27 de dez de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 11

O DIÁLOGO DE CAIM

“14EIS QUE HOJE ME LANÇAS DA FACE DA TERRA, E DA TUA FACE ME ESCONDEREI; E SEREI FUGITIVO E VAGABUNDO NA TERRA, E SERÁ QUE TODO AQUELE QUE ME ACHAR, ME MATARÁ. 15O SENHOR, PORÉM, DISSE-LHE: PORTANTO QUALQUER QUE MATAR A CAIM, SETE VEZES SERÁ CASTIGADO. E PÔS O SENHOR UM SINAL EM CAIM, PARA QUE O NÃO FERISSE QUALQUER QUE O ACHASSE.” GÊNESES 3:14-15

Você leu os versículos acima? Muitas pessoas provavelmente não os conhecem. Eles narram o diálogo de Caim com Deus, presente no livro de Gênesis. Caim, a gente sabe, ele matou o seu irmão Abel.

"Eis que hoje me lanças da face da Terra". Imagine você lançando alguma coisa de algum lugar para outro. Imaginou? O que é lançar da face da Terra? É arremessar da Terra. Ao dizer isso, Caim está se referindo ao seu desencarne, que equivale a ir do plano físico para o plano espiritual. Quando inicia este diálogo ele estava onde? Desencarnado. Define que passou para o plano espiritual, foi lançado para fora do orbe, para fora do planeta Terra, entrou no plano do espírito. Estava desencarnado. E desencarne é morte aqui e vida para lá.

"Eis que hoje me lanças da face da Terra e da tua face me esconderei". Observe o verbo esconder. Ele tem inúmeros pontos, mas independente de qual seja, lá no fundo a criatura busca um sentido de proteção. Eu não sei se você se lembra, mas o Adão também se escondeu. Ele se viu nu e tentou se esconder.

Daí, é possível notar que o ato de esconder normalmente está vinculado ao medo.

Tem muita gente procurando regressão de memória e lutando para saber o porque das coisas pelas quais está passando, conhecer o seu passado. O processo adotado hoje de regressão costuma ser um processo que trás à tona o que está escondido, todavia reflete não apenas saber o que está escondido, acima de tudo reflete uma expressão vibracional de medo. Às vezes, o que está criando dificuldade ou desajuste para uma individualidade é o temor ou o medo que uma determinada coisa propicia a ela. Está percebendo? O esconder-se seria como se a criatura quisesse manter o esquecimento o mais amplo possível. Porque na intimidade do seu psiquismo, no seu inconsciente, ele não quer isso não, ela não quer saber, não quer colocar para fora. O que ela quer é permanecer escondida mesmo. Deixar o problema para lá. Existe uma tendência nossa de nos recolhermos a nós próprios, no sentido de refúgio, de fuga.

O esconder expressa aquele momento em que nós estamos saturados, que nós pedimos um pouco de refrigério, que buscamos um pouco de alívio porque a luta está enorme, a barra está pesada.

No entanto, para qualquer um que se esconde, isso é uma medida provisória. Ninguém pode andar escondido por muito tempo, não dá para eleger o medo e andar a vida inteira debaixo dele. Nós podemos ser visitados por ele e mantê-lo certo tempo como um ponto de defesa, todavia não dá para caminhar debaixo desse estigma.

A vida pede caminhada e vamos notar que esconderijo apresenta um sentido de proteção. E para sairmos do esconderijo nós temos que adentrar em uma proposta nova.

O esconder da tua face pode apresentar duas opções. A primeira é esconder da luz abeirando-se nas trevas, isto é, nas regiões de sombras, nas regiões trevosas de sofrimento e purgação existentes no plano espiritual. O outro aspecto, e mais interessante, sugere reencarnação. Como assim? Vamos explicar.

Caim, depois do que fez, aceitou esconder-se, não foi? Ele queria sair daquela consciência plena que o estava machucando, que o estava punindo intimamente.

Em relação a isto, e pelo que temos estudado e aprendido, qual a melhor providência que a gente nota que vigora no plano espiritual? Se ele não dá conta de solucionar a questão intrínseca, manda ele de volta ao plano físico pela reencarnação. Percebeu? Esconder é isto. A solução é esconder-se da situação complicada que ele criou para si mesmo retornando ao plano físico. "E serei vagabundo e fugitivo na Terra" continua o versículo, a mostrar para nós, de forma clara, que esconder é reencarnar. Quer dizer, ele vai esconder-se da situação que criou voltando para cá para resolver. E o que não pode passar despercebido é o tempo do verbo, no futuro: "esconderei". O verbo esconder está no futuro.

Então, esconder é reencarnar, e das mais variadas formas. Ele vai retornar no futuro para poder resolver o plano cármico da sua consciência. Daí, em muitas ocasiões, aquele que andou aprontando lá atrás, fazendo o que não devia, aquele chefe truculento, aquele indivíduo presunçoso, pode estar hoje escondido humildezinho em um corpo, vivendo uma vida de privações e dificuldades.

O esconder não é apenas a reencarnação na sua mecânica. Este verbo também mostra a importância que o esquecimento do passado representa para todos nós.

Também consiste no bloqueio de nossas experiências passadas e, às vezes, abrange a presença do regime de absoluta segregação a que muitos estão envolvidos no plano reencarnatório. O esconder, em determinados momentos, define o anseio que nós temos de empanar o grau de nosso conhecimento, propiciando um certo alívio aos gritos da nossa consciência. Esconder é sempre a resposta que a misericórdia divina vem dando às nossas súplicas.

Esse verbo esconder nós o temos presente desde o velho testamento. De fato é como se você procurasse se esconder. Quer dizer, funciona como um abrigo, como sendo um refúgio, em cujo refúgio você vai poder fazer uma reavaliação. Agora, o verbo esconder expressa, entre outras colocações, o regime reencarnatório. Não é isto? Em tantas situações, esconder da tua face é voltar aqui em um outro ponto, de forma escondida, de forma velada, sem uma expressão clara.

Consiste numa busca de novos padrões capazes de assegurar determinados planos de confiança e segurança interior.

"E serei fugitivo e vagabundo na Terra." Entendeu esta parte? Fugitivo e vagabundo por quê? Em razão do erro que ele trazia consigo, porque realmente ele trazia um crime incrustado na sua individualidade. Então, essa expressão indica reencarnação expiatória. Porque "serei...na Terra" refere-se ao futuro, mostra que ele estava aonde? Fora da Terra. Está dando para acompanhar?

"E será que todo aquele que me achar, me matará". Isso não é nada mais nada menos que a insinuação da lei de causa e efeito. É o indicativo da operação da justiça na lei de causa e efeito. Define a expressão da lei. O próprio Caim entendia isto. Ou seja, cumprir-se-ia o inevitável e intransferível retorno da lei de causa e efeito que ele tinha na consciência, afinal de contas nós nos situamos todos debaixo do império dessa lei de causa e efeito a qual não podemos trair. Como devedor, ele não tinha a capacidade para se livrar da morte.

Vamos reprisar. Caim matou Abel, certo? E se ele transgrediu a lei, a lei tem que agir sobre ele para restaurar o equilíbrio desarmonizado com a sua ação menos feliz.

Não é isso que temos aprendido? E mais, como a reparação se dá sempre ceitil por ceitil, o que teria que acontecer? Caim teria que voltar na próxima encarnação e ser morto por alguém para pagar o que deve. Correto até aí? Podemos seguir em frente?

Então, imagine o seguinte: Caim volta na próxima encarnação e é morto pelo João. Ao ser morto pelo João ele paga o que deve e liquida a sua fatura. Não é essa a lógica da lei? Só que tem um detalhe. Ao ser morto pelo João o Caim paga o que deve, mas o João contrai uma dívida para si. Não é assim que funciona? Aí, na próxima, vem o João e é morto pelo Alfredo. Resultado? O João se desonera e o Alfredo, por sua vez, cria uma dívida de homicídio para si. Entendeu a questão?

Analisando com atenção, em cima dessa lógica o processo não acaba, não tem fim.

E não foi bem isso que aconteceu. O que a misericórdia divina fez? "E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse". Deus pôs sinal nele.

É o que falamos anteriormente, a misericórdia superior age de maneira inteligente, objetivando a menor parcela de sofrimento ao infrator. É por isso que ela é misericórdia. Aliás, caminhamos debaixo de uma inteligência superior a que muitas vezes buscamos nos contrapor. Além do que, a misericórdia divina não vai ficar feliz, e o criador sorridente, apenas com o fato acontecendo e o cumprimento da lei: "Olha só, Caim matou Abel lá atrás, não foi? Agora acabou de ser morto. Cumpriu a lei. É uma beleza. Essa minha lei é ótima!" Não! Não é assim que funciona. A misericórdia quer mais, quer muito mais do que isso. O objetivo da criação é o amor, projetar a criatura. Então, esses sinais são para que nós não sejamos levados, tantas vezes, ao processo restrito de fechamento e cumprimento da lei.

E segue o texto: "E será que todo aquele que me achar, me matará. O Senhor, porém, disse-lhe: portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse." Então, Caim veio com Sinal, ele veio assinalado para que não fosse eliminado.

Percebeu? Afinal de contas, o que é que vale? Ele matou lá atrás e vai ter que vir para ser morto? Não! Ele matou, sim, e vai voltar para aprender a viver e dar a vida.

Assim, mil vezes melhor viver e oferecer a vida do que ser simplesmente eliminado no campo do fechamento do circuito. Notou? Se houvesse o fechamento do circuito, fez isso e paga por aquilo, pense bem, nós não estaríamos aqui dotados de esperança e confiança no futuro. Concorda comigo? Veja comigo o seguinte: nós podemos estar hoje diante de um filho que tem nos dado muito trabalho. Vamos supor que lá no passado nós o eliminamos. Não pode ter acontecido? Nós estamos aqui e damos a reencarnação para ele. Estamos ajudando esse indivíduo, dando o melhor para ele. E eu vou ficar esperando a hora em que ele vai me matar também? Entendeu? Não é por aí. Nós temos que aprender a sair vitoriosos da morte, sendo essa morte delimitada pela própria vida.

Logo, o recado que fica é esse: vamos colocar o sinal na testa e cooperar. Em nome de quê? Em nome da caridade. E o que é a caridade? É auxiliar. Ao invés de termos a nossa vida retirada, vamos dar a vida, a conhecidos e desconhecidos.

E que sinal é esse? O sinal em Caim pode significar duas coisas: o sinal físico ou o sinal moral.

O sinal físico representa o sinal cármico e pode caracterizar-se por uma deficiência física. Por exemplo, aquele indivíduo que usou a mão para ferir alguém em uma encarnação vem sem ela na próxima ou a perde durante a existência física, por meio de várias formas. Quanto ao sinal moral, é aquele indicativo de alguém que coopera em alguma atividade. Em vez de sanear o erro com as lágrimas do sofrimento a criatura vem e respalda com suor do seu trabalho. É o sinal de ajudador, de orientador em alguma frente religiosa. O indivíduo pode vir com a missão de ser padre, orientador espiritual de algum segmento religioso ou realizar trabalhos múltiplos no âmbito da caridade. Entendeu o sentido?

O que a gente pode retirar disto é a paciência e perseverança que precisamos manter.

O evangelho não quer o desânimo por parte de ninguém. Porque se houver um fio de esperança num coração complicado esse fio de esperança vai ser esgotado. Quer dizer, vão investir nele. Logo, não é para ninguém desanimar. Se você está achando que o negócio está sério para o seu lado, que o problema está complicado, difícil demais, pense por outro lado que a misericórdia é ampla.

E pessoa alguma precisa vingar em cima daquele que já se encontra assinalado pela justiça. “Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.” (Mateus 26:52) Conseguiu acompanhar? Não é preciso vingar a lei. De forma alguma. As circunstâncias vingam por si. Deus não precisa de mim ou de você para que se cumpra a lei. Eu não preciso vingar quem maltrata ou fere porque as circunstâncias chegam e vingam. 

E por falar nisso, você sabe como é que cessa a lei de causa e efeito em seu aspecto negativo? Quando nós desarmamos o nosso coração. Portanto, vamos manter o nosso coração sereno. Na medida em que a evolução se faz o alguém (no caso, o vingador) vai sendo substituído por alguma coisa. Perfeito? Então, vale a pena repetir: o processo cessa quando as pessoas cedem lugar às coisas.

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