4 de fev de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 6

A SALVAÇÃO II

“E DISSE-LHE JESUS: EM VERDADE TE DIGO QUE HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO.” LUCAS 23:43

Alguém também pode questionar acerca da passagem do bom ladrão. Você se lembra dela? É aquela em que Jesus, na crucificação, se depara ao lado de dois ladrões e dialoga com um deles. Lembrou?

Pois então, quando o mestre diz a um deles que naquele dia estaria com ele no paraíso, para o religioso tradicional significa o quê? Que o ladrão já partiu dali direto com Jesus, um ao lado do outro, rumos às alturas angelicais, fato que, aliás, seria uma condição totalmente fora da lógica que marca todo o texto evolucional.

Nós temos que avaliar com tranquilidade que estar com ele no paraíso, dito por Jesus, é uma referência ao paraíso conceitual. Abertura dada a uma criatura por ocasião do desabafo dela, em que se lhe tira o peso do problema fornecendo-lhe perspectiva nova. Jesus forneceu a abertura de componentes de libertação. É como entregar um aparelho de GPS para o indivíduo que se encontra perdido no meio do caminho.

Será que deu para entender? Jesus, muito mais do que aquele que salva no sentido das funções negativas inferiores nossas, é aquele que nos dá condições operacionais. É um tipo de salvação para além do aspecto de rotina. Quem está salvando é quem está nos ajudando a encontrar caminhos. Jesus veio ao mundo salvar os pecadores, sim. A gente só precisa ampliar o sentido dessa salvação. Como a redenção da criatura consiste no resgate de suas dívidas e posterior aquisição de valores morais que a eleva a novos horizontes no plano do infinito, e como a oportunidade de resgatar a culpa já é, em si mesma, um ato de misericórdia divina, o Cristo nos salvou e nos salva ensinando-nos como nos erguer da treva para a luz. Ficou claro? Jesus não veio nos livrar do inferno localizado não se sabe onde. Ele veio tirar o inferno de dentro de nós. Como? Ensinando-nos a identificar a vencer os caracteres complicados que nos infelicitam o espírito e nos propiciam dores e desgostos. Veio nos ajudar a crescer e evoluir.

A salvação, no verdadeiro sentido, é o auxílio do alto para que estejamos no conhecimento de nossas obrigações diante da lei e dispostos a cumpri-las.

Imaginar a salvação fora da auto-educação de nossas almas é ilusão incompatível com a atualidade. A obra da salvação é uma obra de educação e o evangelho é a doutrina da educação. Jesus salva pela educação, porque educar é despertar os poderes latentes do espírito. Salvar é educar e a educação do espírito é um problema universal. Educação é o apelo dirigido aos potenciais do espírito.

Educar é desenvolver os poderes do espírito, aplicando-os na conquista de estados cada vez mais elevados. Daí, vamos entender que temos a salvação como sendo a iluminação de nós mesmos a caminho de aquisições e realizações no infinito. Salvar é levantar, é iluminar, ajudar e enobrecer. Através do trabalho firme da educação se consegue transformar a treva em luz, o vício em virtude, a loucura em bom senso, a fraqueza em vigor. E se a questão não é salvarmos nosso espírito, a criatura começa educando-se para depois educar os outros.

Porque será que nós paramos tanto no tempo? No tempo e no espaço em se tratando de conquistas íntimas? Até algum tempo atrás a gente achava que ia conquistar um céu, e que esse céu seria um céu com anjos andando de lá pra cá, trombando uns nos outros. Então, de repente caiu tudo. A concepção mudou. Porque não dá para continuar nessa. Será que a nossa luta é só entrar no céu? Bater na porta, a porta abrir, a gente entrar para o céu e acabou? Pelo menos, era essa a nossa mentalidade.

Será que o indivíduo chega lá em cima, fala cheguei e ponto final? É chegar e acabou?

Um outro, após ter passado por momentos difíceis, diz: "Graças a Deus. Eis que me salvei!" Tudo bem. Isso é ótimo, mas e daí? Entendeu questão? Salvou pra quê? Essa é a grande interrogação. A pessoa chega em determinado núcleo para estudar o evangelho, como é o caso do nosso estudo aqui, e acha que está em um grupo religioso tradicional. Que vai ler o evangelho, e quanto mais ele conhecer o evangelho mais ela vai estar assim com Jesus? Que Jesus salva? Ah, por favor. Pára com isso! Eu não estou bravo não. De forma alguma. Mas não tem nada disso. A coisa é muito diferente. Nós já temos aprendido que essa questão de céu é tão relativa. Que não se trata apenas de uma entrada no reino dos céus no seu sentido, absoluto, finalístico, tanto quanto o inferno, como as religiões tradicionais apresentam, também não existe.

O que nós estamos fazendo aqui é captando informações com naturalidade e equilíbrio.

Estamos aprendendo que o grande lance da vida é lutarmos com carinho por uma sistemática que vai além do salvar-se. O primeiro desafio é arregimentarmos conhecimento para nos salvar, e uma vez salvos aprender a cooperar. E o salvar não acaba, não tem fim. Salvar é gravitar de um céu para outro céu numa ascensão contínua, que não termina, que não cessa, que não finda. Você lembra do "vós sois deuses?" (deuses com letra minúscula). Pois então, quando o indivíduo acha que já é um deus, o que acontece? Tem o verbo ser na frente.

Imagine que você está em sua casa. E está tendo uma festa. Seu sobrinho pequeno chega com a família dele e vai brincar no seu computador. Você sabe como é. Brincadeira de criança. Abre um programa e começa a fazer desenhos. Desenha, digita teclas, uma atrás da outra, e fica lá. Até que a mãe dele o chama: "Gustavo, vamos embora. Está na hora, papai está esperando." Pronto, acabou a brincadeira. Ele vai desligar o computador e o programa logo pergunta: deseja salvar? Geralmente não salva. Percebeu? O que nós estamos dizendo? Que salvar tem um objetivo. Ninguém vai salvar algo que não tenha utilidade. Não se salva algo que não vai ser usado depois. O nosso propósito é nos projetarmos para além da salvação. O que é salvo é para operar em favor de algo depois.

Sabe o exemplo  que nós demos no tópico anterior acerca do navio que estava para afundar e foi salvo? Pois então, esse navio em um risco iminente de naufragar foi salvo para quê? Para ser colocado num porto? Parado? Deixar o navio que estava para afundar ancorado lá pra todo mundo ver e admirar: "Nossa, pessoal, esse é o navio que foi salvo. Beleza! Vamos bater palmas pra ele."

Não! Pelo amor de Deus, não! Não se trata apenas de bater palma para o navio que estava para afundar e não afundou. A ideia é salvar para poder operar.

A indagação é o que fazer com o navio agora. Com o navio que não afundou. O navio foi salvo para ser lançado no oceano outra vez. Está compreendendo? A salvação representa pôr o navio em condições de navegar. A salvação vai se concretizar no movimento dele. Deu para entender? A salvação não está em uma finalidade, está na contínua renovação da vida, sempre para a frente e para o alto. A salvação está para além de pegar o navio e pô-lo no porto. Ela tem algo mais. A questão passa a ser qual a rota que ele vai percorrer agora. De onde a gente conclui o seguinte: o seguidor do evangelho, sob a luz do esclarecimento, trabalha com a rota do componente salvo. O trabalho é saber a nossa capacitação em função da manutenção de vida. Avançar de glória em glória.

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