23 de mar de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 2

O PRECURSOR E A PREGAÇÃO

“A LEI E OS PROFETAS DURARAM ATÉ JOÃO; DESDE ENTÃO É ANUNCIADO O REINO DE DEUS, E TODO O HOMEM EMPREGA FORÇA PARA ENTRAR NELE.” LUCAS 16:16

“1E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA, 2E DIZENDO: ARREPENDEI-VOS, PORQUE É CHEGADO O REINO DOS CÉUS. PORQUE ESTE É O ANUNCIADO PELO PROFETA ISAÍAS, QUE DISSE: VÓS DO QUE CLAMA NO DESERTO: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR, ENDIREITAI AS SUAS VERÊDAS.” MATEUS 3:1-2

Uma coisa precisa ser entendida, e bem entendida no início dos estudos do evangelho. O trabalho de Jesus no nosso planeta foi iniciado por João Batista.

Isto é algo da maior importância. É muito importante entender João Batista porque, para início de conversa, ele é o precursor do evangelho. Sua proximidade com o mestre tem uma significância.

Historicamente falando, João Batista, filho de Zacarias, sacerdote judeu, e de Isabel, que pertencia ao grande grupo familiar a que também pertencia Maria, mãe de Jesus, era primo deste. Percebeu? João Batista era primo de Jesus. Nasceu em uma pequena aldeia conhecida naqueles dias como cidade de Judá, localizada a seis quilômetros a oeste de Jerusalém. João culminou a presença despertadora da justiça. Isabel, sua mãe, recebeu certo dia a visita espiritual de um mensageiro divino, o mesmo que pouco depois também se apresentaria a Maria.

“E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia.” Preste atenção no seguinte. Você já reparou quando alguém vai contar algo e começa dizendo "naquele tempo" ou "naquela época"? Pois então, ao usar essas expressões está se fazendo referência a um momento específico que antecedeu alguma coisa.

E é o que acontece nessa passagem do evangelho. O advérbio de tempo usado ("naqueles dias") não se refere a qualquer momento, mas a um momento peculiar. Trata-se de uma circunstância de tempo que antecede algo. Mais especificamente que antecede um estado de mudança. E como o evangelho é uma mensagem direcionada ao espírito na sua essencialidade, o que inclusive lhe dá o caráter de universalidade, personagens e ambientes extrapolam a época em que foi vivido de modo a que chegam até nós hoje dando-nos condições de identificá-los ou não como ângulos de nossa personalidade ou regiões específicas de nosso campo psíquico e estados de espírito. Percebeu? Sendo assim, fica fácil a gente entender: onde está João Batista nos dias de hoje?

É difícil responder? Eu creio que não. Depois de entender algumas coisas é fácil demais.

O evangelho, todo ele, do começo ao fim, não fala e não trata de amor? E o que nós aprendemos na física? Que não se passa de um estado para outro estado sem passar por uma linha ou por um ponto de transição. Perfeito? Então, João Batista representa o ponto de transição para uma vida que objetiva ser melhor.

Ele nos desprende da justiça, nos desprende de Moisés, e nos aponta para Jesus.

Culminando a presença despertadora da lei, representa a transitoriedade que antecede a expressão crística em nossa vida. Acompanhou? Ele é o personagem da nossa intimidade que faz com que deixemos uma vida estruturada nos parâmetros da justiça para nos apontar o caminho do amor. Visitando a nossa intimidade nos dias de hoje, João Batista nos elege precursores em uma luta íntima pela qual somos convocados ao trabalho de reeducação.

Trabalhando a chegada de Jesus, ele aparece em nosso íntimo e nos convida ao preparo do caminho. Afinal, cá pra nós, precisamos compreender uma coisa: passar de justiça para amor não é nada fácil, muito pelo contrário, é um dos maiores desafios que visitam as criaturas em todos os tempos.

E João Batista prega. Sem querer menosprezá-lo, porque ele é importantíssimo demais, mas ele não realiza nada. Quem realiza é Cristo, que vem após ele. João Batista apenas prega, nada mais (em relação ao batismo nós falaremos à frente).

E você já parou para pensar no que significa pregar?

A pregação consiste em um chamamento. Isso mesmo, é um chamado. Um convite para que nós implantemos um sistema novo de comportamento com vistas a quê? A sentirmos Jesus no coração. Isto tem que ficar claro. Qualquer pregação tem o sentido de despertar, de atrair o interesse de quantos estão predispostos a ouvir.

Logo, João Batista surge com essa finalidade. Ele vem propor um estado de mudança. E tanto vem propor uma mudança que ele vem pregar, e pregar apenas para aquele que se encontra no deserto da intimidade. Vamos encontrá-lo dentro de nós na sua gloriosa tarefa de preparar o caminho à verdade, precedendo o trabalho divino do amor que o mundo conhece em Jesus Cristo.

Está percebendo? João Batista prepara o caminho para a mensagem de libertação.

Aparece e trabalha o campo mental da individualidade. Desprende o ser de Moisés e se identifica com Jesus. Aponta o caminho do amor que objetiva chegar. Todavia, se a criatura bobear, se não souber aproveitar a oportunidade, ela não dá o passo seguinte, recusa o amor e volta a reciclar experiências de justiça.

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