21 de jan de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 3

PORQUÊ TRABALHAR?

“POR SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS. PORVENTURA COLHEM-SE UVAS DOS ESPINHEIROS, OU FIGOS DOS ABROLHOS?” MATEUS 7:16

“PORTANTO, PELOS SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS.” MATEUS 7:20

Nós trazemos de um passado longínquo resquícios de um sistema que foi ensinado para nós com muito carinho para alcançarmos melhores estágios: meditação, reflexão, conhecimentos periféricos e prece, naquele seu sentido místico.

A própria morte é um exemplo claro disso. Para uma soma enorme de criaturas no plano físico ela ainda é considerada como o ponto final aos problemas. Não é? Quer dizer, na visão de uma grande massa de pessoas ela resolve tudo. O túmulo chega a ser considerado como a representação e o repositório das últimas esperanças. Consideram que morreu, acabou. Como num passe de mágica, acreditam que ela elimina, de um instante para outro, qualquer dificuldade, qualquer dor, qualquer desarmonia, por mais complexa que seja.

E não é só isso. A questão vai mais além. Em tantas ocasiões nós costumamos propor aos benfeitores espirituais a realização de determinados serviços que são para nós, acima de tudo, oportunidades de trabalho que o Senhor nos oferece. E nós recusamos. Ficamos querendo que Deus resolva os nossos problemas, que os espíritos resolvam os nossos problemas.

Não tem gente assim? Que admira a glória do evangelho com a boca cheia, no entanto a mera admiração pode transformar-se em êxtase inoperante. Ou alega confiar demais no mestre, mas a confiança estagnada pode não passar de força inerte. Outros acreditam serem privilegiados da infinita bondade simplesmente por terem abraçadas atitudes de superfície nos templos religiosos. E se consideram credores da redenção pela simples arregimentação de valores intelectivos.

Enfim, o assunto é fascinante e vai se estendendo. Outro grupo espera quase que ansiosamente pela morte do corpo, suplicando a transferência para os mundos superiores. Com base sabe em quê? Tão somente no fato de terem ouvido maravilhosas descrições celestiais dos mensageiros divinos.

O mundo é um campo de luta e ninguém é diferente de ninguém. Ninguém é diferente de ninguém e ninguém é melhor do que ninguém. Todos nós buscamos, sem exceção, e cada qual a seu modo, a mesma coisa: reconforto, equilíbrio e harmonia. Meu amigo e minha amiga, a passagem pelo sepulcro, por si só, não coloca ninguém em uma terra milagreira. E nada de acreditar em uma comunhão com o supremo criador somente porque nos façamos cuidadosos no culto externo da religião que afeiçoamos. Durante muito tempo nós achávamos que era assim. Que seria isto que iria nos propiciar determinadas conquistas, e não foi.

Não vamos nos deixar iludir mais, e nem nos fixarmos em afirmações labiais de fé no Senhor, com a boca cheia de palavras e as mãos vazias, sem a adesão do próprio esforço ao trabalho edificante que nos foi reservado. A inércia, guarde isto, é muito pior do que uma avalanche de problemas. Não há como alguém entrar em relação com o Deus íntimo sem uma profunda capacidade de interação com o Deus manifesto nas circunstâncias e nas pessoas. Deus está em toda a parte e nós temos que abrir o nosso coração. E o mais importante: sempre nos achamos indissoluvelmente ligados às nossas próprias obras.

Se queremos evoluir, não temos como fugir do trabalho. É burrice. O trabalho é imperativo para todos. Sem exceção.

Nós não estamos aqui na Terra para aprender? Não permanecemos aqui em lição? E alguém consegue aprender sem aplicar? Por acaso, a teoria basta para o aprendizado definitivo? Será que ao renascer, cada qual recebe um corpo apenas para repousar? O que você acha? A existência do corpo físico é muito breve. Por mais longa que seja, diante da vida eterna ela é sempre um curto período de aprendizagem. Isso é algo para a gente pensar. Quanto mais o espírito avulta em conhecimento, mais ele compreende o valor do tempo e das oportunidades que a vida proporciona. Lembre do seguinte: o conhecimento aponta, mostra, abre e vislumbra, todavia o que projeta efetivamente é o trabalho.

No plano em que nos situamos, ele é componente capaz de projetar. O ideal mais nobre, sem o trabalho que o materialize a benefício de todos, será sempre uma soberba paisagem improdutiva. E como intentar construções fortes sem bases legítimas? Como atingir os fins sem atender aos princípios? Além do que, ninguém aqui está se habilitando a um descanso eterno. Muito pelo contrário, nós estamos aqui é nos preparando para um trabalho mais amplo.

Quando nós investimos com carinho, abnegação e determinação naquilo que aceitamos fazer, nós aprendemos pelo trabalho, não mais debaixo de lágrimas, tristeza e frustração. Isto é importante entender nos dias atuais. No momento em que elegemos uma proposta de crescimento consciente notamos que a aprendizagem, que era efetuada antes pelo impacto de fora para dentro, em cima das dificuldades cerceantes sobre nós, passa a ser de forma mais suave e tranquila, mediante aquele processo de crescimento pela própria tarefa que se desenvolve. Sendo assim, enquanto o conhecimento que chega nos propicia luz no plano interior, o trabalho é o instrumento capaz de dinamizar essa luz no campo prático.

Resultado: nós estamos aprendendo algo novo agora, estamos aprendendo a trabalhar para nos realizar.

E olha que é bem melhor aprender trabalhando hoje do que termos que sofrer amanhã o resultado negativo pela nossa falta de trabalho.

No universo inteiro não existe vácuo, muito menos inércia. A vibração a tudo interpenetra e move, de onde depreendemos que o movimento é inerente a toda a extensão universal.

O movimento é a esteira que circula e a religião, que objetiva nos religar ao criador, não é apenas nos ligar a Deus na crença. Esse religar compreende uma linha de conexão com as forças superiores em Deus dentro de um plano dinâmico, não estático. Eu não sei se você já observou, mas uma coisa capaz de quebrar a nossa harmonia, e eu estou falando é no âmbito particular e pessoal, é quando nós resolvemos parar em nome da harmonia. Afinal de contas, a harmonia representa um movimento consciente, movimento equilibrado, movimento que visa uma linha de relação com a própria estrutura maior.

Todos nós podemos fazer movimentos de forma eficiente, porém muito da nossa ação tem sido uma dinâmica efetuada de forma inconsciente. E  o nosso grande desafio é adotar uma sistemática em que essa dinâmica alcance um padrão consciente.

O grande desafio é transformar movimento em trabalho. Sublimar o movimento em um trabalho digno. Percebeu? E quando essa dinâmica adquire um padrão consciente significa que estamos implementando um sistema de crescimento muito mais seguro, muito mais eficaz e muito mais equilibrado que se possa imaginar.

Tem muita gente trabalhando porque a vida empurra. Não tem? Mas o trabalho é condição de saúde e equilíbrio. Concorda? Quando uma pessoa está muito envolvida em uma tarefa, alguém pode lhe acusar e ferir e essa pessoa, se bobear, nem nota que o outro fez isso com ela. Agora, basta ela estar com a cabeça desocupada e até a respiração do semelhante lhe incomoda. Quando fixado nos objetivos o trabalho é componente de segurança para o aflito. E mais que isso, é ponto de referência sobre o qual nos edificamos. Ele é instrumento de projeção.

Nós estamos na atualidade dos acontecimentos aprendendo a trabalhar para nos realizar.

No momento em que elegemos uma proposta de crescimento consciente passamos a notar que a nossa aprendizagem, que antes se dava pelo impacto de fora para dentro em cima de cada um de nós, passa a ocorrer pela própria tarefa que se desenvolve. Se investimos com carinho, sacrifício e determinação no que aceitamos fazer, nós aprendemos no trabalho e não mais debaixo de lágrimas, tristeza e frustração.

No frigir dos ovos, como se costuma dizer, qual é a meta de cada um de nós? Alcançar um sistema de equilíbrio pessoal, uma realização capaz de nos garantir reconforto e harmonia interior. Durante muito tempo mantivemos a concepção de que essa segurança dependia do mundo exterior. Hoje nós observamos à nossa volta, notamos que o tempo que passa não oferece segurança a ninguém e entendemos que a coisa não é bem assim. O dinheiro e o êxito nos negócios podem lhe assegurar determinadas expressões de uma pseudo segurança e você pode achar que está completamente seguro, completamente protegido, e pode, no fundo, não estar tão seguro como aparentemente acreditava.

E sabe porque estamos dizendo isso? Porque na realidade a segurança tem um caráter acentuadamente intrínseco, ou seja, ela depende em muito do nosso campo interior.

Embora todo o trabalho necessite ser encaminhado de modo a garantir a nossa estabilidade, ele já deixa de ser um trabalho voltado exclusivamente para a nossa afirmação pessoal. Todos nós aqui vamos encontrar um ponto de segurança por aquela parcela em que conseguimos ter a chance de operar. A segurança vai sendo cada vez mais autêntica e mais gostosa para a gente na medida em que começamos a encontrá-la no campo seletivo do dia a dia. E essa estabilidade deixa de ser decorrente daquilo que recebemos, que somos informados, para representar também aquele componente que representa o nosso grau de sensibilização com aqueles que estão à nossa volta no campo da ajuda e do auxílio.

A ação individual vai direcionando e gerando novas possibilidades operacionais. Sempre.

Em suma, nós temos que nos recordar de Jesus e não procurar a segurança íntima fora do dever retamente cumprido, mesmo que isso nos custe muitos sacrifícios.

Somente pela cooperação nós encontramos a verdadeira segurança íntima. O trabalho em favor dos outros nos coloca em patamares de melhor compreensão da vida.

E essa estabilidade vai ser formada tijolo a tijolo, pelo componente operado de forma concreta. E mais uma coisa: o trabalho nos planos do amor muitas vezes não subtrai o peso daquele que o vive, mas propicia o aumento da resistência no campo da força. Ok? Isso é muito comum de acontecer. No sufoco, é comum a gente querer a retirada do problema. E o que os espíritos fazem? Nos dão recursos e nos fortalecem para que possamos viver esse problema de forma positiva. E superá-lo.

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