9 de abr de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 5

QUE ELE CRESÇA E QUE EU DIMINUA

“É NECESSÁRIO QUE ELE CRESÇA E QUE EU DIMINUA.” JOÃO 3:30

“E ESTE JOÃO TINHA AS SUAS VESTES DE PELOS DE CAMELO, E UM CINTO DE COURO EM TORNO DE SEUS LOMBOS; E ALIMENTAVA-SE DE GAFANHOTOS E DE MEL SILVESTRE.” MATEUS 3:4

O evangelho é muito claro: João Batista aparece no deserto. Unicamente nesse ambiente. Como ele é o inconformado que vem nos propor uma mudança, não existe razão para surgir em outro lugar. Ele não aparece para quem está na praia do reconforto e da satisfação. Aquele que não se acha no deserto da intimidade não se sente identificado com o chamamento e a inquietude manifestada por ele.

E não temos que nos preocupar com o seu nascimento em nós porque o ensinamento é claro: ele aparece dentro da gente. Entendeu esta questão? O ponto básico é esse aparecimento. Isto é fundamental e tem que ser bem entendido.

"E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia." (Mateus 3:1) O que significa esse aparecer? Que ele surge e se evidencia quando nos reconhecemos no deserto, o identificamos quando já se faz presente em nossa vida íntima. Em outras palavras, João Batista surge espontaneamente dentro da gente, originado por um estado nosso de indignação ou abandono.

Ele simboliza o ápice das linhas informativas que atendem nossos anseios. E vale a pena repetir, não temos que nos preocupar com o seu nascimento em nós. Muito pelo contrário, o que precisamos é substituir a sua presença pela capacidade nossa de realização com o Cristo. O Cristo íntimo, sim, nós temos que fazê-lo nascer conscientemente dentro da gente. É necessário que o Cristo cresça e que João Batista diminua. E o início das nossas atividades no campo operacional do amor representa o alcance finalístico que essa pregação sugere, que é a realização do testemunho; deixa de ser João Batista pregando, mas o Cristo realizando, não mais o chamado da justiça, mas a manifestação do amor.

Vamos imaginar um exemplo. Três pessoas estão engajadas em um grupo religioso e combinaram realizar uma tarefa externa. Programaram se encontrar na porta desse grupo em determinada hora. O primeiro veio porque alguém telefonou para ele ("Você vem?"). Ele não vinha não. O que ele queria mesmo era atender um programa que lhe surgiu de improviso. Mas veio. Desanimado, mas veio. Fez uma espécie de semi-sacrifício.

O segundo, nem se fala, veio no sacrifício total  ("Caramba, onde é que eu estava com a cabeça? Porque é que eu fui assumir esse compromisso?!") Veio amarrado, mas veio, sob a tutela da responsabilidade e do amor próprio dele. A bem da verdade, é o amor próprio que o está movimentando ("Eu não posso agir de forma diferente dos outros. Vontade eu não estou, mas eu tenho que ir. Tenho que mostrar que eu estou firme no propósito.") O terceiro, sim, veio disposto, alegre, radiante, veio com todo seu entusiasmo.

E o que a gente nota? Três tipos diferentes. O primeiro é um misto de João Batista com Jesus. O segundo, nem João Batista é ainda. Esse está na justiça pura. Só Deus é que sabe. E o terceiro já é capaz de fazer em nome do Cristo. Daí vamos ter em conta o seguinte, essas faixas dizem respeito ao que vigora nos corações das pessoas em todos os aspectos da vida. E na maioria das vezes João Batista somos nós hoje, porque não somos Jesus cem por cento. Nem de longe. E já começamos a pensar em outro nível quando ficamos na dúvida.

Enquanto o discípulo do evangelho é o irradiador da luz, Jesus é a luz do mundo. E para que esse discípulo irradie luz, ele tem que fazer o quê? Diminuir-se para que o Cristo apareça. "É necessário que ele cresça e que eu diminua." (João 3:30) Então, o que tem que crescer dentro da gente? O Cristo íntimo, a expressão crística dentro de nós. Tem que diminuir dentro de cada um de nós a inconformação para crescer o trabalho em conformidade aos preceitos do mestre que nos ensinou a expressão máxima do amor. O padrão íntimo comportamental vigorante em nossa vida tem que ter a sua manifestação reduzida para ceder lugar ao padrão novo que chega por meio da informação.

É preciso permitir que filosoficamente o componente da boa nova cresça e que os conceitos velhos que mantemos se reduzam. Na medida em que começamos a desativar a inconformação, nós temos que aprender a ter paciência e manter um sistema de conformação na aplicação dos novos valores.

E também não adianta a gente implementar isso e agir de modo entristecido ou complicado.

A gente tem que mudar, porém não quer dizer que tenhamos que ser duros na implementação da vontade. Esse, aliás, é um drama que muitas criaturas vivenciam. Tem muitas pessoas que entram num sistema reeducativo e adotam novos padrões, mas o fazem de uma forma muito rígida e dura até com elas mesmas. O indivíduo decide mudar e busca de todo jeito resolver em um ano o que levaria mais. E segue a vida sem rir, apenas dentro da postura fechada que ele mesmo adotou. E se ri é debaixo de uma tristeza íntima. Ninguém aguenta levar a vida toda assim, porque no fundo ele não usufrui da vida.

É preciso saber administrar essa mudança, usando a determinação, a paciência, o equilíbrio e a alegria, porque senão a nossa vida estiola. Percebeu? A gente muda, mas sem alegria de viver. E aí, de que adianta? Você entendeu o que eu estou querendo dizer? É por isso que João Batista se alimenta de mel.

O mel sugere doçura. O mel preceitua a paciência que a gente tem que ter também.

É preciso achar o ponto certo. Temos que investir? Sim! Mas usar a inteligência nessa sistemática. Usar o bom humor, a alegria, a fé, mudar fazendo crescer dentro de nós a simpatia no trato com as pessoas ao redor. Sem usar isso a gente pode até conquistar muitos valores externos, porém sem a manutenção do reconforto e da serenidade no íntimo. Portanto, lembre-se: você tem algo a realizar no dia de hoje, mas com expressões de revolta ou contrariedade tua atividade será negativa.

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