostra a importância que o esquecimento do passado representa para todos nós.

Também consiste no bloqueio de nossas experiências passadas e, às vezes, abrange a presença do regime de absoluta segregação a que muitos estão envolvidos no plano reencarnatório. O esconder, em determinados momentos, define o anseio que nós temos de empanar o grau de nosso conhecimento, propiciando um certo alívio aos gritos da nossa consciência. Esconder é sempre a resposta que a misericórdia divina vem dando às nossas súplicas.

Esse verbo esconder nós o temos presente desde o velho testamento. De fato é como se você procurasse se esconder. Quer dizer, funciona como um abrigo, como sendo um refúgio, em cujo refúgio você vai poder fazer uma reavaliação. Agora, o verbo esconder expressa, entre outras colocações, o regime reencarnatório. Não é isto? Em tantas situações, esconder da tua face é voltar aqui em um outro ponto, de forma escondida, de forma velada, sem uma expressão clara.

Consiste numa busca de novos padrões capazes de assegurar determinados planos de confiança e segurança interior.

"E serei fugitivo e vagabundo na Terra." Entendeu esta parte? Fugitivo e vagabundo por quê? Em razão do erro que ele trazia consigo, porque realmente ele trazia um crime incrustado na sua individualidade. Então, essa expressão indica reencarnação expiatória. Porque "serei...na Terra" refere-se ao futuro, mostra que ele estava aonde? Fora da Terra. Está dando para acompanhar?

"E será que todo aquele que me achar, me matará". Isso não é nada mais nada menos que a insinuação da lei de causa e efeito. É o indicativo da operação da justiça na lei de causa e efeito. Define a expressão da lei. O próprio Caim entendia isto. Ou seja, cumprir-se-ia o inevitável e intransferível retorno da lei de causa e efeito que ele tinha na consciência, afinal de contas nós nos situamos todos debaixo do império dessa lei de causa e efeito a qual não podemos trair. Como devedor, ele não tinha a capacidade para se livrar da morte.

Vamos reprisar. Caim matou Abel, certo? E se ele transgrediu a lei, a lei tem que agir sobre ele para restaurar o equilíbrio desarmonizado com a sua ação menos feliz.

Não é isso que temos aprendido? E mais, como a reparação se dá sempre ceitil por ceitil, o que teria que acontecer? Caim teria que voltar na próxima encarnação e ser morto por alguém para pagar o que deve. Correto até aí? Podemos seguir em frente?

Então, imagine o seguinte: Caim volta na próxima encarnação e é morto pelo João. Ao ser morto pelo João ele paga o que deve e liquida a sua fatura. Não é essa a lógica da lei? Só que tem um detalhe. Ao ser morto pelo João o Caim paga o que deve, mas o João contrai uma dívida para si. Não é assim que funciona? Aí, na próxima, vem o João e é morto pelo Alfredo. Resultado? O João se desonera e o Alfredo, por sua vez, cria uma dívida de homicídio para si. Entendeu a questão?

Analisando com atenção, em cima dessa lógica o processo não acaba, não tem fim.

E não foi bem isso que aconteceu. O que a misericórdia divina fez? "E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse". Deus pôs sinal nele.

É o que falamos anteriormente, a misericórdia superior age de maneira inteligente, objetivando a menor parcela de sofrimento ao infrator. É por isso que ela é misericórdia. Aliás, caminhamos debaixo de uma inteligência superior a que muitas vezes buscamos nos contrapor. Além do que, a misericórdia divina não vai ficar feliz, e o criador sorridente, apenas com o fato acontecendo e o cumprimento da lei: "Olha só, Caim matou Abel lá atrás, não foi? Agora acabou de ser morto. Cumpriu a lei. É uma beleza. Essa minha lei é ótima!" Não! Não é assim que funciona. A misericórdia quer mais, quer muito mais do que isso. O objetivo da criação é o amor, projetar a criatura. Então, esses sinais são para que nós não sejamos levados, tantas vezes, ao processo restrito de fechamento e cumprimento da lei.

E segue o texto: "E será que todo aquele que me achar, me matará. O Senhor, porém, disse-lhe: portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse." Então, Caim veio com Sinal, ele veio assinalado para que não fosse eliminado.

Percebeu? Afinal de contas, o que é que vale? Ele matou lá atrás e vai ter que vir para ser morto? Não! Ele matou, sim, e vai voltar para aprender a viver e dar a vida.

Assim, mil vezes melhor viver e oferecer a vida do que ser simplesmente eliminado no campo do fechamento do circuito. Notou? Se houvesse o fechamento do circuito, fez isso e paga por aquilo, pense bem, nós não estaríamos aqui dotados de esperança e confiança no futuro. Concorda comigo? Veja comigo o seguinte: nós podemos estar hoje diante de um filho que tem nos dado muito trabalho. Vamos supor que lá no passado nós o eliminamos. Não pode ter acontecido? Nós estamos aqui e damos a reencarnação para ele. Estamos ajudando esse indivíduo, dando o melhor para ele. E eu vou ficar esperando a hora em que ele vai me matar também? Entendeu? Não é por aí. Nós temos que aprender a sair vitoriosos da morte, sendo essa morte delimitada pela própria vida.

Logo, o recado que fica é esse: vamos colocar o sinal na testa e cooperar. Em nome de quê? Em nome da caridade. E o que é a caridade? É auxiliar. Ao invés de termos a nossa vida retirada, vamos dar a vida, a conhecidos e desconhecidos.

E que sinal é esse? O sinal em Caim pode significar duas coisas: o sinal físico ou o sinal moral.

O sinal físico representa o sinal cármico e pode caracterizar-se por uma deficiência física. Por exemplo, aquele indivíduo que usou a mão para ferir alguém em uma encarnação vem sem ela na próxima ou a perde durante a existência física, por meio de várias formas. Quanto ao sinal moral, é aquele indicativo de alguém que coopera em alguma atividade. Em vez de sanear o erro com as lágrimas do sofrimento a criatura vem e respalda com suor do seu trabalho. É o sinal de ajudador, de orientador em alguma frente religiosa. O indivíduo pode vir com a missão de ser padre, orientador espiritual de algum segmento religioso ou realizar trabalhos múltiplos no âmbito da caridade. Entendeu o sentido?

O que a gente pode retirar disto é a paciência e perseverança que precisamos manter.

O evangelho não quer o desânimo por parte de ninguém. Porque se houver um fio de esperança num coração complicado esse fio de esperança vai ser esgotado. Quer dizer, vão investir nele. Logo, não é para ninguém desanimar. Se você está achando que o negócio está sério para o seu lado, que o problema está complicado, difícil demais, pense por outro lado que a misericórdia é ampla.

E pessoa alguma precisa vingar em cima daquele que já se encontra assinalado pela justiça. “Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.” (Mateus 26:52) Conseguiu acompanhar? Não é preciso vingar a lei. De forma alguma. As circunstâncias vingam por si. Deus não precisa de mim ou de você para que se cumpra a lei. Eu não preciso vingar quem maltrata ou fere porque as circunstâncias chegam e vingam. 

E por falar nisso, você sabe como é que cessa a lei de causa e efeito em seu aspecto negativo? Quando nós desarmamos o nosso coração. Portanto, vamos manter o nosso coração sereno. Na medida em que a evolução se faz o alguém (no caso, o vingador) vai sendo substituído por alguma coisa. Perfeito? Então, vale a pena repetir: o processo cessa quando as pessoas cedem lugar às coisas.

8 de dez de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 10

A PROFECIA E A PREVISÃO

“54E DIZIA TAMBÉM À MULTIDÃO: QUANDO VEDES A NUVEM QUE VEM DO OCIDENTE, LOGO DIZEIS: LÁ VEM CHUVA, E ASSIM SUCEDE. 55E, QUANDO ASSOPRA O SUL, DIZEIS: HAVERÁ CALMA; E ASSIM PROCEDE. 56HIPÓCRITAS, SABEIS DISCERNIR A FACE DA TERRA E DO CÉU; COMO NÃO SABEIS ENTÃO DISCERNIR ESTE TEMPO? 57E POR QUE NÃO JULGAIS TAMBÉM POR VÓS MESMOS O QUE É JUSTO?” LUCAS 12:54-57

Jesus continua advertindo o ser humano sobre os perigos que o ameaçam: "Quando vedes a nuvem que vem do ocidente, logo dizeis: lá vem chuva, e assim sucede. E, quando assopra o sul, dizeis: haverá calma; e assim procede. Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeis então discernir este tempo? E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?"

Diz assim porque nos situamos dentro de uma linha natural de causas e efeitos a que não podemos fugir, onde cada qual sabe que se transgredir a lei divina de harmonia recebe.

O mal que se faz volta. Se destruir, merece. A vida é plantar e colher e tanto no bem como no mal o retorno é inevitável ao autor. Por isso, nós que estamos vinculados em uma escola que indica que em parte conhecemos nosso passado a nível intuitivo, embora não possamos detalhá-lo, temos alguma ideia, dentro do plano de reflexos com quais nos deparamos nos dias de hoje, mais ou menos o que fomos ontem.

É importante estar atento a este ensinamento. Por quê? Simples. Porque as leis do universo, todas elas, são perfeitas, e todos os efeitos presentes já estão calcados em sementes que foram lançadas no solo do encaminhamento da evolução.

Isto é fato, não estamos aqui falando de teoria. A natureza, seja no plano físico ou no plano moral, não age aos saltos. Todos os males que atingem uma pessoa ou a coletividade humana tiveram seus prenúncios. As próprias enfermidades, por exemplo, do corpo ou da alma, são efeitos, não são causas. São consequências de causas muitas vezes alimentadas na intimidade de alguém durante anos.

Eis aí a origem das nossas amarguras. No entanto, só depois que nos sentimos atingidos pelos efeitos menos felizes é que nos despertamos alarmados, chorando, soluçando, gritando e reclamando em vão. Sim, em vão, porque desde que se produz uma causa, até que se manifestem totalmente os seus efeitos, esses hão de persistir até se esgotarem, a despeito de todas as nossas lágrimas, soluços e inconformações. Entendeu essa parte? Você já deve ter observado que quando a chuva começa ela não cessa enquanto não cai a última gota.

A questão das profecias é a seguinte: a profecia é em cima das causas, não é em cima dos efeitos.

Deu para perceber? Vale a pena repetir, porque isso é muito importante. Toda profecia se estrutura em cima das causas, não em cima dos efeitos. E as causas são elaboradas de tal forma que uma vez estruturadas surge o efeito para completar o processo da germinação. Toda profecia é calcada em cima do que se faz, porque o que se faz vai redundar em um acontecimento. As causas são lançadas de tal modo no terreno do destino que nós teremos sempre o efeito a completar a linha do processo. Até os próprios acontecimentos que se relacionam com as revelações das escrituras sagradas, fugindo a qualquer ideia de eventualidade, resultam de programas elaborados nos milênios por aqueles que em nome do criador se responsabilizam pelos mecanismos evolutivos.

Agora, a profecia não tem um papel fechado no sentido de segura as pontas que a coisa vai pegar. Não é por aí. O sentido da profecia é, de certa forma, alertar a cada um de nós quanto ao carma que nós temos. Daí, a gente conclui o quê? Que o futuro não é mais aquela coisa assombrada, envolta nas trevas negras do mistério.

A luz do consolador tem chegado e erradicado as trevas que obscurecem o porvir.

Não há mais surpresas e imprevistos. O futuro será inevitavelmente a ceifa do presente, como o presente é a consequência do dia de ontem. O dia de amanhã será a resultante do dia de hoje. As projeções proféticas são feitas sobre as causas já implementadas no terreno do destino.

E não se assuste, nós também estamos dando de profetas hoje. A profecia representa, em tese, uma visão do que seremos e atingiremos um dia. Ela sempre antecede a culminância dos fatos, é a ante-sala da legítima conquista. Antes de nós vivenciarmos espontaneamente algo e efetivarmos uma conquista nós profetizamos. Quando nós falamos "eu ainda vou ter paciência, um dia eu vou entender isso, eu vou melhorar naquilo, vou chegar naquele ponto", e aí por diante, nós estamos profetizando.

E vamos ser sinceros em uma questão: nós sabemos a extensão das nuvens que nos cercam? Você conhece a extensão das nuvens que envolvem os seus passos? Para qualquer um de nós, em sã consciência, a resposta é não. Nós não sabemos. Mas nem por isso vamos deixar o nosso coração se enegrecer, como sugeriu o próprio mestre. Muito pelo contrário, muitas coisas podem ser feitas no sentido de sanear ou melhorar as expressões mais amplas da lei. Vamos analisar o seguinte, se no plano da humanidade a tecnologia vem melhorando as situações de uma forma geral, desde a sementeira até a colheita, nós também temos condições de melhorar muita coisa em nossa vida pessoal.

E com uma nova mentalidade educacional implementada no campo da evolução, nós começamos a ter informações projetadas no tempo e no espaço antes que o processo apareça. Em qualquer região da terra hoje é possível prever as horas de sombra e de luz. Muita coisa pode acontecer antes que a chuva desabe. Nós temos até tempo de construir guarda-chuva, de construir abrigo e fortificar nossas bases no sentido de minorar as dificuldades. A sabedoria está em saber prevenir. 

Tudo na obra divina se engrena em princípios de harmonia. Assim, no que se refere aos valores espirituais, se o homem conhecer os sinais dos tempos, como conhece os indícios das tempestades e de certos fenômenos da natureza, por observação das nuvens e direção dos ventos, poupará grande carga de sofrimentos.

E mais uma coisa: não vamos nos esquecer de que em cima dos valores já lançados nos terrenos da vida, aliados a uma probabilidade matemática, nem tudo é definitivo e finalístico. Guarde isso. Porque a cada minuto vão se alterando as ressonâncias do que vai acontecendo. Percebeu? É por isso que nem toda profecia pode ser registrada de forma absoluta.

Para você ter uma ideia, no momento em que uma criatura é sensibilizada e modifica a sua linha íntima, com a visualização por exemplo de novos padrões, capazes de mudar a sua conduta, é como se nesse momento esses valores novos se somassem ao seu psiquismo. Então, a cada dia novas oportunidades surgem a todos que querem e buscam melhorar. Sempre podemos mudar o destino, independente de onde estejamos e como estejamos.

Mas temos que ficar atentos a um ponto: quase sempre as legítimas revelações a nível profético vem em cima de um fato que era tido por nós como algo difícil, como um sobrepeso. Isto é muito comum. Por isso, atenção. Às vezes, um acontecimento que para nós tem um sentido de um grande peso, lá na frente é que nós vamos descobrir o porque. É comum alguém dizer lá na frente, após a visão da paisagem saneada pela chuva forte: "Puxa vida, agora é que eu descobri o porque daquele negócio. Agora eu entendo." Você já passou por uma situação assim?

1 de dez de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 9

AÇÃO E REAÇÃO

“ENTÃO JESUS DISSE-LHE: EMBAINHA A TUA ESPADA; PORQUE TODOS OS QUE LANÇAREM MÃO DA ESPADA, À ESPADA MORRERÃO.” MATEUS 26:52

A ação constitui o ato ou efeito de agir, de atuar. É a manifestação de uma força, de uma energia, de um agente. Pode-se dizer que é todo o procedimento dado em curso pela vontade. E por originar-se da vontade é fácil entender que a ação está no âmbito direto e resulta da utilização do livre-arbítrio.

E para iniciar o assunto uma coisa tem que ficar clara: situamo-nos todos em um plano que exige constante ação. Ou seja, a vida nos deixa escolhas, nos dá opções, mas somos diariamente constrangidos a ação. E isso é algo que exige uma atenção especial de nossa parte, porque pelo que fazemos é que cada um decide quanto ao seu próprio destino, seja criando para si a ascensão sublime à luz ou a descida inquietante em direção à treva. Então, vale ressaltar que escolhas para a ação a vida concede, o que ela não admite é a inércia, de forma que todos nós estamos sempre agindo e fazendo alguma coisa na vida humana. O detalhe é que em razão das escolhas menos felizes raros são aqueles que não precisam voltar à carne para desfazer o que fizeram.

Imagine o seguinte, hoje você foi ver um tio seu que se encontra internado em um hospital. Ele fez uma pequena cirurgia, está bem e você foi vê-lo. Amanhã, se você voltar lá de novo você já não irá vê-lo, irá revê-lo. Certo? O filho pequeno acabou de fazer o dever escolar: "Pai, já fiz o dever!" O pai, atencioso, vai conferir. "Filho, não é isso que a professora pediu. Está errado." O que o menino irá fazer? Não irá fazer o dever de novo, porque está feito. Irá refazer.

E porque estamos dizendo isso logo nesse início? Para a gente avaliar que o "re" tem sentido de repetição da ação. Daí nós temos o rever, o refazer, o reanimar, o reprogramar, o rebaixar, o retornar e a reação, que é o nosso assunto de agora.

A reação tem dois aspectos, mas em ambos está sempre relacionada com uma ação anterior.

Vamos entender que ela é uma outra ação. Quando digo que ela tem dois aspectos é porque ela pode ser uma resposta de fora que chega e nos alcança ou uma outra ação que nós vamos ter que implementar de modo a tentar anular o efeito de uma ação anterior. Será que ficou claro? Veja bem, face à imperiosa estrutura de equilíbrio que vigora nos parâmetros do universo, a reação funciona como uma resposta necessária a uma ação antecedente, de mesma intensidade, mas que apresenta sentido contrário. No primeiro aspecto ela é entendida como uma sequência de fatos que correm sob a lei de causa e efeito.

E a reação consiste em uma resposta a qualquer ação por meio de outra que tende a anular o efeito da precedente. É uma força posterior que se opõe a outra anterior.

Daí, pense no seguinte: quem agiu lesando alguém ontem, hoje ou amanhã terá que agir de novo em sentido contrário, ou seja, terá que reagir auxiliando. Auxiliando o mesmo que prejudicou a se reerguer ou outro que se encontre em mesma situação de necessidade, caso o prejudicado de ontem esteja em situação melhor. Por isso, a gente tem que pensar antes de querer fazer mal a quem quer que seja. A ação do mal pode ser rápida, porém ninguém sabe quanto tempo exigirá o serviço da reação, indispensável ao restabelecimento da harmonia soberana da vida, quebrada por nossas atitudes contrárias ao bem.

Até mesmo a criatura ociosa, que passou boa parte do tempo entre a inutilidade e a preguiça, é constrangida a voltar ao quadro de luta no intuito de desintegrar a rede de inércia que teceu ao redor de si mesma. O que nos faz concluir, com muita tranquilidade, que somente constrói sem necessidade de reparação ou de correção aquele que se inspira no padrão de Jesus para criar o bem.

E todo resgate se processa dentro das mesmas circunstâncias em que patrocinamos a ofensa em prejuízo dos outros. Um elemento cometeu um crime e eliminou um indivíduo nesta vida. Na outra ele vem, sofre com um crime ou é morto em um acidente. Liquidado, pronto para outra. Valendo ressaltar que nós estamos trabalhando a questão em tese. Aqui, um se complicou com o dinheiro. Na outra ele vem e respalda o problema sério da administração monetária, e quita. Percebeu? Com as mesmas dificuldades, com os mesmos anseios, com os mesmos dilemas, com os mesmos problemas. É mais ou menos assim.

Aqui ele tirou o vestido de alguém. Na frente veio alguém e pleiteou o vestido dele. Aqui ele obrigou alguém a andar uma milha. Na frente, esse alguém ou outro o fez andar uma milha. Porque ele estava com fome e o outro lhe disse: "Se você andar essa milha eu lhe dou comida".

E exemplo é o que não falta neste mundão de Deus. Vamos imaginar. Um indivíduo sacrificou muita gente lá atrás quando era latifundiário. Vivia num luxo, numa riqueza danada. Explorava os seus funcionários sem dó nem piedade. Seus empregados viviam na miséria. Sobreviviam acantonados, sem alimentos, sem nada. Muitos deles desencarnaram, subnutridos. No plano espiritual ele se conscientiza do que fez: "Puxa, vida. Olha lá, eu nem acredito no que fiz relativamente aos meus semelhantes." Aí ele volta. E vem para resolver o seu problema consciencial. Não pode acontecer? Chega com ideias altruístas e vai brigar para ser o diretor de assistência social. E vai começar a receber aquele povo.

Entram cem indivíduos para serem atendidos e fichados. Dos cem que entram, dez são da turma dele do passado. Se ele for feliz na situação, logo vai manter simpatia por alguns deles: "Esse aqui eu não sei o que está acontecendo. Está bebendo demais. Mas eu tenho uma pena dele. Tenho pena da família dele". Um companheiro de trabalho lhe diz: "Joga a ficha dele fora. Estão falando que ele bebe muito. E nós não estamos aqui para criar viciados." E ele retruca: "Pode até ser, mas acontece que eu tenho pena da mulher dele. Tenho muita pena dos filhos dele." Será que eu uma ideia o que estou dizendo? Quer dizer, embora de forma inconsciente por parte dele vigora ali um quadro de ressonância do passado.

E todos nós, alunos dessa escola chamada Terra, sem exceção alguma, temos débitos e créditos representados por nossas ações desenvolvidas no passado. E precisamos entender que as ressonâncias desses acontecimentos, ou seja, os efeitos, surgem ao nosso terreno de ação dentro de uma linha inteligente da espiritualidade.

Na maioria das vezes, para chegar a resolver casos do passado muitos companheiros, ao mesmo tempo em que saneiam as dificuldades com alguns, criam dívidas com outros. Um indivíduo resolve fazer uma creche para colocar vinte crianças. Quando a creche ficou pronta, sabe o que aconteceu? Ele já brigou com vinte e cinco. Brigou com o comerciante, brigou com o patrão, brigou com o engenheiro que ia fazer a planta, brigou com o mestre de obras. Em suma, construiu a creche, mas fez um punhado de inimizades. E estamos dizendo isso porquê? Porque em muitos dos casos se resolve de um lado e dificulta do outro.

O espírito, quando ajustado à consciência de seus erros e ansioso de reabilitar-se diante dos que mais ama, suplica por si mesmo a sentença punitiva que reconhece como indispensável à restauração e elevação de si próprio, objetivando acertar o caminho. E como consertar é sempre mais difícil do que fazer, não podemos contar com o favoritismo na obra laboriosa do aprimoramento individual, nem provocar a solução pacífica e imediata para os problemas que gastamos longo tempo a entretecer. Uma coisa é fato, em todos os ângulos do universo o trabalho de reajustamento pessoal é artigo de lei irrevogável.

Logo, ninguém suplique protecionismo a que não fez jus, nem flores de mel às sementes amargas que semeou em outro tempo. Concorda? Quem atravessa um campo sem organizar a sementeira necessária ao pão, e sem proteger a fonte de água que sacia a sede, não pode voltar com a intenção de abastecer-se. A prece ajuda, a fé sustenta, o entusiasmo revigora e o ideal ilumina, no entanto, o esforço próprio na direção do bem representa a base da realização esperada.

Nós sabemos que a lei de ação e reação é algo natural, afinal de contas cada ação propõe uma reação, seja esta de âmbito positivo ou negativo. Agora, o que não é comumente observado pela maioria das pessoas é que toda vez que a lei retorna vigora algo peculiar nesse retorno, que é a presença de uma linha de misericórdia.

Vamos reparar com bastante atenção que na reação já existe alguma coisa acrescentada ao nível de misericórdia. Está dando para acompanhar? A reação traz consigo um componente indutor que nós talvez não consigamos captar e perceber de forma imediata, mas é dentro desse retorno, dessa avalanche que chega, que recolhemos as chances de crescer. Sempre quando a resposta vem, ela vem trazendo alguma coisa a mais no campo de crescimento da individualidade. Vamos ao exemplo, porque o exemplo nos faz entender melhor.

O que é que geralmente acontece? Você realiza uma ação, dá um lance. E esse lance sai. Faz um determinado percurso e depois acaba retornando. Até aí, tranquilo, certo? Todos nós sabemos da lei do retorno. Vamos para a frente? Então, vamos lá.

E o interessante é que quando retorna ele não retorna como saiu de você, retorna acrescido de outros componentes que, às vezes, não foram os mesmos dimensionados por ocasião da emissão. Retorna acrescido de linhas qualitativas que irão trabalhar a sua intimidade em novas conquistas. Está dando para acompanhar ou eu estou falando grego aqui? Isso é da maior importância. É por meio desse processo que se desenvolve o mecanismo da evolução. Isso é algo tão importante que tem muita gente aí evoluindo pelo retorno do problema. O retorno da lei, representado no efeito, pode apresentar para o espírito a ele vinculado muita coisa na sua projeção.

Às vezes, por exemplo, pode acontecer de nós termos tripudiado um coração lá no passado. E esse coração pode vir em nosso lar hoje fechando a linha de ação e reação, não pode? Aliás, é o que acontece demais. O próprio Jesus nos ensinou que os inimigos do ontem voltariam em nossa família para a reconciliação necessária. E esse elemento que chega pode, por sua vez, nos trazer o conhecimento do evangelho e nos possibilitar a abertura para valores espirituais que, até então, era uma coisa que passava inteiramente desapercebida para nós. Percebeu o sentido que eu falei? A reação traz consigo um componente embutido que contém uma ação da grandeza de Deus e o indivíduo que originou a ação é envolvido por esse tipo de atendimento em nome da misericórdia.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...