20 de mar de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 1

O ÊXITO DE JOÃO

“1E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA, 2E DIZENDO: ARREPENDEI-VOS, PORQUE É CHEGADO O REINO DOS CÉUS. PORQUE ESTE É O ANUNCIADO PELO PROFETA ISAÍAS, QUE DISSE: VÓS DO QUE CLAMA NO DESERTO: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR, ENDIREITAI AS SUAS VERÊDAS.” MATEUS 3:1-2

“E ERAM POR ELE BATIZADOS NO RIO JORDÃO, CONFESSANDO OS SEUS PECADOS.” MATEUS 3:6

Aproximadamente quatrocentos anos antes da vinda de Jesus uma escola de educadores religiosos começou a vigorar na Palestina. Por meio dela houve a disseminação de um tipo de literatura chamada apocalíptica, originada principalmente em razão do degredo dos judeus que eram muito sacrificados. Consistia em um estilo literário da época, chamado literatura apocalíptica, e eram vários os apocalipses. A espiritualidade superior coordenou para nós o apocalipse do evangelista João, que está presente como o último livro da bíblia, como sendo a expressão não apenas da verdade, como a mais fiel.

Esses educadores desenvolveram um sistema de crença segundo o qual os sofrimentos e a humilhação dos judeus aconteciam por estarem eles arcando com as consequências dos pecados da nação, os quais resultaram no cativeiro. Essa literatura se baseava naquela ideia de que primeiro vem o sofrimento e depois a libertação.

Os apocalípticos ensinavam, de forma persistente, que Israel deveria manter a sua coragem. Que os dias de aflição estavam por acabar. Que a lição do povo escolhido de Deus estava bem prestes a terminar e que a paciência de Deus com os gentios estrangeiros estava se exaurindo. Para eles, o reino deste mundo estava próximo de se tornar o reino de Deus. E vale ressaltar que o fim do domínio romano para esse povo era sinônimo, em certo sentido, de fim do mundo.

Para a mente judaica daqueles dias o significado da expressão "reino do céu", tanto presente nos ensinamentos de Jesus quanto no de João Batista, não era outro senão um estado absolutamente reto no qual Deus governaria as nações da Terra na perfeição do seu poder, ou seja, exatamente como ele governava os céus.

Alguns judeus apegavam-se à ideia de que Deus poderia estabelecer esse novo reino por intervenção direta e divina, ou seja, sozinho, no entanto a grande maioria acreditava mesmo é que ele iria interpor um representante intermediário, o messias. E esse era o único significado que o termo messias poderia ter nas mentes dos judeus daquela geração. Não poderia se referir a alguém que simplesmente ensinasse a vontade de Deus ou proclamasse a necessidade do viver reto. Não. De forma alguma. A todas essas pessoas sagradas os judeus davam o título de profetas, e o messias era algo bem mais. Deveria ser alguém bem mais do que um profeta. Deveria estabelecer o novo reinado, o reino de Deus. E ninguém que falhasse nesse propósito poderia ser para eles o messias.

E de uma coisa todos concordavam em unanimidade: a instauração desse reino não se daria de forma gratuita, sem fazer nada, mantendo o povo os braços cruzados. Alguma purgação drástica ou alguma disciplina de purificação seria necessária para se proceder ao estabelecimento desse novo reino na Terra.

Pelo que os apocalípticos ensinavam, iria acontecer uma grande guerra. E essa guerra iria destruir todos aqueles que não acreditavam, ao passo que os fiéis seriam levados a uma vitória universal e eterna. O reino seria inaugurado pelo grande julgamento de Deus, que iria relegar os injustos à merecida punição de destruição final, ao mesmo tempo em que elevaria os santos crentes do povo escolhido aos assentos elevados de honra e autoridade, e que o messias governaria sobre as nações redimidas em nome de Deus. O grupo também acreditava que gentios devotos poderiam ser admitidos nesse novo reino.

E nos dias de João, os judeus perguntavam-se com expectativa sobre quando viria esse reino.

Havia um sentimento geral entre eles de que o fim do domínio das nações gentias estava próximo. E presente não só a esperança, mas a expectativa de que isso ocorreria exatamente no período de vida daquela geração. E para todos que ouviam João Batista ficava claro que ele era mais do que um pregador. A grande maioria das pessoas que escutavam aquele homem estranho, vindo do deserto da Judéia, partia de suas pregações acreditando ter ouvido a voz de um profeta.

Não era de se espantar que as almas daqueles judeus cansados, mas esperançosos, ficassem extasiados com a sua chegada. Em momento algum da história os filhos de Abraão tinham desejado tanto a libertação de Israel quanto a instauração do reino como naquela ocasião. Nunca a mensagem de João, de que o reino do céu estava ao alcance das mãos, poderia ter exercido um apelo tão profundo e comovedor como na  época em que ele apareceu, de forma tão misteriosa na margem da travessia ao sul do Jordão, convocando a preparação para a mudança.

No apogeu das pregações de João a Palestina estava inflamada pela esperança de sua mensagem, de que o reino de Deus estava chegando, que estava ao alcance das mãos. Os judeus empenhavam-se em um exame sério e solene de consciência.

Isso mesmo. O sentido judaico de solidariedade racial era muito grande e muitas almas devotas foram batizadas por João pelo bem de Israel. Os judeus não apenas acreditavam que os pecados de um pai poderiam afligir os seus filhos, como também acreditavam firmemente que o pecado de apenas um indivíduo poderia amaldiçoar a nação inteira. Assim, nem todos que se submetiam ao seu batismo consideravam a si próprios culpados dos pecados específicos denunciados por ele, mas não queriam correr o risco. Sentiam-se como uma nação culpada e amaldiçoada pelo pecado e apresentavam-se para o batismo no intuito de que assim fazendo pudessem manifestar os frutos da penitência da raça.

Temiam que algum pecado de ignorância da parte de alguém pudesse retardar a vinda do tão esperado messias. Quanto a Jesus, não é preciso nem dizer. Ele não recebeu o batismo como um ritual de arrependimento ou remissão dos pecados. Ao receber o batismo de João Batista o mestre estava apenas seguindo o exemplo.

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