28 de mai de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 13 (Final)

O BATISMO DE JESUS

“E EU, EM VERDADE, VOS BATIZO COM ÁGUA, PARA O ARREPENDIMENTO; MAS AQUELE QUE VEM APÓS MIM É MAIS PODEROSO DO QUE EU; CUJAS ALPARCAS NÃO SOU DIGNO DE LEVAR; ELE VOS BATIZARÁ COM O ESPÍRITO SANTO, E COM FOGO.” MATEUS 3:11

“E OS QUE OUVIRAM FORAM BATIZADOS EM NOME DO SENHOR JESUS.” ATOS 19:5

“VIM LANÇAR FOGO NA TERRA; E QUE MAIS QUERO, SE JÁ ESTÁ ACESO?” LUCAS 12:49

"E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus." (Atos 19:5) A questão do tempo agora não é só reencarnar, reencarnar e continuar sendo o mesmo de sempre. Isso acabou. Já era. Ficou para trás. Reencarnações foram trabalhadas até o ponto finalístico da mensagem de justiça trazida por João Batista. 

As reencarnações possibilitam conhecimento, mas daí a usar o conhecimento e mudar é outro assunto. Modificar é com o Cristo, pelo batismo da realidade intrínseca, pela proposta em novas bases. Batismo significa purificação e dentro disso nós vamos nos purificando mediante as expressões de vida. O ensino de Jesus não se dá só com palavras, mas com a irradiação de sua personalidade superior e os exemplos que vivenciou. E a renovação da alma pertence àqueles que ouvem os seus ensinamentos, que aprendem e, acima de tudo, sabem praticar.

Se a gente analisar bem, a nossa evolução preceitua dois batismos. Isso mesmo, dois. 

O primeiro é a nossa eleição para Jesus e a sua mensagem. É o batismo do entendimento da realidade, do toque íntimo, do despertamento para uma nova proposta. Tem um sentido mental, de acolhimento, um sentido interior de percepção.

Cada um de nós passa por ele, por esse batismo inicial de adesão ao plano de relação com as faixas superiores da vida no campo reeducacional. Este é o primeiro batismo. Nós entramos em ressonância com a grandeza divina, com o amor na sua expressão fertilizante. É o despertamento, o ponto de crer, a linha mental de receber Jesus. É o primeiro lance, o primeiro batismo. A pessoa visualiza e se entrega. A criatura sintoniza com Jesus. É o lance básico inicial instaurado.

E nós todos já fomos visitados por esse batismo da escolha de novos componentes filosóficos. Ou você tem dúvida? Nós já trazemos isso de longa data. Jesus é a salvação e nos candidatamos ao longo dos séculos a estar com ele. Vigora dentro de nós um volume grande de informações e a gente traz aquilo que todo mundo está cansado de saber. Todo mundo sabe que tem que perdoar, que tem que trabalhar, que tem que fazer caridade. Todos estão cansados de saber o que tem que fazer dentro de casa, com as suas dificuldades reinantes. Não é novidade para ninguém, ou será que não sabemos?

O segundo batismo vai muito além disso. Não se trata apenas da adesão a uma norma. Não é apenas chegar e dizer "declaro que vou seguir essa regra, esses preceitos", e ponto final. Não. De forma alguma. O primeiro batismo é nossa eleição para Jesus e sua mensagem, mas não basta só conhecer os ensinamentos, é preciso praticá-los.

O segundo batismo vem pela prática do valor assimilado. Porque é muito fácil aplaudir uma coisa quando nós entendemos e gostamos, o difícil é incorporar aquilo dentro do plano complexo de vivência. Concorda? A vivência é complexa. Não é só viver uma vez o fato e achar que resolveu, que está bom. E para chegar nesse ponto que nós estamos comentando é um outro batismo, é o batismo do fogo e do espírito santo. É o batismo da vivência. Este é que é o desafio maior, pois nós nos mantemos no primeiro batismo faz muitos séculos e não saímos dele.

A dureza maior, a dificuldade na caminhada, não é em função da nossa capacidade perceptiva. Às vezes, somos banhados nesse primeiro batismo de adesão ao Cristo com sofrimentos amplos e passamos até por testemunhos difíceis, mas chegamos nele. Passamos por essa etapa e a revelação nos abre o entendimento no campo da filosofia. Deus é bom e descobrimos o caminho. Ufa! E vivemos momentos de abertura no campo da informação. No entanto, descobrir o caminho não é tudo, afinal a descoberta do caminho vai ser sublimada pela capacidade de palmilhar o caminho. Ver a porta é uma coisa, entrar na porta é outra.

Acompanhou aonde eu quero chegar? A segunda revelação ou o segundo batismo é a linha aplicativa, operacional, e é aí que está toda a dureza nossa. Depois que descobrimos o caminho, que descobrimos que temos que fazer, que temos que operar, que temos que cooperar utilizando o conhecimento que a gente sabe, entra um outro batismo e é aí, às vezes, que nós caímos. E caímos feio.

Quantos professores tem titubeado em cima da profissão deles? Quantos indivíduos vem para saldar compromissos pretéritos e chega aqui, em vez de sanear, complica ainda mais o destino? Pense nisso. 

O problema é a capacidade de implementar na faixa operacional o valor percebido intelectivamente. O desafio é o ajuste à revelação. Não são todos que estão com Jesus no sentido de operar como ele ensina. Pode não parecer, mas a cristianização das almas ainda não saiu do primeiro lance, não foi além da primeira etapa.

João Batista visava a assepsia, a higienização dos planos mentais. Enquanto o seu batismo simbolizava a reencarnação, pela água e arrependimento, o anunciado por Jesus é o da reparação, das mudanças pessoais, da renovação, pois sabemos que apenas a reencarnação não basta. Reencarnar é entrar na escola, e entrando na escola faz-se necessário o aproveitamento dentro da experiência. 

Assim, o batismo de Jesus é o batismo do fogo e do espírito santo. O batismo do espírito santo se faz com a influência do céu. Representa aquele conjunto informativo de valores trazidos pelos mensageiros da verdade, as entidades superiores, que se estendem para nós como um dispositivo da misericórdia divina.

O batismo de fogo tem dois aspectos. Tem a finalidade de auxiliar a depuração do espírito através das reencarnações reparadoras, auxiliando-lhe no reajustamento da marcha. Determinado pela lei de causa e efeito, está representado nas provas e expiações a que estamos sujeito no processo natural de evolução. Sintetiza os instrumentos reparadores e de depuração, é o símbolo da dor que purifica os costumes, que abate o orgulho e apura os sentimentos. O fogo traz a renovação e sugere o trâmite nosso através de muitos e muitos ambientes por longos séculos, e nos convida a enfrentar a luta para o alcance de novas posições.

E se uma faceta desse fogo representa as expressões de justiça, ele também, por outro lado, consubstancia a chama do amor. E é fácil deduzir isto. O fogo é o batismo de Jesus, não é? E se é o batismo de Jesus, esse fogo naturalmente não é apenas justiça, mas tem também uma expressão ampla de amor. Concorda? E qual é o papel desse fogo que é o batismo de Jesus, no que se refere à santificação do espírito? A sua finalidade é projetar a evolução do ser reduzindo o grau de sofrimento na mudança.

O fogo também tem um sentido de luz, papel iluminativo, é um fator gerador de claridade. 

Esse fogo é o fogo da renovação pessoal. Além da reparação dos males praticados, define a correção da conduta, o testemunho dos novos propósitos, sugere a luta íntima para renovar-se. É o investimento íntimo de mudança.

Esse fogo vem ao nível de ondas mentais convocando os espíritos a novos patamares na evolução. No plano prático, no plano intrínseco de mudança, utiliza-se esse fogo para forjar novos padrões. Jesus disse que ele veio trazer fogo à terra. Logo, pense no seguinte: quando você recebe um conhecimento novo instala-se dentro de você o quê? Uma espécie de fogueira ardendo, uma espécie de conflito entre a soma dos seus caracteres que foram estruturados ao longo dos milênios, e que define sua conquista e que você não quer abrir mão deles, e o valor novo que a sua consciência passa a indicar e que você tem que adotar e fazer para ascender.

Deu uma ideia? No momento em que você aprende algo novo em uma página, em uma conversa ou em um livro, você coloca na sua cabeça um componente que tem que ser realizado, que tem que ser perseguido, que tem que ser vivido de maneira continuada no campo prático para poder se sedimentar. E esse é o batismo do fogo. 

Agora, se você não se predispuser a fazer, se não quiser investir, se não quiser se esforçar para mudar, se achar que não precisa, você não entendeu o batismo do fogo. Aí você continua elegendo o batismo da água, que é reencarnar muitas vezes para alcançar.

É preciso ter tranquilidade e partir para a linha re-educacional. Quanto ao tempo de mudança da transformação, vai depender de cada um. Pode acontecer até de forma rápida dependendo do grau de investimento, ou seja, a mudança pode ser muito rápida quando a pessoa se dedica a alcançar, usando o entusiasmo e a vontade.

E vamos entender o fogo como sendo o plano assimilativo da individualidade, trabalhando dentro da linha de consciência os padrões que lá existem e que, por sua vez, necessitam ser refundidos, que precisam ser alterados. O fogo define aspectos da linha vivencial do indivíduo. Está acompanhando? Por que fogo? Por que não outro componente? Porque o fogo tem o poder de mudar o estado das coisas.

O fogo é o elemento que forja, que sedimenta, que tem a capacidade de solidificar por meio do sacrifício e dos testemunhos. 

Simboliza a renovação. Vinculado ao plano interior, refunde os pontos interiores a nível das nossas criações. Ele nos oferece o trabalho de mudanças interiores no campo re-educacional, trabalha o plano íntimo do ser no campo direcional dos estímulos, opera de modo sutil a linha de conceituações e concepções do indivíduo. Calcina os componentes negativos, desde que saibamos aproveitar a sua presença, claro.

O fogo, lançado na terra do coração, ao mesmo tempo em que desativa os reflexos antigos, prepara o terreno para a emersão de novos valores, implementa o terreno para o crescimento de uma nova mentalidade. Ele não tem essa função? É o que estamos sendo convocados agora. Jesus, conforme o evangelho de Lucas, disse que veio lançar fogo na terra e que ele nada mais queria, uma vez que já estava aceso. Deu uma ideia? Esse fogo já foi aceso por muitos de nós lá atrás e olha que faz tempo, quando aceitamos Jesus. O desafio agora é outro, é acender na capacidade operacional, por parte daquele que elegeu o ideal em termos de sintonia, todavia não elegeu o ideal a nível concreto de ação.

Valendo lembrar que esse fogo não pode ser usado de qualquer jeito. A gente sabe, o fogo entregue a si mesmo, sem objetivo definido, sem controle, sem aplicação inteligente, não ajuda. Pelo contrário, vira um incêndio que consome e destrói.

21 de mai de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 12

O BATISMO DE JOÃO BATISTA

E ERAM POR ELE BATIZADOS NO RIO JORDÃO, CONFESSANDO OS SEUS PECADOS.” MATEUS 3:6

“E EU, EM VERDADE, VOS BATIZO COM ÁGUA, PARA O ARREPENDIMENTO; MAS AQUELE QUE VEM APÓS MIM É MAIS PODEROSO DO QUE EU; CUJAS ALPARCAS NÃO SOU DIGNO DE LEVAR; ELE VOS BATIZARÁ COM O ESPÍRITO SANTO, E COM FOGO.” MATEUS 3:11

A palavra batismo vem do grego e significa imersão, mergulho. E o costume de batizar não tem a sua origem no cristianismo, várias seitas da antiguidade realizavam banhos purificadores, aspersões (aplicação de gotas) e imersões em seus crentes, preparando-os para o culto às suas divindades.

O que aconteceu naquela época foi que João Batista deu início à prática do batismo entre os judeus de modo popular. E o sacerdócio moderno com isso criou cerimoniais e sacramentos, de modo que hoje existe batismo de recém nascido em uma igreja e batismo de pessoas adultas em outra. Mas é preciso analisar o assunto com tranquilidade, usando o auxílio da lógica. O evangelho, nas suas luzes ocultas, lança uma claridade bastante interessante sobre essa questão.

Determinada igreja, com a instauração do batismo lá atrás, visava apagar o pecado original que atingia toda humanidade por causa de Adão e Eva. Esse sacramento foi instaurado como um sinal sagrado simbolizando a salvação oferecida por Jesus, em que a imersão com água definia o renascer espiritual e a purificação de toda a culpa e pecado. Mas que no fundo não deixa de ser uma coisa estranha. Afinal, no ensino dessa mesma igreja cada pessoa que nasce não é uma nova alma recém criada por Deus? Então, como o pecado teria passado de pai para filho? De que jeito? Além do que, que justiça divina é essa que faz uma alma pagar pelo erro de outra que ela nem sequer conheceu? Ou a faz responder por um erro que ela sequer ajudou a cometer? Não é estranho? Mas deixa pra lá, isso é outro assunto, que provavelmente iremos abordar mais à frente.

O que eu gostaria de deixar claro é o respeito que tenho e que todos devemos ter por todas as religiões, sem exceção. Todavia, venhamos e convenhamos, determinadas cerimônias materiais nesse sentido eram compreensíveis nas épocas recuadas em que foram empregadas, não hoje. É uma questão de raciocínio. Pense comigo, como se inicia a linha educacional normal que todos conhecemos? Na instrução infantil as crianças precisam do auxílio de figuras e a gente não pede uma criança para rezar para o criador e estruturador do universo. Tem que ser papai do céu mesmo. Daí, o que quero dizer? Que esse procedimento do batismo, de acentuado sabor religioso, é totalmente dispensável nos dias atuais. O batismo na água não simboliza a mudança de postura? E a renovação espiritual não se verifica tão somente com o fato de se aplicar mais água ou menos água nessa ou naquela idade física do candidato a mudar. Percebeu? O que equivale a dizer que podemos perfeitamente mudar sem ele.

Porque a água é tão importante nesse processo? A água é o componente de concretude. Não é isso? A vida começa na água. A vida biológica se manifestou aqui no planeta pela água. Os primeiros movimentos da área orgânica, seja a nível de célula, de bactérias, de vírus, surgiram à partir da água. Tudo se iniciou pela presença desse componente chamado água. Então, a água dá a condição de formação. No plano concreto, no plano denso, físico, a água é o componente essencial e gerador da vida. Tem sentido germinativo e sem ela não haveria aqui manifestação biológica. Em seu sentido espiritual, em seu aspecto essencial, ela também representa o berço onde vai ser gestada toda nova proposta.

Vamos entender uma coisa importantíssima. Como é que se inicia uma reencarnação? Qualquer uma, sem exceção. Toda reencarnação se principia da mesma forma. Sabe como? Com o espírito fazendo um mergulho no líquido amniótico ou intra-uterino da mãe. É sempre assim. Reencarnação é a imersão do ser nas faixas físicas onde a água é o elemento preponderante. É um mergulho na água (o líquido amniótico é à base de água), para que esse espírito possa sequenciar a sua evolução em um equipamento corporal (corpo físico) que apresenta em sua estrutura um percentual de aproximadamente 65% à base de água, e venha a operar em um planeta em que vigora o maior percentual de água também. Percebeu? Tem água de tudo quanto é jeito e pra tudo quanto é lado.

O mergulho da água tem o sentido de limpeza. Não tem? A reencarnação faz o papel de lavagem, o espírito parte para a reencarnação com o propósito maior de purificar-se.

A própria colocação que sugere a reencarnação, que é a imersão na água, essa água tem o poder de garantir o plano fertilizador de novos padrões a nível de ação, como tem o papel higienizador, ou seja, de limpeza, de burilamento desses padrões para que o espírito esteja sempre em condições de refletir a luz superior.

E o espírito parte para a reencarnação com o propósito de sanear, de desonerar-se do pretérito e ascender às escalas maiores da evolução. De modo que é indispensável lavar o vaso do coração para receber a "água viva", abandonando os envoltórios inferiores a fim revestir-se da luz. 

O batismo de água era uma prática simbólica. Um testemunho público de arrependimento seguido do propósito de corrigir-se, de lavar os pecados. Testemunho de arrependimento, pois não adiantava o batismo em quem não estivesse realmente arrependido.

A água não lava o corpo? Por uma linha de simbologia entende-se lavar também o espírito de seus erros. Deu uma ideia? O batismo de João, é como se ele fizesse uma assepsia. Assepsia não no sentido de limpar, mas de trabalhar o campo mental do indivíduo para ele poder entrar em um terreno novo. Tirar a sujidade, liquidar miasmas. João buscava expressar o papel renovador da reencarnação. Enquanto o seu batismo àquela época simbolizava reencarnação, nascer da água, o batismo de Jesus representa a renovação, o nascer do espírito.

O batismo de água tinha como significado espiritual duas coisas: a necessidade de arrependimento e, ao mesmo tempo, o desejo de renovação. João Batista apontava Jesus e objetivava simplificar o mecanismo reencarnatório. É como se ele dissesse mais ou menos assim: Olha, ao invés de você desencarnar, ir para o plano espiritual e lá se arrepender dos erros que fez, depois mergulhar no líquido amniótico, na placenta, que é à base de água, e nascer de novo no plano físico, porque você não faz o seguinte? Em vez de esperar morrer para depois se arrepender e, em seguida, voltar a mergulhar no líquido intra-uterino para modificar-se, porque você não se arrepende aqui, mergulha nessa água agora e reinicia já um processo de crescimento em novas bases? Percebeu? Ele propunha uma verdadeira reencarnação dentro da própria encarnação. Ele estava fazendo um alerta e um convite.

Com isso, estava fazendo um chamado para a transformação moral estando a criatura em pleno desenvolvimento da sua vida no plano físico. Um chamado para ninguém esperar a morte para arrepender-se e retornar à reencarnação. Não é bonito isso? Mensagem semelhante a de Jesus que diria depois: "reconcilia-te com teu adversário enquanto caminhas com ele". João estava fazendo isso para que a multidão naquela época entendesse a tarefa de Jesus que estava por vir.

Quer dizer, à partir dali não iria ter mais toda aquela água, ou seja, a evolução iria deixar de ser tanto pela reencarnação, no campo sistemático, para ser levada mais a efeito a nível de aproveitamento, de renovação, pelo nascer do espírito. Chamado que continua moderno nos dias atuais. Um chamado para aproveitarmos a oportunidade reencarnatória quando, então, passamos a usar a encarnação em um processo de crescimento natural.

Deu uma ideia? Você está em dúvida quanto à sua forma de ser e de agir? Seja coerente. Passe a mudar agora. A mudança e a melhoria sempre está em nossas mãos.

15 de mai de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 11

FRUTOS DIGNOS II

Uma grande quantidade de criaturas está amarrada em tribulações decorrentes dos resultados da lei, ou seja, se vê colhendo em função do que semeou no passado.

E o tempo passa. Em seu ritmo inalterável ele segue, imperturbável.

Nós temos que abrir o coração para o cumprimento daqueles valores que foram semeados nos terrenos do tempo, não temos? E paralelamente a isto, fazermos o quê? Ter a inteligência e o discernimento imprescindíveis para trabalharmos as áreas ainda virgens e não operacionalizadas que a vida, a cada momento, está trazendo para nós. Daí, vamos pensar, o que sai da gente significa o quê? Semente!

E semente tem que ser selecionada para que a gente possa colhê-las quando? À frente. A nível de frutos que vamos produzir. Enquanto uns estão colhendo, outra parcela de pessoas, em meio às agressões recebidas do passado, está fazendo o quê? Está operando de forma ampla nos espaços vazios da experiência de hoje. Percebeu? Está lançando sementes com vistas a um futuro mais feliz.

Afinal, é na capacidade de utilização desses espaços que nos são dados que nós operamos conforme aquilo que Simão Pedro define que "o amor cobre a multidão de pecados". Então, vamos ter em conta essa linha perceptiva, vamos entender. Em meio às produções menos felizes do nosso carma hoje vamos buscar jogar sementes em lugares que não estão semeados, desarmando o coração e operando conforme o que os valores e as conceituações novas nos orientam.

O que a gente tem que fazer? Semear! O evangelho não diz que devemos procurar frutos ou que vamos achar frutos. Nada disso. Ele manda a gente produzir frutos.

Entendeu? E produzir frutos é muito diferente de encontrar frutos prontos. Uma coisa é produzir, outra coisa é encontrar pronto.

E como se produz frutos? Começando pelo processo de semeadura, pela linha de escolha e aprofundamento. Para nós que buscamos um futuro melhor, que queremos avançar de forma decidida, já passou a fase da experimentação fútil, da apropriação informativa desordenada, de raciocínios limitados ao campo periférico.

Nós temos que semear. Isto é fato, mas não da forma como semeávamos. Se assim fizermos iremos continuar colhendo frutos de igual natureza. O desafio hoje é uma semeadura diferente da semeadura de antes. Uma semeadura positiva, digna de produzir bons frutos. Compreendeu? A chave para a colheita satisfatória, para um fruto melhor, está na dignidade, porque semear todo mundo semeia.

Fruto digno de arrependimento é o lance conclusivo que a sistemática de crescimento sugere, é a aplicação resultante da adoção feita de um novo método de vida.

A questão é óbvia: gerando novas causas com o bem praticado hoje nós podemos interferir nas causas do mal realizado ontem, neutralizando-as e reconquistando o equilíbrio. Frutos dignos é seguir nos caminhos daquele que é luz.

Todo ensinamento do evangelho que a gente labora o fazemos em termos de semente. Certo? O fruto vem depois, a seu tempo. É frustrante criar expectativa em cima de resultados. Nós temos que cuidar da semente, nossa preocupação, ou melhor dizendo, nossa ocupação, deve ser com o trabalho, não com o resultado. O resultado, o próprio nome já diz, é resultado, não depende de nós, pertence a Deus. O que nos importa são as realizações positivas efetuadas com vistas ao futuro, trabalhar da melhor maneira sem aquela de querer solucionar, favorecer o encaminhamento da solução. Porque em muitas situações a solução não é com a gente.

Lembrando que entre as sementes lançadas vão ter algumas que germinarão em curto prazo, outras em um prazo médio, outras em um tempo mais distante e algumas em encarnações futuras. Porque no mecanismo de plantar e colher existem sementes de produção rápida, de produção média, de produção longa e sementes de produção milenar. Basta reparar em nossa vida cotidiana, há sementes que demoram anos para alcançar uma posição adequada, ao passo que eu posso plantar uma muda de alface e em poucas semanas estar comendo alface.

E não vamos esquecer que para colhermos situações melhores temos que lançar novos padrões de semeadura. É por isso que João Batista continua pregando no deserto de nossa intimidade. Seguir a proposta nova que surge e viver o evangelho não é fácil. Se engana quem acha que é fácil. Mas nós vamos conseguir.

10 de mai de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 10

FRUTOS DIGNOS I

“E ESTE JOÃO TINHA AS SUAS VESTES DE PELOS DE CAMELO, E UM CINTO DE COURO EM TORNO DE SEUS LOMBOS; E ALIMENTAVA-SE DE GAFANHOTOS E DE MEL SILVESTRE.” MATEUS 3:4

“PRODUZI, POIS, FRUTOS DIGNOS DE ARREPENDIMENTO;” MATEUS 3:8

João Batista é claro quando diz: "Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento." (Mateus 3:8) O que é o fruto? Você já pensou nisto? Vamos lá, então, vamos analisar o assunto.

O fruto é o resultado, certo? É a realidade da nossa vida hoje. E pela lei de causa e efeito, as falhas do passado sempre alcançam o espírito responsável pela ação pedindo-lhe reajuste, seja no corpo físico, na família, na sociedade, no campo profissional.

Acompanhou a lógica da questão? Indica que, salvo poucas exceções, nós aportamos nos núcleos espirituais para tentar resolver o problema dos frutos, resolver os problemas que nos incomodam. Não é assim? É isso aí, os frutos levam a gente em busca do evangelho. Muitas criaturas se direcionam para as religiões para resolverem os problemas dos frutos. Não são poucas as que se direcionam para as igrejas, para os templos mais diversos, para os grupos espíritas, para resolverem o problema dos frutos. São muitos, e pode por muitos nisso.

Um veio por causa de um problema em casa, de alguma dificuldade na família, outro chegou em razão de uma doença que o afetou, outro em decorrência de algum problema conjugal, instabilidade na área afetiva, ou por dificuldade financeira, no setor profissional, e por aí vai. E isso está errado? Não. De forma alguma.

O fruto traz a gente ao evangelho.

Mas a questão é o que o evangelho nos oferece para os casos em que produção está ácida, que os resultados estão difíceis? Como é que a gente vai mudar o fruto? Tem jeito? É possível? Dá para pegar um pé de laranja que produz laranjas ácidas e fazer esse pé passar a dar laranjas doces? Não dá! Percebeu? Não tem como simplesmente enxertar laranjas doces em um pé de laranjas ácidas.

Não há como mudar o fruto, o que equivale a dizer que é impossível extirpar no campo cármico.

Se João Batista lembra a condição de precursor, no campo íntimo o processo se repete: o erro, o remorso, o arrependimento e as providências retificadoras, até a instauração do Cristo na consciência redimida. Temos que trabalhar o arrependimento nas linhas da renovação. Ficou claro? Não basta manter um arrependimento em circuito fechado, que cheira a remorso e, sim, que induz ao trabalho regenerador.

E só tem uma única forma de sair do arrependimento que incomoda. Sabe qual é? Apresentando frutos!

Auxiliando os que prejudicamos ontem. Agora, se as vítimas já se encontram em posição melhor do que a nossa é hora de socorrermos outros, não diretamente vinculados a nós, mas incursos em necessidades análogas a serem supridas.

O que o evangelho oferece para os casos em que a produção está ácida? Que o fruto está amargo e difícil? Porque isto é um fato, incontáveis companheiros em todas as frentes da evolução se acham envolvidos hoje com as melhores propostas de crescimento, todavia tendo que digerir certos frutos que lhe são servidos como alimento para as suas almas em meio a dificuldades acerbas em que vivem.

O evangelho fornece material terapêutico de alívio, material informativo de administração da dificuldade.

O segredo é saber administrar a dificuldade existente e evitar originar novos problemas. Tentar evitar ângulos geradores de padrões complexos que possam nos fazer sofrer a curto, médio ou longo prazo. Percebeu? Em suma, o evangelho nos ensina a administrar a colheita da sementeira de ontem e, paralelamente a isto, semearmos hoje em novo plano na busca de dias melhores.

Se o fruto está ruim, a gente tem que produzir outros frutos, certo? Outros frutos de outra natureza.

Aliás, se somos semeadores estamos sempre semeando. O evangelho nos sugere trabalhar com a semente, não com o fruto. Nós precisamos trabalhar em cima da semente, porque o fruto é a realidade nossa hoje. Produzir frutos dignos é trabalho com a semente. Nós ficamos querendo o fruto, quando na verdade nós temos que trabalhar com a semente, para que ela produza.

Se o fruto é a realidade nossa hoje, temos que trabalhar em cima da semente, não do fruto.

E o que é a semente? É um grãozinho, uma partícula, um componente que nós depositamos esperança nele. A semente consiste na vida mental que nós elegemos. É a elaboração de novos componentes germinativos, saber selecionar a proposta, aprender a cultivar e ser coerente e perseverante na proposta. Isso é o que está ocorrendo conosco em uma atividade de estudo como esta. Vamos ter em conta esses ângulos. O que estamos fazendo ao estudar o evangelho? Não estamos apenas analisando caracteres, mais do que isso, estamos preparando um corpo interior, estamos preparando um piso, estamos buscando sedimentar a nossa área íntima para as conquistas eficientes.

A mensagem de João Batista é um convite para implantarmos um sistema novo de vida, e é por isso que ele traz um cinto nos rins. O cinto, a gente sabe, define componente de sustentação, de segurança, e rins referem-se à capacidade seletiva.

O rim faz papel de filtragem, de seleção de valores novos para um porvir melhor.

Quando Jesus fala que o semeador saiu a semear nós precisamos entender que se trata inicialmente de sair sem sair do lugar, quer dizer, a primeira semeadura é na própria intimidade. E como o fruto está diretamente relacionado com a qualidade da semente, se queremos melhorar a colheita temos que melhorar a semeadura, e para isso é fundamental redimensionarmos o que está dentro de nós. Captando novos valores e fazendo um trabalho de filtragem e seleção dos novos padrões que chegam para que possam dar margem à formação de outros reflexos dentro de nós mais equilibrados.

Valendo frisar que essa mudança não pode ser feita com a cara fechada, com o semblante amarrado, mas com doçura, razão pela qual não podemos esquecer de utilizar o mel.

Se nós não fizermos um processo de elaboração, se não alimentarmos um sistema de planificar nosso campo íntimo, de traçar estratégias, organizar o campo mental para a nossa linha de caminhada, nós continuamos seguindo de que maneira? Aleatória, vaga, sem qualquer eficiência. Nós temos batido constantemente que todo o sistema de elevação está baseado na elaboração do campo mental. Somos chamados hoje a um processo de elaboração da vida mental.

Temos que ter essa capacidade de eleger a nossa linha de vida. Trabalhar com antenas, vinte e quatro horas por dia, procurando, captando, selecionando, mas sem fanatismo, sem desajuste. É preciso saber o que cada um de nós vai sintonizar, o que cada um de nós quer efetivamente, o que a gente realmente pretende.

É imperioso ajustarmo-nos ao mecanismo da vida sabendo selecionar hoje para evitar uma escolha infeliz que redunde num efeito indesejável amanhã. E esse processo de seleção são as leituras, os estudos como este que estamos fazendo, em que estamos refletindo acerca de nossas necessidades e melhores propostas.

6 de mai de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 9

O ARREPENDIMENTO II

O arrependimento sugere mudança de atitude, de procedimento. Existe uma proposta embutida dentro dele de uma posição nova no contexto. É o mesmo que voltar atrás em relação a um compromisso assumido. Representa a modificação na intimidade para uma nova base de ação.

O remorso não acrescenta nada, como vimos, o arrependimento é que faz a diferença. Este é movimento dinâmico, tem dinâmica dentro dele porque nos move para a ação. A gente já começa a apresentar determinadas posturas que justificam produzir frutos dignos de arrependimento. A pergunta fundamental é: você arrependeu? Se sim, tem que nutrir um processo de recomposição do destino relativamente ao que tem feito até agora.

Percebeu? O arrependimento vai trabalhando o campo mental e chegamos no ponto que indica caminho para a reparação, para a implantação de medidas saneadoras da reparação.

Outra coisa fundamental de ser entendida é que o arrepender tem sentido didático. Arrepender não quer dizer que nós estamos cheios de erros, que estamos castigando os outros, que estamos magoando e perseguindo os outros. Está entendendo? Ele não funciona apenas para reparar a nossa tendência inferior. Trabalhar com o arrependimento é trabalhar com o contexto generalizado, significa a identificação de valores que precisamos desvincular deles porque não nos atendem mais, e cuja saída proporciona saneamento ao coração. O sentido de arrepender quer mostrar que o novo fator de vida que se abre é bem mais importante que o antigo que nós até então cultivamos. E passamos a notar que determinadas coisas que atendem milhões de pessoas não nos atendem mais.

A nossa inatividade no campo operacional do bem também pode gerar um processo de arrependimento. 

Isso mesmo, o plano de não ação positiva no bem pode levar ao arrependimento. Um dos pontos muito presentes em nossa vida, em decorrência do conhecimento que temos recebido, é aquela preocupação que surge quando não sabemos aproveitar adequadamente a oportunidade. Isto não acontece com você? Porque é muito comum de acontecer. Todos nós já vivemos situações assim. De maneira sutil dá-se um peso de consciência por não termos operado naquilo que podíamos. Muito do nosso erro agora está emergindo não por invigilância em praticar o mal, mas por uma indiferença em realizar o bem.

É por essa razão que alguém sofre porque fez algo a outrem e outro sofre porque deixou de fazer. Não tem isso? Em muitas situações pessoas chegam até a ficar intranquilas ("Não se eu estou aproveitando bem") e a refletirem no íntimo ("eu tenho que fazer alguma coisa"). Quer dizer, elas estão trabalhando a própria intimidade para novos lances, novas posturas.

O remorso gera o arrependimento e arrependermo-nos de qualquer gesto maligno é sempre um dever. Certo? Até aí a gente sabe. O grande detalhe é que o arrependimento por si só não basta. É só analisar, arrepender é uma forma de sentir, não é? E não podemos ficar apenas no sentimento. O que o evangelho nos ensina? Que a cada um será dado conforme suas obras, e não conforme o grau de arrependimento, os livros que leu, as ideias e os projetos que teve, as emoções que nutriu.

Então, prantear o arrependimento indefinidamente é roubar tempo ao serviço de retificação, e o desespero e a revolta também não amenizam as dívidas contraídas.

Devedor algum consegue solucionar os compromissos que contraiu quando usou a própria vontade lançando a esmo gritos e impropérios. É preciso usar o arrependimento para beneficiar-se começando a reparação das faltas cometidas, afinal expiar em trevas íntimas não é o suficiente para a recomposição da paz perdida.

O assunto é complexo e a culpa somente desaparece quando se liberta aqueles que lhe sofreram o mal.

Arrependimento é uma forma de sentir e ele por si só não basta. Não basta o sentimento, mas as obras. Para o espírito culpado se reabilitar não basta o arrependimento. O arrependimento é só o primeiro passo, é necessária a reparação.

Arrepender corresponde a um sistema de recomposição do destino relativamente ao que temos feito até agora. Logo, se somos prisioneiros da culpa somos também operários da nossa libertação. Vale ressaltar: recebemos conforme as nossas obras. E por recebermos segundo a nossa obra é fácil concluir que se pela obra menos feliz nós complicamos a nossa harmonia íntima, para recompormos nossa estrutura faz-se necessária uma obra positiva, equilibrada, de forma a nos projetarmos para uma direção diferente de crescimento no campo consciente.

Após o conhecimento bater à porta é reorganizar-se interiormente e reprogramar a vida. 

A vida exige que o dano praticado seja devidamente ressarcido. Ficou claro? Ela não pede, ela exige, a bem do próprio devedor!

Daí, não vamos ter dúvida alguma, após o arrependimento é necessário encaminhar a reparação, é indispensável uma ação que regulariza o erro e ajuda aos prejudicados. Porque dívida reconhecida é dívida que deve ser paga, e é imprescindível trabalhar o arrependimento nas linhas da reparação. E reparação é redirecionamento do próprio destino em nova base. Pense bem, nós só estamos reparando porque houve em nós um acolhimento do processo de arrependimento e é indispensável romper com as alianças da queda e assinar o pacto íntimo da redenção.

Não é possível trair o tempo nas reparações necessárias. 

É questão de lógica: se o estacionamento não resolve problema o espírito paralisado no arrependimento não consegue avançar enquanto não quitar seus débitos com a própria consciência.

Estabelecido o nódulo de forças mentais desequilibradas, é imperioso que acontecimentos reparadores nos contraponham ao modo enfermiço de ser para nos sentirmos desonerados desse ou daquele fardo íntimo ou redimidos perante a lei. Temos que acionar o arrependimento a fim de repararmos os erros cometidos, retificando-os em caracteres vivos, levando adiante o propósito de regeneração.

Não há o ditado que diz que "o que aqui se faz aqui se paga"? As notas promissórias que contraímos aqui, no plano físico, pagamos aqui mesmo, e ninguém foge disso. Sem essa desoneração não se encontra caminho de livre acesso para novas conquistas. Logo, feliz daquele que cai no arrependimento e reconhece que deve, e mais, que se empenha em liquidar a fatura em um esforço para melhorar sua vida.

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