30 de jan de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 5

A SALVAÇÃO I

“ESTA É UMA PALAVRA FIEL, E DIGNA DE TODA A ACEITAÇÃO, QUE CRISTO JESUS VEIO AO MUNDO, PARA SALVAR OS PECADORES, DOS QUAIS EU SOU O PRINCIPAL.” I TIMÓTEO 1:15

Em se tratando de salvação, o que a maior parte da humanidade está buscando? Vamos pensar? Aliás, nem é preciso pensar muito. Não é preciso muito conhecimento para saber que o que a maioria está querendo é salvar a própria pele.

Concorda? Dentro da conceituação literal, salvar significa livrar de ruína ou perigo, e salvação individual é assunto das religiões. Não é assim que funciona?

Muitos acreditam que o  meio dela ser obtida é livrando-se de todos os riscos na conquista da suprema tranquilidade. Nós também trazíamos essa ideia, a gente também achava que salvação era andar bonitinho diante de Deus. Salvação era sinônimo de salvaguardar-se dos pecados por meio de uma sistemática de vida restrita ao refreamento. Quer dizer, transitar pela vida sem fazer nada de complicado: "Isso eu não faço, aquilo eu não faço". Ser salvo era ir para o céu depois de morrer.

Infelizmente, nós ainda fazemos esse tipo de comércio. Não é? "No mínimo, eu vou escapar do umbral. No mínimo".

O religioso tradicional está na igreja, sabe porquê? Para não ir para o inferno. Ele está lá para poder andar direitinho: "Pago os meus impostos em dia, pago o aluguel, trabalho, não chego atrasado, cuido da família. Sou daquela religião tal e de uma coisa eu tenho certeza: Jesus me salva e eu não vou para o inferno de jeito nenhum". Está errado? Não. De forma alguma. Ele está no seu patamar. Está evitando o inferno porque a morte é um pavor para ele. Está evitando o inferno e preparando o seu céu.

Até bem pouco tempo, sabe quem se salvava aqui na Terra? Quem andava bonitinho, não falava palavrão, não bebia, não fumava. Em suma, quem não fazia nada complicado. Esse estava salvo. Mas vamos ser sinceros. Não estou fazendo crítica nenhuma, mas esse processo do religioso tradicional de buscar salvar a própria pele pra nós já não dá. Isso já era!

Essa coisa de querer fugir do inferno já está lá para trás para nós aqui, embora seja algo presente para muitos milhões de pessoas. A gente não se contenta mais com essa atitude passiva. É possível que a grande parte de nós aqui já consiga fazer isso, quer dizer, transitar pela vida mantendo um procedimento correto, cumprindo compromissos e obrigações direitinho, dentro dos parâmetros, sem prejudicar ninguém, mas está faltando alguma coisa aí, não está? Temos sentido que nossa opção hoje de querer salvar a própria pele já era.

É preciso descaracterizar essa ideia de que estamos aqui tentando encontrar recursos para resolver os nossos problemas pessoais. Nossa proposta hoje está para além disso. Resolver problema pessoal é um ponto de referência inicial da grande mudança. O evangelho, que temos buscado conhecer com clareza e profundidade, tem nos mostrado continuamente que essa ideia anterior está totalmente ultrapassada, tem nos mostrado que a meta não se resume meramente nessa busca de salvação pessoal. A questão não é mais ver se passamos correndo pelo umbral ou inferno na hora do nosso desencarne ou morte física.

O código supremo de Jesus apresenta a mensagem de quem está se candidatando pela consciência desperta a um trabalho para além da salvação individual.

Se analisarmos bem, o que nós temos buscado é uma proposta nova. O que queremos é melhorar, evoluir, crescer, viver feliz, de bem com a vida, alcançar a verdade e a luz em parâmetros cada vez mais ampliados. Não estamos mais preocupados com os aspectos negativos da caminhada, com as eventuais quedas. Nós estamos é procurando uma identificação com os padrões complementares. Graças a Deus, a maioria de nós que está aqui estudando não está mais pensando no umbral. E estamos tentando arregimentar informações que não visam apenas atender o plano nosso de afirmação como bons cidadãos. Nossa busca é aprender o amor pela instauração de um processo de cidadania universal que ultrapassa os parâmetros restritos da salvação pessoal.

Nossos esforços agora não se resumem em fugirmos do mal para escapar da dor, mas convergem para a prática do bem, para a aprendizagem da virtude. Estamos pensando nos valores positivos, estamos pensando em operar. Afinal, nós temos um mundo chorando em nossa volta, não temos? Ou nós não estamos sentindo isso?

Analisada apenas no plano histórico e literal a salvação permanece restrita ao âmbito filosófico e religioso, todavia sob uma ótica mais ampliada, elástica, no plano prático da vida, ela alcança um cunho científico e libertador. E sabe porque eu estou dizendo isso? Por uma razão simples: é que nenhuma das acepções alusivas ao verbo salvar exime o espírito da responsabilidade de se conduzir e melhorar. Percebeu? A salvação, por si só, não interrompe ou finaliza nada.

Vamos exemplificar? Um navio que realiza longa viagem cruzando os mares, em determinada situação pode vir a ser salvo de algum risco iminente de acidente. No entanto, ele não estará exonerado da viagem, certo? Com certeza ele deverá continuar a viagem, na qual enfrentará naturalmente perigos novos. Um doente circunstancialmente salvo da morte, pense comigo, está livre dela para sempre? O que você acha? De forma alguma. Ele não se livra do imperativo de continuar seguindo nas tarefas da existência, onde deparará inevitavelmente com novos desafios, superando percalços. E terá que enfrentar a morte depois.

Você pode dizer: "Espera aí, Marco, está escrito que Jesus salva. O próprio Paulo disse isto." ("Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal." I Timóteo 1:15) Tudo bem, nós não estamos desconsiderando isso. De forma alguma. Quando nós escutamos essa expressão que "só Jesus salva", nós temos que entendê-la correta, sim, mas que não é legítima. Como assim? Vamos explicar.

É digna de nota a afirmativa do apóstolo Paulo de que "Jesus veio ao mundo salvar os pecadores", só que nós, infelizmente, através dos tempos, desvirtuamos a interpretação. O que eu estou querendo dizer? Que salvar não é tirar os filhos de Deus da lama da terra e colocá-los brilhando, de imediato, entre os anjos do céu. Isso não existe. Em sentido correto, salvar não é lançar alguém ao céu de forma instantânea. Não é projetar ao céu, conferir a alguém certo título por meio de uma magia sublimatória ou fornecer passaporte para a intimidade com Deus. Nada disso. Em hipótese alguma salvação é aquela que pretende investir-nos ingenuamente na posse de títulos angélicos, quando ainda somos criaturas humanas com necessidade de aprender, evoluir, acertar e retificar.

É preciso encarar isto com naturalidade, e não mais com aquele misticismo de que os anjos vão chegar, vão descer, não sei de onde, e pegar um por um e salvar e colocar lá em cima. Ah, pára! Chega disso! Em tempo algum salvar jamais significou situar alguém na redoma da preguiça, à distância do suor na marcha evolutiva. Salvar não é isso, tanto quanto triunfar não significa a deserção do combate.

25 de jan de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 4

ESPERAS RECÍPROCAS

Desde as eras mais remotas da humanidade os agrupamentos religiosos, todos eles, trabalham pela obtenção dos favores celestes. Isto acontece desde que o mundo é mundo.

No entanto, se temos confiança em Deus, ele também confia em nós. Se esperamos por Ele, é natural que Ele também espera por nós.

Para quê? Para que possamos refletir o seu pensamento junto aos corações em sofrimentos maiores que os nossos. Basta analisar, nós temos a nossa base de expectativa, o plano superior também tem. Existe uma recíproca. Os homens esperam por Jesus e Jesus espera pelos homens. E criatura alguma deve duvidar dessa expectativa. Nós pedimos constantemente ao alto, lançamos ao céu nossas orações, pedimos aos benfeitores e espíritos amigos que nos socorram, que nos amparem, que nos ajudem, mas eles por sua vez também estão pedindo de nós uma resposta. Se exigimos amparo do Senhor em nosso benefício é perfeitamente justo que o Senhor nos solicite algum amparo em favor dos que se afligem junto de nós.

Está entendendo? Basta compreender que se na extinção dos nossos problemas pequenos nós requisitamos o máximo de proteção ao Senhor, é natural que o Senhor nos peça o mínimo de auxílio na supressão dos grandes infortúnios que abatem o próximo. Daí, é possível concluir que na essencialidade não somos nós que esperamos pela luz divina. No fundo, é a luz divina que espera por nós. Antes de querermos o amparo superior, o criador espera de nós uma cooperação também.

E sabe o que a gente conclui disso? Que do plano superior para o nosso, de cima para baixo, não existe apenas auxílio. Essa espera tem um fundamento. Quer dizer, de lá para cá existe, acima de tudo, um investimento.

A espiritualidade tem investido muito em nós, e muito mais do que a gente pensa.

Com raras exceções, as criaturas humanas de uma forma geral não tem ideia do quanto a espiritualidade tem investido nelas. Ela vem investindo de modo amplo em todos os corações em uma espécie de chamamento para a grande tarefa. Você está percebendo? Embora a maioria não perceba, nós somos cuidados com muito carinho pelos espíritos superiores. E, na medida em que analisamos esse aspecto, vamos nos convencendo que de fato somos cidadãos importantes na ótica divina.

A gente tem tripudiado muito em cima da evolução, tem tripudiado demais da conta em cima dos anos que passam. Ficamos ansiosos em querer salvar a própria pele, em conseguir sair daquele sofrimento que nos alcança, mantemo-nos restritos em uma busca personalística que envolve apenas o nosso bem estar e nos esquecemos que o investimento de lá para cá, do plano superior para o nosso, se dá de forma bem diferente. Não objetiva apenas atender aos nossos desejos, mas acima de tudo fazer de qualquer um de nós um instrumento positivo da vontade do criador.

Insistimos neste questionamento porque ele é importante. Os benfeitores do além não nos querem como eternos necessitados da casa de Deus. Não. Eles nos querem para companheiros dos serviços do bem. A vida é extraordinária neste particular. Eles vem investindo de forma ampla para que nós adentremos na grande tarefa de ajudar. Esse investimento objetiva fazer de qualquer um de nós um instrumento útil da vontade de Deus. Porquê? Porque estamos aqui para refletir o pensamento divino segundo a nossa capacidade no contexto em que estamos situados.

E quando descobrimos que temos potenciais ilimitados para cooperar na obra divina, é fantástico.

O que estamos falando não deve ser algo difícil de ser compreendido, afinal toda criatura recebe do supremo Senhor o dom de servir. Ao renascer, não recebemos o corpo físico apenas para buscar o prazer e repousar. Deus nos aguarda nos outros. Todos os seres humanos estão convocados a um piso de trabalho em novas bases, em novos rumos.

Vale repetir o que dissemos: os benfeitores do plano espiritual não nos querem como eternos necessitados da casa de Deus. Pelo contrário, ele nos aguardam para companheiros dos serviços do bem. E isto não é apenas uma teoria inventada pela esperança. Não. É da lei! Se nós, que somos necessitados, não trabalharmos como doadores ou cooperadores, sabe o que acontece? Ficamos presos e amarrados às nossas carências.

Em outras palavras, quanto mais nos recolhemos a nós próprios mais apertado fica o cerco para o nosso lado. Você está com problemas? A coisa está difícil? Tudo na vida pode se transformar em algo positivo na caminhada. Pela vitória alcançada em cada etapa, além de apenas resolvermos o nosso problema pessoal nós entramos em um terreno que nos abre uma oportunidade ampla de cooperação.

O mundo está aí. Como uma bola gigante, que não se cansa de girar. Conversamos com pessoas, todos nós, aqui e ali, e algumas de imediato reclamam do mundo. Que o mundo só oferece frustração, que nele tem dor em demasia, que o desespero e a crueldade imperam, a desigualdade é demais. O rosário é extenso. Elas reclamam e nós só escutamos. Fazer o quê? Cada qual tem a sua forma de pensar, ótica esta elaborada pelo conhecimento adquirido e pelo nível de evolução.

Para muita gente o mundo oferece isto, no entanto enquanto muitos esperam o apocalipse desabar sobre as cabeças humanas carecedoras de sofrimento nós temos o trabalho à nossa disposição. Percebeu o que eu estou dizendo? O mundo também oferece uma capacidade infinita de trabalho e isso é bonito demais de se ter em conta.

Em qualquer posição que nós estivermos, e em qualquer tempo, estaremos continuamente cercados pelas possibilidades de serviço com o criador. Onde quer que a vida nos situe encontraremos todos os dias múltiplas ocasiões de fazer o bem, de entender, de auxiliar, de esclarecer e exercer a compaixão. Não vamos nos esquecer. O mundo oferece oportunidades de trabalho a todos que desejam. Analise para você ver. O chão para semear, a ignorância para ser instruída, a lágrima para ser enxugada, a esperança para ser reerguida, a dor para ser consolada, são apelos silenciosos que o céu envia sem palavras para o mundo inteiro.

A justiça se cumpre sempre e isso a gente sabe. Todavia, logo que o espírito se predispõe a realizar a sua transformação atenua-se o rigorismo do processo redentor. Simão Pedro já nos lembrou, há milênios, que o "amor cobre a multidão de pecados".

O que percebemos? Que se a espiritualidade tivesse que conseguir um médium perfeitamente purificado, não haveria comunicação mediúnica no mundo até hoje. Se os espíritos amigos fossem esperar médiuns absolutamente santos, o trabalho do mundo estava parado. Isso nos dá a ideia de como funciona. O que nós temos aprendido? Que somente o trabalho digno confere ao espírito o merecimento indispensável a qualquer direito novo. Logo, Jesus opera com aqueles que estão se recompondo na evolução. Está acompanhando? Isto está ficando bem claro para você? Em vez de ter que vir o anjo aqui para ensinar, para auxiliar, para dar o passe, o que está fazendo é o elemento que deve. Porque assim fazendo ele está se limpando, está se higienizando. Isto é altamente consolador, porque assim fazendo ele está se recompondo no seu campo cármico, auxiliando em nome do Cristo e purificando-se na esteira da evolução.

21 de jan de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 3

PORQUÊ TRABALHAR?

“POR SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS. PORVENTURA COLHEM-SE UVAS DOS ESPINHEIROS, OU FIGOS DOS ABROLHOS?” MATEUS 7:16

“PORTANTO, PELOS SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS.” MATEUS 7:20

Nós trazemos de um passado longínquo resquícios de um sistema que foi ensinado para nós com muito carinho para alcançarmos melhores estágios: meditação, reflexão, conhecimentos periféricos e prece, naquele seu sentido místico.

A própria morte é um exemplo claro disso. Para uma soma enorme de criaturas no plano físico ela ainda é considerada como o ponto final aos problemas. Não é? Quer dizer, na visão de uma grande massa de pessoas ela resolve tudo. O túmulo chega a ser considerado como a representação e o repositório das últimas esperanças. Consideram que morreu, acabou. Como num passe de mágica, acreditam que ela elimina, de um instante para outro, qualquer dificuldade, qualquer dor, qualquer desarmonia, por mais complexa que seja.

E não é só isso. A questão vai mais além. Em tantas ocasiões nós costumamos propor aos benfeitores espirituais a realização de determinados serviços que são para nós, acima de tudo, oportunidades de trabalho que o Senhor nos oferece. E nós recusamos. Ficamos querendo que Deus resolva os nossos problemas, que os espíritos resolvam os nossos problemas.

Não tem gente assim? Que admira a glória do evangelho com a boca cheia, no entanto a mera admiração pode transformar-se em êxtase inoperante. Ou alega confiar demais no mestre, mas a confiança estagnada pode não passar de força inerte. Outros acreditam serem privilegiados da infinita bondade simplesmente por terem abraçadas atitudes de superfície nos templos religiosos. E se consideram credores da redenção pela simples arregimentação de valores intelectivos.

Enfim, o assunto é fascinante e vai se estendendo. Outro grupo espera quase que ansiosamente pela morte do corpo, suplicando a transferência para os mundos superiores. Com base sabe em quê? Tão somente no fato de terem ouvido maravilhosas descrições celestiais dos mensageiros divinos.

O mundo é um campo de luta e ninguém é diferente de ninguém. Ninguém é diferente de ninguém e ninguém é melhor do que ninguém. Todos nós buscamos, sem exceção, e cada qual a seu modo, a mesma coisa: reconforto, equilíbrio e harmonia. Meu amigo e minha amiga, a passagem pelo sepulcro, por si só, não coloca ninguém em uma terra milagreira. E nada de acreditar em uma comunhão com o supremo criador somente porque nos façamos cuidadosos no culto externo da religião que afeiçoamos. Durante muito tempo nós achávamos que era assim. Que seria isto que iria nos propiciar determinadas conquistas, e não foi.

Não vamos nos deixar iludir mais, e nem nos fixarmos em afirmações labiais de fé no Senhor, com a boca cheia de palavras e as mãos vazias, sem a adesão do próprio esforço ao trabalho edificante que nos foi reservado. A inércia, guarde isto, é muito pior do que uma avalanche de problemas. Não há como alguém entrar em relação com o Deus íntimo sem uma profunda capacidade de interação com o Deus manifesto nas circunstâncias e nas pessoas. Deus está em toda a parte e nós temos que abrir o nosso coração. E o mais importante: sempre nos achamos indissoluvelmente ligados às nossas próprias obras.

Se queremos evoluir, não temos como fugir do trabalho. É burrice. O trabalho é imperativo para todos. Sem exceção.

Nós não estamos aqui na Terra para aprender? Não permanecemos aqui em lição? E alguém consegue aprender sem aplicar? Por acaso, a teoria basta para o aprendizado definitivo? Será que ao renascer, cada qual recebe um corpo apenas para repousar? O que você acha? A existência do corpo físico é muito breve. Por mais longa que seja, diante da vida eterna ela é sempre um curto período de aprendizagem. Isso é algo para a gente pensar. Quanto mais o espírito avulta em conhecimento, mais ele compreende o valor do tempo e das oportunidades que a vida proporciona. Lembre do seguinte: o conhecimento aponta, mostra, abre e vislumbra, todavia o que projeta efetivamente é o trabalho.

No plano em que nos situamos, ele é componente capaz de projetar. O ideal mais nobre, sem o trabalho que o materialize a benefício de todos, será sempre uma soberba paisagem improdutiva. E como intentar construções fortes sem bases legítimas? Como atingir os fins sem atender aos princípios? Além do que, ninguém aqui está se habilitando a um descanso eterno. Muito pelo contrário, nós estamos aqui é nos preparando para um trabalho mais amplo.

Quando nós investimos com carinho, abnegação e determinação naquilo que aceitamos fazer, nós aprendemos pelo trabalho, não mais debaixo de lágrimas, tristeza e frustração. Isto é importante entender nos dias atuais. No momento em que elegemos uma proposta de crescimento consciente notamos que a aprendizagem, que era efetuada antes pelo impacto de fora para dentro, em cima das dificuldades cerceantes sobre nós, passa a ser de forma mais suave e tranquila, mediante aquele processo de crescimento pela própria tarefa que se desenvolve. Sendo assim, enquanto o conhecimento que chega nos propicia luz no plano interior, o trabalho é o instrumento capaz de dinamizar essa luz no campo prático.

Resultado: nós estamos aprendendo algo novo agora, estamos aprendendo a trabalhar para nos realizar.

E olha que é bem melhor aprender trabalhando hoje do que termos que sofrer amanhã o resultado negativo pela nossa falta de trabalho.

No universo inteiro não existe vácuo, muito menos inércia. A vibração a tudo interpenetra e move, de onde depreendemos que o movimento é inerente a toda a extensão universal.

O movimento é a esteira que circula e a religião, que objetiva nos religar ao criador, não é apenas nos ligar a Deus na crença. Esse religar compreende uma linha de conexão com as forças superiores em Deus dentro de um plano dinâmico, não estático. Eu não sei se você já observou, mas uma coisa capaz de quebrar a nossa harmonia, e eu estou falando é no âmbito particular e pessoal, é quando nós resolvemos parar em nome da harmonia. Afinal de contas, a harmonia representa um movimento consciente, movimento equilibrado, movimento que visa uma linha de relação com a própria estrutura maior.

Todos nós podemos fazer movimentos de forma eficiente, porém muito da nossa ação tem sido uma dinâmica efetuada de forma inconsciente. E  o nosso grande desafio é adotar uma sistemática em que essa dinâmica alcance um padrão consciente.

O grande desafio é transformar movimento em trabalho. Sublimar o movimento em um trabalho digno. Percebeu? E quando essa dinâmica adquire um padrão consciente significa que estamos implementando um sistema de crescimento muito mais seguro, muito mais eficaz e muito mais equilibrado que se possa imaginar.

Tem muita gente trabalhando porque a vida empurra. Não tem? Mas o trabalho é condição de saúde e equilíbrio. Concorda? Quando uma pessoa está muito envolvida em uma tarefa, alguém pode lhe acusar e ferir e essa pessoa, se bobear, nem nota que o outro fez isso com ela. Agora, basta ela estar com a cabeça desocupada e até a respiração do semelhante lhe incomoda. Quando fixado nos objetivos o trabalho é componente de segurança para o aflito. E mais que isso, é ponto de referência sobre o qual nos edificamos. Ele é instrumento de projeção.

Nós estamos na atualidade dos acontecimentos aprendendo a trabalhar para nos realizar.

No momento em que elegemos uma proposta de crescimento consciente passamos a notar que a nossa aprendizagem, que antes se dava pelo impacto de fora para dentro em cima de cada um de nós, passa a ocorrer pela própria tarefa que se desenvolve. Se investimos com carinho, sacrifício e determinação no que aceitamos fazer, nós aprendemos no trabalho e não mais debaixo de lágrimas, tristeza e frustração.

No frigir dos ovos, como se costuma dizer, qual é a meta de cada um de nós? Alcançar um sistema de equilíbrio pessoal, uma realização capaz de nos garantir reconforto e harmonia interior. Durante muito tempo mantivemos a concepção de que essa segurança dependia do mundo exterior. Hoje nós observamos à nossa volta, notamos que o tempo que passa não oferece segurança a ninguém e entendemos que a coisa não é bem assim. O dinheiro e o êxito nos negócios podem lhe assegurar determinadas expressões de uma pseudo segurança e você pode achar que está completamente seguro, completamente protegido, e pode, no fundo, não estar tão seguro como aparentemente acreditava.

E sabe porque estamos dizendo isso? Porque na realidade a segurança tem um caráter acentuadamente intrínseco, ou seja, ela depende em muito do nosso campo interior.

Embora todo o trabalho necessite ser encaminhado de modo a garantir a nossa estabilidade, ele já deixa de ser um trabalho voltado exclusivamente para a nossa afirmação pessoal. Todos nós aqui vamos encontrar um ponto de segurança por aquela parcela em que conseguimos ter a chance de operar. A segurança vai sendo cada vez mais autêntica e mais gostosa para a gente na medida em que começamos a encontrá-la no campo seletivo do dia a dia. E essa estabilidade deixa de ser decorrente daquilo que recebemos, que somos informados, para representar também aquele componente que representa o nosso grau de sensibilização com aqueles que estão à nossa volta no campo da ajuda e do auxílio.

A ação individual vai direcionando e gerando novas possibilidades operacionais. Sempre.

Em suma, nós temos que nos recordar de Jesus e não procurar a segurança íntima fora do dever retamente cumprido, mesmo que isso nos custe muitos sacrifícios.

Somente pela cooperação nós encontramos a verdadeira segurança íntima. O trabalho em favor dos outros nos coloca em patamares de melhor compreensão da vida.

E essa estabilidade vai ser formada tijolo a tijolo, pelo componente operado de forma concreta. E mais uma coisa: o trabalho nos planos do amor muitas vezes não subtrai o peso daquele que o vive, mas propicia o aumento da resistência no campo da força. Ok? Isso é muito comum de acontecer. No sufoco, é comum a gente querer a retirada do problema. E o que os espíritos fazem? Nos dão recursos e nos fortalecem para que possamos viver esse problema de forma positiva. E superá-lo.

16 de jan de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 2

O TEMPO É AGORA

“E AGORA POR QUE TE DETÉNS? LEVANTA-TE, E BATIZA-TE, E LAVA OS TEUS PECADOS, INVOCANDO O NOME DO SENHOR.” ATOS 22:16

“PORQUE NOUTRO TEMPO ÉREIS TREVAS, MAS AGORA SOIS LUZ NO SENHOR; ANDAI COMO FILHOS DA LUZ.” EFÉSIOS 5:8

“PORQUE DIZ: OUVI-TE EM TEMPO ACEITÁVEL E SOCORRI-TE NO DIA DA SALVAÇÃO; EIS AQUI AGORA O TEMPO ACEITÁVEL, EIS AQUI AGORA O DIA DA SALVAÇÃO”. II CORÍNTIOS 6:2

É considerável o número de pessoas que se dizem interessadas na lavoura do bem. Que se sentem, de alguma forma, chamadas para as atividades no campo do auxílio. Em todos lugares, em todos as coletividades, interessados aparecem, animados, esperançosos, cheios de euforia. No entanto, a maioria esmagadora deles para começar esperam por algo primeiro. Você sabe como é. Querer eles até querem, mas alegam que não podem iniciar as atividades de imediato. 

Esperam a execução de negócios imaginários, a aquisição de algum poder, a solução de certos problemas, a realização de objetivos imprescindíveis, a posse do dinheiro fácil, a chegada de prêmios fortuitos. Realmente querem fazer, todavia alegam que precisam esperar. Isso quando não alimentam a ideia de que precisam equacionar tudo, resolver todas as dificuldades e obstáculos antes de poderem pensar no semelhante.

O tempo passa e eles esperam. Esperam e esperam.

E quantos esperam em demasia e acabam por nada fazer?! Ou se despertam tão somente no instante da morte corporal, em meio a esperanças perdidas e soluços tardios, quando menos contavam com semelhante visita?!

Uma coisa a gente precisa aprender. Quando, pelo esclarecimento do evangelho, sentirmos o coração chamado à verdade, a salvação já terá efetivamente chegado para nós.

Em tudo há uma ciência de começar. O importante é não ficarmos detidos em frases de choro ou lamentações indevidas, perdendo mais tempo sobre o tempo perdido. Vamos reconhecer, como diz o apóstolo Paulo, que o tempo oportuno para a correção dos nossos erros e aproveitamento da nossa vida chama-se agora.

O momento não é outro. É agora! Não quer dizer que gente tenha que agir correndo, de maneira precipitada e impensada, no entanto não é bom a gente esperar resolver para começar. Sabe porquê? Porque se a gente for esperar a solução de todos os nossos problemas para ser feliz e poder amar nós vamos sofrer demais.

Se formos ficar esperando o saneamento completo do nosso psiquismo no campo dos débitos para iniciarmos as obras, se formos esperar a resolução de todos os problemas que nos afligem, com certeza nós iremos esperar indefinidamente e não iniciaremos nada. Se ficarmos sentados esperando pelas condições ideais para poder servir é provável que nem cheguemos a começar.

Como funciona o mecanismo de entrega de uma mensagem? O mensageiro, em tese, não conhece o que está levando nas mãos. Certo? Ele não sabe do conteúdo, mas uma coisa ele sabe, que ele tem que entregar. Porque se ele não fizer o seu trabalho, que é levar a mensagem, o êxito não é obtido. A vida também acaba sendo mais ou menos assim em muitas situações. Não há muito espaço para questionar o que tem que ser feito. Muitas vezes somos levados a certas posições que nós nem sabemos como vamos fazer. Mas a gente vai e faz. Se formos esperar saber tudo, conhecer as minúcias, como vai ser, como não vai ser, a gente não faz. E não cumpre o papel que nos compete.

Outro ponto importante, que é preciso termos em conta, é que quando nós formos chamados, quando formos convidados especialmente para cooperar, é bem melhor a gente ir. Ok? Quando você for chamado, vai! De maneira resoluta e bem humorada, vai! Sabe por quê? Fica aqui um segredinho interessante. Se a gente não vai eles vem nos buscar. Percebeu? Eles mandam buscar. Isso acontece demais. E sabe como mandam nos buscar? Sabe qual é o portador dessa busca? Os problemas em casa, os problemas de saúde, as dificuldades que chegam à nossa porta de forma mais contundente convocando-nos a certas mudanças.

É certo que todos nós atravessamos obscuros labirintos antes de atingirmos adequado roteiro espiritual. E que em várias circunstâncias erros e enganos nos povoaram a mente com remorsos e arrependimentos. Todavia, isso não deve justificar o choro e a lamentação. Vamos parar de moleza e deixar de alegar tropeços e culpas, inibições e defeitos para a fuga das responsabilidades que nos competem.

Nada de alegarmos fraqueza, inaptidão, desalento ou penúria para desistirmos do lugar que nos cabe no edifício do bem. Se já aceitamos o evangelho por norma de elevação de vida procuremos ocupar nossas mãos em atividades edificantes, a fim de sermos úteis àqueles que necessitam. Bola pra frente. Até ontem podíamos ter estado em trevas, achando-nos na condição do viajante que jornadeia circulado de sombras, tropeçando aqui e ali, sem o preciso discernimento.

Mas hoje não. Hoje, que tudo se faz claro em derredor, fujamos de dramatizar desencantos e fixar desacertos. Chega de queixas e recriminações que complicam e desajudam, ao invés de simplificar e ajudar. Caminhemos para Deus na vertical do aprendizado e ao próximo na horizontal do auxílio e da cooperação.

É óbvio que nós temos que estar bem para fazermos. Temos que estar bem para ajudarmos. Sem estar bem é muito difícil alguém cooperar bem com os outros. Mas nós temos que começar a despertar o nosso sentimento para o campo da cooperação. Se nos afeiçoamos ao Senhor não nos situemos por fora do serviço cristão. Com um detalhe importante: para servir a Deus ninguém precisa sair do seu próprio lugar ou reivindicar condições diversas daquelas que possui.

Todos podem ajudar. Não tem ninguém que fica de fora. Ninguém!

É uma questão de raciocínio. Se a prática do bem estivesse circunscrita aos espíritos completamente bons seria praticamente impossível a redenção humana.

Bastam o sincero propósito de cooperação e a noção de responsabilidade para sermos iniciados com êxito em qualquer trabalho novo. Vamos ficar tranquilos, pois cada qual receberá de Jesus o esclarecimento acerca do que lhe convém fazer. 

Somos aproveitados nas mínimas manifestações que a espiritualidade consegue observar irradiando-se da gente. Iniciemos as obras portando nossas deficiências. Porque colocando a vontade divina acima de nossos desejos, a vontade divina nos aproveitará sempre. Na hora em que trabalhamos interiormente de forma satisfatória, é como se nós passássemos a estar à mercê da destinação inteligente e sábia do criador.

9 de jan de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 1

LÁGRIMAS E FUGA

As pessoas se reúnem nos diversos núcleos religiosos e os espíritos superiores lhes trazem a visão celeste, ampliando o campo das esperanças. Os corações humanos se congregam para receber as mensagens vindas do céu, de forma extática e venturosa. É uma beleza. Dá-se a consolação sublime e o conforto desejado.

Mas se os emissários celestes revelam certas particularidades da vida espiritual, falando-lhes do valor do trabalho, da necessidade do esforço próprio, da responsabilidade pessoal, da luta edificante, da necessidade de estudo e do auto-aperfeiçoamento, a coisa muda. O interesse diminui, a desatenção aparece e fisionomias passam a revelar uma desagradável impressão.

Ao contrário das primeiras expectativas, muitos espantam-se e, de alguma forma, tentam o recuo, quando não enxergam o céu das facilidades, a região inerte dos favores divinos, não observam os acontecimentos milagrosos, tampouco o repouso beatífico. 

E quando escutam que o trabalhador não se eleva de mão beijada, mas sim à custa de si mesmo, o desânimo disfarçado se generaliza. Afinal, o que a grande maioria busca é um céu fácil depois da morte do corpo, um céu que seja conquistado apenas por afirmações doutrinárias.

E as desculpas? Quanto a estas, então, nem se fala. Sempre foram a porta de escape daqueles que abandonam as próprias obrigações. Se o assunto é colaboração, quanto pretextos inventados pelas criaturas terrestres para fugirem ao testemunho da verdade divina nas tarefas que lhe são próprias?! Os argumentos são os mais variáveis. Alegam excessos de deveres ("olha, eu até que queria ajudar outras pessoas, queria mesmo, mas você sabe, estou sem tempo"), afirmam falta de desejo ("não me sinto motivado ainda"), declaram-se muito jovens para cultivar as realidades divinas ("acho que ainda não chegou a minha hora"), afirmam-se inúteis para servi-las ("não sei se estou pronto"), reclamam que a família ocupa o tempo ("ando cheio de problemas, não tenho como fazer nada agora"), queixam-se da solidão ("preciso resolver umas coisas primeiro"), e por aí, vai.

Os doentes dizem que não podem, os que não estão doentes afirmam que não precisam. 

Enfim, muitos não querem contato com as dificuldades e vão arrumando desculpas.

E é desculpa para todo tipo e todo gosto. E o pior de tudo, algumas desculpas são elaboradas de forma tão contundente, e com tanta justificativa, que os ouvintes mais perspicazes chegam às vezes a se convencerem de que realmente se encontram diante de grandes sofredores ou de criaturas francamente incapazes de auxiliar, passando até mesmo a dar-lhes razão e sustentá-las na fuga.

Isso, sem contar a grande quantidade de indivíduos que buscam o encarceramento orgânico para fugir sem resgatar. Você conhece gente assim? Quase todos nós conhecemos. Apegam-se à própria desdita como falsa justificativa para prosseguirem no sofrimento que lhes agrada. Parece que gostam de sofrer. Cultuam o sofrimento e sentem um prazer velado nisso. Se analisarmos com profundidade a questão, enquanto sofrem ou alimentam a ideia de sofrimento sentem-se, de certa forma, desonerados de certos compromissos para com a própria vida.

Tem também outro grupo, dos que sofrem e buscam auxílio. Só que com um detalhe, engana-se quem pensa que querem o progresso. Querem nada. Querem livrar-se da doença e dos problemas, mas não querem se curar. Não querem mudar, não querem melhorar, não querem se reeducar. Buscam a solução das dificuldades sabe pra quê? Para fazerem quando melhorarem as mesmas coisas que faziam antes do estabelecimento da dificuldade. Nada mais.

Em todos os ambientes do mundo multidões imensas de seres humanos choram diante das mínimas contrariedades e dos menores dissabores que a vida lhes apresenta.

Quantas pessoas comumente ficam chateadas, frustradas, tristes e desesperadas por motivos que, se for analisar, nem são tão contundentes assim? Por qualquer motivo mais ou menos e já começam a chorar. Pode-se dizer que nós, sem dúvida, trazemos essa herança desde os primeiros dias de nossa existência corporal. É assim que crescemos, é assim que se dá com o bebê. Não é? Se ele sente frio, se sente sede, se está sujinho de cocô ou molhando de xixi, não espera um segundo para começar a chorar. O choro se faz imediato ao estabelecimento da necessidade. A plenos pulmões investe suas poucas energias no choro. Chora sem economias, e uma mão mágica surge de algum lugar para satisfazer a sua singular necessidade. Muitos crescem assim. Quer dizer, crescem, mas não amadurecem.

Deixam de ser bebês, todavia continuam exteriorizando suas decepções, mínimas contrariedades e desgostos com o choro, com o semblante fechado e com a cara de poucos amigos. Isto porque no fundo se consideram, ainda, aqueles bebês com as suas dificuldades externadas. Esperam, de maneira infundada, por mãos mágicas vindas de algum lugar para lhes suprirem os inconvenientes.

E tenho que confessar que faz pouco tempo eu ouvi de uma conhecida uma expressão interessante: "Marco, eu não sei se você já reparou, mas o mundo está cheio de bebezão!" Confesso mesmo que achei esta expressão interessantíssima. Interessante e bem humorada: bebezão!

O ponteiro do relógio gira, a gente cresce e descobre com o decorrer do tempo que a coisa não é tão assim.

Eu não tenho nenhuma pretensão de desapontá-lo no início deste capítulo, mas a verdade é que a natureza não se perturba para satisfazer os pontos de vista de quem quer que seja. E mais, a aflição não resolve problemas.

Uma pessoa entrou no quarto e se trancou por horas ou, quem sabe, dias. O que aconteceu? O namoro de cinco anos acabou, o projeto que cultivava por algum tempo se arruinou ou qualquer outra coisa aconteceu. Você que está lendo também pode criar outros motivos. E ela não quer saber. Acredita naquele instante que muito da sua vida perdeu o sentido e não pensa em mais nada, só em chorar. E olha que ela chora sem parar. 

E porquê eu estou criando este exemplo? Porque às vezes nós temos mesmo que chorar. Não há dúvida que o choro em certos momentos desonera, extravasa, saneia, limpa, desoprime. Mas em hipótese alguma o choro pode nos paralisar. Percebeu? A criatura pode chorar durante muito tempo, no entanto, o sol continuará nascendo, os pássaros continuarão cantando, as nuvens indo e vindo. E quando o choro acabar, porque uma hora vai ter que acabar, independente do tempo que durar, sabe onde a pessoa vai estar? Ela estará na mesma situação.

Daí, que a gente aprenda o seguinte: felicidade é construída com base no suor, não com lágrima.

Acontece de nós termos que chorar uma vez ou outra até para valorizarmos o suor e descobrirmos que o suor é o componente que propicia, porém vamos deixar de fazer das dificuldades um casulo. Lágrimas não substituem o suor. Não vale a pena manter uma chuva de lágrimas despropositadas diante da insatisfação ou da falta cometida, porque elas não substituem o suor que se deve verter em benefício da própria felicidade.

Uma coisa vale a pena aprender. Aprender, guardar e levar conosco pela caminhada da vida. É inútil ficar assentado lamentando-se dos infortúnios, sejam eles infortúnios reais ou imaginários (porque muitos são imaginários, só existem na nossa cabeça). 

Não é possível fugir do ego infeliz. Nós não estamos aqui com este estudo querendo sofisticar a nossa cabeça. Nada disso. Estamos buscando encontrar um caminho para a gente ter o direito de pegar o carro do nosso destino e ir caminhando da melhor maneira.

E podemos começar fazendo um balanço pessoal das horas gastas em lamentações prejudiciais. Mesmo sem uma contabilidade oficial podemos afirmar com certeza que não são poucas. Muitos amigos nossos tem fincado os pés nos aspectos da retaguarda e fazem de tudo para não enxergar a realidade do progresso. Mas uma frase importante para ouvir é que é preciso marchar com o tempo. Isso mesmo. Marchar com o tempo. Ninguém pode escapar dos problemas e fugir das obrigações indefinidamente. Então, preste atenção no que eu vou dizer. Não te percas na lamentação indébita. Multidões de convidados para lavoura de luz, engodados de si próprios, acordam para a verdade em momento tardio, atados às ruinosas consequências da própria leviandade e não encontram outra alternativa senão a de esperarem por outras reencarnações.

A inércia é ilusão. O tédio é deserção. E a preguiça é fuga que a lei sempre pune com as aflições da retaguarda.

Se nós não marcharmos com o tempo sabe quando vamos ser punidos? Das mais variadas formas vamos ser punidos pela vida lá na frente. Sabe porquê? Porque o progresso é um comboio de rodas infatigáveis que releva para trás todos aqueles que se rebelam contra os imperativos da frente. Sabe aqueles companheiros que exterminaram os intentos nobres e os votos edificantes? Tanto quanto aqueles que desprezaram os projetos superiores e abandonaram as obras? Sabe o que invariavelmente acontece com eles? Voltarão cedo ou tarde ao labor reconstrutivo. E o que é pior, retornarão ao serviço que a vida lhes assinala precisamente no ponto exato em que praticaram a deserção. Pense nisso.

6 de jan de 2016

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 13 (Final)

SOB NOVA ÓTICA II

A vida nos tem ensinado que se continuarmos fazendo as mesmas coisas que sempre fizemos iremos continuar obtendo os mesmos resultados que sempre obtivemos.

E não há nenhum segredo nisto. Apenas temos que pensar um pouco no significado desse ensinamento, mas pensar pra valer, não apenas deixar entrar em um ouvido e sair pelo outro. Nós precisamos aprender a evoluir para além do respaldo ao destino.

A sistemática agora é utilizar da dificuldade presente e dos lances que virão e, quem sabe, nos projetar para um terreno novo, com mais harmonia e felicidade. E para isso reeducação pessoal é fundamental. Vamos lembrar de Jesus nesse aspecto. Quando ele curava alguém, pense bem, ele não tinha como objetivo apenas tirar a dor e resolver o problema físico desse alguém. Ele não buscava apenas o alívio momentâneo para o enfermo, mas visava ao mesmo tempo conscientizá-lo a trabalhar as causas como forma de extirpar definitivamente a doença. Não é isto? De que adianta alguém perder peso e não se reeducar na forma de alimentar? Nós temos estudado e aprendido acerca do que fazer. E estamos tão informados do que fazer que o momento agora é a operacionalidade desses padrões.

Você quer um futuro melhor? Esse futuro melhor não vai chegar de graça e cair nos seus braços sem que você faça por onde merecê-lo. Ele tem que ser construído, tijolo a tijolo. Porque não garante o futuro que não tem ação sobre o presente.

Todas as vezes que nós implementamos uma proposta nova em nossa caminhada, de forma resoluta e segura, podemos simplificar em muito o caminho, porque Pedro nos afirma que o amor cobre a multidão de pecados. Nós de fato podemos simplificar as provas, como podemos agravá-las. O segredo inicial é evitar originar novos problemas. Tentar evitar ângulos que podem ser geradores de padrões complexos que poderão nos fazer sofrer a curto, médio ou longo prazo. Você está percebendo? Assim, mil vezes melhor chegar à conclusão agora que somos vaidosos e orgulhosos, e mudar esse perfil, do que ter que passar por várias situações difíceis e duras amanhã para poder mudar.

O desafio não é mais pagar nossas dívidas perante Deus. O grande desafio é utilizar da dificuldade, dos lances difíceis que virão, porque nós todos temos dívidas com a lei, e quem sabe nos projetar no terreno novo, nos caminhos do amor.

O que tem acontecido na atualidade é que ao tempo em que estamos resolvendo muitos problemas do passado, na intimidade de nosso foco de ação, nós temos também obtido um grau de conhecimento muito grande que vem nos auxiliando a liquidar faturas e adquirir uma moeda forte, segura, uma moeda que realmente nos garanta um futuro melhor. É imperioso, a nosso próprio benefício, nos preocupar menos com o efeito e mais com a causa, trabalhando com melhor aproveitamento as dificuldades, através de uma constante renovação.

O que nós estamos fazendo aqui, levando esse estudo de forma sequencial e sistematizada? 

Já pensou nisso? Estamos estudando o evangelho para quê? O que buscamos acima de tudo é arregimentar conhecimentos e melhorar nossas relações, começando por desarmar os nossos corações das linhas de resistência, amenizar a dureza do nosso sentimento.

Nós estamos aprendendo o evangelho para ver se melhoramos a nossa caminhada.

Em razão disto, vamos nos esforçar para melhorar a nossa forma de visualizar as coisas.

Vamos passar a bendizer a vida, reclamar menos dos problemas e empenhar mais em trabalhar e aprender, com atenção e sinceridade, para que passemos a construir e acertar de forma definitiva. Cada qual precisa revisar as próprias tendências e ajuizar quanto às suas necessidades, para que não continuemos tateando na sombra.

Para um grupo considerável de pessoas esclarecidas a lei de causa e efeito já deixou para trás aquele pensamento literal de que eu sofro hoje porque errei ontem. Já apresenta um sentido bem mais abrangente. Isto é, ela já não é vista mais como a dor atual motivada pela colheita, mas a alegria pela semeadura. Acompanhou? Em vez dela ficar centrada unicamente nos efeitos menos felizes, passa a ser o convite para se implementar causas novas de modo a que os efeitos melhorem.

O tempo não para e nós temos que saber selecionar a proposta. Agora é a hora de mudar. Agora, não depois. Agora é a hora de aprender a cultivar, ser coerente e perseverante na meta que objetivamos. Herdeiros de passado culposo que somos, é natural estejamos sob a carga de velhos e intrincados problemas. Mas uma coisa temos que saber: se nos encontramos interessados no aperfeiçoamento próprio aproveitar é a palavra de ordem. Isso mesmo, a atitude adequada no presente é a terapêutica de eficiência para resultados futuros.

Não é possível seguir o sistema evolucional de forma positiva levando conosco a instabilidade que ainda cultivamos. É hora da gente melhorar. Se aspiramos estar melhor amanhã é forçoso sermos melhores ainda hoje. É das pequenas atitudes, sequenciadas, que resulta o porvir. Vamos lançar para amanhã os resultados do esforço de agora. Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado, é justo pensemos na felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como uma ponte entre dois períodos, e não apenas como situação única a vivenciar. Ficou claro? Se agora encontramos o nosso ontem, não vamos esquecer que o nosso hoje será a luz ou a treva de nosso amanhã.

Se você acha que a vida não está de dando nada, passe a dar alguma coisa para ela. Se a vida está te fazendo chorar, sorria para ela. Fazendo assim, no mínimo você avoca uma nova linha de sintonia. O importante é trabalhar com a semente.

Gerando novas causas com o bem praticado hoje nós podemos interferir nas causas do mal feito ontem, neutralizando-as e reconquistando o equilíbrio desejado. 

Investindo nos valores que temos recebido nós passamos a produzir causas que gerarão frutos melhores para nós. É o que estamos buscando fazer. Estamos trabalhando a semente e, ao mesmo tempo, amenizando a colheita. Então, em meio às produções menos felizes do nosso carma hoje vamos tentar, nos terrenos ainda não semeados, jogar a semente. Desarmar o coração das resistências e ativar valores e conceituações diferenciadas. Porque aquele que semeia em um tempo recolhe os primeiros frutos em outros tempos. Compreendeu? 

Vamos tentar clarear mais. No campo espiritual a época da sementeira é também a época da colheita. Está dando para acompanhar? Semear e colher são tarefas que se realizam simultaneamente. Não há um período específico ou estações exclusivas para semear e ceifar. Em todas elas se espalham as sementes e em todas elas se recolhem os frutos.

Só não se esqueça, por favor, que todo dia, no exercício de nossa vontade, formamos novas causas e podemos refazer o destino. E não se espante, porque no mecanismo de plantar e colher existem algumas sementes de produção rápida que vão germinar em curto prazo de tempo, outras de produção média, que vão germinar em prazo médio, e sementes de produção longa, que vão germinar em prazo mais distante, quem sabe até em encarnações futuras. E o evangelho de Jesus, como roteiro central de nossas vidas, nos ajuda a administrar a colheita da sementeira de ontem, como nos ensina a semear em um novo plano hoje.

1 de jan de 2016

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 12

SOB NOVA ÓTICA I

Para muitas criaturas, e pode colocar muitas criaturas nisso, a lei de causa e efeito é enxergada dentro daquela ótica restrita e antiga de que eu sofro hoje porque errei ontem.

De fato, muitas pessoas transitam pela vida lamentando e clamando: "Ah, meu Deus, eu estou pagando. O que será que eu fiz no passado? A barra está muito apertada, meu carma é muito pesado. A cruz está difícil, mas eu sei que eu vou pagar". É assim, comumente as pessoas visualizam apenas o aspecto negativo da lei, ou seja, fala-se em causa e efeito como se a vida fosse um processo de comprar e pagar.

E da mesma forma que se dá na vida escolar, cada encarnação corresponde a uma etapa que começa em determinado ponto e vai até outro. Certo? E, para entender bem o mecanismo evolutivo, vamos exemplificar falando de dinheiro, porque quando se fala de dinheiro ninguém esquece. O elemento vem na etapa A com dinheiro e usa mal esse dinheiro. O dinheiro foi um elemento complicador para ele, que usou muito mal os recursos que tinha. Ele acaba contraindo débito. O que acontece? Se contraiu um débito ele vai ter que pagar. Ok? Na outra vida ele vem sem dinheiro, afinal o mal rico vem pobre.

Nessa etapa B ele vem sem dinheiro e liquida o débito. Só que passa a vida inteira pedindo dinheiro ("meu Deus, eu não aguento ficar só com isto"). E como está querendo ter dinheiro, querendo muito ter dinheiro, ele pede tanto pelo dinheiro que o dinheiro volta para ele na outra etapa. Ou seja, vem na etapa C com dinheiro.

Só que o dinheiro que tem ele acha que é pouco porque não vai dar para gastar como gostaria. Aliás, ele não está nem aí. Gasta o que tem e o que não tem. Resultado? Tornando a desbaratar ele vem sem dinheiro na próxima etapa, que é a D.

Reencarna com o processo do esquecimento, óbvio, sem a mínima lembrança do seu passado e não se conforma com a sua situação. Pede dinheiro. Reza pedindo dinheiro. Dorme pensando em como ter dinheiro. Na etapa E ele vem com o dinheiro de novo. Entendeu? E o ciclo fica assim. Vem com dinheiro em uma vida, sem dinheiro na outra, com dinheiro na próxima, e por aí vai, num processo que cheira a circuito fechado. Cria débito, paga débito. Ao pagar a conta ele fica com a conta aberta. Na frente cria o débito de novo. A criatura não avança. A questão fica assim: compra e paga, compra e paga. Você já parou para pensar nisso? O elemento veio rico financeiramente em uma encarnação; desbaratou, usou muito mal os recursos que teve. Em outras palavras, tem muita gente comprando numa encarnação e pagando no decorrer das outras.

Analisando a questão a gente se pergunta: qual é a importância da lei de causa e efeito? Será que ela se limita a respaldar o destino com relação a pagar? Isto é, consiste apenas no mecanismo de comprar e pagar? Mesmo sem pensar eu acho que muitos respondem de cara: Não! Definitivamente não!

Nós temos aprendido ao longo deste estudo que os efeitos das causas que nós mesmos criamos não se anulam, como sabemos que podemos alterar o curso natural dos acontecimentos que conosco se relacionam, e que devemos nos preparar para recebê-los tirando das experiências do presente elementos para formarmos um futuro melhor. E mais ainda, que sanear nossos débitos representa a quitação com a justiça e que ninguém se eleva ao céu sem a plena quitação com a terra. Só que temos que ter conosco de forma definida que a simples aplicação da justiça e o simples respaldo ao destino não propicia a aquisição. Quer dizer, pagar dívidas te desonera, todavia não te projeta para  frente.

A consolidação do crescimento se faz pela implantação de padrões positivos de realização.

Tem gente que paga dívida, mas traz a consciência aberta, o que é porta escancarada para comprar outra vez.

Infelizmente nós falamos muito da lei de causa e efeito como se a vida fosse um constante comprar e pagar. E não é por aí. Aquele que fala "graças a Deus, acho que já paguei o débito que eu tinha com essa criatura", este está pronto para quê? Você arrisca uma resposta? Antes de responder, vamos analisar uma coisa. 

Você se lembra daquele sistema de crédito que vigorava no passado em muitos mercadinhos e padarias? Aquele em que o cliente comprava fiado e o comerciante anotava o valor em uma caderneta para receber o montante depois de um certo período de tempo? Pois então, o que acontecia quando o cliente pagava o que devia? Zerava aquela conta e abria-se outra imediatamente. Não era assim? O cliente automaticamente estava pronto para comprar de novo. E porquê eu estou dizendo isso? Porque na vida é assim também. Todo aquele que acha que já pagou o que devia está pronto para comprar de novo, está pronto para comprar outra vez.

A gente precisa ter isso claro. Não adianta ficar apenas resolvendo problemas e pagando faturas. 

O indivíduo só paga faturas: "Resolvi minha dívida com o Ricardo lá em casa, com o meu marido, com o meu patrão, com o meu cunhado, com o meu colega". Dessa forma ele só fica na primeira milha, amplamente suscetível de cair de novo. Então, vamos aprender de uma vez por todas: em cima do devia e pagou nós mantemos a porta aberta para novos desmandos. Tem gente que paga, mas mantém a consciência aberta. Não tem? Quem fica estritamente dentro daquilo que a lei propõe, e traz para equilibrar o universo, mantém a propensão para novos crimes, para novos erros.

Após os conhecimentos que recebemos nós costumamos ficar mais sensíveis, passamos a sentir uma vontade mais contundente de acertar nossas contas com o destino. E até mesmo de fazer conta de cada centavo que a gente deve. Mas uma sugestão da maior validade, vinda dos espíritos mais evoluídos, é não fazermos contas dos centavos. Não ficarmos nessa de contar centavos dos nossos débitos porque a bem da verdade nós não estamos conseguindo pagar nem as grandes parcelas. Concorda comigo ou acha que eu estou exagerando? Pense com atenção, qual de nós será capaz de pagar o que deve a Deus? Com certeza, ninguém.

Então, asserene o coração, porque o processo de causa e efeito na extensão universal não costuma vigorar apenas no âmbito de uma contabilidade fria. Existe, sim, uma proposta de controle contábil que vigora, vamos dizer, a nível psíquico. Um controle que visa acima de tudo a conquista de nossa segurança de administrar a própria vida. E tanto funciona assim que nós devemos ter débitos congelados conosco que não podemos sequer imaginar, que trazemos muito lá de trás.

A proposta no universo não é somente fazer a criatura pagar. Quem pensa assim está equivocado. O desafio é irmos para além daquilo que a lei cobra. Está entendendo? A proposta universal é mais ampliada. É amor. E justiça por justiça não projeta ninguém.

O problema não é apenas pagar perante Deus, porque se a gente ficar apenas nessa de comprar e pagar, comprar e pagar, sabe o que a gente vira? Robozinho. A gente entra num programa robotizado e a misericórdia de Deus não quer autômatos. O que garante a segurança não é o pagamento da dívida, não é a quitação, e sim aquilo que se faz para além da quitação. É o crédito que se alcança. 

O interessante é quando a gente paga o que deve, enfia a mão no bolso e nota que sobraram ao menos algumas moedas. É isso que vai garantir a nossa segurança e nos propiciar tranquilidade. O grande desafio de cada um de nós é transformar os males que nós mesmos perpetramos na evolução, e que a lei nos cobra no decorrer da vida, é ir além do que a lei cobra. É vantagem pagar o débito, claro, pois ninguém avança sem saldar o que deve, todavia vale lembrar que o simples pagar não proporciona a aquisição.

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