29 de mar de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 3

VEREDAS E CAMINHO

“1E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA, 2E DIZENDO: ARREPENDEI-VOS, PORQUE É CHEGADO O REINO DOS CÉUS. 3PORQUE ESTE É O ANUNCIADO PELO PROFETA ISAÍAS, QUE DISSE: VÓS DO QUE CLAMA NO DESERTO: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR, ENDIREITAI AS SUAS VERÊDAS.” MATEUS 3:1-2

"VOZ DO QUE CLAMA NO DESERTO: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR; ENDIREITAI NO ERMO VEREDA A NOSSO DEUS.” ISAÍAS 40:3

João Batista, ainda hoje, continua pregando no deserto de nossa intimidade. Todavia, diante de paisagens nem sempre felizes aos nossos olhos, essa pregação é voz que se exterioriza em muitas ocasiões de forma ampliada e inaudível.

É uma voz muda. Só a gente ouve. Quem se aproxima de nós e nos vê não escuta, senão com o seu coração. Porque essa voz não pode ser decodificada com o ouvido. Ela é o sinal inconfundível do que se passa dentro de nós. Essa voz é dentro da gente, fica restrita à nossa consciência, e nem sempre é suave, nem sempre é doce, tranquila, serena. Muitas vezes é forte, aguda, imperiosa.

Chega a ser como um clamor, um grito íntimo que tem por objetivo nos fazer adotar atitudes firmes e inadiáveis que visam o alcance da nossa própria libertação.

Muitas vezes, depois de certo tempo, depois de passarmos por determinadas experiências ou ser visitados por certa informação, nós ficamos assim, pensando: "Nossa, eu preciso fazer isso, estou precisando fazer aquilo." E quando a gente fica assim, "eu estou precisando fazer", está começando a gritar dentro da gente o quê? A capacidade aplicativa, o chamado para mudar, para redirecionar.

"E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia, e dizendo: arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Vós do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas." (Mateus 3:1-3)

É isso aí. Veredas, no plural. Resultado de nossas escolhas.

O chamado do precursor se mantém atual. Permanece convocando homens de boa vontade à regeneração das estradas comuns. Afinal, veredas são caminhos estreitos. Atalhos pelos quais nos adentramos ao longo das existências por nos mantermos ligados às tendências imediatistas que, cedo ou tarde, exigem retificação.

Não dá para ser diferente. Para sentir a influência positiva do Cristo em nossa alma é preciso retificar a estrada em que se tem vivido, é imperioso refazer o campo destruído e plantar novas sementeiras, de esperança e paz.

E se as veredas são no plural, incontáveis, por outro lado o caminho é no singular. 

Aliás, caminho também não é um só. Para ser mais preciso, passamos muito tempo dos nossos dias à procura de caminhos, mas caminho seguro, sim, é por meio daquele que veio nos trazer "vida em abundância".

Deu uma ideia? Nós temos que ter um intermediário para chegar e Jesus é o intermediário que nos responde. É o mediador. Jesus é o caminho ("ninguém vem ao Pai senão por mim"). Para a nossa felicidade real não existe caminho diferente do que ele nos traçou com a sua própria vida. Este é um assunto que quando nós começamos a entender parece que desonera muita coisa no nosso campo psíquico.

Até as individualidades mais teimosas, depois de baterem muito com a cabeça na parede, acabam por se convencer de que o roteiro terreno continua sendo da manjedoura ao calvário. E quer mesmo saber? Mais cedo ou mais tarde a gente descobre que o resto é atalho, é ilusão que o tempo corrige, é pura perda de tempo.

João Batista nos alerta para endireitarmos as veredas e preparar o caminho.

Quer dizer, caminho é "preparai". Imperativo para que deixemos as ilusões e estruturemos uma nova vida nas molduras do amor. Quando Jesus afirma "eu sou o caminho", o que ele faz? Ele aponta caminhos e diretrizes. Certo? Então, o caminho é apontado. E o caminho oferece paisagens, situações e fatos que definem a verdade, os quais devidamente implementados são capazes de nos propiciar vida em sua essencialidade. E nós temos que passar por Jesus na sua orientação como mestre.

Ele define o padrão, indica o caminho. E quando ele indica o caminho a gente prepara.

Compete a cada um de nós, de forma individual, preparar o caminho indicado, vendo, examinando e observando o roteiro de luz que ele deixou traçado em sua passagem pelo planeta. Logo, ele indica e a gente segue. Ele sugere e a gente faz.

Mas não basta a gente ficar preparando o caminho, indefinidamente. Afinal, caminho pressupõe movimento, ação, atividade. Concorda? Caminho se faz caminhando, trilhando.

Caminho é uma extensão de terreno destinado ao trânsito. E não é possível conhecê-lo senão percorrendo-o. Vendo-o, apenas de seu ponto inicial, teremos dele somente uma ligeira impressão, somente uma notícia, mas não o conhecimento.

Não é possível encontrar vida sem ação, verdade sem comprovação, nem caminho sem destino. Caminho, verdade e vida são termos que guardam uma estreita relação entre si. Temos que avaliar o assunto com atenção. Nós estamos falando de nosso bem estar e de nossa harmonia. Se ficarmos estacionados na estrada nada aprenderemos e nenhum fruto positivo colheremos.

Por outro lado, se dermos alguns passos e estagnarmos o mestre deixará de ser o nosso caminho, uma vez que não poderá nos conduzir ao destino que nos espera.

Assim, o caminho vai passar a ser sedimentado e efetivado à medida que passarmos a operar conforme a orientação das verdades assimiladas. E voltando-nos aos interesses espirituais, cultivando o bem, efetivando o estudo com vistas à reeducação e valorizando os semelhantes estaremos nos ajustando ao roteiro certo.

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