25 de jan de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 4

ESPERAS RECÍPROCAS

Desde as eras mais remotas da humanidade os agrupamentos religiosos, todos eles, trabalham pela obtenção dos favores celestes. Isto acontece desde que o mundo é mundo.

No entanto, se temos confiança em Deus, ele também confia em nós. Se esperamos por Ele, é natural que Ele também espera por nós.

Para quê? Para que possamos refletir o seu pensamento junto aos corações em sofrimentos maiores que os nossos. Basta analisar, nós temos a nossa base de expectativa, o plano superior também tem. Existe uma recíproca. Os homens esperam por Jesus e Jesus espera pelos homens. E criatura alguma deve duvidar dessa expectativa. Nós pedimos constantemente ao alto, lançamos ao céu nossas orações, pedimos aos benfeitores e espíritos amigos que nos socorram, que nos amparem, que nos ajudem, mas eles por sua vez também estão pedindo de nós uma resposta. Se exigimos amparo do Senhor em nosso benefício é perfeitamente justo que o Senhor nos solicite algum amparo em favor dos que se afligem junto de nós.

Está entendendo? Basta compreender que se na extinção dos nossos problemas pequenos nós requisitamos o máximo de proteção ao Senhor, é natural que o Senhor nos peça o mínimo de auxílio na supressão dos grandes infortúnios que abatem o próximo. Daí, é possível concluir que na essencialidade não somos nós que esperamos pela luz divina. No fundo, é a luz divina que espera por nós. Antes de querermos o amparo superior, o criador espera de nós uma cooperação também.

E sabe o que a gente conclui disso? Que do plano superior para o nosso, de cima para baixo, não existe apenas auxílio. Essa espera tem um fundamento. Quer dizer, de lá para cá existe, acima de tudo, um investimento.

A espiritualidade tem investido muito em nós, e muito mais do que a gente pensa.

Com raras exceções, as criaturas humanas de uma forma geral não tem ideia do quanto a espiritualidade tem investido nelas. Ela vem investindo de modo amplo em todos os corações em uma espécie de chamamento para a grande tarefa. Você está percebendo? Embora a maioria não perceba, nós somos cuidados com muito carinho pelos espíritos superiores. E, na medida em que analisamos esse aspecto, vamos nos convencendo que de fato somos cidadãos importantes na ótica divina.

A gente tem tripudiado muito em cima da evolução, tem tripudiado demais da conta em cima dos anos que passam. Ficamos ansiosos em querer salvar a própria pele, em conseguir sair daquele sofrimento que nos alcança, mantemo-nos restritos em uma busca personalística que envolve apenas o nosso bem estar e nos esquecemos que o investimento de lá para cá, do plano superior para o nosso, se dá de forma bem diferente. Não objetiva apenas atender aos nossos desejos, mas acima de tudo fazer de qualquer um de nós um instrumento positivo da vontade do criador.

Insistimos neste questionamento porque ele é importante. Os benfeitores do além não nos querem como eternos necessitados da casa de Deus. Não. Eles nos querem para companheiros dos serviços do bem. A vida é extraordinária neste particular. Eles vem investindo de forma ampla para que nós adentremos na grande tarefa de ajudar. Esse investimento objetiva fazer de qualquer um de nós um instrumento útil da vontade de Deus. Porquê? Porque estamos aqui para refletir o pensamento divino segundo a nossa capacidade no contexto em que estamos situados.

E quando descobrimos que temos potenciais ilimitados para cooperar na obra divina, é fantástico.

O que estamos falando não deve ser algo difícil de ser compreendido, afinal toda criatura recebe do supremo Senhor o dom de servir. Ao renascer, não recebemos o corpo físico apenas para buscar o prazer e repousar. Deus nos aguarda nos outros. Todos os seres humanos estão convocados a um piso de trabalho em novas bases, em novos rumos.

Vale repetir o que dissemos: os benfeitores do plano espiritual não nos querem como eternos necessitados da casa de Deus. Pelo contrário, ele nos aguardam para companheiros dos serviços do bem. E isto não é apenas uma teoria inventada pela esperança. Não. É da lei! Se nós, que somos necessitados, não trabalharmos como doadores ou cooperadores, sabe o que acontece? Ficamos presos e amarrados às nossas carências.

Em outras palavras, quanto mais nos recolhemos a nós próprios mais apertado fica o cerco para o nosso lado. Você está com problemas? A coisa está difícil? Tudo na vida pode se transformar em algo positivo na caminhada. Pela vitória alcançada em cada etapa, além de apenas resolvermos o nosso problema pessoal nós entramos em um terreno que nos abre uma oportunidade ampla de cooperação.

O mundo está aí. Como uma bola gigante, que não se cansa de girar. Conversamos com pessoas, todos nós, aqui e ali, e algumas de imediato reclamam do mundo. Que o mundo só oferece frustração, que nele tem dor em demasia, que o desespero e a crueldade imperam, a desigualdade é demais. O rosário é extenso. Elas reclamam e nós só escutamos. Fazer o quê? Cada qual tem a sua forma de pensar, ótica esta elaborada pelo conhecimento adquirido e pelo nível de evolução.

Para muita gente o mundo oferece isto, no entanto enquanto muitos esperam o apocalipse desabar sobre as cabeças humanas carecedoras de sofrimento nós temos o trabalho à nossa disposição. Percebeu o que eu estou dizendo? O mundo também oferece uma capacidade infinita de trabalho e isso é bonito demais de se ter em conta.

Em qualquer posição que nós estivermos, e em qualquer tempo, estaremos continuamente cercados pelas possibilidades de serviço com o criador. Onde quer que a vida nos situe encontraremos todos os dias múltiplas ocasiões de fazer o bem, de entender, de auxiliar, de esclarecer e exercer a compaixão. Não vamos nos esquecer. O mundo oferece oportunidades de trabalho a todos que desejam. Analise para você ver. O chão para semear, a ignorância para ser instruída, a lágrima para ser enxugada, a esperança para ser reerguida, a dor para ser consolada, são apelos silenciosos que o céu envia sem palavras para o mundo inteiro.

A justiça se cumpre sempre e isso a gente sabe. Todavia, logo que o espírito se predispõe a realizar a sua transformação atenua-se o rigorismo do processo redentor. Simão Pedro já nos lembrou, há milênios, que o "amor cobre a multidão de pecados".

O que percebemos? Que se a espiritualidade tivesse que conseguir um médium perfeitamente purificado, não haveria comunicação mediúnica no mundo até hoje. Se os espíritos amigos fossem esperar médiuns absolutamente santos, o trabalho do mundo estava parado. Isso nos dá a ideia de como funciona. O que nós temos aprendido? Que somente o trabalho digno confere ao espírito o merecimento indispensável a qualquer direito novo. Logo, Jesus opera com aqueles que estão se recompondo na evolução. Está acompanhando? Isto está ficando bem claro para você? Em vez de ter que vir o anjo aqui para ensinar, para auxiliar, para dar o passe, o que está fazendo é o elemento que deve. Porque assim fazendo ele está se limpando, está se higienizando. Isto é altamente consolador, porque assim fazendo ele está se recompondo no seu campo cármico, auxiliando em nome do Cristo e purificando-se na esteira da evolução.

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