19 de fev de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 8

ABRIR E AMPLIAR

Todos nós já reparamos que uma soma de conhecimentos, no que reporta aos valores espirituais, nos tem sido trazida hoje em dia oriunda das mais diversas fontes. E esses conhecimentos tem feito, inclusive, com que muitas criaturas envolvidas em um reconforto material amplo se perguntem se a vida se resume apenas àquela faixa de ação rotineira ou se existe algo além da estrutura enlaçada nos compromissos sociais e na busca das satisfações imediatas.

Isto, porque sob a ótica de um grande número de pessoas não vale mais apenas aquela proposta de natureza egoísta, puramente pessoal.

Quer dizer, o tempo é um componente fantástico que nos é concedido para a grande luta e a claridade que nos domina nos faz questionar acerca do que temos feito dele. Um grande percentual de pessoas tem sentido pulsar no coração uma vontade de ser útil, vem mantendo uma proposta interior fundamentada no desejo de ajudar. Porque não dizer que percebemos que temos que oferecer alguma coisa à vida pelo muito que temos recebido. Fazer apenas o que nos é cobrado não tem nos atendido mais em termos de reconforto interior.

Sentimos uma necessidade de investir naquilo que o nosso sentimento e a nossa razão está aceitando. E mais, temos aprendido que a resposta que buscamos em termos de felicidade, amor, satisfação e júbilo íntimo não é resultante apenas do cumprimento fechado da lei por aquilo que a consciência determina com clareza.

De forma que cada vez mais é imperioso levantarmos os nossos potenciais e analisar até onde somos criaturas carentes e necessitadas e onde é que se inicia a nossa capacidade de cooperar como integrantes do grande batalhão socorrista.

Não é fechando circuito que vamos resolver os nossos problemas íntimos. Vamos levar isso em conta. Então, pelo amor de Deus, não vamos fechar não. De forma alguma. Nada de levarmos a vida fechando circuito em cima dos nossos caprichos pessoais. Já passou da hora da gente aprender. Não temos como resolver problemas íntimos numa luta fechada em nós mesmos, num quarto fechado, trancados num apartamento ou isolados num sítio. A grande integração nossa com a vida, em um aspecto mais ampliado, é que nos possibilita trabalhar o saneamento de nossas complicações. É por aí que colocamos para trás uma série de pontos que até bem pouco tempo representava prisões de desconforto para o nosso crescimento. Se ficarmos preocupados em demasia com os obstáculos e as dificuldades que nos são próprios fechamos o circuito em nós mesmos e sofremos. E se não abrirmos o quadro nós ficamos encasulados no nosso problema. Pelo menos, tem sido assim.

Na medida em que vamos compreendendo o mecanismo da vida, que vamos entendendo a extensão do evangelho em nossas almas, gradativamente a nossa mente vai se distendendo, vai saindo da órbita puramente pessoal e passando a abrir parâmetros. É muito importante falar nisso. Até mesmo no que se refere ao âmbito das relações com as pessoas, não que nós estejamos propondo abandonar a órbita das relações mais próximas, de forma alguma, mas na hora em que começamos por uma proposta natural a abranger outras áreas para além do círculo a que estamos ajustados é que começamos a encontrar recursos capazes de auxiliar efetivamente o nosso contexto mais estreito ou mais pessoal. Eu não sei se deu para entender, mas muitas vezes nós temos que atender muita gente que nós nem conhecemos para podermos angariar recursos, intercessão e valores outros que vão ser capazes de ajudar aqueles que estão na nossa posição direta e que temos responsabilidade maior de ajudar.

A nossa inteligência, que se abre em termos de razão, pode laborar em cima de um determinado caractere, de um determinado tópico. Não pode? Claro que pode. Nós podemos encaminhar a nossa luta em cima de um padrão determinado, todavia temos aprendido a necessidade de manter uma visão mais abrangente.

O encaminhamento se dá de forma mais tranquila quando procuramos trabalhar o global, porque o particular vem dentro do global na base de nossas necessidades.

Muitas vezes, enquanto insistimos em trabalhar um componente na sua linha individual ou fechada, seja ele qual for, tudo fica mais difícil. Por exemplo, pode acontecer de um problema de saúde, como um problema nos rins, não ser curado unicamente com o tratamento na área específica, no campo técnico específico. Percebeu? Pode ter alguma coisa influenciando naquela área. Então, nós temos que notar esse aspecto de abrangência. Temos que especializar, sim, mas temos que ter uma ideia abrangente também. É assim que nós temos observado nos campos de nossa atuação, no plano de nosso aprendizado.

O êxito em uma certa proposta, naquele sentido essencial, estará sempre na dependência de uma reformulação mais abrangente. Não adianta eu querer trabalhar no campo específico da paciência se eu não estiver imbuído do propósito ampliado de me tornar uma pessoa mais dócil, mais calma, mais tranquila e mais serena na condução dos meus problemas. Ficou claro agora? É preciso trabalhar o campo antes de se pensar em trabalhar um detalhe dentro do campo.

Outro ponto importante a ser mantido é que o nosso bem tem que se manter voltado para o plano coletivo. Sempre. Ninguém deve amealhar as vantagens da experiência terrestre somente para si. Não há condição de nos projetarmos no plano renovador de modo isolado, sozinho ou particular. Nossa caminhada envolve outros elementos. O evangelho ensina que não devemos nutrir na intimidade o objetivo exclusivo de querer resolver o nosso problema pessoal. É fundamental conhecermos os frutos de nossa vida, saber o que realmente estamos exteriorizando no campo do destino. Se beneficiam outras pessoas ou se visam apenas o nosso crescimento individual, e ponto final.

Uma coisa nós temos que saber e não há desculpa para ninguém: a primeira demonstração do desígnio da providência aparece no dever a que somos chamados na construção do bem comum. Acabou essa de ficarmos fechados no egoísmo. A vitória real é a vitória de todos. Qualquer criatura voltada para a verdade dará testemunho de nós em qualquer lugar pela substância de nossa colaboração no progresso comum. É algo para pensar. Sem contar que a fixação de tudo o que recebemos da vida (na linha vertical) depende da nossa capacidade pessoal de transferir (na horizontal).

Entendeu? Não somos donos de nada nesta vida. Tudo o que recebemos é concessão. Tanto é que quando deixamos o mundo só levamos o que existe dentro de nós mesmos. E a concessão de tudo o que recebemos é sempre relativa, ou seja, é sempre para o trabalho. Se queremos simplificar o nosso caminho, se queremos dias mais bonitos na nossa caminhada, vamos descobrir a necessidade de servirmos ao bem. Volto a repetir, tudo o que nos chega ao nível positivo de conquista é para ser dinamizado. Você já deve ter reparado uma coisa, tudo o que é guardado a sete chaves constitui a soma de um amor não operante.

O Senhor não nos solicita o impossível, tampouco exige das criaturas falíveis espetáculos de grandeza. Não podemos garantir a felicidade de um mundo que se encontra constantemente sob o impacto das lutas evolutivas que lhe orientam a marcha. Ninguém pode. No entanto, ninguém está impedido de ser mais simpático com os semelhantes, de se esforçar a cada dia para se tornar uma pessoa melhor, mais alegre, mais compreensiva. Ninguém está impedido de limpar um jardim, cultivar a terra em que vive, amparar uma árvore ou alentar uma flor.

Não podemos curar as chagas sociais indesejáveis, mas compreensíveis de uma coletividade de espíritos imperfeitos que somos, em regime de correção e aperfeiçoamento, contudo ninguém está impossibilitado de agir de forma honesta e apoiar os semelhantes com a força moral do bom exemplo. Não podemos socorrer a todos os enfermos que choram na terra, porém ninguém está proibido de atenuar a provação de um amigo ou diminuir a dor de um vizinho, propiciando-lhes a certeza de que o amor não desapareceu dos caminhos humanos.

Ninguém está impedido de ser gentil dentro do lar, no ambiente de trabalho, nas relações sociais e mesmo na conturbação do trânsito urbano. Portanto, vamos nos esforçar. Sob o pretexto repetitivo de que nada podemos realizar contra o domínio das atribulações que circundam o planeta, não nos afastemos da prática do bem. Em momento algum. Pense nisso. E vamos perseverar no serviço e prosseguir adiante, com boa vontade, certos de que Jesus nos auxiliará no resto.

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