10 de mai de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 10

FRUTOS DIGNOS I

“E ESTE JOÃO TINHA AS SUAS VESTES DE PELOS DE CAMELO, E UM CINTO DE COURO EM TORNO DE SEUS LOMBOS; E ALIMENTAVA-SE DE GAFANHOTOS E DE MEL SILVESTRE.” MATEUS 3:4

“PRODUZI, POIS, FRUTOS DIGNOS DE ARREPENDIMENTO;” MATEUS 3:8

João Batista é claro quando diz: "Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento." (Mateus 3:8) O que é o fruto? Você já pensou nisto? Vamos lá, então, vamos analisar o assunto.

O fruto é o resultado, certo? É a realidade da nossa vida hoje. E pela lei de causa e efeito, as falhas do passado sempre alcançam o espírito responsável pela ação pedindo-lhe reajuste, seja no corpo físico, na família, na sociedade, no campo profissional.

Acompanhou a lógica da questão? Indica que, salvo poucas exceções, nós aportamos nos núcleos espirituais para tentar resolver o problema dos frutos, resolver os problemas que nos incomodam. Não é assim? É isso aí, os frutos levam a gente em busca do evangelho. Muitas criaturas se direcionam para as religiões para resolverem os problemas dos frutos. Não são poucas as que se direcionam para as igrejas, para os templos mais diversos, para os grupos espíritas, para resolverem o problema dos frutos. São muitos, e pode por muitos nisso.

Um veio por causa de um problema em casa, de alguma dificuldade na família, outro chegou em razão de uma doença que o afetou, outro em decorrência de algum problema conjugal, instabilidade na área afetiva, ou por dificuldade financeira, no setor profissional, e por aí vai. E isso está errado? Não. De forma alguma.

O fruto traz a gente ao evangelho.

Mas a questão é o que o evangelho nos oferece para os casos em que produção está ácida, que os resultados estão difíceis? Como é que a gente vai mudar o fruto? Tem jeito? É possível? Dá para pegar um pé de laranja que produz laranjas ácidas e fazer esse pé passar a dar laranjas doces? Não dá! Percebeu? Não tem como simplesmente enxertar laranjas doces em um pé de laranjas ácidas.

Não há como mudar o fruto, o que equivale a dizer que é impossível extirpar no campo cármico.

Se João Batista lembra a condição de precursor, no campo íntimo o processo se repete: o erro, o remorso, o arrependimento e as providências retificadoras, até a instauração do Cristo na consciência redimida. Temos que trabalhar o arrependimento nas linhas da renovação. Ficou claro? Não basta manter um arrependimento em circuito fechado, que cheira a remorso e, sim, que induz ao trabalho regenerador.

E só tem uma única forma de sair do arrependimento que incomoda. Sabe qual é? Apresentando frutos!

Auxiliando os que prejudicamos ontem. Agora, se as vítimas já se encontram em posição melhor do que a nossa é hora de socorrermos outros, não diretamente vinculados a nós, mas incursos em necessidades análogas a serem supridas.

O que o evangelho oferece para os casos em que a produção está ácida? Que o fruto está amargo e difícil? Porque isto é um fato, incontáveis companheiros em todas as frentes da evolução se acham envolvidos hoje com as melhores propostas de crescimento, todavia tendo que digerir certos frutos que lhe são servidos como alimento para as suas almas em meio a dificuldades acerbas em que vivem.

O evangelho fornece material terapêutico de alívio, material informativo de administração da dificuldade.

O segredo é saber administrar a dificuldade existente e evitar originar novos problemas. Tentar evitar ângulos geradores de padrões complexos que possam nos fazer sofrer a curto, médio ou longo prazo. Percebeu? Em suma, o evangelho nos ensina a administrar a colheita da sementeira de ontem e, paralelamente a isto, semearmos hoje em novo plano na busca de dias melhores.

Se o fruto está ruim, a gente tem que produzir outros frutos, certo? Outros frutos de outra natureza.

Aliás, se somos semeadores estamos sempre semeando. O evangelho nos sugere trabalhar com a semente, não com o fruto. Nós precisamos trabalhar em cima da semente, porque o fruto é a realidade nossa hoje. Produzir frutos dignos é trabalho com a semente. Nós ficamos querendo o fruto, quando na verdade nós temos que trabalhar com a semente, para que ela produza.

Se o fruto é a realidade nossa hoje, temos que trabalhar em cima da semente, não do fruto.

E o que é a semente? É um grãozinho, uma partícula, um componente que nós depositamos esperança nele. A semente consiste na vida mental que nós elegemos. É a elaboração de novos componentes germinativos, saber selecionar a proposta, aprender a cultivar e ser coerente e perseverante na proposta. Isso é o que está ocorrendo conosco em uma atividade de estudo como esta. Vamos ter em conta esses ângulos. O que estamos fazendo ao estudar o evangelho? Não estamos apenas analisando caracteres, mais do que isso, estamos preparando um corpo interior, estamos preparando um piso, estamos buscando sedimentar a nossa área íntima para as conquistas eficientes.

A mensagem de João Batista é um convite para implantarmos um sistema novo de vida, e é por isso que ele traz um cinto nos rins. O cinto, a gente sabe, define componente de sustentação, de segurança, e rins referem-se à capacidade seletiva.

O rim faz papel de filtragem, de seleção de valores novos para um porvir melhor.

Quando Jesus fala que o semeador saiu a semear nós precisamos entender que se trata inicialmente de sair sem sair do lugar, quer dizer, a primeira semeadura é na própria intimidade. E como o fruto está diretamente relacionado com a qualidade da semente, se queremos melhorar a colheita temos que melhorar a semeadura, e para isso é fundamental redimensionarmos o que está dentro de nós. Captando novos valores e fazendo um trabalho de filtragem e seleção dos novos padrões que chegam para que possam dar margem à formação de outros reflexos dentro de nós mais equilibrados.

Valendo frisar que essa mudança não pode ser feita com a cara fechada, com o semblante amarrado, mas com doçura, razão pela qual não podemos esquecer de utilizar o mel.

Se nós não fizermos um processo de elaboração, se não alimentarmos um sistema de planificar nosso campo íntimo, de traçar estratégias, organizar o campo mental para a nossa linha de caminhada, nós continuamos seguindo de que maneira? Aleatória, vaga, sem qualquer eficiência. Nós temos batido constantemente que todo o sistema de elevação está baseado na elaboração do campo mental. Somos chamados hoje a um processo de elaboração da vida mental.

Temos que ter essa capacidade de eleger a nossa linha de vida. Trabalhar com antenas, vinte e quatro horas por dia, procurando, captando, selecionando, mas sem fanatismo, sem desajuste. É preciso saber o que cada um de nós vai sintonizar, o que cada um de nós quer efetivamente, o que a gente realmente pretende.

É imperioso ajustarmo-nos ao mecanismo da vida sabendo selecionar hoje para evitar uma escolha infeliz que redunde num efeito indesejável amanhã. E esse processo de seleção são as leituras, os estudos como este que estamos fazendo, em que estamos refletindo acerca de nossas necessidades e melhores propostas.

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