28 de fev de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 9

CREDE TAMBÉM EM MIM

“TU CRÊS QUE HÁ UM SÓ DEUS; FAZES BEM. TAMBÉM OS DEMÔNIOS O CRÊEM, E ESTREMECEM.” TIAGO 2:19

“30AMARÁS, POIS, AO SENHOR TEU DEUS DE TODO O TEU CORAÇÃO, E DE TODA A TUA ALMA, E DE TODO O TEU ENTENDIMENTO, E DE TODAS AS TUAS FORÇAS; ESTE É O PRIMEIRO MANDAMENTO. 31E O SEGUNDO, SEMELHANTE A ESTE, É: AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO. NÃO HÁ OUTRO MANDAMENTO MAIOR DO QUE ESTES.” MARCOS 12:30-31

“NÃO SE TURBE O VOSSO CORAÇÃO; CREDES EM DEUS, CREDE TAMBÉM EM MIM.” JOÃO 14:1

“SUA MÃE DISSE AOS SERVENTES: FAZEI TUDO QUANTO ELE VOS DISSER.” JOÃO 2:5

“VÓS SEREIS MEUS AMIGOS, SE FIZERDES O QUE EU VOS MANDO.” JOÃO 15:14

Todos os espíritos da Terra, seja na condição de encarnados ou desencarnados, sem exceção alguma, acreditam em algo. Isto é fato. Até os homens materialistas e os que se dizem ateus creem em alguma coisa. A descrença absoluta não existe.

E por falar em crer, até os espíritos demoníacos acreditam em Deus. Está certo que acreditam, só não praticam. E porque eu estou dizendo isto? Porque existe acreditar e acreditar. Crer todo mundo crê. Mas existe crer e crer. É igual uma escola.

Uma coisa é o aluno estar matriculado em uma escola, outra coisa é ele aproveitar e aprender na escola. O aluno que frequenta a escola, mas não se envolve com os valores ali veiculados, na essência não conhece a escola. Ou seja, crer todos creem, porém poucos são aqueles que se iluminam de fato. Poucos são os que utilizam essa crença em iluminação e a utilizam de forma prática. Aquele que apenas crê admite e vai depender sempre dos elementos externos nos quais coloca o objeto de sua crença. E aquele que se ilumina vai além da crença. Sente, vibra e é livre das influências exteriores por ter muita luz em seu íntimo. Em suma, o que se ilumina cumpre a missão da luz sobre o mundo.

Qual é a primeira caridade? Vamos pensar um pouco para responder com clareza? A primeira caridade está contida no primeiro mandamento. Certo? Ela começa e está embutida no primeiro mandamento divino: amar a Deus acima de todas as coisas. Então, preste atenção, nós não temos que largar Deus. De forma alguma. Em todas as situações da vida, sejam elas quais forem, o amor a Deus tem que vir em primeiro lugar. Mas fique atento, não se trata apenas de crer em Deus, afinal de contas todos os espíritos, inclusive os espíritos perversos, sabem que Deus existe. E crença por crença existe tanto nos planos superiores quanto nos planos inferiores. Notou? O essencial é amar a Deus.

E veja que interessante. Nós já acreditamos em Deus e o reverenciamos. Agora, para conseguirmos sublimar essa crença em Deus nós temos que crer num outro imperativo que é crer em Jesus. Deu uma ideia? Nós temos que crer em Deus, amando-o! Todavia, para alcançarmos a paz temos que crer também em Jesus. Não foi o próprio mestre quem disse isso? "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim." (João 14:1). Quer dizer, ele é o caminho para se chegar ao Pai.

E o amor a Deus não pode ficar circunscrito ou limitado ao plano contemplativo ou teórico.

Para que haja sublimação desse amor é preciso que ele se dinamize e se corporifique na linha aplicativa. O amor a Deus é dinâmico, não é estático. Precisa se manifestar através da realização junto às criaturas filhas dele. Ninguém serve a Deus orando, louvando e se mantendo indiferente ao próximo. Não tem jeito.

Então, como é que faz? Como é que se dá? Não dá para amar a Deus sem amar o irmão. O apóstolo João é muito claro no evangelho: "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: quem ama a Deus, ame também a seu irmão." (I João 4:20-21) O segredo é evoluir, tendo em vista a caminhada para Deus e o respeito ao semelhante.

A nossa afirmação nos terrenos da evolução não se limita em sermos bons filhos de Deus no sentido teórico. Tem gente que diz: "Eu adoro Jesus. O que seria de mim sem Jesus?! Por isso, eu rezo todo dia. Sei que sem ele eu não sou nada." No entanto, muitos falam da boca pra fora. Quer dizer, falam, mas continuam levando a vida do mesmo jeito, sem mudanças, dia após dia. Então, vamos pensar. Nós temos que amadurecer. Essa crença ao qual nos referimos não é uma crença religiosa não. Quando se fala em Jesus, fala-se em quê? Em operacionalidade.

A questão é amar a Deus e crer em Jesus. E é crer operando. Jesus é o componente decodificador do criador, o componente número dois no contexto da trindade universal. Representa o plano concreto, o amor no sentido operacional.

Traduzindo, ele coloca no campo analítico de operação o que é intrínseco no criador. Está dando pra clarear? O amor ao próximo é a manifestação crística, a expressão do Cristo em nós, a forma como esse amor se exterioriza, se dinamiza e circula no universo cumprindo o seu papel. No criador reside todo o absoluto e em Jesus o absoluto transitório nosso. O absoluto universal é com Deus, a fonte irradiadora é Deus. E o absoluto relativo da Terra é com Jesus. Porque como não é a teoria que nos leva para cima, que nos projeta, e, sim, o campo operacional, a técnica operacional, toda ela, é com Jesus, não é com Deus.

Deus cria! Ele é o criador em toda a extensão universal. Dele dimanam as linhas abrangentes e direcionais do amor e do equilíbrio em todo o universo. Agora, se Deus é pai, como é que o pai se completa? Com o filho. Ou seja, Deus sem ter filho seria incompleto. Logo, Deus cria. Ele não faz, não opera. Deus não vai trabalhar na área operacional do universo porque isso não é com Ele. Ele apenas distribui os padrões. 

A operação é com os filhos. Até porque o crescimento de todos os filhos está exatamente nessa operacionalização. Se  não houver isso não temos sequer campo de crescimento. O pensamento divino, didaticamente, não faz, pois se fizer tira a nossa condição de trabalhar.

Deus cria, Deus não faz. E se Deus não faz, quem faz? Quem opera? Quem faz somos nós. 

Todo o plano dinâmico no universo é operado pelos seus filhos, os espíritos encarnados e desencarnados. Assim funciona o mecanismo: Deus não opera, não faz. O Pai dispõe e o filho opera, trabalha, realiza. Percebeu? Guarde o seguinte, existe pai e existe filho. O pai se completa com o filho. Se não houvesse filhos para operar não haveria pai. Seria esdrúxulo o pai operar, como seria esdrúxulo o filho criar. Então, o pai não faz, o filho é quem faz. O filho co-cria, ele cria dentro da criação. Deus cria e nós fazemos. O Pai criou o serviço e a cooperação como leis que ninguém pode trair sem prejuízo próprio.

A casa é do Pai, mas o gerenciamento é nosso. O trabalho é todo nosso. A ação é nossa, como seres encarnados ou desencarnados.

O conhecimento do evangelho está retificando aquele conceito místico de achar que são os anjos, vindos não sei de onde, que tem que resolver o problema do planeta. Não tem nada disso. Queiramos admitir ou não, diante da grandeza do criador somos nós os seus instrumentos, somos nós sua mão. Deus dispõe e nós temos que operar com aquilo que Ele dispõe. O criador não vai atuar no nosso plano operacional. O fazer é com a gente. Em todo o universo quem faz somos nós, seus filhos, porque não existe pai sem filho.

A pessoa está sentindo uma dor violenta. "Deus, me ajuda. Me acode!" Aí vem a ideia, procurar o doutor fulano, procurar um hospital. E ele vai. Encontra lá um médico que o atende com presteza ou um enfermeiro bom. O problema foi resolvido e ele fala: "Puxa, foi Deus que me colocou esse moço aqui na minha frente." Percebeu a questão? É simples. Somos nós os operários da grande obra e aqui se opera sob a tutela da bondade do alto. E Jesus veio para nos ensinar a fazer.

Ao dizer "eu e o pai somos um" Jesus define a linha de relação entre a fonte irradiadora e a fonte operacional. Quer dizer, Deus dispõe e ele realiza. E nós faremos um com ele, Jesus, nesta grande multidão que se estende em todo universo, porque tudo é unidade no universo, em se tratando de amor. Jesus com Deus opera e nós com o Cristo realizamos. Nós formamos um com Jesus e Jesus forma um com Deus.

A misericórdia divina se estende por todo lado, e nós sabemos disso muito bem. Agora, nós podemos e devemos ser dinamizadores dessa misericórdia no ponto em que estamos. Nós estamos descobrindo o caminho da nossa co-participação no contexto da engrenagem que projeta os seres. Já não somos mais apenas aquela criança paciente, aquela criança colocada para ser direcionada e guiada. Vamos aprender isso. Então, crer em Jesus representa o quê? Representa integrar-se.

É integrar-se em um trabalho com ele. É por esta razão que não basta somente acreditar para que os sagrados deveres estejam totalmente cumpridos. A obrigação primordial consiste no esforço, no amor ao trabalho, na serenidade diante das provas, no sacrifício pessoal e no entendimento do evangelho, buscando a luz divina para podermos executar positivamente os trabalhos que nos competem. Sendo assim, se Deus cria o espírito faz. Se Deus fizesse o espírito não teria vez.

O mestre disse que seremos seus amigos se fizermos o que ele manda. E o conselho de Maria, sua mãe, dado aos serventes no princípio de seus trabalhos, por ocasião da transformação da água em vinho nas bodas de Caná, também foi no sentido de fazerem tudo que ele disser. Lembra disso? Pois é, isso é algo para pensar.

Não vale confiar em Jesus e não fazer nada. Crer em Jesus é crer não apenas no sentido restrito de acreditar. Não basta crer intelectualmente no divino mestre e ponto final, acabou, resolvido, não precisa fazer mais nada. Não basta acreditar nos fenômenos ou na palavra superior para que os sagrados deveres estejam totalmente cumpridos. O evangelho não nos convida à confiança preguiçosa nos poderes do Cristo, a fim de estagnarmos em lances de ritual exterior ou de adoração vazia. Nada disso. O que importa é saber o que estamos fazendo de nossa crença.

Não fomos trazidos à comunhão com Jesus somente para o ato de crer. Necessário é aplicá-lo a nós próprios. 

Ele mesmo não se limitou a induzir, demonstrando continuamente a sua união com o eterno e materializando-a na construção do bem comum. De forma alguma poderemos compreendê-lo sem a integração prática nos seus exemplos. A questão básica é crer operando com aquilo que ele está ensinando, é realizar com aquilo que ele nos propõe. 

Outro ponto imprescindível é que cabe a qualquer um de nós, onde quer que estejamos, contribuir na extensão do reino de Deus. Afinal, por mais alta que seja a confiança de alguém no poder divino isso não lhe confere o direito de reclamar o bem que não fez.

Sempre podemos reverenciar o Cristo Jesus, aqui e ali, de uma forma ou de outra, resultando em alguma vantagem por semelhante atitude de cunho exterior. Todavia, é forçoso lembrar que para lhe usufruirmos a sublime intimidade no coração é imperioso ouvirmos a sua afirmação categórica que nos chega à linha perceptiva, de que seremos seus amigos se fizermos o que ele nos manda.

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