6 de mai de 2016

Cap 56 - João Batista (3ª edição) - Parte 9

O ARREPENDIMENTO II

O arrependimento sugere mudança de atitude, de procedimento. Existe uma proposta embutida dentro dele de uma posição nova no contexto. É o mesmo que voltar atrás em relação a um compromisso assumido. Representa a modificação na intimidade para uma nova base de ação.

O remorso não acrescenta nada, como vimos, o arrependimento é que faz a diferença. Este é movimento dinâmico, tem dinâmica dentro dele porque nos move para a ação. A gente já começa a apresentar determinadas posturas que justificam produzir frutos dignos de arrependimento. A pergunta fundamental é: você arrependeu? Se sim, tem que nutrir um processo de recomposição do destino relativamente ao que tem feito até agora.

Percebeu? O arrependimento vai trabalhando o campo mental e chegamos no ponto que indica caminho para a reparação, para a implantação de medidas saneadoras da reparação.

Outra coisa fundamental de ser entendida é que o arrepender tem sentido didático. Arrepender não quer dizer que nós estamos cheios de erros, que estamos castigando os outros, que estamos magoando e perseguindo os outros. Está entendendo? Ele não funciona apenas para reparar a nossa tendência inferior. Trabalhar com o arrependimento é trabalhar com o contexto generalizado, significa a identificação de valores que precisamos desvincular deles porque não nos atendem mais, e cuja saída proporciona saneamento ao coração. O sentido de arrepender quer mostrar que o novo fator de vida que se abre é bem mais importante que o antigo que nós até então cultivamos. E passamos a notar que determinadas coisas que atendem milhões de pessoas não nos atendem mais.

A nossa inatividade no campo operacional do bem também pode gerar um processo de arrependimento. 

Isso mesmo, o plano de não ação positiva no bem pode levar ao arrependimento. Um dos pontos muito presentes em nossa vida, em decorrência do conhecimento que temos recebido, é aquela preocupação que surge quando não sabemos aproveitar adequadamente a oportunidade. Isto não acontece com você? Porque é muito comum de acontecer. Todos nós já vivemos situações assim. De maneira sutil dá-se um peso de consciência por não termos operado naquilo que podíamos. Muito do nosso erro agora está emergindo não por invigilância em praticar o mal, mas por uma indiferença em realizar o bem.

É por essa razão que alguém sofre porque fez algo a outrem e outro sofre porque deixou de fazer. Não tem isso? Em muitas situações pessoas chegam até a ficar intranquilas ("Não se eu estou aproveitando bem") e a refletirem no íntimo ("eu tenho que fazer alguma coisa"). Quer dizer, elas estão trabalhando a própria intimidade para novos lances, novas posturas.

O remorso gera o arrependimento e arrependermo-nos de qualquer gesto maligno é sempre um dever. Certo? Até aí a gente sabe. O grande detalhe é que o arrependimento por si só não basta. É só analisar, arrepender é uma forma de sentir, não é? E não podemos ficar apenas no sentimento. O que o evangelho nos ensina? Que a cada um será dado conforme suas obras, e não conforme o grau de arrependimento, os livros que leu, as ideias e os projetos que teve, as emoções que nutriu.

Então, prantear o arrependimento indefinidamente é roubar tempo ao serviço de retificação, e o desespero e a revolta também não amenizam as dívidas contraídas.

Devedor algum consegue solucionar os compromissos que contraiu quando usou a própria vontade lançando a esmo gritos e impropérios. É preciso usar o arrependimento para beneficiar-se começando a reparação das faltas cometidas, afinal expiar em trevas íntimas não é o suficiente para a recomposição da paz perdida.

O assunto é complexo e a culpa somente desaparece quando se liberta aqueles que lhe sofreram o mal.

Arrependimento é uma forma de sentir e ele por si só não basta. Não basta o sentimento, mas as obras. Para o espírito culpado se reabilitar não basta o arrependimento. O arrependimento é só o primeiro passo, é necessária a reparação.

Arrepender corresponde a um sistema de recomposição do destino relativamente ao que temos feito até agora. Logo, se somos prisioneiros da culpa somos também operários da nossa libertação. Vale ressaltar: recebemos conforme as nossas obras. E por recebermos segundo a nossa obra é fácil concluir que se pela obra menos feliz nós complicamos a nossa harmonia íntima, para recompormos nossa estrutura faz-se necessária uma obra positiva, equilibrada, de forma a nos projetarmos para uma direção diferente de crescimento no campo consciente.

Após o conhecimento bater à porta é reorganizar-se interiormente e reprogramar a vida. 

A vida exige que o dano praticado seja devidamente ressarcido. Ficou claro? Ela não pede, ela exige, a bem do próprio devedor!

Daí, não vamos ter dúvida alguma, após o arrependimento é necessário encaminhar a reparação, é indispensável uma ação que regulariza o erro e ajuda aos prejudicados. Porque dívida reconhecida é dívida que deve ser paga, e é imprescindível trabalhar o arrependimento nas linhas da reparação. E reparação é redirecionamento do próprio destino em nova base. Pense bem, nós só estamos reparando porque houve em nós um acolhimento do processo de arrependimento e é indispensável romper com as alianças da queda e assinar o pacto íntimo da redenção.

Não é possível trair o tempo nas reparações necessárias. 

É questão de lógica: se o estacionamento não resolve problema o espírito paralisado no arrependimento não consegue avançar enquanto não quitar seus débitos com a própria consciência.

Estabelecido o nódulo de forças mentais desequilibradas, é imperioso que acontecimentos reparadores nos contraponham ao modo enfermiço de ser para nos sentirmos desonerados desse ou daquele fardo íntimo ou redimidos perante a lei. Temos que acionar o arrependimento a fim de repararmos os erros cometidos, retificando-os em caracteres vivos, levando adiante o propósito de regeneração.

Não há o ditado que diz que "o que aqui se faz aqui se paga"? As notas promissórias que contraímos aqui, no plano físico, pagamos aqui mesmo, e ninguém foge disso. Sem essa desoneração não se encontra caminho de livre acesso para novas conquistas. Logo, feliz daquele que cai no arrependimento e reconhece que deve, e mais, que se empenha em liquidar a fatura em um esforço para melhorar sua vida.

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