1 de jan de 2016

Cap 54 - A Lei de Causa e Efeito - Parte 12

SOB NOVA ÓTICA I

Para muitas criaturas, e pode colocar muitas criaturas nisso, a lei de causa e efeito é enxergada dentro daquela ótica restrita e antiga de que eu sofro hoje porque errei ontem.

De fato, muitas pessoas transitam pela vida lamentando e clamando: "Ah, meu Deus, eu estou pagando. O que será que eu fiz no passado? A barra está muito apertada, meu carma é muito pesado. A cruz está difícil, mas eu sei que eu vou pagar". É assim, comumente as pessoas visualizam apenas o aspecto negativo da lei, ou seja, fala-se em causa e efeito como se a vida fosse um processo de comprar e pagar.

E da mesma forma que se dá na vida escolar, cada encarnação corresponde a uma etapa que começa em determinado ponto e vai até outro. Certo? E, para entender bem o mecanismo evolutivo, vamos exemplificar falando de dinheiro, porque quando se fala de dinheiro ninguém esquece. O elemento vem na etapa A com dinheiro e usa mal esse dinheiro. O dinheiro foi um elemento complicador para ele, que usou muito mal os recursos que tinha. Ele acaba contraindo débito. O que acontece? Se contraiu um débito ele vai ter que pagar. Ok? Na outra vida ele vem sem dinheiro, afinal o mal rico vem pobre.

Nessa etapa B ele vem sem dinheiro e liquida o débito. Só que passa a vida inteira pedindo dinheiro ("meu Deus, eu não aguento ficar só com isto"). E como está querendo ter dinheiro, querendo muito ter dinheiro, ele pede tanto pelo dinheiro que o dinheiro volta para ele na outra etapa. Ou seja, vem na etapa C com dinheiro.

Só que o dinheiro que tem ele acha que é pouco porque não vai dar para gastar como gostaria. Aliás, ele não está nem aí. Gasta o que tem e o que não tem. Resultado? Tornando a desbaratar ele vem sem dinheiro na próxima etapa, que é a D.

Reencarna com o processo do esquecimento, óbvio, sem a mínima lembrança do seu passado e não se conforma com a sua situação. Pede dinheiro. Reza pedindo dinheiro. Dorme pensando em como ter dinheiro. Na etapa E ele vem com o dinheiro de novo. Entendeu? E o ciclo fica assim. Vem com dinheiro em uma vida, sem dinheiro na outra, com dinheiro na próxima, e por aí vai, num processo que cheira a circuito fechado. Cria débito, paga débito. Ao pagar a conta ele fica com a conta aberta. Na frente cria o débito de novo. A criatura não avança. A questão fica assim: compra e paga, compra e paga. Você já parou para pensar nisso? O elemento veio rico financeiramente em uma encarnação; desbaratou, usou muito mal os recursos que teve. Em outras palavras, tem muita gente comprando numa encarnação e pagando no decorrer das outras.

Analisando a questão a gente se pergunta: qual é a importância da lei de causa e efeito? Será que ela se limita a respaldar o destino com relação a pagar? Isto é, consiste apenas no mecanismo de comprar e pagar? Mesmo sem pensar eu acho que muitos respondem de cara: Não! Definitivamente não!

Nós temos aprendido ao longo deste estudo que os efeitos das causas que nós mesmos criamos não se anulam, como sabemos que podemos alterar o curso natural dos acontecimentos que conosco se relacionam, e que devemos nos preparar para recebê-los tirando das experiências do presente elementos para formarmos um futuro melhor. E mais ainda, que sanear nossos débitos representa a quitação com a justiça e que ninguém se eleva ao céu sem a plena quitação com a terra. Só que temos que ter conosco de forma definida que a simples aplicação da justiça e o simples respaldo ao destino não propicia a aquisição. Quer dizer, pagar dívidas te desonera, todavia não te projeta para  frente.

A consolidação do crescimento se faz pela implantação de padrões positivos de realização.

Tem gente que paga dívida, mas traz a consciência aberta, o que é porta escancarada para comprar outra vez.

Infelizmente nós falamos muito da lei de causa e efeito como se a vida fosse um constante comprar e pagar. E não é por aí. Aquele que fala "graças a Deus, acho que já paguei o débito que eu tinha com essa criatura", este está pronto para quê? Você arrisca uma resposta? Antes de responder, vamos analisar uma coisa. 

Você se lembra daquele sistema de crédito que vigorava no passado em muitos mercadinhos e padarias? Aquele em que o cliente comprava fiado e o comerciante anotava o valor em uma caderneta para receber o montante depois de um certo período de tempo? Pois então, o que acontecia quando o cliente pagava o que devia? Zerava aquela conta e abria-se outra imediatamente. Não era assim? O cliente automaticamente estava pronto para comprar de novo. E porquê eu estou dizendo isso? Porque na vida é assim também. Todo aquele que acha que já pagou o que devia está pronto para comprar de novo, está pronto para comprar outra vez.

A gente precisa ter isso claro. Não adianta ficar apenas resolvendo problemas e pagando faturas. 

O indivíduo só paga faturas: "Resolvi minha dívida com o Ricardo lá em casa, com o meu marido, com o meu patrão, com o meu cunhado, com o meu colega". Dessa forma ele só fica na primeira milha, amplamente suscetível de cair de novo. Então, vamos aprender de uma vez por todas: em cima do devia e pagou nós mantemos a porta aberta para novos desmandos. Tem gente que paga, mas mantém a consciência aberta. Não tem? Quem fica estritamente dentro daquilo que a lei propõe, e traz para equilibrar o universo, mantém a propensão para novos crimes, para novos erros.

Após os conhecimentos que recebemos nós costumamos ficar mais sensíveis, passamos a sentir uma vontade mais contundente de acertar nossas contas com o destino. E até mesmo de fazer conta de cada centavo que a gente deve. Mas uma sugestão da maior validade, vinda dos espíritos mais evoluídos, é não fazermos contas dos centavos. Não ficarmos nessa de contar centavos dos nossos débitos porque a bem da verdade nós não estamos conseguindo pagar nem as grandes parcelas. Concorda comigo ou acha que eu estou exagerando? Pense com atenção, qual de nós será capaz de pagar o que deve a Deus? Com certeza, ninguém.

Então, asserene o coração, porque o processo de causa e efeito na extensão universal não costuma vigorar apenas no âmbito de uma contabilidade fria. Existe, sim, uma proposta de controle contábil que vigora, vamos dizer, a nível psíquico. Um controle que visa acima de tudo a conquista de nossa segurança de administrar a própria vida. E tanto funciona assim que nós devemos ter débitos congelados conosco que não podemos sequer imaginar, que trazemos muito lá de trás.

A proposta no universo não é somente fazer a criatura pagar. Quem pensa assim está equivocado. O desafio é irmos para além daquilo que a lei cobra. Está entendendo? A proposta universal é mais ampliada. É amor. E justiça por justiça não projeta ninguém.

O problema não é apenas pagar perante Deus, porque se a gente ficar apenas nessa de comprar e pagar, comprar e pagar, sabe o que a gente vira? Robozinho. A gente entra num programa robotizado e a misericórdia de Deus não quer autômatos. O que garante a segurança não é o pagamento da dívida, não é a quitação, e sim aquilo que se faz para além da quitação. É o crédito que se alcança. 

O interessante é quando a gente paga o que deve, enfia a mão no bolso e nota que sobraram ao menos algumas moedas. É isso que vai garantir a nossa segurança e nos propiciar tranquilidade. O grande desafio de cada um de nós é transformar os males que nós mesmos perpetramos na evolução, e que a lei nos cobra no decorrer da vida, é ir além do que a lei cobra. É vantagem pagar o débito, claro, pois ninguém avança sem saldar o que deve, todavia vale lembrar que o simples pagar não proporciona a aquisição.

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