9 de fev de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 7

TRABALHO É ILUMINAÇÃO

“48E QUANDO O VIRAM, MARAVILHARAM-SE, E DISSE-LHE SUA MÃE: FILHO, POR QUE FIZESTE ASSIM PARA CONOSCO? EIS QUE TEU PAI E EU ANSIOSOS TE PROCURÁVAMOS. 49E ELE LHES DISSE: POR QUE É QUE ME PROCURÁVEIS? NÃO SABEIS QUE ME CONVÉM TRATAR DOS NEGÓCIOS DE MEU PAI?” LUCAS 2:48-49

“TRABALHAI, NÃO PELA COMIDA QUE PERECE, MAS PELA COMIDA QUE PERMANECE PARA A VIDA ETERNA, A QUAL O FILHO DO HOMEM VOS DARÁ; PORQUE A ESTE O PAI, DEUS, O SELOU.” JOÃO 6:27

Com quê o homem de hoje se preocupa? Você já pensou nisso? Não é preciso ser gênio para notar que ele vive constantemente preocupado com os negócios referentes aos seus interesses efêmeros. Concorda comigo ou acha que eu estou exagerando? Creio que não. O homem está sempre disposto a conquistar o mundo, ganhar mais, arregimentar mais, lucrar cada vez mais, prosperar mais, mas quase nunca está disposto a conquistar-se para uma esfera mais elevada.

Sua preocupação é vencer no mundo, destacar-se no mundo, quase nunca vencer o mundo. E o que dizer disto? Opinião sincera? Não a nossa, mas a dos espíritos superiores? Um equívoco. Essa atitude não deixa de ser um grande equívoco. E olha que estamos falando sem o mínimo traço de rigidez ou fanatismo. É apenas a verdade.

O trabalho básico dos tempos modernos deveria ser a iluminação interior do homem.

Cada qual deveria entender a iluminação de si mesmo como sendo o melhor negócio da Terra, o seu trabalho imediato. A iluminação íntima para Deus e o reino do céu no coração devem ser o tema central de nossa vida. Realizando isto tudo mais vem por acréscimo. Além disso é acessório. Porque esse é o interesse da providência divina a nosso respeito.

A tarefa do evangelho junto das almas encarnadas do mundo é a mais importante de todas, porque  constitui a realização definitiva e real do espírito. Esse desafio da edificação interior, se a gente pensar bem, é fascinante. No curso da existência terrena não existe aventura mais apaixonante do que esta, a de atuarmos como sócio da vida material que se une à energia espiritual e à verdade divina.

Temos que operar em todas as áreas da vida, óbvio, temos que apropriar os mais diversos conhecimentos, mas temos também que trabalhar numa linha vertical do nosso território interior no campo da renovação. Porque no fundo nós estamos trabalhando a nossa personalidade. É uma experiência maravilhosa esta, a de nos tornarmos o canal vivo da luz espiritual para tantos irmãos que se encontram na escuridão do espírito. E para que isso ocorra é preciso avançarmos no conhecimento superior, ainda que essa marcha nos custe tempo, suor e lágrimas.

A vida animalizada que tantas pessoas levam, a busca desenfreada aos interesses imediatistas e de ordem puramente material, tantas vezes tem ofuscado o brilho da luz íntima delas. A criatura conquista lá fora, destaca-se e brilha no mundo exterior, mas carrega consigo um vazio em termos de preenchimento de alma. Vive como que perdida, triste, insatisfeita. Nós temos que entender isso. E sentir isso.

Jesus nos ensinou, e continua nos ensinando, que o reino dos céus está dentro de nós mesmos. Tudo na vida passa. Todas as nossas conquistas exteriores passam. Fugir da realidade espiritual é fugir de nós mesmos. É dentro de nós mesmos que devemos desenvolver o trabalho máximo de realização divina.

O trabalho é atuante, é ativo, é ação. Ótimo. Mas sabe o que acontece? Às vezes, o trabalho objetiva exclusivamente o piso exterior e não promove a criatura. Percebeu o que eu estou dizendo? Isso acontece demais na realidade dos nossos dias. A criatura fica circunscrita ao plano material, acha que está prosperando, que está crescendo, mas na essencialidade não está saindo do lugar.

O reino de Deus está dentro de nós, no entanto, o caminho para o reino de Deus, que está dentro de nós, passa pelo irmão em necessidade que está fora de nós.

Isso é tão fantástico que vale a pena repetir. O reino de Deus está dentro da gente, mas só chegamos dentro desse reino dentro da gente passando pelo semelhante que está fora de nós, mediante um plano de interação. Vamos explicar melhor. É pelo laboratório operacional junto das pessoas com quem nós convivemos, de forma positiva, com paciência, tranquilidade e utilizando as melhores estratégias, que nós vamos, quem sabe, começar a sentir o bem estar em nosso campo íntimo.

Todo o trabalho que nos cabe realizar é de ordem pessoal, mas a ser operado no regime social. Porque sozinho nós podemos aprender a viver, porém a felicidade não está no viver, está no conviver. Pelo viver nós elegemos estratégias interiores e valores pessoais e pelo conviver nós aprendemos a aplicar as luzes que incrustamos em nosso interior. O conviver define que a evolução se faz dentro da gente, no entanto ela opera no campo interpessoal sempre. 

É por essa interação e aplicação do conhecimento que nós estamos tentando resolver a questão particular da nossa vida. E a aplicação disso é de uma beleza sem tamanho.

O mundo, então, passa a ser agora o nosso laboratório. O ponto fundamental da nossa realização é o mundo íntimo e o laboratório para que isso se dê é o mundo exterior. É fora da gente onde está o laboratório experimental de nosso dia a dia. Operamos lá fora e, consequentemente, trabalhamos o íntimo. Ficou claro?

Opera-se fora e trabalha-se o íntimo com essa operação. O que fazemos aos outros é instrumento que a espiritualidade nos concede para nós trabalharmos nosso interior.

Vamos operar fora de nós, no campo horizontal da vida, mas visando o nosso crescimento íntimo com segurança. Daí, é preciso entender que qualquer trabalho que se labore em favor do semelhante (eu disse qualquer) é apenas um instrumento didático para o nosso crescimento. É preciso confiança, por parte do coração, de que toda a oportunidade realizadora que recebemos tem o sentido estrutural de mudança de nosso interior. É preciso que cada um trabalhe na posição adequada a que está ajustado. Recebido o trabalho que a confiança celeste nos permite efetuar, usemos a oportunidade em favor de nossa elevação.

Sejamos leais ao encargo que nos compete. É possível muitas vezes que não corresponda aos nossos desejos, que a gente não goste tanto e que nem sinta boa vontade ou interesse em fazer. Mas lembre-se, embora nem sempre a gente ache Jesus não nos situaria o esforço pessoal onde o nosso concurso fosse desnecessário.

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