1 de dez de 2015

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 9

AÇÃO E REAÇÃO

“ENTÃO JESUS DISSE-LHE: EMBAINHA A TUA ESPADA; PORQUE TODOS OS QUE LANÇAREM MÃO DA ESPADA, À ESPADA MORRERÃO.” MATEUS 26:52

A ação constitui o ato ou efeito de agir, de atuar. É a manifestação de uma força, de uma energia, de um agente. Pode-se dizer que é todo o procedimento dado em curso pela vontade. E por originar-se da vontade é fácil entender que a ação está no âmbito direto e resulta da utilização do livre-arbítrio.

E para iniciar o assunto uma coisa tem que ficar clara: situamo-nos todos em um plano que exige constante ação. Ou seja, a vida nos deixa escolhas, nos dá opções, mas somos diariamente constrangidos a ação. E isso é algo que exige uma atenção especial de nossa parte, porque pelo que fazemos é que cada um decide quanto ao seu próprio destino, seja criando para si a ascensão sublime à luz ou a descida inquietante em direção à treva. Então, vale ressaltar que escolhas para a ação a vida concede, o que ela não admite é a inércia, de forma que todos nós estamos sempre agindo e fazendo alguma coisa na vida humana. O detalhe é que em razão das escolhas menos felizes raros são aqueles que não precisam voltar à carne para desfazer o que fizeram.

Imagine o seguinte, hoje você foi ver um tio seu que se encontra internado em um hospital. Ele fez uma pequena cirurgia, está bem e você foi vê-lo. Amanhã, se você voltar lá de novo você já não irá vê-lo, irá revê-lo. Certo? O filho pequeno acabou de fazer o dever escolar: "Pai, já fiz o dever!" O pai, atencioso, vai conferir. "Filho, não é isso que a professora pediu. Está errado." O que o menino irá fazer? Não irá fazer o dever de novo, porque está feito. Irá refazer.

E porque estamos dizendo isso logo nesse início? Para a gente avaliar que o "re" tem sentido de repetição da ação. Daí nós temos o rever, o refazer, o reanimar, o reprogramar, o rebaixar, o retornar e a reação, que é o nosso assunto de agora.

A reação tem dois aspectos, mas em ambos está sempre relacionada com uma ação anterior.

Vamos entender que ela é uma outra ação. Quando digo que ela tem dois aspectos é porque ela pode ser uma resposta de fora que chega e nos alcança ou uma outra ação que nós vamos ter que implementar de modo a tentar anular o efeito de uma ação anterior. Será que ficou claro? Veja bem, face à imperiosa estrutura de equilíbrio que vigora nos parâmetros do universo, a reação funciona como uma resposta necessária a uma ação antecedente, de mesma intensidade, mas que apresenta sentido contrário. No primeiro aspecto ela é entendida como uma sequência de fatos que correm sob a lei de causa e efeito.

E a reação consiste em uma resposta a qualquer ação por meio de outra que tende a anular o efeito da precedente. É uma força posterior que se opõe a outra anterior.

Daí, pense no seguinte: quem agiu lesando alguém ontem, hoje ou amanhã terá que agir de novo em sentido contrário, ou seja, terá que reagir auxiliando. Auxiliando o mesmo que prejudicou a se reerguer ou outro que se encontre em mesma situação de necessidade, caso o prejudicado de ontem esteja em situação melhor. Por isso, a gente tem que pensar antes de querer fazer mal a quem quer que seja. A ação do mal pode ser rápida, porém ninguém sabe quanto tempo exigirá o serviço da reação, indispensável ao restabelecimento da harmonia soberana da vida, quebrada por nossas atitudes contrárias ao bem.

Até mesmo a criatura ociosa, que passou boa parte do tempo entre a inutilidade e a preguiça, é constrangida a voltar ao quadro de luta no intuito de desintegrar a rede de inércia que teceu ao redor de si mesma. O que nos faz concluir, com muita tranquilidade, que somente constrói sem necessidade de reparação ou de correção aquele que se inspira no padrão de Jesus para criar o bem.

E todo resgate se processa dentro das mesmas circunstâncias em que patrocinamos a ofensa em prejuízo dos outros. Um elemento cometeu um crime e eliminou um indivíduo nesta vida. Na outra ele vem, sofre com um crime ou é morto em um acidente. Liquidado, pronto para outra. Valendo ressaltar que nós estamos trabalhando a questão em tese. Aqui, um se complicou com o dinheiro. Na outra ele vem e respalda o problema sério da administração monetária, e quita. Percebeu? Com as mesmas dificuldades, com os mesmos anseios, com os mesmos dilemas, com os mesmos problemas. É mais ou menos assim.

Aqui ele tirou o vestido de alguém. Na frente veio alguém e pleiteou o vestido dele. Aqui ele obrigou alguém a andar uma milha. Na frente, esse alguém ou outro o fez andar uma milha. Porque ele estava com fome e o outro lhe disse: "Se você andar essa milha eu lhe dou comida".

E exemplo é o que não falta neste mundão de Deus. Vamos imaginar. Um indivíduo sacrificou muita gente lá atrás quando era latifundiário. Vivia num luxo, numa riqueza danada. Explorava os seus funcionários sem dó nem piedade. Seus empregados viviam na miséria. Sobreviviam acantonados, sem alimentos, sem nada. Muitos deles desencarnaram, subnutridos. No plano espiritual ele se conscientiza do que fez: "Puxa, vida. Olha lá, eu nem acredito no que fiz relativamente aos meus semelhantes." Aí ele volta. E vem para resolver o seu problema consciencial. Não pode acontecer? Chega com ideias altruístas e vai brigar para ser o diretor de assistência social. E vai começar a receber aquele povo.

Entram cem indivíduos para serem atendidos e fichados. Dos cem que entram, dez são da turma dele do passado. Se ele for feliz na situação, logo vai manter simpatia por alguns deles: "Esse aqui eu não sei o que está acontecendo. Está bebendo demais. Mas eu tenho uma pena dele. Tenho pena da família dele". Um companheiro de trabalho lhe diz: "Joga a ficha dele fora. Estão falando que ele bebe muito. E nós não estamos aqui para criar viciados." E ele retruca: "Pode até ser, mas acontece que eu tenho pena da mulher dele. Tenho muita pena dos filhos dele." Será que eu uma ideia o que estou dizendo? Quer dizer, embora de forma inconsciente por parte dele vigora ali um quadro de ressonância do passado.

E todos nós, alunos dessa escola chamada Terra, sem exceção alguma, temos débitos e créditos representados por nossas ações desenvolvidas no passado. E precisamos entender que as ressonâncias desses acontecimentos, ou seja, os efeitos, surgem ao nosso terreno de ação dentro de uma linha inteligente da espiritualidade.

Na maioria das vezes, para chegar a resolver casos do passado muitos companheiros, ao mesmo tempo em que saneiam as dificuldades com alguns, criam dívidas com outros. Um indivíduo resolve fazer uma creche para colocar vinte crianças. Quando a creche ficou pronta, sabe o que aconteceu? Ele já brigou com vinte e cinco. Brigou com o comerciante, brigou com o patrão, brigou com o engenheiro que ia fazer a planta, brigou com o mestre de obras. Em suma, construiu a creche, mas fez um punhado de inimizades. E estamos dizendo isso porquê? Porque em muitos dos casos se resolve de um lado e dificulta do outro.

O espírito, quando ajustado à consciência de seus erros e ansioso de reabilitar-se diante dos que mais ama, suplica por si mesmo a sentença punitiva que reconhece como indispensável à restauração e elevação de si próprio, objetivando acertar o caminho. E como consertar é sempre mais difícil do que fazer, não podemos contar com o favoritismo na obra laboriosa do aprimoramento individual, nem provocar a solução pacífica e imediata para os problemas que gastamos longo tempo a entretecer. Uma coisa é fato, em todos os ângulos do universo o trabalho de reajustamento pessoal é artigo de lei irrevogável.

Logo, ninguém suplique protecionismo a que não fez jus, nem flores de mel às sementes amargas que semeou em outro tempo. Concorda? Quem atravessa um campo sem organizar a sementeira necessária ao pão, e sem proteger a fonte de água que sacia a sede, não pode voltar com a intenção de abastecer-se. A prece ajuda, a fé sustenta, o entusiasmo revigora e o ideal ilumina, no entanto, o esforço próprio na direção do bem representa a base da realização esperada.

Nós sabemos que a lei de ação e reação é algo natural, afinal de contas cada ação propõe uma reação, seja esta de âmbito positivo ou negativo. Agora, o que não é comumente observado pela maioria das pessoas é que toda vez que a lei retorna vigora algo peculiar nesse retorno, que é a presença de uma linha de misericórdia.

Vamos reparar com bastante atenção que na reação já existe alguma coisa acrescentada ao nível de misericórdia. Está dando para acompanhar? A reação traz consigo um componente indutor que nós talvez não consigamos captar e perceber de forma imediata, mas é dentro desse retorno, dessa avalanche que chega, que recolhemos as chances de crescer. Sempre quando a resposta vem, ela vem trazendo alguma coisa a mais no campo de crescimento da individualidade. Vamos ao exemplo, porque o exemplo nos faz entender melhor.

O que é que geralmente acontece? Você realiza uma ação, dá um lance. E esse lance sai. Faz um determinado percurso e depois acaba retornando. Até aí, tranquilo, certo? Todos nós sabemos da lei do retorno. Vamos para a frente? Então, vamos lá.

E o interessante é que quando retorna ele não retorna como saiu de você, retorna acrescido de outros componentes que, às vezes, não foram os mesmos dimensionados por ocasião da emissão. Retorna acrescido de linhas qualitativas que irão trabalhar a sua intimidade em novas conquistas. Está dando para acompanhar ou eu estou falando grego aqui? Isso é da maior importância. É por meio desse processo que se desenvolve o mecanismo da evolução. Isso é algo tão importante que tem muita gente aí evoluindo pelo retorno do problema. O retorno da lei, representado no efeito, pode apresentar para o espírito a ele vinculado muita coisa na sua projeção.

Às vezes, por exemplo, pode acontecer de nós termos tripudiado um coração lá no passado. E esse coração pode vir em nosso lar hoje fechando a linha de ação e reação, não pode? Aliás, é o que acontece demais. O próprio Jesus nos ensinou que os inimigos do ontem voltariam em nossa família para a reconciliação necessária. E esse elemento que chega pode, por sua vez, nos trazer o conhecimento do evangelho e nos possibilitar a abertura para valores espirituais que, até então, era uma coisa que passava inteiramente desapercebida para nós. Percebeu o sentido que eu falei? A reação traz consigo um componente embutido que contém uma ação da grandeza de Deus e o indivíduo que originou a ação é envolvido por esse tipo de atendimento em nome da misericórdia.

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