26 de abr de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 8

O ARREPENDIMENTO I

Pelo que temos aprendido, quando a pessoa chega ao arrependimento é porque normalmente ela já passou pelas causas e pelos trâmites do remorso. Ela está cheia de remorso. E só arrepende porque conseguiu sair do remorso.

Arrepender significa mais do que ter remorso. Cedo ou tarde surge a todo aquele que fez o que não devia ou andou por caminhos pouco aconselháveis. Essa proposta de arrepender-se faz parte do mecanismo de projeção da evolução para uma conscientização do ser e a espiritualidade acaba encaminhando os fatos para um redirecionamento seguro da caminhada. O indivíduo deu exemplos menos felizes, deixa o estado de remorso e entra no de arrependimento.

Em suma, o arrependimento define um estado além do remorso e aquém da obra de ressarcimento, resgate ou reparação. Representa o primeiro passo para a regeneração.

E arrepender é simplesmente fundamental. Sabe porquê? Porque o arrependimento vai criar um sistema de desvinculação. Ele chega mediante a confissão íntima da culpa e sem ele não existe reparação de forma consciente, muito menos a necessidade de mudança. O lance do arrependimento corresponde a uma proposta sem a qual vai ser muito difícil alguém ter êxito na nova disposição.

É por não buscarmos tantas vezes o arrependimento que o nosso caminho em muitos aspectos tem sido o caminho da dor. Negando o arrependimento a gente aciona a lei do retorno. Então, o recado que nós temos aprendido é que se não nos dispusermos a avocar o arrependimento para caminhar, ainda que com dores, tribulações e dificuldades, não avançamos e podemos entrar em complicações maiores.

O arrependimento implica em maior elasticidade dos componentes dentro da gente.

Cá para nós, ele é o processo inicial do crescimento. Mais do que remorso, o arrependimento aponta um sistema de crescimento consciente. Diante de um fracasso há sempre um recomeço e o arrepender nos indica uma dinâmica natural de crescimento.

Como energia que precede o esforço regenerador, implica em elasticidade, em visualização. Quem arrepende já está vencendo o remorso e pensando em como vai reparar dentro da lei. Logo, temos que saber abraçar o arrependimento que nos leva à reparação.

Sempre há a recuperação do pecador que se arrepende. E ninguém progride sem renovar-se. Sem que nos retifiquemos não corrigiremos o roteiro em que marchamos.

Quando começamos a idealizar a correção, a mudança de postura, tentando encontrar a humildade e sair da carência que nos dificulta, vamos notar que nos sentimos incapacitados a operar, um pouco resistentes ao trabalho, e permanecemos ainda selecionando padrões e presos a uma série de coisas. E isso é normal. É porque estamos tentando acertar, querendo encontrar aquela linha de crescimento, aquela trilha que realmente possa nos auxiliar de forma conveniente. E para isso é preciso ter essa presença do arrependimento. O arrepender-se é no sentido de preparar uma nova linha de ajustes. E não tem outra, para se abreviar o tormento que flagela a consciência de mil modos é fundamental realizar a renovação mental, aliás o único meio de recuperar a harmonia íntima.

Quando o arrependimento emerge sob as bases do remorso nós ficamos a um passo de começar a reparar a falta cometida. De fato ele traz uma vibração diferente dentro de si. Aquele que se arrepende se preocupa em como vai reparar aquilo dentro da lei, trabalha a preparação do caminho para o saneamento do erro.

O indivíduo passa a nutrir um processo de recomposição do destino relativamente ao que tem feito até agora. O arrependimento é uma sensibilização em que se observa que o que foi feito ou se está fazendo não é compatível com a nova linha de consciência. É este o seu significado. Pelo arrependimento, é como se a individualidade reconhecesse que ela se curva diante da lei de Deus e se projeta para a frente, e entra no campo da humildade. Através dele surge um conflito íntimo em que a pessoa percebe que não pode mais sequenciar aquilo. E se ela vinha descendo de erro em erro, para e deixa de se comprometer para iniciar o retorno pela mudança das próprias ações.

Agora tem um detalhe: a maioria das pessoas que se arrepende não avança. Quer dizer, faz aquele teatro de arrependido, entra na fossa, cai em depressão, daqui a pouco dá um jeito de sair dessa situação, aquilo passa e fica por isso mesmo.

Logo, essa coisa da criatura curtir arrependimento, mas continuar errando e dando pancada não quer dizer nada. Não significa nada. Não auxilia em nada. Afinal de contas, o que queremos com o arrependimento não é sair da fria em que entramos? 

No aspecto de projeção evolucional do ser o arrependimento envolve muita coisa. 

O bonito é quando nós entendemos a própria queda, a própria falha e esse entendimento se faz acompanhado de uma vontade de se lançar ao trabalho. A gente sente o arrependimento e busca implementar medidas saneadoras de reparação. No seu sentido fechado, puramente de quitação, arrepender equivale a primeira milha que você oferece ou vestido que você entrega no pagamento do seu débito.

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