28 de fev de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 9

CREDE TAMBÉM EM MIM

“TU CRÊS QUE HÁ UM SÓ DEUS; FAZES BEM. TAMBÉM OS DEMÔNIOS O CRÊEM, E ESTREMECEM.” TIAGO 2:19

“30AMARÁS, POIS, AO SENHOR TEU DEUS DE TODO O TEU CORAÇÃO, E DE TODA A TUA ALMA, E DE TODO O TEU ENTENDIMENTO, E DE TODAS AS TUAS FORÇAS; ESTE É O PRIMEIRO MANDAMENTO. 31E O SEGUNDO, SEMELHANTE A ESTE, É: AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO. NÃO HÁ OUTRO MANDAMENTO MAIOR DO QUE ESTES.” MARCOS 12:30-31

“NÃO SE TURBE O VOSSO CORAÇÃO; CREDES EM DEUS, CREDE TAMBÉM EM MIM.” JOÃO 14:1

“SUA MÃE DISSE AOS SERVENTES: FAZEI TUDO QUANTO ELE VOS DISSER.” JOÃO 2:5

“VÓS SEREIS MEUS AMIGOS, SE FIZERDES O QUE EU VOS MANDO.” JOÃO 15:14

Todos os espíritos da Terra, seja na condição de encarnados ou desencarnados, sem exceção alguma, acreditam em algo. Isto é fato. Até os homens materialistas e os que se dizem ateus creem em alguma coisa. A descrença absoluta não existe.

E por falar em crer, até os espíritos demoníacos acreditam em Deus. Está certo que acreditam, só não praticam. E porque eu estou dizendo isto? Porque existe acreditar e acreditar. Crer todo mundo crê. Mas existe crer e crer. É igual uma escola.

Uma coisa é o aluno estar matriculado em uma escola, outra coisa é ele aproveitar e aprender na escola. O aluno que frequenta a escola, mas não se envolve com os valores ali veiculados, na essência não conhece a escola. Ou seja, crer todos creem, porém poucos são aqueles que se iluminam de fato. Poucos são os que utilizam essa crença em iluminação e a utilizam de forma prática. Aquele que apenas crê admite e vai depender sempre dos elementos externos nos quais coloca o objeto de sua crença. E aquele que se ilumina vai além da crença. Sente, vibra e é livre das influências exteriores por ter muita luz em seu íntimo. Em suma, o que se ilumina cumpre a missão da luz sobre o mundo.

Qual é a primeira caridade? Vamos pensar um pouco para responder com clareza? A primeira caridade está contida no primeiro mandamento. Certo? Ela começa e está embutida no primeiro mandamento divino: amar a Deus acima de todas as coisas. Então, preste atenção, nós não temos que largar Deus. De forma alguma. Em todas as situações da vida, sejam elas quais forem, o amor a Deus tem que vir em primeiro lugar. Mas fique atento, não se trata apenas de crer em Deus, afinal de contas todos os espíritos, inclusive os espíritos perversos, sabem que Deus existe. E crença por crença existe tanto nos planos superiores quanto nos planos inferiores. Notou? O essencial é amar a Deus.

E veja que interessante. Nós já acreditamos em Deus e o reverenciamos. Agora, para conseguirmos sublimar essa crença em Deus nós temos que crer num outro imperativo que é crer em Jesus. Deu uma ideia? Nós temos que crer em Deus, amando-o! Todavia, para alcançarmos a paz temos que crer também em Jesus. Não foi o próprio mestre quem disse isso? "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim." (João 14:1). Quer dizer, ele é o caminho para se chegar ao Pai.

E o amor a Deus não pode ficar circunscrito ou limitado ao plano contemplativo ou teórico.

Para que haja sublimação desse amor é preciso que ele se dinamize e se corporifique na linha aplicativa. O amor a Deus é dinâmico, não é estático. Precisa se manifestar através da realização junto às criaturas filhas dele. Ninguém serve a Deus orando, louvando e se mantendo indiferente ao próximo. Não tem jeito.

Então, como é que faz? Como é que se dá? Não dá para amar a Deus sem amar o irmão. O apóstolo João é muito claro no evangelho: "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: quem ama a Deus, ame também a seu irmão." (I João 4:20-21) O segredo é evoluir, tendo em vista a caminhada para Deus e o respeito ao semelhante.

A nossa afirmação nos terrenos da evolução não se limita em sermos bons filhos de Deus no sentido teórico. Tem gente que diz: "Eu adoro Jesus. O que seria de mim sem Jesus?! Por isso, eu rezo todo dia. Sei que sem ele eu não sou nada." No entanto, muitos falam da boca pra fora. Quer dizer, falam, mas continuam levando a vida do mesmo jeito, sem mudanças, dia após dia. Então, vamos pensar. Nós temos que amadurecer. Essa crença ao qual nos referimos não é uma crença religiosa não. Quando se fala em Jesus, fala-se em quê? Em operacionalidade.

A questão é amar a Deus e crer em Jesus. E é crer operando. Jesus é o componente decodificador do criador, o componente número dois no contexto da trindade universal. Representa o plano concreto, o amor no sentido operacional.

Traduzindo, ele coloca no campo analítico de operação o que é intrínseco no criador. Está dando pra clarear? O amor ao próximo é a manifestação crística, a expressão do Cristo em nós, a forma como esse amor se exterioriza, se dinamiza e circula no universo cumprindo o seu papel. No criador reside todo o absoluto e em Jesus o absoluto transitório nosso. O absoluto universal é com Deus, a fonte irradiadora é Deus. E o absoluto relativo da Terra é com Jesus. Porque como não é a teoria que nos leva para cima, que nos projeta, e, sim, o campo operacional, a técnica operacional, toda ela, é com Jesus, não é com Deus.

Deus cria! Ele é o criador em toda a extensão universal. Dele dimanam as linhas abrangentes e direcionais do amor e do equilíbrio em todo o universo. Agora, se Deus é pai, como é que o pai se completa? Com o filho. Ou seja, Deus sem ter filho seria incompleto. Logo, Deus cria. Ele não faz, não opera. Deus não vai trabalhar na área operacional do universo porque isso não é com Ele. Ele apenas distribui os padrões. 

A operação é com os filhos. Até porque o crescimento de todos os filhos está exatamente nessa operacionalização. Se  não houver isso não temos sequer campo de crescimento. O pensamento divino, didaticamente, não faz, pois se fizer tira a nossa condição de trabalhar.

Deus cria, Deus não faz. E se Deus não faz, quem faz? Quem opera? Quem faz somos nós. 

Todo o plano dinâmico no universo é operado pelos seus filhos, os espíritos encarnados e desencarnados. Assim funciona o mecanismo: Deus não opera, não faz. O Pai dispõe e o filho opera, trabalha, realiza. Percebeu? Guarde o seguinte, existe pai e existe filho. O pai se completa com o filho. Se não houvesse filhos para operar não haveria pai. Seria esdrúxulo o pai operar, como seria esdrúxulo o filho criar. Então, o pai não faz, o filho é quem faz. O filho co-cria, ele cria dentro da criação. Deus cria e nós fazemos. O Pai criou o serviço e a cooperação como leis que ninguém pode trair sem prejuízo próprio.

A casa é do Pai, mas o gerenciamento é nosso. O trabalho é todo nosso. A ação é nossa, como seres encarnados ou desencarnados.

O conhecimento do evangelho está retificando aquele conceito místico de achar que são os anjos, vindos não sei de onde, que tem que resolver o problema do planeta. Não tem nada disso. Queiramos admitir ou não, diante da grandeza do criador somos nós os seus instrumentos, somos nós sua mão. Deus dispõe e nós temos que operar com aquilo que Ele dispõe. O criador não vai atuar no nosso plano operacional. O fazer é com a gente. Em todo o universo quem faz somos nós, seus filhos, porque não existe pai sem filho.

A pessoa está sentindo uma dor violenta. "Deus, me ajuda. Me acode!" Aí vem a ideia, procurar o doutor fulano, procurar um hospital. E ele vai. Encontra lá um médico que o atende com presteza ou um enfermeiro bom. O problema foi resolvido e ele fala: "Puxa, foi Deus que me colocou esse moço aqui na minha frente." Percebeu a questão? É simples. Somos nós os operários da grande obra e aqui se opera sob a tutela da bondade do alto. E Jesus veio para nos ensinar a fazer.

Ao dizer "eu e o pai somos um" Jesus define a linha de relação entre a fonte irradiadora e a fonte operacional. Quer dizer, Deus dispõe e ele realiza. E nós faremos um com ele, Jesus, nesta grande multidão que se estende em todo universo, porque tudo é unidade no universo, em se tratando de amor. Jesus com Deus opera e nós com o Cristo realizamos. Nós formamos um com Jesus e Jesus forma um com Deus.

A misericórdia divina se estende por todo lado, e nós sabemos disso muito bem. Agora, nós podemos e devemos ser dinamizadores dessa misericórdia no ponto em que estamos. Nós estamos descobrindo o caminho da nossa co-participação no contexto da engrenagem que projeta os seres. Já não somos mais apenas aquela criança paciente, aquela criança colocada para ser direcionada e guiada. Vamos aprender isso. Então, crer em Jesus representa o quê? Representa integrar-se.

É integrar-se em um trabalho com ele. É por esta razão que não basta somente acreditar para que os sagrados deveres estejam totalmente cumpridos. A obrigação primordial consiste no esforço, no amor ao trabalho, na serenidade diante das provas, no sacrifício pessoal e no entendimento do evangelho, buscando a luz divina para podermos executar positivamente os trabalhos que nos competem. Sendo assim, se Deus cria o espírito faz. Se Deus fizesse o espírito não teria vez.

O mestre disse que seremos seus amigos se fizermos o que ele manda. E o conselho de Maria, sua mãe, dado aos serventes no princípio de seus trabalhos, por ocasião da transformação da água em vinho nas bodas de Caná, também foi no sentido de fazerem tudo que ele disser. Lembra disso? Pois é, isso é algo para pensar.

Não vale confiar em Jesus e não fazer nada. Crer em Jesus é crer não apenas no sentido restrito de acreditar. Não basta crer intelectualmente no divino mestre e ponto final, acabou, resolvido, não precisa fazer mais nada. Não basta acreditar nos fenômenos ou na palavra superior para que os sagrados deveres estejam totalmente cumpridos. O evangelho não nos convida à confiança preguiçosa nos poderes do Cristo, a fim de estagnarmos em lances de ritual exterior ou de adoração vazia. Nada disso. O que importa é saber o que estamos fazendo de nossa crença.

Não fomos trazidos à comunhão com Jesus somente para o ato de crer. Necessário é aplicá-lo a nós próprios. 

Ele mesmo não se limitou a induzir, demonstrando continuamente a sua união com o eterno e materializando-a na construção do bem comum. De forma alguma poderemos compreendê-lo sem a integração prática nos seus exemplos. A questão básica é crer operando com aquilo que ele está ensinando, é realizar com aquilo que ele nos propõe. 

Outro ponto imprescindível é que cabe a qualquer um de nós, onde quer que estejamos, contribuir na extensão do reino de Deus. Afinal, por mais alta que seja a confiança de alguém no poder divino isso não lhe confere o direito de reclamar o bem que não fez.

Sempre podemos reverenciar o Cristo Jesus, aqui e ali, de uma forma ou de outra, resultando em alguma vantagem por semelhante atitude de cunho exterior. Todavia, é forçoso lembrar que para lhe usufruirmos a sublime intimidade no coração é imperioso ouvirmos a sua afirmação categórica que nos chega à linha perceptiva, de que seremos seus amigos se fizermos o que ele nos manda.

19 de fev de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 8

ABRIR E AMPLIAR

Todos nós já reparamos que uma soma de conhecimentos, no que reporta aos valores espirituais, nos tem sido trazida hoje em dia oriunda das mais diversas fontes. E esses conhecimentos tem feito, inclusive, com que muitas criaturas envolvidas em um reconforto material amplo se perguntem se a vida se resume apenas àquela faixa de ação rotineira ou se existe algo além da estrutura enlaçada nos compromissos sociais e na busca das satisfações imediatas.

Isto, porque sob a ótica de um grande número de pessoas não vale mais apenas aquela proposta de natureza egoísta, puramente pessoal.

Quer dizer, o tempo é um componente fantástico que nos é concedido para a grande luta e a claridade que nos domina nos faz questionar acerca do que temos feito dele. Um grande percentual de pessoas tem sentido pulsar no coração uma vontade de ser útil, vem mantendo uma proposta interior fundamentada no desejo de ajudar. Porque não dizer que percebemos que temos que oferecer alguma coisa à vida pelo muito que temos recebido. Fazer apenas o que nos é cobrado não tem nos atendido mais em termos de reconforto interior.

Sentimos uma necessidade de investir naquilo que o nosso sentimento e a nossa razão está aceitando. E mais, temos aprendido que a resposta que buscamos em termos de felicidade, amor, satisfação e júbilo íntimo não é resultante apenas do cumprimento fechado da lei por aquilo que a consciência determina com clareza.

De forma que cada vez mais é imperioso levantarmos os nossos potenciais e analisar até onde somos criaturas carentes e necessitadas e onde é que se inicia a nossa capacidade de cooperar como integrantes do grande batalhão socorrista.

Não é fechando circuito que vamos resolver os nossos problemas íntimos. Vamos levar isso em conta. Então, pelo amor de Deus, não vamos fechar não. De forma alguma. Nada de levarmos a vida fechando circuito em cima dos nossos caprichos pessoais. Já passou da hora da gente aprender. Não temos como resolver problemas íntimos numa luta fechada em nós mesmos, num quarto fechado, trancados num apartamento ou isolados num sítio. A grande integração nossa com a vida, em um aspecto mais ampliado, é que nos possibilita trabalhar o saneamento de nossas complicações. É por aí que colocamos para trás uma série de pontos que até bem pouco tempo representava prisões de desconforto para o nosso crescimento. Se ficarmos preocupados em demasia com os obstáculos e as dificuldades que nos são próprios fechamos o circuito em nós mesmos e sofremos. E se não abrirmos o quadro nós ficamos encasulados no nosso problema. Pelo menos, tem sido assim.

Na medida em que vamos compreendendo o mecanismo da vida, que vamos entendendo a extensão do evangelho em nossas almas, gradativamente a nossa mente vai se distendendo, vai saindo da órbita puramente pessoal e passando a abrir parâmetros. É muito importante falar nisso. Até mesmo no que se refere ao âmbito das relações com as pessoas, não que nós estejamos propondo abandonar a órbita das relações mais próximas, de forma alguma, mas na hora em que começamos por uma proposta natural a abranger outras áreas para além do círculo a que estamos ajustados é que começamos a encontrar recursos capazes de auxiliar efetivamente o nosso contexto mais estreito ou mais pessoal. Eu não sei se deu para entender, mas muitas vezes nós temos que atender muita gente que nós nem conhecemos para podermos angariar recursos, intercessão e valores outros que vão ser capazes de ajudar aqueles que estão na nossa posição direta e que temos responsabilidade maior de ajudar.

A nossa inteligência, que se abre em termos de razão, pode laborar em cima de um determinado caractere, de um determinado tópico. Não pode? Claro que pode. Nós podemos encaminhar a nossa luta em cima de um padrão determinado, todavia temos aprendido a necessidade de manter uma visão mais abrangente.

O encaminhamento se dá de forma mais tranquila quando procuramos trabalhar o global, porque o particular vem dentro do global na base de nossas necessidades.

Muitas vezes, enquanto insistimos em trabalhar um componente na sua linha individual ou fechada, seja ele qual for, tudo fica mais difícil. Por exemplo, pode acontecer de um problema de saúde, como um problema nos rins, não ser curado unicamente com o tratamento na área específica, no campo técnico específico. Percebeu? Pode ter alguma coisa influenciando naquela área. Então, nós temos que notar esse aspecto de abrangência. Temos que especializar, sim, mas temos que ter uma ideia abrangente também. É assim que nós temos observado nos campos de nossa atuação, no plano de nosso aprendizado.

O êxito em uma certa proposta, naquele sentido essencial, estará sempre na dependência de uma reformulação mais abrangente. Não adianta eu querer trabalhar no campo específico da paciência se eu não estiver imbuído do propósito ampliado de me tornar uma pessoa mais dócil, mais calma, mais tranquila e mais serena na condução dos meus problemas. Ficou claro agora? É preciso trabalhar o campo antes de se pensar em trabalhar um detalhe dentro do campo.

Outro ponto importante a ser mantido é que o nosso bem tem que se manter voltado para o plano coletivo. Sempre. Ninguém deve amealhar as vantagens da experiência terrestre somente para si. Não há condição de nos projetarmos no plano renovador de modo isolado, sozinho ou particular. Nossa caminhada envolve outros elementos. O evangelho ensina que não devemos nutrir na intimidade o objetivo exclusivo de querer resolver o nosso problema pessoal. É fundamental conhecermos os frutos de nossa vida, saber o que realmente estamos exteriorizando no campo do destino. Se beneficiam outras pessoas ou se visam apenas o nosso crescimento individual, e ponto final.

Uma coisa nós temos que saber e não há desculpa para ninguém: a primeira demonstração do desígnio da providência aparece no dever a que somos chamados na construção do bem comum. Acabou essa de ficarmos fechados no egoísmo. A vitória real é a vitória de todos. Qualquer criatura voltada para a verdade dará testemunho de nós em qualquer lugar pela substância de nossa colaboração no progresso comum. É algo para pensar. Sem contar que a fixação de tudo o que recebemos da vida (na linha vertical) depende da nossa capacidade pessoal de transferir (na horizontal).

Entendeu? Não somos donos de nada nesta vida. Tudo o que recebemos é concessão. Tanto é que quando deixamos o mundo só levamos o que existe dentro de nós mesmos. E a concessão de tudo o que recebemos é sempre relativa, ou seja, é sempre para o trabalho. Se queremos simplificar o nosso caminho, se queremos dias mais bonitos na nossa caminhada, vamos descobrir a necessidade de servirmos ao bem. Volto a repetir, tudo o que nos chega ao nível positivo de conquista é para ser dinamizado. Você já deve ter reparado uma coisa, tudo o que é guardado a sete chaves constitui a soma de um amor não operante.

O Senhor não nos solicita o impossível, tampouco exige das criaturas falíveis espetáculos de grandeza. Não podemos garantir a felicidade de um mundo que se encontra constantemente sob o impacto das lutas evolutivas que lhe orientam a marcha. Ninguém pode. No entanto, ninguém está impedido de ser mais simpático com os semelhantes, de se esforçar a cada dia para se tornar uma pessoa melhor, mais alegre, mais compreensiva. Ninguém está impedido de limpar um jardim, cultivar a terra em que vive, amparar uma árvore ou alentar uma flor.

Não podemos curar as chagas sociais indesejáveis, mas compreensíveis de uma coletividade de espíritos imperfeitos que somos, em regime de correção e aperfeiçoamento, contudo ninguém está impossibilitado de agir de forma honesta e apoiar os semelhantes com a força moral do bom exemplo. Não podemos socorrer a todos os enfermos que choram na terra, porém ninguém está proibido de atenuar a provação de um amigo ou diminuir a dor de um vizinho, propiciando-lhes a certeza de que o amor não desapareceu dos caminhos humanos.

Ninguém está impedido de ser gentil dentro do lar, no ambiente de trabalho, nas relações sociais e mesmo na conturbação do trânsito urbano. Portanto, vamos nos esforçar. Sob o pretexto repetitivo de que nada podemos realizar contra o domínio das atribulações que circundam o planeta, não nos afastemos da prática do bem. Em momento algum. Pense nisso. E vamos perseverar no serviço e prosseguir adiante, com boa vontade, certos de que Jesus nos auxiliará no resto.

9 de fev de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 7

TRABALHO É ILUMINAÇÃO

“48E QUANDO O VIRAM, MARAVILHARAM-SE, E DISSE-LHE SUA MÃE: FILHO, POR QUE FIZESTE ASSIM PARA CONOSCO? EIS QUE TEU PAI E EU ANSIOSOS TE PROCURÁVAMOS. 49E ELE LHES DISSE: POR QUE É QUE ME PROCURÁVEIS? NÃO SABEIS QUE ME CONVÉM TRATAR DOS NEGÓCIOS DE MEU PAI?” LUCAS 2:48-49

“TRABALHAI, NÃO PELA COMIDA QUE PERECE, MAS PELA COMIDA QUE PERMANECE PARA A VIDA ETERNA, A QUAL O FILHO DO HOMEM VOS DARÁ; PORQUE A ESTE O PAI, DEUS, O SELOU.” JOÃO 6:27

Com quê o homem de hoje se preocupa? Você já pensou nisso? Não é preciso ser gênio para notar que ele vive constantemente preocupado com os negócios referentes aos seus interesses efêmeros. Concorda comigo ou acha que eu estou exagerando? Creio que não. O homem está sempre disposto a conquistar o mundo, ganhar mais, arregimentar mais, lucrar cada vez mais, prosperar mais, mas quase nunca está disposto a conquistar-se para uma esfera mais elevada.

Sua preocupação é vencer no mundo, destacar-se no mundo, quase nunca vencer o mundo. E o que dizer disto? Opinião sincera? Não a nossa, mas a dos espíritos superiores? Um equívoco. Essa atitude não deixa de ser um grande equívoco. E olha que estamos falando sem o mínimo traço de rigidez ou fanatismo. É apenas a verdade.

O trabalho básico dos tempos modernos deveria ser a iluminação interior do homem.

Cada qual deveria entender a iluminação de si mesmo como sendo o melhor negócio da Terra, o seu trabalho imediato. A iluminação íntima para Deus e o reino do céu no coração devem ser o tema central de nossa vida. Realizando isto tudo mais vem por acréscimo. Além disso é acessório. Porque esse é o interesse da providência divina a nosso respeito.

A tarefa do evangelho junto das almas encarnadas do mundo é a mais importante de todas, porque  constitui a realização definitiva e real do espírito. Esse desafio da edificação interior, se a gente pensar bem, é fascinante. No curso da existência terrena não existe aventura mais apaixonante do que esta, a de atuarmos como sócio da vida material que se une à energia espiritual e à verdade divina.

Temos que operar em todas as áreas da vida, óbvio, temos que apropriar os mais diversos conhecimentos, mas temos também que trabalhar numa linha vertical do nosso território interior no campo da renovação. Porque no fundo nós estamos trabalhando a nossa personalidade. É uma experiência maravilhosa esta, a de nos tornarmos o canal vivo da luz espiritual para tantos irmãos que se encontram na escuridão do espírito. E para que isso ocorra é preciso avançarmos no conhecimento superior, ainda que essa marcha nos custe tempo, suor e lágrimas.

A vida animalizada que tantas pessoas levam, a busca desenfreada aos interesses imediatistas e de ordem puramente material, tantas vezes tem ofuscado o brilho da luz íntima delas. A criatura conquista lá fora, destaca-se e brilha no mundo exterior, mas carrega consigo um vazio em termos de preenchimento de alma. Vive como que perdida, triste, insatisfeita. Nós temos que entender isso. E sentir isso.

Jesus nos ensinou, e continua nos ensinando, que o reino dos céus está dentro de nós mesmos. Tudo na vida passa. Todas as nossas conquistas exteriores passam. Fugir da realidade espiritual é fugir de nós mesmos. É dentro de nós mesmos que devemos desenvolver o trabalho máximo de realização divina.

O trabalho é atuante, é ativo, é ação. Ótimo. Mas sabe o que acontece? Às vezes, o trabalho objetiva exclusivamente o piso exterior e não promove a criatura. Percebeu o que eu estou dizendo? Isso acontece demais na realidade dos nossos dias. A criatura fica circunscrita ao plano material, acha que está prosperando, que está crescendo, mas na essencialidade não está saindo do lugar.

O reino de Deus está dentro de nós, no entanto, o caminho para o reino de Deus, que está dentro de nós, passa pelo irmão em necessidade que está fora de nós.

Isso é tão fantástico que vale a pena repetir. O reino de Deus está dentro da gente, mas só chegamos dentro desse reino dentro da gente passando pelo semelhante que está fora de nós, mediante um plano de interação. Vamos explicar melhor. É pelo laboratório operacional junto das pessoas com quem nós convivemos, de forma positiva, com paciência, tranquilidade e utilizando as melhores estratégias, que nós vamos, quem sabe, começar a sentir o bem estar em nosso campo íntimo.

Todo o trabalho que nos cabe realizar é de ordem pessoal, mas a ser operado no regime social. Porque sozinho nós podemos aprender a viver, porém a felicidade não está no viver, está no conviver. Pelo viver nós elegemos estratégias interiores e valores pessoais e pelo conviver nós aprendemos a aplicar as luzes que incrustamos em nosso interior. O conviver define que a evolução se faz dentro da gente, no entanto ela opera no campo interpessoal sempre. 

É por essa interação e aplicação do conhecimento que nós estamos tentando resolver a questão particular da nossa vida. E a aplicação disso é de uma beleza sem tamanho.

O mundo, então, passa a ser agora o nosso laboratório. O ponto fundamental da nossa realização é o mundo íntimo e o laboratório para que isso se dê é o mundo exterior. É fora da gente onde está o laboratório experimental de nosso dia a dia. Operamos lá fora e, consequentemente, trabalhamos o íntimo. Ficou claro?

Opera-se fora e trabalha-se o íntimo com essa operação. O que fazemos aos outros é instrumento que a espiritualidade nos concede para nós trabalharmos nosso interior.

Vamos operar fora de nós, no campo horizontal da vida, mas visando o nosso crescimento íntimo com segurança. Daí, é preciso entender que qualquer trabalho que se labore em favor do semelhante (eu disse qualquer) é apenas um instrumento didático para o nosso crescimento. É preciso confiança, por parte do coração, de que toda a oportunidade realizadora que recebemos tem o sentido estrutural de mudança de nosso interior. É preciso que cada um trabalhe na posição adequada a que está ajustado. Recebido o trabalho que a confiança celeste nos permite efetuar, usemos a oportunidade em favor de nossa elevação.

Sejamos leais ao encargo que nos compete. É possível muitas vezes que não corresponda aos nossos desejos, que a gente não goste tanto e que nem sinta boa vontade ou interesse em fazer. Mas lembre-se, embora nem sempre a gente ache Jesus não nos situaria o esforço pessoal onde o nosso concurso fosse desnecessário.

4 de fev de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 6

A SALVAÇÃO II

“E DISSE-LHE JESUS: EM VERDADE TE DIGO QUE HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO.” LUCAS 23:43

Alguém também pode questionar acerca da passagem do bom ladrão. Você se lembra dela? É aquela em que Jesus, na crucificação, se depara ao lado de dois ladrões e dialoga com um deles. Lembrou?

Pois então, quando o mestre diz a um deles que naquele dia estaria com ele no paraíso, para o religioso tradicional significa o quê? Que o ladrão já partiu dali direto com Jesus, um ao lado do outro, rumos às alturas angelicais, fato que, aliás, seria uma condição totalmente fora da lógica que marca todo o texto evolucional.

Nós temos que avaliar com tranquilidade que estar com ele no paraíso, dito por Jesus, é uma referência ao paraíso conceitual. Abertura dada a uma criatura por ocasião do desabafo dela, em que se lhe tira o peso do problema fornecendo-lhe perspectiva nova. Jesus forneceu a abertura de componentes de libertação. É como entregar um aparelho de GPS para o indivíduo que se encontra perdido no meio do caminho.

Será que deu para entender? Jesus, muito mais do que aquele que salva no sentido das funções negativas inferiores nossas, é aquele que nos dá condições operacionais. É um tipo de salvação para além do aspecto de rotina. Quem está salvando é quem está nos ajudando a encontrar caminhos. Jesus veio ao mundo salvar os pecadores, sim. A gente só precisa ampliar o sentido dessa salvação. Como a redenção da criatura consiste no resgate de suas dívidas e posterior aquisição de valores morais que a eleva a novos horizontes no plano do infinito, e como a oportunidade de resgatar a culpa já é, em si mesma, um ato de misericórdia divina, o Cristo nos salvou e nos salva ensinando-nos como nos erguer da treva para a luz. Ficou claro? Jesus não veio nos livrar do inferno localizado não se sabe onde. Ele veio tirar o inferno de dentro de nós. Como? Ensinando-nos a identificar a vencer os caracteres complicados que nos infelicitam o espírito e nos propiciam dores e desgostos. Veio nos ajudar a crescer e evoluir.

A salvação, no verdadeiro sentido, é o auxílio do alto para que estejamos no conhecimento de nossas obrigações diante da lei e dispostos a cumpri-las.

Imaginar a salvação fora da auto-educação de nossas almas é ilusão incompatível com a atualidade. A obra da salvação é uma obra de educação e o evangelho é a doutrina da educação. Jesus salva pela educação, porque educar é despertar os poderes latentes do espírito. Salvar é educar e a educação do espírito é um problema universal. Educação é o apelo dirigido aos potenciais do espírito.

Educar é desenvolver os poderes do espírito, aplicando-os na conquista de estados cada vez mais elevados. Daí, vamos entender que temos a salvação como sendo a iluminação de nós mesmos a caminho de aquisições e realizações no infinito. Salvar é levantar, é iluminar, ajudar e enobrecer. Através do trabalho firme da educação se consegue transformar a treva em luz, o vício em virtude, a loucura em bom senso, a fraqueza em vigor. E se a questão não é salvarmos nosso espírito, a criatura começa educando-se para depois educar os outros.

Porque será que nós paramos tanto no tempo? No tempo e no espaço em se tratando de conquistas íntimas? Até algum tempo atrás a gente achava que ia conquistar um céu, e que esse céu seria um céu com anjos andando de lá pra cá, trombando uns nos outros. Então, de repente caiu tudo. A concepção mudou. Porque não dá para continuar nessa. Será que a nossa luta é só entrar no céu? Bater na porta, a porta abrir, a gente entrar para o céu e acabou? Pelo menos, era essa a nossa mentalidade.

Será que o indivíduo chega lá em cima, fala cheguei e ponto final? É chegar e acabou?

Um outro, após ter passado por momentos difíceis, diz: "Graças a Deus. Eis que me salvei!" Tudo bem. Isso é ótimo, mas e daí? Entendeu questão? Salvou pra quê? Essa é a grande interrogação. A pessoa chega em determinado núcleo para estudar o evangelho, como é o caso do nosso estudo aqui, e acha que está em um grupo religioso tradicional. Que vai ler o evangelho, e quanto mais ele conhecer o evangelho mais ela vai estar assim com Jesus? Que Jesus salva? Ah, por favor. Pára com isso! Eu não estou bravo não. De forma alguma. Mas não tem nada disso. A coisa é muito diferente. Nós já temos aprendido que essa questão de céu é tão relativa. Que não se trata apenas de uma entrada no reino dos céus no seu sentido, absoluto, finalístico, tanto quanto o inferno, como as religiões tradicionais apresentam, também não existe.

O que nós estamos fazendo aqui é captando informações com naturalidade e equilíbrio.

Estamos aprendendo que o grande lance da vida é lutarmos com carinho por uma sistemática que vai além do salvar-se. O primeiro desafio é arregimentarmos conhecimento para nos salvar, e uma vez salvos aprender a cooperar. E o salvar não acaba, não tem fim. Salvar é gravitar de um céu para outro céu numa ascensão contínua, que não termina, que não cessa, que não finda. Você lembra do "vós sois deuses?" (deuses com letra minúscula). Pois então, quando o indivíduo acha que já é um deus, o que acontece? Tem o verbo ser na frente.

Imagine que você está em sua casa. E está tendo uma festa. Seu sobrinho pequeno chega com a família dele e vai brincar no seu computador. Você sabe como é. Brincadeira de criança. Abre um programa e começa a fazer desenhos. Desenha, digita teclas, uma atrás da outra, e fica lá. Até que a mãe dele o chama: "Gustavo, vamos embora. Está na hora, papai está esperando." Pronto, acabou a brincadeira. Ele vai desligar o computador e o programa logo pergunta: deseja salvar? Geralmente não salva. Percebeu? O que nós estamos dizendo? Que salvar tem um objetivo. Ninguém vai salvar algo que não tenha utilidade. Não se salva algo que não vai ser usado depois. O nosso propósito é nos projetarmos para além da salvação. O que é salvo é para operar em favor de algo depois.

Sabe o exemplo  que nós demos no tópico anterior acerca do navio que estava para afundar e foi salvo? Pois então, esse navio em um risco iminente de naufragar foi salvo para quê? Para ser colocado num porto? Parado? Deixar o navio que estava para afundar ancorado lá pra todo mundo ver e admirar: "Nossa, pessoal, esse é o navio que foi salvo. Beleza! Vamos bater palmas pra ele."

Não! Pelo amor de Deus, não! Não se trata apenas de bater palma para o navio que estava para afundar e não afundou. A ideia é salvar para poder operar.

A indagação é o que fazer com o navio agora. Com o navio que não afundou. O navio foi salvo para ser lançado no oceano outra vez. Está compreendendo? A salvação representa pôr o navio em condições de navegar. A salvação vai se concretizar no movimento dele. Deu para entender? A salvação não está em uma finalidade, está na contínua renovação da vida, sempre para a frente e para o alto. A salvação está para além de pegar o navio e pô-lo no porto. Ela tem algo mais. A questão passa a ser qual a rota que ele vai percorrer agora. De onde a gente conclui o seguinte: o seguidor do evangelho, sob a luz do esclarecimento, trabalha com a rota do componente salvo. O trabalho é saber a nossa capacitação em função da manutenção de vida. Avançar de glória em glória.

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