29 de mar de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 3

VEREDAS E CAMINHO

“1E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA, 2E DIZENDO: ARREPENDEI-VOS, PORQUE É CHEGADO O REINO DOS CÉUS. 3PORQUE ESTE É O ANUNCIADO PELO PROFETA ISAÍAS, QUE DISSE: VÓS DO QUE CLAMA NO DESERTO: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR, ENDIREITAI AS SUAS VERÊDAS.” MATEUS 3:1-2

"VOZ DO QUE CLAMA NO DESERTO: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR; ENDIREITAI NO ERMO VEREDA A NOSSO DEUS.” ISAÍAS 40:3

João Batista, ainda hoje, continua pregando no deserto de nossa intimidade. Todavia, diante de paisagens nem sempre felizes aos nossos olhos, essa pregação é voz que se exterioriza em muitas ocasiões de forma ampliada e inaudível.

É uma voz muda. Só a gente ouve. Quem se aproxima de nós e nos vê não escuta, senão com o seu coração. Porque essa voz não pode ser decodificada com o ouvido. Ela é o sinal inconfundível do que se passa dentro de nós. Essa voz é dentro da gente, fica restrita à nossa consciência, e nem sempre é suave, nem sempre é doce, tranquila, serena. Muitas vezes é forte, aguda, imperiosa.

Chega a ser como um clamor, um grito íntimo que tem por objetivo nos fazer adotar atitudes firmes e inadiáveis que visam o alcance da nossa própria libertação.

Muitas vezes, depois de certo tempo, depois de passarmos por determinadas experiências ou ser visitados por certa informação, nós ficamos assim, pensando: "Nossa, eu preciso fazer isso, estou precisando fazer aquilo." E quando a gente fica assim, "eu estou precisando fazer", está começando a gritar dentro da gente o quê? A capacidade aplicativa, o chamado para mudar, para redirecionar.

"E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia, e dizendo: arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Vós do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas." (Mateus 3:1-3)

É isso aí. Veredas, no plural. Resultado de nossas escolhas.

O chamado do precursor se mantém atual. Permanece convocando homens de boa vontade à regeneração das estradas comuns. Afinal, veredas são caminhos estreitos. Atalhos pelos quais nos adentramos ao longo das existências por nos mantermos ligados às tendências imediatistas que, cedo ou tarde, exigem retificação.

Não dá para ser diferente. Para sentir a influência positiva do Cristo em nossa alma é preciso retificar a estrada em que se tem vivido, é imperioso refazer o campo destruído e plantar novas sementeiras, de esperança e paz.

E se as veredas são no plural, incontáveis, por outro lado o caminho é no singular. 

Aliás, caminho também não é um só. Para ser mais preciso, passamos muito tempo dos nossos dias à procura de caminhos, mas caminho seguro, sim, é por meio daquele que veio nos trazer "vida em abundância".

Deu uma ideia? Nós temos que ter um intermediário para chegar e Jesus é o intermediário que nos responde. É o mediador. Jesus é o caminho ("ninguém vem ao Pai senão por mim"). Para a nossa felicidade real não existe caminho diferente do que ele nos traçou com a sua própria vida. Este é um assunto que quando nós começamos a entender parece que desonera muita coisa no nosso campo psíquico.

Até as individualidades mais teimosas, depois de baterem muito com a cabeça na parede, acabam por se convencer de que o roteiro terreno continua sendo da manjedoura ao calvário. E quer mesmo saber? Mais cedo ou mais tarde a gente descobre que o resto é atalho, é ilusão que o tempo corrige, é pura perda de tempo.

João Batista nos alerta para endireitarmos as veredas e preparar o caminho.

Quer dizer, caminho é "preparai". Imperativo para que deixemos as ilusões e estruturemos uma nova vida nas molduras do amor. Quando Jesus afirma "eu sou o caminho", o que ele faz? Ele aponta caminhos e diretrizes. Certo? Então, o caminho é apontado. E o caminho oferece paisagens, situações e fatos que definem a verdade, os quais devidamente implementados são capazes de nos propiciar vida em sua essencialidade. E nós temos que passar por Jesus na sua orientação como mestre.

Ele define o padrão, indica o caminho. E quando ele indica o caminho a gente prepara.

Compete a cada um de nós, de forma individual, preparar o caminho indicado, vendo, examinando e observando o roteiro de luz que ele deixou traçado em sua passagem pelo planeta. Logo, ele indica e a gente segue. Ele sugere e a gente faz.

Mas não basta a gente ficar preparando o caminho, indefinidamente. Afinal, caminho pressupõe movimento, ação, atividade. Concorda? Caminho se faz caminhando, trilhando.

Caminho é uma extensão de terreno destinado ao trânsito. E não é possível conhecê-lo senão percorrendo-o. Vendo-o, apenas de seu ponto inicial, teremos dele somente uma ligeira impressão, somente uma notícia, mas não o conhecimento.

Não é possível encontrar vida sem ação, verdade sem comprovação, nem caminho sem destino. Caminho, verdade e vida são termos que guardam uma estreita relação entre si. Temos que avaliar o assunto com atenção. Nós estamos falando de nosso bem estar e de nossa harmonia. Se ficarmos estacionados na estrada nada aprenderemos e nenhum fruto positivo colheremos.

Por outro lado, se dermos alguns passos e estagnarmos o mestre deixará de ser o nosso caminho, uma vez que não poderá nos conduzir ao destino que nos espera.

Assim, o caminho vai passar a ser sedimentado e efetivado à medida que passarmos a operar conforme a orientação das verdades assimiladas. E voltando-nos aos interesses espirituais, cultivando o bem, efetivando o estudo com vistas à reeducação e valorizando os semelhantes estaremos nos ajustando ao roteiro certo.

23 de mar de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 2

O PRECURSOR E A PREGAÇÃO

“A LEI E OS PROFETAS DURARAM ATÉ JOÃO; DESDE ENTÃO É ANUNCIADO O REINO DE DEUS, E TODO O HOMEM EMPREGA FORÇA PARA ENTRAR NELE.” LUCAS 16:16

“1E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA, 2E DIZENDO: ARREPENDEI-VOS, PORQUE É CHEGADO O REINO DOS CÉUS. PORQUE ESTE É O ANUNCIADO PELO PROFETA ISAÍAS, QUE DISSE: VÓS DO QUE CLAMA NO DESERTO: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR, ENDIREITAI AS SUAS VERÊDAS.” MATEUS 3:1-2

Uma coisa precisa ser entendida, e bem entendida no início dos estudos do evangelho. O trabalho de Jesus no nosso planeta foi iniciado por João Batista.

Isto é algo da maior importância. É muito importante entender João Batista porque, para início de conversa, ele é o precursor do evangelho. Sua proximidade com o mestre tem uma significância.

Historicamente falando, João Batista, filho de Zacarias, sacerdote judeu, e de Isabel, que pertencia ao grande grupo familiar a que também pertencia Maria, mãe de Jesus, era primo deste. Percebeu? João Batista era primo de Jesus. Nasceu em uma pequena aldeia conhecida naqueles dias como cidade de Judá, localizada a seis quilômetros a oeste de Jerusalém. João culminou a presença despertadora da justiça. Isabel, sua mãe, recebeu certo dia a visita espiritual de um mensageiro divino, o mesmo que pouco depois também se apresentaria a Maria.

“E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia.” Preste atenção no seguinte. Você já reparou quando alguém vai contar algo e começa dizendo "naquele tempo" ou "naquela época"? Pois então, ao usar essas expressões está se fazendo referência a um momento específico que antecedeu alguma coisa.

E é o que acontece nessa passagem do evangelho. O advérbio de tempo usado ("naqueles dias") não se refere a qualquer momento, mas a um momento peculiar. Trata-se de uma circunstância de tempo que antecede algo. Mais especificamente que antecede um estado de mudança. E como o evangelho é uma mensagem direcionada ao espírito na sua essencialidade, o que inclusive lhe dá o caráter de universalidade, personagens e ambientes extrapolam a época em que foi vivido de modo a que chegam até nós hoje dando-nos condições de identificá-los ou não como ângulos de nossa personalidade ou regiões específicas de nosso campo psíquico e estados de espírito. Percebeu? Sendo assim, fica fácil a gente entender: onde está João Batista nos dias de hoje?

É difícil responder? Eu creio que não. Depois de entender algumas coisas é fácil demais.

O evangelho, todo ele, do começo ao fim, não fala e não trata de amor? E o que nós aprendemos na física? Que não se passa de um estado para outro estado sem passar por uma linha ou por um ponto de transição. Perfeito? Então, João Batista representa o ponto de transição para uma vida que objetiva ser melhor.

Ele nos desprende da justiça, nos desprende de Moisés, e nos aponta para Jesus.

Culminando a presença despertadora da lei, representa a transitoriedade que antecede a expressão crística em nossa vida. Acompanhou? Ele é o personagem da nossa intimidade que faz com que deixemos uma vida estruturada nos parâmetros da justiça para nos apontar o caminho do amor. Visitando a nossa intimidade nos dias de hoje, João Batista nos elege precursores em uma luta íntima pela qual somos convocados ao trabalho de reeducação.

Trabalhando a chegada de Jesus, ele aparece em nosso íntimo e nos convida ao preparo do caminho. Afinal, cá pra nós, precisamos compreender uma coisa: passar de justiça para amor não é nada fácil, muito pelo contrário, é um dos maiores desafios que visitam as criaturas em todos os tempos.

E João Batista prega. Sem querer menosprezá-lo, porque ele é importantíssimo demais, mas ele não realiza nada. Quem realiza é Cristo, que vem após ele. João Batista apenas prega, nada mais (em relação ao batismo nós falaremos à frente).

E você já parou para pensar no que significa pregar?

A pregação consiste em um chamamento. Isso mesmo, é um chamado. Um convite para que nós implantemos um sistema novo de comportamento com vistas a quê? A sentirmos Jesus no coração. Isto tem que ficar claro. Qualquer pregação tem o sentido de despertar, de atrair o interesse de quantos estão predispostos a ouvir.

Logo, João Batista surge com essa finalidade. Ele vem propor um estado de mudança. E tanto vem propor uma mudança que ele vem pregar, e pregar apenas para aquele que se encontra no deserto da intimidade. Vamos encontrá-lo dentro de nós na sua gloriosa tarefa de preparar o caminho à verdade, precedendo o trabalho divino do amor que o mundo conhece em Jesus Cristo.

Está percebendo? João Batista prepara o caminho para a mensagem de libertação.

Aparece e trabalha o campo mental da individualidade. Desprende o ser de Moisés e se identifica com Jesus. Aponta o caminho do amor que objetiva chegar. Todavia, se a criatura bobear, se não souber aproveitar a oportunidade, ela não dá o passo seguinte, recusa o amor e volta a reciclar experiências de justiça.

20 de mar de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 1

O ÊXITO DE JOÃO

“1E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA, 2E DIZENDO: ARREPENDEI-VOS, PORQUE É CHEGADO O REINO DOS CÉUS. PORQUE ESTE É O ANUNCIADO PELO PROFETA ISAÍAS, QUE DISSE: VÓS DO QUE CLAMA NO DESERTO: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR, ENDIREITAI AS SUAS VERÊDAS.” MATEUS 3:1-2

“E ERAM POR ELE BATIZADOS NO RIO JORDÃO, CONFESSANDO OS SEUS PECADOS.” MATEUS 3:6

Aproximadamente quatrocentos anos antes da vinda de Jesus uma escola de educadores religiosos começou a vigorar na Palestina. Por meio dela houve a disseminação de um tipo de literatura chamada apocalíptica, originada principalmente em razão do degredo dos judeus que eram muito sacrificados. Consistia em um estilo literário da época, chamado literatura apocalíptica, e eram vários os apocalipses. A espiritualidade superior coordenou para nós o apocalipse do evangelista João, que está presente como o último livro da bíblia, como sendo a expressão não apenas da verdade, como a mais fiel.

Esses educadores desenvolveram um sistema de crença segundo o qual os sofrimentos e a humilhação dos judeus aconteciam por estarem eles arcando com as consequências dos pecados da nação, os quais resultaram no cativeiro. Essa literatura se baseava naquela ideia de que primeiro vem o sofrimento e depois a libertação.

Os apocalípticos ensinavam, de forma persistente, que Israel deveria manter a sua coragem. Que os dias de aflição estavam por acabar. Que a lição do povo escolhido de Deus estava bem prestes a terminar e que a paciência de Deus com os gentios estrangeiros estava se exaurindo. Para eles, o reino deste mundo estava próximo de se tornar o reino de Deus. E vale ressaltar que o fim do domínio romano para esse povo era sinônimo, em certo sentido, de fim do mundo.

Para a mente judaica daqueles dias o significado da expressão "reino do céu", tanto presente nos ensinamentos de Jesus quanto no de João Batista, não era outro senão um estado absolutamente reto no qual Deus governaria as nações da Terra na perfeição do seu poder, ou seja, exatamente como ele governava os céus.

Alguns judeus apegavam-se à ideia de que Deus poderia estabelecer esse novo reino por intervenção direta e divina, ou seja, sozinho, no entanto a grande maioria acreditava mesmo é que ele iria interpor um representante intermediário, o messias. E esse era o único significado que o termo messias poderia ter nas mentes dos judeus daquela geração. Não poderia se referir a alguém que simplesmente ensinasse a vontade de Deus ou proclamasse a necessidade do viver reto. Não. De forma alguma. A todas essas pessoas sagradas os judeus davam o título de profetas, e o messias era algo bem mais. Deveria ser alguém bem mais do que um profeta. Deveria estabelecer o novo reinado, o reino de Deus. E ninguém que falhasse nesse propósito poderia ser para eles o messias.

E de uma coisa todos concordavam em unanimidade: a instauração desse reino não se daria de forma gratuita, sem fazer nada, mantendo o povo os braços cruzados. Alguma purgação drástica ou alguma disciplina de purificação seria necessária para se proceder ao estabelecimento desse novo reino na Terra.

Pelo que os apocalípticos ensinavam, iria acontecer uma grande guerra. E essa guerra iria destruir todos aqueles que não acreditavam, ao passo que os fiéis seriam levados a uma vitória universal e eterna. O reino seria inaugurado pelo grande julgamento de Deus, que iria relegar os injustos à merecida punição de destruição final, ao mesmo tempo em que elevaria os santos crentes do povo escolhido aos assentos elevados de honra e autoridade, e que o messias governaria sobre as nações redimidas em nome de Deus. O grupo também acreditava que gentios devotos poderiam ser admitidos nesse novo reino.

E nos dias de João, os judeus perguntavam-se com expectativa sobre quando viria esse reino.

Havia um sentimento geral entre eles de que o fim do domínio das nações gentias estava próximo. E presente não só a esperança, mas a expectativa de que isso ocorreria exatamente no período de vida daquela geração. E para todos que ouviam João Batista ficava claro que ele era mais do que um pregador. A grande maioria das pessoas que escutavam aquele homem estranho, vindo do deserto da Judéia, partia de suas pregações acreditando ter ouvido a voz de um profeta.

Não era de se espantar que as almas daqueles judeus cansados, mas esperançosos, ficassem extasiados com a sua chegada. Em momento algum da história os filhos de Abraão tinham desejado tanto a libertação de Israel quanto a instauração do reino como naquela ocasião. Nunca a mensagem de João, de que o reino do céu estava ao alcance das mãos, poderia ter exercido um apelo tão profundo e comovedor como na  época em que ele apareceu, de forma tão misteriosa na margem da travessia ao sul do Jordão, convocando a preparação para a mudança.

No apogeu das pregações de João a Palestina estava inflamada pela esperança de sua mensagem, de que o reino de Deus estava chegando, que estava ao alcance das mãos. Os judeus empenhavam-se em um exame sério e solene de consciência.

Isso mesmo. O sentido judaico de solidariedade racial era muito grande e muitas almas devotas foram batizadas por João pelo bem de Israel. Os judeus não apenas acreditavam que os pecados de um pai poderiam afligir os seus filhos, como também acreditavam firmemente que o pecado de apenas um indivíduo poderia amaldiçoar a nação inteira. Assim, nem todos que se submetiam ao seu batismo consideravam a si próprios culpados dos pecados específicos denunciados por ele, mas não queriam correr o risco. Sentiam-se como uma nação culpada e amaldiçoada pelo pecado e apresentavam-se para o batismo no intuito de que assim fazendo pudessem manifestar os frutos da penitência da raça.

Temiam que algum pecado de ignorância da parte de alguém pudesse retardar a vinda do tão esperado messias. Quanto a Jesus, não é preciso nem dizer. Ele não recebeu o batismo como um ritual de arrependimento ou remissão dos pecados. Ao receber o batismo de João Batista o mestre estava apenas seguindo o exemplo.

15 de mar de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 12 (Final)

O PAGAMENTO VEM DEPOIS

“E JESUS LHES RESPONDEU: MEU PAI TRABALHA ATÉ AGORA, E EU TRABALHO TAMBÉM.” JOÃO 5:17

“E NÃO NOS CANSEMOS DE FAZER BEM, PORQUE A SEU TEMPO CEIFAREMOS, SE NÃO HOUVERMOS DESFALECIDO.” GÁLATAS 6:9

Jesus alivia sem esperar retorno, acende esperança nos corações humanos sem que esses lhe peçam, perdoa espontaneamente aos que injuriam e apedrejam sem aguardar-lhe retratação. Em suma, faz o bem despreocupado de considerações.

E o que a gente em aprendido? Que o que é feito por amor não se perde. O evangelho nos ensina isso. Se estamos com o Cristo, tudo o que necessitamos será feito em nosso favor no momento oportuno. Investir no amor gera a retribuição natural da vida. Com um detalhe, o verdadeiro ganho da criatura é de natureza espiritual.

Se a força humana torturou o mestre, com certeza não deixará de nos torturar também. E é ilógico alguém querer disputar a estima de um mundo em transição que mais tarde será compelido a regenerar-se para obter a redenção. Portanto, vamos acordar para as nossas responsabilidades. Não podemos ignorar que a permanência na Terra pressupõe a necessidade de trabalho proveitoso, e não apenas o uso de vantagens efêmeras que muitas vezes nos anulam a capacidade de servir. Precisamos trabalhar sem cansaço pela nossa ascensão.

Guarde isto na caminhada: Todo aplauso externo é ilusório. Nosso lema deve ser avançar sempre. Sem cessar, pois é preferível que a morte nos surpreenda em serviço, em atividade útil, a esperarmos por ela inertes em uma poltrona de luxo.

Temos que estar atentos. Enquanto houver crime, sofrimento, ignorância e miséria no mundo não podemos encontrar sobre o planeta a luz do reino do céu.

E com você já deve ter acontecido o que se dá com muitas pessoas. Em muitas ocasiões, costumamos interromper as atividades indagando de nós mesmos se vale a pena continuar o esforço renovador. Você já se perguntou isso? Porque é comum. 

Nos entregamos a melancólicas reflexões em torno das transformações espirituais que inutilmente intentamos. No entanto, uma pergunta basta para nos dar o reconforto desejado: Se o mestre, há milênios, trabalha por nós para que tenhamos o pequenino clarão de conhecimento com que hoje tentamos dissipar as sombras que ainda trazemos ("Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" João 5:17), porque desanimar na obra de amparo aos que amamos, se apenas agora começamos a servir no terreno da luz?

Portanto, cabeça erguida e bola pra frente. Vamos perseverar e colaborar, quanto possível, pela consecução dos objetivos de fraternidade e aprimoramento. 

Convicto de que não precisa gastar energias em expectativa e tensão, o discípulo do evangelho não pode se preocupar senão com a vontade de Deus. Com o seu trabalho sob as vistas do Pai e com a aprovação da consciência. Não importa a ingratidão que receba. Ele não tem que se preocupar com isso. O reconhecimento que deve buscar, antes de tudo, é o da própria consciência.

E a recompensa de semelhante trabalhador não pode ser aguardada no imediatismo do mundo.

É da lei que a colheita não precede à sementeira, tanto quanto o telhado não pode anteceder ao alicerce. Reconhecendo que o domicílio de seus seguidores não se ergue sobre o chão do mundo, Jesus prometeu que lhes prepararia lugar na vida mais alta.

Assim, vamos parar de moleza e trabalhar na sementeira do bem, como servidores provisoriamente distanciados do verdadeiro lar. Porque a criatura que realmente ama em nome do Cristo de Deus semeia para a colheita na eternidade.

12 de mar de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 11

O DESGASTE E O DESCANSO

“E SOFRESTE, E TENS PACIÊNCIA; E TRABALHASTE PELO MEU NOME, E NÃO TE CANSASTE.” APOCALIPSE 2:3

Imagine um motor. Qualquer motor. Imaginou? Pois então, quanto mais sincronizadas as suas peças, e devidamente lubrificadas, mais esse motor é capaz de trabalhar ininterruptamente durante dias. Agora, se tiver um mínimo de atrito, o que acontece? Já começa a haver desgaste.

E o que isso tem a ver com o nosso estudo? Que nós nos mantemos numa aceleração muito doida. Esta é que é a realidade. E não é só isso, as mínimas coisas tiram a nossa sincronia e a nossa estabilidade. Concorda? Os nossos planos emocionais se alteram com muita facilidade. Com isso, eu não quero dizer que temos que nos tornar pessoas frias, insensíveis, mas precisamos adotar uma forma de experiência pela qual a gente se recomponha rapidamente.

O trabalho, como vimos, é contínuo. E dentro da linha motora operacional a gente se esgota. É óbvio, afinal tudo tem um limite. Nós temos o cansaço físico que o plano operacional leva a desgastar e o organismo tem que descansar mesmo. Mas um fator que cansa muito é o cansaço mental. Precisamos ficar atentos. Se nós não quisermos nos cansar é preciso que a gente trabalhe bem sincronizado.

O indivíduo vez por outra pode ter uma defasagem orgânica. É natural. Acontece. O corpo exauri-se de energias. Mas quando a mente está tranquila, bastam poucos minutos de sono e ele se coloca em pé para mais vinte e quatro horas, se preciso. Quando nós trabalhamos dentro da sincronia das peças a gente repousa meia hora e fica inteiro de novo. Porque não houve desgaste.

"E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste" (Apocalipse 2:3). O descanso mais exigente para nós é o descanso da vida mental.

Então, não é de fora o problema. Tem gente que está descansado por fora, fisicamente, e acentuadamente atribulado por dentro. E o descanso nosso reside sabe onde? Na capacidade operacional segura. Quer dizer, o momento nosso de entretenimento e de descanso, objetivamente falando, vai depender também do nosso grau de consciência tranquila com base naquilo que temos tentado fazer. Levando em conta que se oferecermos ao repouso restaurativo mais tempo que o indispensável cairemos por outro lado na preguiça que nos desgasta a força.

E sabe de mais uma coisa? O cansaço que derruba muitas pessoas é o cansaço da briga vinte e quatro horas contra o mundo e contra muita gente. Para muitas pessoas o trabalho ainda é sinônimo de desgaste. Repare que aquele que não trabalha com equilíbrio, e que ainda é inconformado com a vida, ele é um indivíduo que anda sempre cansado. A mente que se encontra em desajuste ou transtornada se cansa fácil. Irrita-se pelo trabalho, pelo obstáculo. Não aguenta.

Liga a chave do carro, o carro não pega: "Esta porcaria não presta. Tem que trocar." Quer dizer, tudo para ela é motivo de complicação. A pessoa pode estar descansada por fora, mas se mantém atribulada por dentro. Já um outro, se bobear, empurra o carro para pegar. E está feliz. Porque se mantém em outra tônica. Este que está bem na sua própria intimidade administra o seu plano íntimo com facilidade. Ele pode até dizer: "Que eu estou cansado, estou. Mas eu estou bem, eu estou ótimo." Percebeu? Isso ninguém tira dele. Este que está bem por dentro ele pode ter uma defasagem fisiológica, orgânica. Claro. Acontece. Exauriu-se de energias. Mas como falamos, quando a mente está tranquila alguns minutos ou poucas horas de sono e a pessoa já se coloca pronta de novo.

E você já deve ter reparado. Em algumas situações é preciso parar um pouco para que a cabeça funcione. Quantas vezes eu, pessoalmente, já fiz isto? Várias. A pessoa está lá se dedicando durante um bom tempo em um trabalho enorme. Procurando juntar, montar, elaborar. Pode até ter trabalhado na tarefa por duas semanas seguidas. De repente ela pensa: "Quer saber? Eu vou dar um tempo. Vou relaxar um pouco!" Ela se desliga. E sabe de uma coisa? O trabalho sai direitinho. Dá tudo certo. Porquê? Porque ela harmonizou o campo íntimo nesse descanso. Ela fez a parte dela. Trabalhou direito e desativou as preocupações.

Deus descansou no sétimo dia, não foi? E é interessante para nós entender o seguinte. Ele parou de trabalhar? Não! O que isso nos ensina? Que o trabalho abrangente universal realmente se dá no sábado. Sábado é o descanso. Mas não é o dia de sábado não. Sábado é referência ao estado mental no qual se passa a trabalhar em um mecanismo não desgastante.

Se nós ainda ficamos naquela de esperar um descanso eterno depois da morte, puxa vida, estamos precisando rever nosso conceito. Estamos muito mal informados. Dizem os espíritos evoluídos que descansar mesmo o espírito só descansa quando está no ventre materno. Percebeu? Espíritos superiores não descansam. Para eles o trabalho é sinal de alegria e de realização espiritual mais íntima.

Então, vamos ter isso em conta. O verdadeiro trabalho é aquele que reserva grande júbilo interior. E não é só isso, quanto mais se utiliza o trabalho nas faixas do amor mais descanso ele proporciona. Quanto mais autêntico é o trabalho menos cansaço ele oferece. Quando a tarefa é feita sob a tutela da misericórdia, a gente já está abastecido e descansado na própria intimidade do trabalho.

8 de mar de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 10

O TRABALHO, AS OBRAS E O SERVIÇO

“E JESUS LHES RESPONDEU: MEU PAI TRABALHA ATÉ AGORA, E EU TRABALHO TAMBÉM.” JOÃO 5:17

“45E, LEVANTANDO-SE DA ORAÇÃO, VEIO PARA OS SEUS DISCÍPULOS, E ACHOU-OS DORMINDO DE TRISTEZA. 46E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:45-46

“CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU TRABALHO, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE NÃO PODES SOFRER OS MAUS; E PUSESTE À PROVA OS QUE DIZEM SER APÓSTOLOS, E O NÃO SÃO, E TU OS ACHASTE MENTIROSOS.” APOCALIPSE 2:2

“EU CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU AMOR, E O TEU SERVIÇO, E A TUA FÉ, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE AS TUAS ULTIMAS OBRAS SÃO MAIS DO QUE AS PRIMEIRAS.” APOCALIPSE 2:19

É muito comum nós associamos trabalho com obra ou entendê-los como sendo mesma coisa, quando na verdade não é.

Quando se conjuga as duas expressões, como no caso do apocalipse ("conheço as tuas obras e o teu trabalho" Apocalipse 2:2), temos que fazer a necessária distinção.

O trabalho a gente pode dizer com muita tranquilidade, que ele é a força motriz do universo. É o componente que impulsiona o universo, constitui o mecanismo operacional, é a sistemática. Como ação atuante, vamos notar que ele é ativo. O trabalho é o instrutor do aperfeiçoamento, e em todos os lugares do vale humano existem recursos de ação e aprimoramento para quem deseja seguir adiante. E seu resultado nem sempre se dá de forma imediata. Pode acontecer, às vezes, do trabalho ter a sua consolidação vários anos depois, quando começa a oferecer a sua resposta.

E você reparou uma coisa? A palavra trabalho aparece no singular. A definir o quê? Que ele é um fator que não cessa. Ele é permanente, é contínuo. Para clarear o que estamos dizendo, observe que em qualquer tempo sempre vamos encontrar Jesus operando ("E Jesus lhes respondeu: meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também". João 5:17). Aliás, o evangelho estabelece trabalho incessante a todos os que aderem aos seus princípios. Não é código moral voltado para aqueles que querem apenas salvar a própria pele. Muito pelo contrário, é direcionado aos que querem fazer, razão pela qual os seus seguidores não devem se acomodar na expectativa de um repouso falso. Nenhum de nós está matriculado em uma escola já implementada, pronta, acabada. Nada disso. Nós estamos matriculados em uma escola em implementação.

O evangelho de Lucas conta que em determinada situação, quando os discípulos dormiam de tristeza enquanto Jesus orava no horto, o mestre ensinou naquela ocasião que não existe justificativa para a inatividade em tempo algum. Nem mesmo diante do choque ocasionado pelas grandes dores. Você se lembra disto? ("E, levantando-se da oração, veio para os seus discípulos, e achou-os dormindo de tristeza. E disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação". Lucas 22:45-46)

Temos que estar atentos às oportunidades que nos chegam para trabalhar. O aproveitamento do recurso significa a implementação da tarefa, a implementação do trabalho. 

É comum a gente querer fazer, querer cooperar de alguma forma, todavia ficamos com a nossa mente escolhendo as áreas onde queremos operar. E desconsideramos que o grande desafio daqui para a frente não é o gênero de tarefa, e sim a compreensão da oportunidade recebida. Está dando para entender? Muitas vezes nós rejeitamos o trabalho que aparece e procuramos outros e com isso entramos em verdadeiras confusões. Em outras palavras, é preciso saber aproveitar com muito carinho a oportunidade que chega.

Você observou que os versículos acima fazem referência ao trabalho no singular e às obras no plural? Isso mesmo. Está certo. São obras. No plural, porque são relativas.

As obras definem a linha concreta que dimana da gente. Elas são instrumentos para a operacionalidade do trabalho, elementos adequados para que trabalho possa operar. São componentes que nós temos objetivado laborar. Constituem o objeto do trabalho, a consequência do trabalho. Por exemplo, se eu tenho uma reunião para participar essa é a obra. Terminou a reunião, acabou a obra. Ficou claro? Bem ou mal, ela está acabada. Daí, não existe obra sem trabalho, embora possa haver trabalho sem uma obra específica.

Outra coisa interessante é que todas as obras, em qualquer parâmetro, no seu sentido estrutural são sempre relativas. Ou seja, não ficam para sempre. Apresentam para nós a expressão didática do nosso avanço e não podem ter sentido finalístico.

Está dando para acompanhar? Pela lei da transformação a obra pode desaparecer no tempo. Não pode? Por exemplo, basta analisar, nas civilizações nós não encontramos uma série de ruínas? Aliás, nem precisamos ir longe. É só olhar a nossa própria história pessoal. Quantas ruínas. E em cimas delas, outras construções. Às vezes, nós estamos construindo hoje no mesmo local em que construímos ontem. Logo, fica fácil concluir que renovar significa jogar uma obra para baixo para fazer outra, para a construção de outra. E hoje o nosso trabalho é derrubar para construir outra, para que o trabalho seja cada vez mais sublimado.

E mais um ponto importantíssimo que não pode passar em branco. Não tem como a gente carregar as obras conosco!

Quem quiser carregar as obras consigo, no bolso ou na sacola, vai sofrer. Porque os resultados finalísticos das obras, os resultados materiais, mais cedo ou mais tarde se diluem. Mais hoje mais amanhã as obras vão se diluir. Perfeito? Costumamos achar que levamos necessariamente conosco aquilo que foi feito. Mas não. Longe de querer desanimar você, todavia no plano profundo do espírito não levamos o que foi feito, embora nós tenhamos realmente que apresentar algo no plano utilitarista da vida, no campo horizontal dos interesses humanos.

Nós levamos, sim, o substrato essencial que circula em nossa intimidade relativamente à obra que operamos. Deu para entender ou está complicado? Nós levamos conosco a faixa vibracional que circulou à época quando da realização da obra, e que vai permanecer, seja de maneira positiva ou negativa.

O efeito, então, vai ser naturalmente uma resposta que vai te premiar ou entristecer no plano da feitura ou da prática que você implementou na realização da obra, e que no fundo é aquilo que efetivamente te gratifica ou entristece.

Nós levamos toda a experiência nossa no fazer e vamos prestar contas pela maneira como agimos e realizamos cada atitude. Daí, para se ter uma ideia, os construtores, de uma forma geral, apresentam na intimidade mental deles toda a elaboração e toda concretude das obras levadas a efeito. Só não podemos esquecer a necessidade de construirmos obras que nos projetem para os planos espirituais, obras que venham promover o nosso crescimento. É por aí que entramos em um processo de crescimento pela própria tarefa que se desenvolve.

E de tudo o que foi dito fica um recado: mais vale, às vezes, o trabalho do que a obra.

Mais vale o esforço e a dedicação do que o resultado final. E é aí que entra a nossa cota de serviço. 

O serviço define a representação da nossa parte de esforço. É como temos operado. Porque o plano espiritual superior não avalia o teor de qualquer trabalho sem a consideração dos valores morais despendidos. O mérito das obras está no esforço que empregamos para realizá-las, como também na pureza das intenções propulsoras de nossos atos. O que queremos dizer? Que uma coisa que precisamos aprender é saber avaliar a maneira como estamos realizando as obras. Afinal, a vibração que nós implementamos no trabalho é que apresenta a tonalidade mais ou menos crística feita na ação.

Já reparou que muitos trabalham inconformados, ao passo que outros trabalham com alegria e boa vontade no coração? O serviço está ligado diretamente com a forma que você trabalha. Com a intensidade colocada no trabalho, com o carinho que você põe na tarefa. Tudo isso vai pesando na balança.

Nós somos aferidos por aquilo que fazemos e como fazemos. No fundo, somos aferidos por aquilo que operamos e, principalmente, ao nível do que se passou dentro da nossa intimidade. De forma que vamos prestar contas, cada qual individualmente, por aquilo que sentimos e que efetivamente vibramos.

O valor da obra não está na sua proporção, mas na pureza de intenção com que é executada e no esforço empregado para sua consecução. Cada qual tem sua tarefa intransferível na vida, e disso a gente sabe. O que precisa ficar claro é que o objetivo fundamental na vertical da realização é a reeducação. Este tem que vir primeiro, antes do objetivo operacional na horizontal. Não basta apenas fazer, não basta apenas produzir, é preciso imprimir à obra o cunho de espiritualidade.

Qualquer trabalho digno que propusermos fazer tem que ser conduzido dento do plano em que oferecemos o melhor na elaboração da obra. É preciso darmos o nosso melhor. E é nessa condição de darmos o melhor que conseguimos discernir se a obra é mais de Deus ou mais nossa. O serviço efetivo tem que apresentar um sentido reeducacional. Então, eu tenho que me educar. Esse é o objetivo fundamental inarredável. O serviço é aquele trabalho que opera visando nosso erguimento pessoal.

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