21 de jun de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 4

A LUTA ÍNTIMA II

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA O SEU PAI, E A FILHA CONTRA A SUA MÃE, E A NORA CONTRA A SUA SOGRA;” MATEUS 10:34-35

A luta íntima é o componente geratriz da paz.

Isso precisa ficar bem claro. A paz vem da luta, nossa paz vem da guerra que movemos contra nós mesmos. Temos que saber investir nessa luta que estamos travando, afinal não tendo luta não tem paz. Para você ter paz você tem que ter guerra, porque a paz é consequência da guerra. Se você não luta, você não terá paz.

É preciso implementar a guerra. É por ela que apaziguamos o íntimo. Vale repetir: não existe paz sem guerra. A guerra é que procede a paz. Se não investirmos nessa guerra íntima não teremos paz. Não tem jeito, nós temos que lutar para ter conquista à paz. Nosso grande desafio é a luta íntima e encontrar a paz dentro dessa guerra instaurada.

Porque tem gente querendo a paz para fugir de tudo que é luta. Tem muita gente querendo instaurar uma paz sem guerra. Isso é paz acomodatícia, uma paz que intoxica, que dilui a autoridade da criatura e traz sombra e dor. Essa questão da guerra até parece uma contradição, no entanto aqueles que se fazem pacientes aos nossos olhos, eles estão em lutas profundas na intimidade deles. Olhando exteriormente até parece que há uma inércia, só que lá dentro tem movimento amplo. É a luta com consciência de causa que mantém o estado de harmonia deles.

A espada continuamente se mantém em uma posição, certo? E qual é essa posição? Com a ponta virada para baixo. Não é essa? Continuamente ela está apontada para baixo, o que é algo interessante de se ter em conta. Apontada para baixo ela indica o quê? Apresenta um sentido neutro contra o campo ambiente, ao mesmo tempo em que objetiva trabalhar unicamente a intimidade.

Deu uma ideia? Nessa linha verticalista ela volta-se para a nossa individualidade, para a intimidade do coração, buscando as entranhas profundas do ser, onde está fincada, onde está devidamente fixada. Jesus não veio trazer paz, veio trazer espada, e a espada está lutado é dentro da gente. É uma referência à nossa luta interior. Desde a sua vinda ao mundo está implementada a luta de redenção dos seres, cujos combates mais acirrados se desenrolam no plano íntimo.

Não é na terra do coração que se trava a verdadeira guerra de melhoria dos sentimentos? Eu acho que até aí não há dúvida. E a espada serve não é para desativar o inimigo? Ora, o verdadeiro inimigo está dentro do nosso próprio coração.

A espada que nós avocamos, sempre de forma consciente, instaura a guerra íntima da aprendizagem. É só avaliar que cada componente novo que recebemos, cada valor recolhido informativamente que chega no campo didático da aprendizagem, instaura a luta que nós vamos travar, cria a guerra íntima.

Os padrões informativos nos colhem de fora para dentro, para depois se expressarem de dentro para fora no campo da segurança. E a felicidade é conquistada na medida em que a pacificação vai sendo encontrada de dentro para fora. Está acompanhando? No momento em que laboramos instaura-se uma guerra, e por ela é que nos apaziguamos, alcançando paz. A paz é praticamente a conquista básica da nossa estrutura espiritual no contexto da vida.

A guerra implementada é que instaura a paz. 

Porque o novo conhecimento detona a guerra e você faz o acordo de paz na sua consciência no momento em que elege uma postura de humildade, determinação, cooperação e trabalho.

É somente operando com o componente que instaurou a guerra que se vai encontrar a estabilidade em nova base. E a paz conquistada pela luta tem na sua essência a expressão irradiadora do amor.

"Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra o seu pai, e a filha contra a sua mãe, e a nora contra a sua sogra" (Mateus 10:35) Dissensão é divergência. A luta nos padrões do evangelho é contra os elementos que insistem em manter o direcionamento da caminhada com base em estratégias já superadas.

A luta é dos descendentes contra os ascendentes espirituais e o homem contra o seu pai é a primeira. Porque quem vai envergar a espada inicialmente é o filho contra o homem velho. Evidencia as lutas para a posse de novos conceitos, porque quem vai lutar contra o pai é o filho e o filho expressa por si uma nova mentalidade. O filho é a expressão nova que quer nascer para elaborar uma nova personalidade. É a personalidade nova e clareada que quer crescer contra as ideias cristalizadas. É a verdade nova buscando sobrepor-se aos hábitos antigos que teimam em manter a hegemonia. Essa luta deixa claro o conflito para a posse de novos conceitos.

A filha contra a sua mãe sugere as dissensões nos campos mais profundos dos sentimentos que alimentamos. Porque não basta apenas nós vencermos nos terrenos dos conceitos e das informações. Concorda? É preciso cultivamos novos padrões de sensibilidade, afetividade e entendimento. E permanecermos nesse cultivo, até que sejam estioladas as insinuações que afloram das profundezas do nosso íntimo, ainda ligadas ao egoísmo, à indiferença, à incompreensão e ao desamor.

A nora contra a sua sogra é outro ponto. Se a nora é a mulher do filho em relação aos pais dele e a sogra é a mãe da esposa com relação ao marido, espiritualmente falando é uma mistura de razão e sentimento contra a sogra que simboliza a tradição. É contra a tradição, contra o preconceito arraigado e as relações estabelecidas pela posição momentânea no contexto social. Jesus sugere a instauração de padrões novos contra os padrões ultrapassados das convenções humanas, no sentido de podermos nos elevar a novos pisos na evolução.

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