21 de mai de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 12

O BATISMO DE JOÃO BATISTA

E ERAM POR ELE BATIZADOS NO RIO JORDÃO, CONFESSANDO OS SEUS PECADOS.” MATEUS 3:6

“E EU, EM VERDADE, VOS BATIZO COM ÁGUA, PARA O ARREPENDIMENTO; MAS AQUELE QUE VEM APÓS MIM É MAIS PODEROSO DO QUE EU; CUJAS ALPARCAS NÃO SOU DIGNO DE LEVAR; ELE VOS BATIZARÁ COM O ESPÍRITO SANTO, E COM FOGO.” MATEUS 3:11

A palavra batismo vem do grego e significa imersão, mergulho. E o costume de batizar não tem a sua origem no cristianismo, várias seitas da antiguidade realizavam banhos purificadores, aspersões (aplicação de gotas) e imersões em seus crentes, preparando-os para o culto às suas divindades.

O que aconteceu naquela época foi que João Batista deu início à prática do batismo entre os judeus de modo popular. E o sacerdócio moderno com isso criou cerimoniais e sacramentos, de modo que hoje existe batismo de recém nascido em uma igreja e batismo de pessoas adultas em outra. Mas é preciso analisar o assunto com tranquilidade, usando o auxílio da lógica. O evangelho, nas suas luzes ocultas, lança uma claridade bastante interessante sobre essa questão.

Determinada igreja, com a instauração do batismo lá atrás, visava apagar o pecado original que atingia toda humanidade por causa de Adão e Eva. Esse sacramento foi instaurado como um sinal sagrado simbolizando a salvação oferecida por Jesus, em que a imersão com água definia o renascer espiritual e a purificação de toda a culpa e pecado. Mas que no fundo não deixa de ser uma coisa estranha. Afinal, no ensino dessa mesma igreja cada pessoa que nasce não é uma nova alma recém criada por Deus? Então, como o pecado teria passado de pai para filho? De que jeito? Além do que, que justiça divina é essa que faz uma alma pagar pelo erro de outra que ela nem sequer conheceu? Ou a faz responder por um erro que ela sequer ajudou a cometer? Não é estranho? Mas deixa pra lá, isso é outro assunto, que provavelmente iremos abordar mais à frente.

O que eu gostaria de deixar claro é o respeito que tenho e que todos devemos ter por todas as religiões, sem exceção. Todavia, venhamos e convenhamos, determinadas cerimônias materiais nesse sentido eram compreensíveis nas épocas recuadas em que foram empregadas, não hoje. É uma questão de raciocínio. Pense comigo, como se inicia a linha educacional normal que todos conhecemos? Na instrução infantil as crianças precisam do auxílio de figuras e a gente não pede uma criança para rezar para o criador e estruturador do universo. Tem que ser papai do céu mesmo. Daí, o que quero dizer? Que esse procedimento do batismo, de acentuado sabor religioso, é totalmente dispensável nos dias atuais. O batismo na água não simboliza a mudança de postura? E a renovação espiritual não se verifica tão somente com o fato de se aplicar mais água ou menos água nessa ou naquela idade física do candidato a mudar. Percebeu? O que equivale a dizer que podemos perfeitamente mudar sem ele.

Porque a água é tão importante nesse processo? A água é o componente de concretude. Não é isso? A vida começa na água. A vida biológica se manifestou aqui no planeta pela água. Os primeiros movimentos da área orgânica, seja a nível de célula, de bactérias, de vírus, surgiram à partir da água. Tudo se iniciou pela presença desse componente chamado água. Então, a água dá a condição de formação. No plano concreto, no plano denso, físico, a água é o componente essencial e gerador da vida. Tem sentido germinativo e sem ela não haveria aqui manifestação biológica. Em seu sentido espiritual, em seu aspecto essencial, ela também representa o berço onde vai ser gestada toda nova proposta.

Vamos entender uma coisa importantíssima. Como é que se inicia uma reencarnação? Qualquer uma, sem exceção. Toda reencarnação se principia da mesma forma. Sabe como? Com o espírito fazendo um mergulho no líquido amniótico ou intra-uterino da mãe. É sempre assim. Reencarnação é a imersão do ser nas faixas físicas onde a água é o elemento preponderante. É um mergulho na água (o líquido amniótico é à base de água), para que esse espírito possa sequenciar a sua evolução em um equipamento corporal (corpo físico) que apresenta em sua estrutura um percentual de aproximadamente 65% à base de água, e venha a operar em um planeta em que vigora o maior percentual de água também. Percebeu? Tem água de tudo quanto é jeito e pra tudo quanto é lado.

O mergulho da água tem o sentido de limpeza. Não tem? A reencarnação faz o papel de lavagem, o espírito parte para a reencarnação com o propósito maior de purificar-se.

A própria colocação que sugere a reencarnação, que é a imersão na água, essa água tem o poder de garantir o plano fertilizador de novos padrões a nível de ação, como tem o papel higienizador, ou seja, de limpeza, de burilamento desses padrões para que o espírito esteja sempre em condições de refletir a luz superior.

E o espírito parte para a reencarnação com o propósito de sanear, de desonerar-se do pretérito e ascender às escalas maiores da evolução. De modo que é indispensável lavar o vaso do coração para receber a "água viva", abandonando os envoltórios inferiores a fim revestir-se da luz. 

O batismo de água era uma prática simbólica. Um testemunho público de arrependimento seguido do propósito de corrigir-se, de lavar os pecados. Testemunho de arrependimento, pois não adiantava o batismo em quem não estivesse realmente arrependido.

A água não lava o corpo? Por uma linha de simbologia entende-se lavar também o espírito de seus erros. Deu uma ideia? O batismo de João, é como se ele fizesse uma assepsia. Assepsia não no sentido de limpar, mas de trabalhar o campo mental do indivíduo para ele poder entrar em um terreno novo. Tirar a sujidade, liquidar miasmas. João buscava expressar o papel renovador da reencarnação. Enquanto o seu batismo àquela época simbolizava reencarnação, nascer da água, o batismo de Jesus representa a renovação, o nascer do espírito.

O batismo de água tinha como significado espiritual duas coisas: a necessidade de arrependimento e, ao mesmo tempo, o desejo de renovação. João Batista apontava Jesus e objetivava simplificar o mecanismo reencarnatório. É como se ele dissesse mais ou menos assim: Olha, ao invés de você desencarnar, ir para o plano espiritual e lá se arrepender dos erros que fez, depois mergulhar no líquido amniótico, na placenta, que é à base de água, e nascer de novo no plano físico, porque você não faz o seguinte? Em vez de esperar morrer para depois se arrepender e, em seguida, voltar a mergulhar no líquido intra-uterino para modificar-se, porque você não se arrepende aqui, mergulha nessa água agora e reinicia já um processo de crescimento em novas bases? Percebeu? Ele propunha uma verdadeira reencarnação dentro da própria encarnação. Ele estava fazendo um alerta e um convite.

Com isso, estava fazendo um chamado para a transformação moral estando a criatura em pleno desenvolvimento da sua vida no plano físico. Um chamado para ninguém esperar a morte para arrepender-se e retornar à reencarnação. Não é bonito isso? Mensagem semelhante a de Jesus que diria depois: "reconcilia-te com teu adversário enquanto caminhas com ele". João estava fazendo isso para que a multidão naquela época entendesse a tarefa de Jesus que estava por vir.

Quer dizer, à partir dali não iria ter mais toda aquela água, ou seja, a evolução iria deixar de ser tanto pela reencarnação, no campo sistemático, para ser levada mais a efeito a nível de aproveitamento, de renovação, pelo nascer do espírito. Chamado que continua moderno nos dias atuais. Um chamado para aproveitarmos a oportunidade reencarnatória quando, então, passamos a usar a encarnação em um processo de crescimento natural.

Deu uma ideia? Você está em dúvida quanto à sua forma de ser e de agir? Seja coerente. Passe a mudar agora. A mudança e a melhoria sempre está em nossas mãos.

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