12 de mar de 2016

Cap 55 - O Valor do Trabalho (2ª edição) - Parte 11

O DESGASTE E O DESCANSO

“E SOFRESTE, E TENS PACIÊNCIA; E TRABALHASTE PELO MEU NOME, E NÃO TE CANSASTE.” APOCALIPSE 2:3

Imagine um motor. Qualquer motor. Imaginou? Pois então, quanto mais sincronizadas as suas peças, e devidamente lubrificadas, mais esse motor é capaz de trabalhar ininterruptamente durante dias. Agora, se tiver um mínimo de atrito, o que acontece? Já começa a haver desgaste.

E o que isso tem a ver com o nosso estudo? Que nós nos mantemos numa aceleração muito doida. Esta é que é a realidade. E não é só isso, as mínimas coisas tiram a nossa sincronia e a nossa estabilidade. Concorda? Os nossos planos emocionais se alteram com muita facilidade. Com isso, eu não quero dizer que temos que nos tornar pessoas frias, insensíveis, mas precisamos adotar uma forma de experiência pela qual a gente se recomponha rapidamente.

O trabalho, como vimos, é contínuo. E dentro da linha motora operacional a gente se esgota. É óbvio, afinal tudo tem um limite. Nós temos o cansaço físico que o plano operacional leva a desgastar e o organismo tem que descansar mesmo. Mas um fator que cansa muito é o cansaço mental. Precisamos ficar atentos. Se nós não quisermos nos cansar é preciso que a gente trabalhe bem sincronizado.

O indivíduo vez por outra pode ter uma defasagem orgânica. É natural. Acontece. O corpo exauri-se de energias. Mas quando a mente está tranquila, bastam poucos minutos de sono e ele se coloca em pé para mais vinte e quatro horas, se preciso. Quando nós trabalhamos dentro da sincronia das peças a gente repousa meia hora e fica inteiro de novo. Porque não houve desgaste.

"E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste" (Apocalipse 2:3). O descanso mais exigente para nós é o descanso da vida mental.

Então, não é de fora o problema. Tem gente que está descansado por fora, fisicamente, e acentuadamente atribulado por dentro. E o descanso nosso reside sabe onde? Na capacidade operacional segura. Quer dizer, o momento nosso de entretenimento e de descanso, objetivamente falando, vai depender também do nosso grau de consciência tranquila com base naquilo que temos tentado fazer. Levando em conta que se oferecermos ao repouso restaurativo mais tempo que o indispensável cairemos por outro lado na preguiça que nos desgasta a força.

E sabe de mais uma coisa? O cansaço que derruba muitas pessoas é o cansaço da briga vinte e quatro horas contra o mundo e contra muita gente. Para muitas pessoas o trabalho ainda é sinônimo de desgaste. Repare que aquele que não trabalha com equilíbrio, e que ainda é inconformado com a vida, ele é um indivíduo que anda sempre cansado. A mente que se encontra em desajuste ou transtornada se cansa fácil. Irrita-se pelo trabalho, pelo obstáculo. Não aguenta.

Liga a chave do carro, o carro não pega: "Esta porcaria não presta. Tem que trocar." Quer dizer, tudo para ela é motivo de complicação. A pessoa pode estar descansada por fora, mas se mantém atribulada por dentro. Já um outro, se bobear, empurra o carro para pegar. E está feliz. Porque se mantém em outra tônica. Este que está bem na sua própria intimidade administra o seu plano íntimo com facilidade. Ele pode até dizer: "Que eu estou cansado, estou. Mas eu estou bem, eu estou ótimo." Percebeu? Isso ninguém tira dele. Este que está bem por dentro ele pode ter uma defasagem fisiológica, orgânica. Claro. Acontece. Exauriu-se de energias. Mas como falamos, quando a mente está tranquila alguns minutos ou poucas horas de sono e a pessoa já se coloca pronta de novo.

E você já deve ter reparado. Em algumas situações é preciso parar um pouco para que a cabeça funcione. Quantas vezes eu, pessoalmente, já fiz isto? Várias. A pessoa está lá se dedicando durante um bom tempo em um trabalho enorme. Procurando juntar, montar, elaborar. Pode até ter trabalhado na tarefa por duas semanas seguidas. De repente ela pensa: "Quer saber? Eu vou dar um tempo. Vou relaxar um pouco!" Ela se desliga. E sabe de uma coisa? O trabalho sai direitinho. Dá tudo certo. Porquê? Porque ela harmonizou o campo íntimo nesse descanso. Ela fez a parte dela. Trabalhou direito e desativou as preocupações.

Deus descansou no sétimo dia, não foi? E é interessante para nós entender o seguinte. Ele parou de trabalhar? Não! O que isso nos ensina? Que o trabalho abrangente universal realmente se dá no sábado. Sábado é o descanso. Mas não é o dia de sábado não. Sábado é referência ao estado mental no qual se passa a trabalhar em um mecanismo não desgastante.

Se nós ainda ficamos naquela de esperar um descanso eterno depois da morte, puxa vida, estamos precisando rever nosso conceito. Estamos muito mal informados. Dizem os espíritos evoluídos que descansar mesmo o espírito só descansa quando está no ventre materno. Percebeu? Espíritos superiores não descansam. Para eles o trabalho é sinal de alegria e de realização espiritual mais íntima.

Então, vamos ter isso em conta. O verdadeiro trabalho é aquele que reserva grande júbilo interior. E não é só isso, quanto mais se utiliza o trabalho nas faixas do amor mais descanso ele proporciona. Quanto mais autêntico é o trabalho menos cansaço ele oferece. Quando a tarefa é feita sob a tutela da misericórdia, a gente já está abastecido e descansado na própria intimidade do trabalho.

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