30 de jan de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 5

A SALVAÇÃO I

“ESTA É UMA PALAVRA FIEL, E DIGNA DE TODA A ACEITAÇÃO, QUE CRISTO JESUS VEIO AO MUNDO, PARA SALVAR OS PECADORES, DOS QUAIS EU SOU O PRINCIPAL.” I TIMÓTEO 1:15

Em se tratando de salvação, o que a maior parte da humanidade está buscando? Vamos pensar? Aliás, nem é preciso pensar muito. Não é preciso muito conhecimento para saber que o que a maioria está querendo é salvar a própria pele.

Concorda? Dentro da conceituação literal, salvar significa livrar de ruína ou perigo, e salvação individual é assunto das religiões. Não é assim que funciona?

Muitos acreditam que o  meio dela ser obtida é livrando-se de todos os riscos na conquista da suprema tranquilidade. Nós também trazíamos essa ideia, a gente também achava que salvação era andar bonitinho diante de Deus. Salvação era sinônimo de salvaguardar-se dos pecados por meio de uma sistemática de vida restrita ao refreamento. Quer dizer, transitar pela vida sem fazer nada de complicado: "Isso eu não faço, aquilo eu não faço". Ser salvo era ir para o céu depois de morrer.

Infelizmente, nós ainda fazemos esse tipo de comércio. Não é? "No mínimo, eu vou escapar do umbral. No mínimo".

O religioso tradicional está na igreja, sabe porquê? Para não ir para o inferno. Ele está lá para poder andar direitinho: "Pago os meus impostos em dia, pago o aluguel, trabalho, não chego atrasado, cuido da família. Sou daquela religião tal e de uma coisa eu tenho certeza: Jesus me salva e eu não vou para o inferno de jeito nenhum". Está errado? Não. De forma alguma. Ele está no seu patamar. Está evitando o inferno porque a morte é um pavor para ele. Está evitando o inferno e preparando o seu céu.

Até bem pouco tempo, sabe quem se salvava aqui na Terra? Quem andava bonitinho, não falava palavrão, não bebia, não fumava. Em suma, quem não fazia nada complicado. Esse estava salvo. Mas vamos ser sinceros. Não estou fazendo crítica nenhuma, mas esse processo do religioso tradicional de buscar salvar a própria pele pra nós já não dá. Isso já era!

Essa coisa de querer fugir do inferno já está lá para trás para nós aqui, embora seja algo presente para muitos milhões de pessoas. A gente não se contenta mais com essa atitude passiva. É possível que a grande parte de nós aqui já consiga fazer isso, quer dizer, transitar pela vida mantendo um procedimento correto, cumprindo compromissos e obrigações direitinho, dentro dos parâmetros, sem prejudicar ninguém, mas está faltando alguma coisa aí, não está? Temos sentido que nossa opção hoje de querer salvar a própria pele já era.

É preciso descaracterizar essa ideia de que estamos aqui tentando encontrar recursos para resolver os nossos problemas pessoais. Nossa proposta hoje está para além disso. Resolver problema pessoal é um ponto de referência inicial da grande mudança. O evangelho, que temos buscado conhecer com clareza e profundidade, tem nos mostrado continuamente que essa ideia anterior está totalmente ultrapassada, tem nos mostrado que a meta não se resume meramente nessa busca de salvação pessoal. A questão não é mais ver se passamos correndo pelo umbral ou inferno na hora do nosso desencarne ou morte física.

O código supremo de Jesus apresenta a mensagem de quem está se candidatando pela consciência desperta a um trabalho para além da salvação individual.

Se analisarmos bem, o que nós temos buscado é uma proposta nova. O que queremos é melhorar, evoluir, crescer, viver feliz, de bem com a vida, alcançar a verdade e a luz em parâmetros cada vez mais ampliados. Não estamos mais preocupados com os aspectos negativos da caminhada, com as eventuais quedas. Nós estamos é procurando uma identificação com os padrões complementares. Graças a Deus, a maioria de nós que está aqui estudando não está mais pensando no umbral. E estamos tentando arregimentar informações que não visam apenas atender o plano nosso de afirmação como bons cidadãos. Nossa busca é aprender o amor pela instauração de um processo de cidadania universal que ultrapassa os parâmetros restritos da salvação pessoal.

Nossos esforços agora não se resumem em fugirmos do mal para escapar da dor, mas convergem para a prática do bem, para a aprendizagem da virtude. Estamos pensando nos valores positivos, estamos pensando em operar. Afinal, nós temos um mundo chorando em nossa volta, não temos? Ou nós não estamos sentindo isso?

Analisada apenas no plano histórico e literal a salvação permanece restrita ao âmbito filosófico e religioso, todavia sob uma ótica mais ampliada, elástica, no plano prático da vida, ela alcança um cunho científico e libertador. E sabe porque eu estou dizendo isso? Por uma razão simples: é que nenhuma das acepções alusivas ao verbo salvar exime o espírito da responsabilidade de se conduzir e melhorar. Percebeu? A salvação, por si só, não interrompe ou finaliza nada.

Vamos exemplificar? Um navio que realiza longa viagem cruzando os mares, em determinada situação pode vir a ser salvo de algum risco iminente de acidente. No entanto, ele não estará exonerado da viagem, certo? Com certeza ele deverá continuar a viagem, na qual enfrentará naturalmente perigos novos. Um doente circunstancialmente salvo da morte, pense comigo, está livre dela para sempre? O que você acha? De forma alguma. Ele não se livra do imperativo de continuar seguindo nas tarefas da existência, onde deparará inevitavelmente com novos desafios, superando percalços. E terá que enfrentar a morte depois.

Você pode dizer: "Espera aí, Marco, está escrito que Jesus salva. O próprio Paulo disse isto." ("Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal." I Timóteo 1:15) Tudo bem, nós não estamos desconsiderando isso. De forma alguma. Quando nós escutamos essa expressão que "só Jesus salva", nós temos que entendê-la correta, sim, mas que não é legítima. Como assim? Vamos explicar.

É digna de nota a afirmativa do apóstolo Paulo de que "Jesus veio ao mundo salvar os pecadores", só que nós, infelizmente, através dos tempos, desvirtuamos a interpretação. O que eu estou querendo dizer? Que salvar não é tirar os filhos de Deus da lama da terra e colocá-los brilhando, de imediato, entre os anjos do céu. Isso não existe. Em sentido correto, salvar não é lançar alguém ao céu de forma instantânea. Não é projetar ao céu, conferir a alguém certo título por meio de uma magia sublimatória ou fornecer passaporte para a intimidade com Deus. Nada disso. Em hipótese alguma salvação é aquela que pretende investir-nos ingenuamente na posse de títulos angélicos, quando ainda somos criaturas humanas com necessidade de aprender, evoluir, acertar e retificar.

É preciso encarar isto com naturalidade, e não mais com aquele misticismo de que os anjos vão chegar, vão descer, não sei de onde, e pegar um por um e salvar e colocar lá em cima. Ah, pára! Chega disso! Em tempo algum salvar jamais significou situar alguém na redoma da preguiça, à distância do suor na marcha evolutiva. Salvar não é isso, tanto quanto triunfar não significa a deserção do combate.

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