28 de mai de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 13 (Final)

O BATISMO DE JESUS

“E EU, EM VERDADE, VOS BATIZO COM ÁGUA, PARA O ARREPENDIMENTO; MAS AQUELE QUE VEM APÓS MIM É MAIS PODEROSO DO QUE EU; CUJAS ALPARCAS NÃO SOU DIGNO DE LEVAR; ELE VOS BATIZARÁ COM O ESPÍRITO SANTO, E COM FOGO.” MATEUS 3:11

“E OS QUE OUVIRAM FORAM BATIZADOS EM NOME DO SENHOR JESUS.” ATOS 19:5

“VIM LANÇAR FOGO NA TERRA; E QUE MAIS QUERO, SE JÁ ESTÁ ACESO?” LUCAS 12:49

"E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus." (Atos 19:5) A questão do tempo agora não é só reencarnar, reencarnar e continuar sendo o mesmo de sempre. Isso acabou. Já era. Ficou para trás. Reencarnações foram trabalhadas até o ponto finalístico da mensagem de justiça trazida por João Batista. 

As reencarnações possibilitam conhecimento, mas daí a usar o conhecimento e mudar é outro assunto. Modificar é com o Cristo, pelo batismo da realidade intrínseca, pela proposta em novas bases. Batismo significa purificação e dentro disso nós vamos nos purificando mediante as expressões de vida. O ensino de Jesus não se dá só com palavras, mas com a irradiação de sua personalidade superior e os exemplos que vivenciou. E a renovação da alma pertence àqueles que ouvem os seus ensinamentos, que aprendem e, acima de tudo, sabem praticar.

Se a gente analisar bem, a nossa evolução preceitua dois batismos. Isso mesmo, dois. 

O primeiro é a nossa eleição para Jesus e a sua mensagem. É o batismo do entendimento da realidade, do toque íntimo, do despertamento para uma nova proposta. Tem um sentido mental, de acolhimento, um sentido interior de percepção.

Cada um de nós passa por ele, por esse batismo inicial de adesão ao plano de relação com as faixas superiores da vida no campo reeducacional. Este é o primeiro batismo. Nós entramos em ressonância com a grandeza divina, com o amor na sua expressão fertilizante. É o despertamento, o ponto de crer, a linha mental de receber Jesus. É o primeiro lance, o primeiro batismo. A pessoa visualiza e se entrega. A criatura sintoniza com Jesus. É o lance básico inicial instaurado.

E nós todos já fomos visitados por esse batismo da escolha de novos componentes filosóficos. Ou você tem dúvida? Nós já trazemos isso de longa data. Jesus é a salvação e nos candidatamos ao longo dos séculos a estar com ele. Vigora dentro de nós um volume grande de informações e a gente traz aquilo que todo mundo está cansado de saber. Todo mundo sabe que tem que perdoar, que tem que trabalhar, que tem que fazer caridade. Todos estão cansados de saber o que tem que fazer dentro de casa, com as suas dificuldades reinantes. Não é novidade para ninguém, ou será que não sabemos?

O segundo batismo vai muito além disso. Não se trata apenas da adesão a uma norma. Não é apenas chegar e dizer "declaro que vou seguir essa regra, esses preceitos", e ponto final. Não. De forma alguma. O primeiro batismo é nossa eleição para Jesus e sua mensagem, mas não basta só conhecer os ensinamentos, é preciso praticá-los.

O segundo batismo vem pela prática do valor assimilado. Porque é muito fácil aplaudir uma coisa quando nós entendemos e gostamos, o difícil é incorporar aquilo dentro do plano complexo de vivência. Concorda? A vivência é complexa. Não é só viver uma vez o fato e achar que resolveu, que está bom. E para chegar nesse ponto que nós estamos comentando é um outro batismo, é o batismo do fogo e do espírito santo. É o batismo da vivência. Este é que é o desafio maior, pois nós nos mantemos no primeiro batismo faz muitos séculos e não saímos dele.

A dureza maior, a dificuldade na caminhada, não é em função da nossa capacidade perceptiva. Às vezes, somos banhados nesse primeiro batismo de adesão ao Cristo com sofrimentos amplos e passamos até por testemunhos difíceis, mas chegamos nele. Passamos por essa etapa e a revelação nos abre o entendimento no campo da filosofia. Deus é bom e descobrimos o caminho. Ufa! E vivemos momentos de abertura no campo da informação. No entanto, descobrir o caminho não é tudo, afinal a descoberta do caminho vai ser sublimada pela capacidade de palmilhar o caminho. Ver a porta é uma coisa, entrar na porta é outra.

Acompanhou aonde eu quero chegar? A segunda revelação ou o segundo batismo é a linha aplicativa, operacional, e é aí que está toda a dureza nossa. Depois que descobrimos o caminho, que descobrimos que temos que fazer, que temos que operar, que temos que cooperar utilizando o conhecimento que a gente sabe, entra um outro batismo e é aí, às vezes, que nós caímos. E caímos feio.

Quantos professores tem titubeado em cima da profissão deles? Quantos indivíduos vem para saldar compromissos pretéritos e chega aqui, em vez de sanear, complica ainda mais o destino? Pense nisso. 

O problema é a capacidade de implementar na faixa operacional o valor percebido intelectivamente. O desafio é o ajuste à revelação. Não são todos que estão com Jesus no sentido de operar como ele ensina. Pode não parecer, mas a cristianização das almas ainda não saiu do primeiro lance, não foi além da primeira etapa.

João Batista visava a assepsia, a higienização dos planos mentais. Enquanto o seu batismo simbolizava a reencarnação, pela água e arrependimento, o anunciado por Jesus é o da reparação, das mudanças pessoais, da renovação, pois sabemos que apenas a reencarnação não basta. Reencarnar é entrar na escola, e entrando na escola faz-se necessário o aproveitamento dentro da experiência. 

Assim, o batismo de Jesus é o batismo do fogo e do espírito santo. O batismo do espírito santo se faz com a influência do céu. Representa aquele conjunto informativo de valores trazidos pelos mensageiros da verdade, as entidades superiores, que se estendem para nós como um dispositivo da misericórdia divina.

O batismo de fogo tem dois aspectos. Tem a finalidade de auxiliar a depuração do espírito através das reencarnações reparadoras, auxiliando-lhe no reajustamento da marcha. Determinado pela lei de causa e efeito, está representado nas provas e expiações a que estamos sujeito no processo natural de evolução. Sintetiza os instrumentos reparadores e de depuração, é o símbolo da dor que purifica os costumes, que abate o orgulho e apura os sentimentos. O fogo traz a renovação e sugere o trâmite nosso através de muitos e muitos ambientes por longos séculos, e nos convida a enfrentar a luta para o alcance de novas posições.

E se uma faceta desse fogo representa as expressões de justiça, ele também, por outro lado, consubstancia a chama do amor. E é fácil deduzir isto. O fogo é o batismo de Jesus, não é? E se é o batismo de Jesus, esse fogo naturalmente não é apenas justiça, mas tem também uma expressão ampla de amor. Concorda? E qual é o papel desse fogo que é o batismo de Jesus, no que se refere à santificação do espírito? A sua finalidade é projetar a evolução do ser reduzindo o grau de sofrimento na mudança.

O fogo também tem um sentido de luz, papel iluminativo, é um fator gerador de claridade. 

Esse fogo é o fogo da renovação pessoal. Além da reparação dos males praticados, define a correção da conduta, o testemunho dos novos propósitos, sugere a luta íntima para renovar-se. É o investimento íntimo de mudança.

Esse fogo vem ao nível de ondas mentais convocando os espíritos a novos patamares na evolução. No plano prático, no plano intrínseco de mudança, utiliza-se esse fogo para forjar novos padrões. Jesus disse que ele veio trazer fogo à terra. Logo, pense no seguinte: quando você recebe um conhecimento novo instala-se dentro de você o quê? Uma espécie de fogueira ardendo, uma espécie de conflito entre a soma dos seus caracteres que foram estruturados ao longo dos milênios, e que define sua conquista e que você não quer abrir mão deles, e o valor novo que a sua consciência passa a indicar e que você tem que adotar e fazer para ascender.

Deu uma ideia? No momento em que você aprende algo novo em uma página, em uma conversa ou em um livro, você coloca na sua cabeça um componente que tem que ser realizado, que tem que ser perseguido, que tem que ser vivido de maneira continuada no campo prático para poder se sedimentar. E esse é o batismo do fogo. 

Agora, se você não se predispuser a fazer, se não quiser investir, se não quiser se esforçar para mudar, se achar que não precisa, você não entendeu o batismo do fogo. Aí você continua elegendo o batismo da água, que é reencarnar muitas vezes para alcançar.

É preciso ter tranquilidade e partir para a linha re-educacional. Quanto ao tempo de mudança da transformação, vai depender de cada um. Pode acontecer até de forma rápida dependendo do grau de investimento, ou seja, a mudança pode ser muito rápida quando a pessoa se dedica a alcançar, usando o entusiasmo e a vontade.

E vamos entender o fogo como sendo o plano assimilativo da individualidade, trabalhando dentro da linha de consciência os padrões que lá existem e que, por sua vez, necessitam ser refundidos, que precisam ser alterados. O fogo define aspectos da linha vivencial do indivíduo. Está acompanhando? Por que fogo? Por que não outro componente? Porque o fogo tem o poder de mudar o estado das coisas.

O fogo é o elemento que forja, que sedimenta, que tem a capacidade de solidificar por meio do sacrifício e dos testemunhos. 

Simboliza a renovação. Vinculado ao plano interior, refunde os pontos interiores a nível das nossas criações. Ele nos oferece o trabalho de mudanças interiores no campo re-educacional, trabalha o plano íntimo do ser no campo direcional dos estímulos, opera de modo sutil a linha de conceituações e concepções do indivíduo. Calcina os componentes negativos, desde que saibamos aproveitar a sua presença, claro.

O fogo, lançado na terra do coração, ao mesmo tempo em que desativa os reflexos antigos, prepara o terreno para a emersão de novos valores, implementa o terreno para o crescimento de uma nova mentalidade. Ele não tem essa função? É o que estamos sendo convocados agora. Jesus, conforme o evangelho de Lucas, disse que veio lançar fogo na terra e que ele nada mais queria, uma vez que já estava aceso. Deu uma ideia? Esse fogo já foi aceso por muitos de nós lá atrás e olha que faz tempo, quando aceitamos Jesus. O desafio agora é outro, é acender na capacidade operacional, por parte daquele que elegeu o ideal em termos de sintonia, todavia não elegeu o ideal a nível concreto de ação.

Valendo lembrar que esse fogo não pode ser usado de qualquer jeito. A gente sabe, o fogo entregue a si mesmo, sem objetivo definido, sem controle, sem aplicação inteligente, não ajuda. Pelo contrário, vira um incêndio que consome e destrói.

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