31 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 9

A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA I

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

O texto fala em letra e espírito. E o que é a letra? A princípio, vamos notar que a letra do evangelho não é a essência do conhecimento. Ok? A letra não é a essência, o espírito é que é, todavia mesmo não sendo a essência ela faz um papel importantíssimo.

Basta analisar que não é possível direcionar uma essência, levar uma essência, seja ela de qual natureza for, sem um instrumento de natureza exterior que a encaminhe. Uma essência não pode ficar esparsa, solta, ao léu, ela precisa estar contida em algo, em um invólucro, envolvida em uma embalagem e esse algo é a letra.

Então, a letra é a embalagem, é o invólucro, o instrumento material que traz em seu íntimo todo o conteúdo. 

Ela é a forma, o componente exterior. É como se fosse uma caixa ou como se fosse a casca de uma fruta que envolve, protege e contém em seu íntimo o próprio fruto.

A letra é o veículo, a expressão periférica, o componente de natureza exterior. O elemento que traz as revelações, o canal, o instrumento comunicador responsável pela veiculação e encaminhamento de toda a essência que se encontra dentro de si mesma. A letra aponta e direciona uma mensagem que está contida em seu interior. Canaliza para uma essência contida em seu íntimo, afinal não há como direcionar qualquer essência sem uma letra que a transporte.

A letra é o dispositivo legal, instrumento revelador da verdade. Material didático que tem que ser trabalhado, decodificado. Repare que todo mecanismo de evolução visa direcionar uma essência. E como tudo na natureza se transforma, os valores estruturais são suscetíveis de alteração, de forma que a letra se forma e se decompõe.

Outro ponto é que letra não realiza o trabalho vivificante, isso é questão do espírito.

A letra é objeto que temos que usar para decodificar a mensagem que nos chega.

Está dando para acompanhar? Ela é o casulo que mantém guardada a essência dos ensinamentos, faz o papel de síntese para abrir uma nova proposta de vida interior. O que ela faz é nos conduzir de maneira aprofundada para o componente espiritual. Ela nos encaminha, faz o trabalho como que de enxada abrindo o solo do coração para um tesouro que é de nossa própria iniciativa pessoal alcançar.

A parte de fora do evangelho é a letra. E o que estamos buscando num estudo como este? Tentar ver o que tem dentro da letra. Estamos querendo ir além da parte periférica e ter acesso ao conteúdo, à essência do conhecimento. É por isto que interpretar é pegar a letra e ver o que tem dentro dela, porque o espírito, sim, é a essência, é o conteúdo, o aprendizado efetivo, o fator vivificante.

Todas as lições presentes em todos os livros da bíblia tem tanto aspectos literais, que é a parte exterior, como tem também as partes de profundidade, de característica espiritual na intimidade delas. O que é necessário é realizar um trabalho de extrair o espírito de dentro da letra, porque se a letra representa a verbalização de lá para cá, o amor por sua vez é manifestação de cá para lá.

Vamos observar que inicialmente, por meio da nossa busca, resultante daquilo que o nosso íntimo grita e deseja, a palavra que chega passa ser assimilada por nosso grau de percepção. E nós passamos a apreender padrões novos, a ingerir valores informativos. 

Lembrando que cada individualidade vai decodificando o fator novo, assimilando e enxergando aquele ângulo quase sempre compatível com os seus próprios padrões e as suas necessidades. Entendeu essa parte? Cada qual interpreta o que chega com o que tem dentro de si. Dessa forma, a palavra recebida penetra o corpo. Não o corpo físico, material, óbvio, penetra o corpo de concepções, o corpo de ideias, de conceituações e valores íntimos.

E qual objetivo finalístico da letra? O texto é claro, a letra mata. Certo? Para ser mais completo, a letra mata e espírito vivifica. Logo, se a letra mata, o início é pela letra. 

E alguém pode perguntar como é que a letra mata, como ela consegue matar.

O que acontece é que a letra é a proposta de justiça que nós ingerimos. A primeira coisa no processo de evolução consciente é o conhecimento que nos visita, são as linhas delineadas de uma nova vida que chegam. Chega em forma de letra e ela começa a apontar situações que vivemos e que necessitam ser reexaminadas e recicladas. Por esta razão é que quando trabalhamos a letra nós estamos trabalhando os instrumentos da morte. A letra cria um estado de morte, isto é, ela nos coloca em uma ameaça de morte. Este é o papel, nas faixas mais exteriores do evangelho vigora a letra que faz um papel de morte, de entregar à morte.

O detalhe é que a letra só mata quando ela é percebida, quando não é ela não tem perigo nenhum de matar. Aliás, estamos cansados de ver coisas e de aprender coisas que não propiciam alteração nenhuma, que não mudam nada. Concorda?

É comum alguém dizer assim, após conversar com uma pessoa: "Pois é, eu falei algumas coisas para ele, pra ver se ele acorda. E se ele pensar no que falei, vai ter que refletir." Mas quer saber? Muita vezes não pensa. Às vezes, o que ouviu vai passar o resto da vida e vai desencarnar sem ter pensado naquilo. Porque aquilo não é algo interessante na ótica perceptiva dele. Ele não está nem aí. Ele está com a cabeça voltada para outras coisas, aquilo não lhe interessa.

Às vezes, também, acontece de um fio da espada tocar apenas o plano perceptivo de entendimento do indivíduo. Ou seja, ele entendeu o que chegou, mas o outro lado, que é o lado do seu sentimento, não foi tocado. Aprendeu, mas não acolheu. Ele entendeu racionalmente, achou lógico, achou válido, achou interessante, mas não passou disso. O toque não foi além, ele não se sensibilizou.

24 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 8

O PROCESSO

A vida é um processo de eleição pessoal, não é? Então, eu estou aqui, eu estou tranquilo, eu estou vivendo a minha vida. Tudo o que eu sei, tudo que eu faço, o que eu sinto, a somatória disso tudo constitui a minha vida e eu estou irradiante com a minha vida.

Só que aconteceu uma coisa: um componente novo chegou até mim de maneira informativa e revelou que o que eu estou vivendo é uma vida que está em perigo, que tem que ser eliminada. E eu acolhi essa informação como sendo importante e necessária para o meu crescimento. Quer dizer, eu reconheci que tem coisa que estou fazendo e que eu resolvi que não vou fazer mais.

Até agora ou até meia hora atrás aquilo era instrumento de vida para mim, no entanto agora passou a ser instrumento mórbido, passei a considerar aquilo como sendo uma questão perigosa para minha harmonia. Eu achava que estava certo ao fazer aquilo e descobri que já não tem mais nada a ver. Isso não acontece?

O conteúdo que nos visita, que chega de fora a nível informativo, é instrumento capaz de produzir a morte. Esse conteúdo é o que promove a morte, promove a desativação de um reflexo que era expressão viva dentro de nós para dar lugar a uma nova expressão que entra no plano de vivência. Em outras palavras, o fator visitado por uma luz mais radiante constitui o que está sendo entre à morte. Ficou claro? É ele que é entregue à morte. E o plano operacional é que vai matá-lo.

Logo, nessa morte são os próprios indivíduos que estão alterando a fundamentação de vida.

Um estudo como este, por exemplo, opera a morte, ou, se quisermos ser mais preciso, entrega à morte. 

Nós estamos estudando e gradativamente concebendo novos sistemas de vida. A gente aprende e sai, de alguma forma, com uma sentença de morte. Não sai? Saímos com ela decretada nas mãos.

E à medida em que aprendemos, o que temos que fazer? Colocar em prática. Implementar.

Porque o que vai operar a morte é a atividade de cada instante no contexto em que estamos engajados. Só podemos ressurgir em nova concepção de vida quando o reflexo anterior se encontra praticamente neutralizado, morto, pela vivência do novo. Resumindo: o nosso conceito, que até então era a nossa expressão de vida, é o que é entregue à morte. Certo? Que precisa ser desativado. E a nossa maneira de viver, nos moldes desse novo valor assimilado, é o que mata. À partir daí, sim, nós tomamos posse do novo componente.

Toda orientação que nos visita, e que é capaz de nos fazer evoluir, vem de patamar superior. Não vem de outro lugar. E uma guerra é quase que imediatamente travada, é instaurada à partir dessa busca de melhoria. Essa guerra surge para se poder conquistar o piso desse terreno original de emissão que almejamos.

Veja bem, nós ficamos aqui embaixo, todos nós, cada qual no seu piso habitual. E ficamos namorando e almejando o piso de cima. O piso de cima passa a ser o nosso objetivo. 

Só que uma coisa é ficarmos visualizando o piso que queremos e outra coisa é nos empenharmos na conquista desse terreno. Deu uma ideia? Quando visualizamos o terreno nós nos entregamos à morte e a aplicação desses valores é que vai criar o novo homem. Todavia, o novo homem não tem o nome de homem, porque homem é o ponto de baixo. O novo homem é chamado de filho do homem. 

E é exatamente na aplicação, na vivência do novo, quando os componentes antigos se sentem em perigo, que surge a guerra. É aí que se instaura a guerra. E essa guerra opera dois fatores: mata a antiga postura e vivifica a nova posição. Na hora que começamos a penetrar no terreno desejado nós passamos a matar as insinuações do homem velho, pois para se viver no piso de cima tem que desativar o de baixo.

Este assunto não é fácil, mas o processo se dá da seguinte forma: recolhemos a informação e operamos a informação. 

E se soubermos adotar o conteúdo proposto e seguir em frente, aí sim, é que entra a morte em vida. Matamos a nossa maneira de ser e ressurgimos numa nova maneira de ser. 

No momento em que começamos a investir na faixa interior de nossa personalidade, usando de forma adequada a força de vontade e o espírito de sacrifício pessoal, mudamos a configuração de nossa vida toda. Com o tempo, de forma gradativa, os padrões velhos vão perdendo força, passam a ficar em plano secundário e acabam sendo desativados.

Deu para entender isto? Aqueles que conseguem avocar os novos valores, com persistência e atentos ao campo da vigilância, sem cederem aos valores antigos que passam a pressionar a todo momento, vão conseguindo pela luta íntima atingir a meta.

O conhecimento entrega à morte e a vivência desse conhecimento gera a morte.

Mas tem um detalhe que não podemos nos esquecer: nem sempre essa morte acontece na hora. Muitas vezes ela demora para operar. A gente conhece isso bem. A vida vai dando as cutucadas, vai chamando a criatura para a mudança, vai chamando de diversas maneiras para ela mudar, até que ela um dia, mais cedo ou mais tarde, ela acaba tendo que ceder à necessidade de avançar. Acaba cedendo ao imperativo do progresso, porque temos que ir à frente.

16 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 7

A RESSURREIÇÃO

“35MAS ALGUÉM DIRÁ: COMO RESSUSCITARÃO OS MORTOS? E COM QUE CORPO VIRÃO? 36INSENSATO! O QUE TU SEMEIAS NÃO É VIVIFICADO, SE PRIMEIRO NÃO MORRER.” I CORÍNTIOS 15:35-36

“42ASSIM TAMBÉM A RESSURREIÇÃO DENTRE OS MORTOS. SEMEIA-SE O CORPO EM CORRUPÇÃO; RESSUSCITARÁ EM INCORRUPÇÃO. 43SEMEIA-SE EM IGNOMÍNIA, RESSUSCITARÁ EM GLÓRIA. SEMEIA-SE EM FRAQUEZA, RESSUSCITARÁ COM VIGOR.” I CORÍNTIOS 15:42-43

A morte é o instrumento da ressurreição, é onde está um dos aspectos da chamada ressurreição.

Se você pensar bem, todo o evangelho propõe a morte para a ressurreição de uma nova estrutura.

Sem morte não existe ressurreição, não se origina uma nova vida. Não existe mudança sem morte. Para se ter ideia, sem a morte não há como herdar, sem morte não existe herança. É preciso que morra o elemento para que a herança se faça presente.

O morrer implica em ressurreição em novas bases. É a morte que vai gerar a ressurreição de uma postura nova e melhor para o indivíduo. Não se dá a estruturação de uma nova vida sem a eliminação da vida anterior. Jesus, quando se entregou ao gólgota, sabia que o gólgota eliminaria o seu corpo físico, mas que garantiria a sua ressurreição em novos ângulos da vida. Deu para acompanhar?

A morte não é a eliminação definitiva, é desativação de caracteres por uma proposta nova de vida. É a morte de uma expressão vivencial fazendo emergir nova estrutura vivencial, em novas bases.

Esse processo de morrer, ser crucificado e renascer não é um problema que tem que ser levado à cruz. 

Para viver melhor tem que morrer e a morte não é eliminação do ser, é o respaldo intrínseco do ser. 

Não existe ressurgimento em novas bases se não houver uma morte de estrutura vivencial de nossa parte. Não existe ressurreição sem morte. E, sendo impossível a ressurreição sem morte, é preciso estiolar-se o corpo anterior, o corpo não material. Este é o lance, o que estamos trabalhando, porque toda a ressurreição em nova base representa a mortificação das condições anteriores. É o que nós estamos fazendo, elaborando. Temos operado com a finalidade de eliminar a vida anterior.

A vida nova mais harmônica, mais feliz e vibrante que nós buscamos apenas vai se expressar mediante a desativação de caracteres antigos que não atendem mais.

Sem sepultarmos as nossas convenções passadas e fazermos surgir uma nova dimensão de vida não há progresso. Se não matarmos a vida anterior não conseguimos eleger a vida em nova dimensão. Porque a morte pressupõe a vida em outra conotação, em outra expressão, em outro enfoque. Então, feliz é aquele que prevê a ressurreição e trabalha na desativação da estrutura antiga para edificar uma nova atitude.

E na medida em que a morte opera o aniquilamento da forma de ser e de viver a nova mensagem vivenciada promove a ressurreição em nova posição. Cada morte corresponde a uma ressurreição. 

E é o indivíduo que vai se levantar como filho em outra posição mental, a mostrar que a morte, no seu sentido moral, no seu sentido intrínseco, é a grande oportunidade de cada criatura para que ela reviva em uma posição diferente e melhor.

Vamos raciocinar juntos: O que vem após a morte? Não é a ressurreição? Não existe uma morte e uma ressurreição? Preste atenção, nós não estamos nos referindo àquela ressurreição tradicional, religiosa, dogmática, mística. Nada disso. Nós estamos falando da ressurreição como a recomposição do nosso destino.

A nova vida, com a plenitude e a beleza que o evangelho sugere, ela tem que ser implantada em função da ressurreição, pois não tem como a gente manter uma dualidade de vida. Concorda? A dualidade de vida é algo indigesto, entristecedor, cria dramas profundos para nós, embora não tenhamos às vezes como evitar certos momentos de transição pelo qual todos passamos ao longo da jornada. 

A morte, como a perda de componentes intrínsecos de vivência e segurança, implica na descoberta de nova vida. O componente novo passa a incorporar o nosso terreno, passa a ser o nosso valor, e os reflexos que dominavam o nosso território íntimo perdem autoridade, ficam enfraquecidos e desativados, embora não sejam extirpados.

Esse mecanismo é um mecanismo constante, é uma dinâmica que não cessa nunca. 

A todo momento, a toda hora, a todo dia, se não tiver morte não tem ressurreição, não tem nova vida. A cada morte surge uma ressurreição. Não existe ressurreição sem morte.

Agora, o problema maior, sabe qual é? O problema não é ressurgir o novo, o problema muitas vezes é que nós idealizamos o novo, nós queremos o novo, conhecemos o novo e nos encantamos com ele, todavia não queremos abdicar do velho.

10 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 6

A MORTE

“30PORQUE ESTAMOS NÓS TAMBÉM A TODA A HORA EM PERIGO? 31EU PROTESTO QUE CADA DIA MORRO, GLORIANDO-ME EM VÓS, IRMÃOS, POR CRISTO JESUS NOSSO SENHOR.” I CORÍNTIOS 15:30-31

“E O IRMÃO ENTREGARÁ À MORTE O IRMÃO, E O PAI O FILHO; E OS FILHOS SE LEVANTARÃO CONTRA OS PAIS, E OS MATARÃO.” MATEUS 10:21

A vida, em sua expressão essencial, espiritual, é o sistema de existência que cada individualidade elege. Cada criatura tem sua vida, que é a soma dos valores que ela cultiva e que cria a chama vivencial dela. Cada qual tem essa chama e vive hoje o contexto da vida que elegeu para si. Não é isso? Cada individualidade chega hoje trazendo consigo um contexto de vida. Esse contexto é como ela se veste, como ela se sente, como ela pensa, é como ela atua, como reage.

Agora, para se poder alcançar uma vida um pouco diferente, melhor, só mesmo a própria criatura se matando. Deu para pegar? Se ela não se matar ela não ressurge em outro patamar. Então, essa expressão de vida está sendo trabalhada para ser morta. Entendeu? Morta para quê? Para criar uma nova vida.

A finalidade dessa morte não é destruir o elemento, todavia vamos entender que sem morte não há ressurreição.

Essa morte é a desativação de componentes que vigoravam e que tinha expressão de vida, para dar lugar a novas expressões que irão entrar em um plano de vivência.

Quer dizer, a morte visa desativar o que tinha expressão viva dentro da gente e que já não nos atende mais, face ao imperativo do progresso. É preciso que haja uma proposta de morte dessa vida que não está nos atendendo, que deixou de ser conveniente e se tornou desconfortável. Ela morre ao mesmo tempo que ressuscita outra numa dimensão diferente. Pense para você ver, o conhecimento tem entregado tanta gente à morte, ou não tem? A gente lê uma página, ouve uma palestra, escuta uma orientação, e pensa: "Ai, meu Deus do céu, eu não posso mais continuar assim. Eu tenho que mudar isso, tenho que melhorar naquilo."

Resultado: a cada momento nós estamos trabalhando dentro de nós o sistema de morte e de vida.

Ao falar em matar, podemos usar a linguagem de Jesus no evangelho: "E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão" (Mateus 10:21). Parece uma linguagem relativamente dura, mas o que acontece é que quando se fala em morte no entendimento das lições divinas as pessoas geralmente conhecem apenas um gênero dela.

Porém, vamos notar de princípio que essa morte não é a desencarnação não. Ok? Não é a morte física.

Nós não estamos falando de morte no sentido físico, aliás, morte no evangelho não é para ser tratada de forma literal. A morte finalística nunca existe. Ficou claro isso? Não existe morte finalisticamente falando. Isto precisa ficar bem entendido. Quando falamos em morte nós podemos abordá-la sob vários aspectos, mas a morte nunca é finalística. Essa morte a qual nos referimos não visa matar e liquidar. Então, repetindo, estamos falando em morte e não é matar não.

A morte finalística não existe, e sabe por quê? Porque a morte não finda com a vida.

A vida está aqui no plano físico, como está lá no plano espiritual. E o que estamos tratando não é a morte fisicamente falando, não é a morte no sentido de cessação dos batimentos cardíacos, o coração parou e acabou a respiração. Não. Nada disso. Isso já era. Espiritualmente falando isso é uma questão que não atende mais.

É a morte de outra natureza. Estamos nos referindo à morte eleita por nós mesmos no plano reeducacional. Sabe qual morte? A morte das expressões que marcam a vida íntima da individualidade, a morte das concepções que o elemento trabalha com elas.

É a  morte em função da alteração e superação dos conceitos que a criatura nutre. 

Deu uma ideia? É um processo de luta reeducacional, de mudança de caracteres de vida no dia a dia. Morrer com a metodologia de vida que a gente tem levado. Afinal, o que nós estamos fazendo com o estudo é um processo de mortificação do homem velho pela ação das novas orientações que nos chegam.

Estamos elaborando uma morte que se dá pelo conteúdo que nos visita, e que promove a morte.

E uma coisa nós precisamos entender bem: essa morte a que estamos nos referindo não significa a eliminação. Não é uma morte definindo eliminação, não é morrer pelo fato de eliminar, acabar, extinguir. Não é morrer pela eliminação e pela violência. Não é por aí. Essa morte é no sentido de desativação.

Isso tem que ficar claro. O mecanismo é desativar, não é extinguir. Essa morte é a desvinculação daqueles padrões que vem nos prendendo à retaguarda. Se dá por um processo de desativação. É fazer com que os elementos que dominavam e comandavam a nossa vida não o façam mais. Nós estamos falando em uma morte no sentido de desativação dos reflexos que eram expressão de vida dentro de nós. Significa desativar os componentes que insistimos em manter e que dificultam a nossa capacidade de mudança que a realidade, por sua vez, sugere a cada dia. Eles deixam de assumir o posto de realização e de operação. Em suma, é a morte da nossa estrutura informativa e também formativa para ceder lugar a outra posição, outro ângulo da existência.

Essa desativação não quer dizer eliminação definitiva desses padrões. Essa morte não é extirpar. Isso não existe. A morte, voltamos a repetir, nunca é finalística.

A própria morte, na sua essência, não existe. Morte é uma terminologia usada, não existe propriamente morte. É morte no sentido de expressão de vida, no sentido de experiência vivencial, não de eliminação. Nessa morte esses reflexos se hibernam, se reduzem, encasulam em si próprios e são desativados.

No momento em que eu desativei determinado componente da minha estrutura psicológica, da minha condição mental, a minha irradiação de vida passa a não contar mais com aquele elemento. Porém, esses valores que estão na minha intimidade vão permanecer. Lá no fundinho do arquivo permanece a intimidade dos caracteres desativados, o potencial deles. É este o sentido da morte.

Os reflexos que trazemos podem ser desativados, desabilitados, jamais destruídos.

Então, nós temos certo caractere morto, quer dizer, desativado mediante uma transformação. Ele não está presente mais, a gente pôs uma pá de cal em cima, pôs numa sepultura e cimentou para ele não vigorar mais. Fizemos de tudo para ele não vir à tona, não se expressar, no entanto se bobear ele volta. Ficou claro? Nosso campo vivencial apresenta uma vibração diferente porque aquele elemento está morto, mas se der campo, se surgir uma brecha, este elemento ressurge nas mesmas condições de ontem e passa a reintegrar a nossa personalidade de novo. E com o mesmo vigor e a mesma capacidade de atuação.

A cada momento nós estamos trabalhando o sistema de morte e de vida. Este é o mecanismo do crescimento consciente. A cada momento nós estamos tirando um componente da nossa maneira natural de vida e colocando outro renovado no mesmo lugar.

Estamos desativando o valor que se expressava e que em razão do imperativo do progresso deixou de atender. A questão é desativar. Porque se você desativa você passa a dominar o fulcro gerador daqueles planos, daquelas áreas. Certo? Quem desativa, domina. De modo que temos que insistir continuamente para que os novos padrões ganhem corpo, assimilar para implementarmos um sistema novo de vida. Como? Recolhendo a informação e operacionalizando a informação. E isto mata a criatura antiga e vivifica a nova expressão. E dá-se o crescimento do componente novo e a diminuição do caractere antigo.

Nosso propósito maior é o nascimento de uma nova personalidade, o que vai gerar dentro de cada um de nós o filho do homem. Logo, é preciso que o filho nasça para que o pai, sintetizado nos padrões antigos, sucumba. O filho tem que nascer para que o pai morra de forma efetiva, que ele seja eliminado. E o primeiro passo é entregar à morte. E sabe o que é entregar à morte? É o plano de assimilação do componente informativo, é o processo de metabolizar o padrão novo recebido.

Na medida em que vamos sedimentando os novos caracteres, os novos padrões, os reflexos antigos que dominavam, que faziam e aconteciam dentro da nossa estrutura íntima, eles vão como que ficando desativados, vão perdendo a força de expressão.

Agora, enquanto a criatura se mantiver na área mental das suas determinações, da sua vontade, permanecer no âmbito da vontade, restrita ao campo mental de sua proposta, ela está apenas entregando à morte, programando a morte, planejando a morte desses valores antigos. Acompanhou? Ela está vivendo ainda com esses valores superados. Ela apenas assimilou outros valores informativos. E ela vai precisar matar esses padrões, e matar está para além de apenas ingerir.

Matar pressupõe a aplicação dos novos componentes no dia a dia de sua vida. 

De forma que só tem uma maneira dessa morte ser constatada para se dar o atestado de óbito, espiritualmente falando. E sabe como? Pela vivência do novo padrão. Quando a individualidade entrou em um novo sistema de vida.

3 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 5

O SUBCONSCIENTE E A RESISTÊNCIA  

Cada um de nós, quer se admita ou não, traz consigo o somatório amplo de reflexos que arregimenta e vem formando no psiquismo ao longo dos milênios.

O que isso quer dizer? Que a alma registra todas as suas experiências do aprendizado das lutas da vida no próprio patrimônio íntimo. E elas ficam armazenadas onde? No subconsciente. Então, nós temos nessa faixa psíquica toda a soma das nossas conquistas milenares.

Todas as características morais que arregimentamos em cada existência física ficam incrustadas no organismo perispiritual. Cada espírito é um registro vivo de si mesmo, trazendo nos caminhos da vida os arquivos de si próprio. Todas as trajetórias, desde as mais recuadas, nele se encontram gravadas. Existem muitos reflexos incrustados na nossa personalidade. E por reflexos nós entendemos o quê? Marcas.

Cada um de nós tem uma soma de valores incrustados no íntimo. E o passado milenar apresenta para nós um sistema em bloco. Isto é interessante de se ter em conta.

Quando nós retornamos ao plano físico, pela sistemática da reencarnação, uma infinidade de caracteres formam um bloco envolvendo toda a experiência de trás e que está embutida dentro de nosso campo íntimo. Está dando para acompanhar? A soma de nossas experiências passadas define o nosso eu, define onde assentamos as bases da nossa vida. Uma enormidade de caracteres, que estão embutidos em nossa intimidade psíquica, forma esse bloco envolvendo toda a experiência de trás. Eu não sei se ficou bem claro, mas existem parcelas em nossa intimidade que formam um bloco de condução de nossa vida, que tem uma ação preponderante. Nós temos aspectos em nossa vida que lideram as nossas atitudes e que a gente custa a dar conta disso, custa a entender o funcionamento desse mecanismo.

O nascimento é difícil, sabe por quê? Por causa da soma ampla desses caracteres que trazemos.

Todos esses registros embutidos nos acompanham e são fatores didáticos de aprendizagem que nos projetam para o crescimento. Quando um espírito reencarna no plano físico, pelas portas do nascimento, ele traz consigo esses miríades de caracteres que formam esse bloco envolvendo toda a sua experiência do passado e embutida dentro da sua individualidade. Quando ele reencarna ele carrega na estrada terrena esse bloco, como se fosse uma mochila da qual não tem como se desvencilhar.

Percebeu? Ele traz consigo e carrega esse bloco, essa mochila. 

E é simplesmente impossível deixar essa bagagem para trás. Não tem jeito. Você recebe um corpo novo, mas uma bagagem nova não. Pegar uma mala nova, com novos caracteres, zero quilômetro de tendências e de registros, não dá. É por isso que a maioria dos seres humanos em lutas expiatórias pode ser considerado como alguém lutando para desfazer-se do seu passado culposo, de modo a ascender gradativamente para uma vida melhor.

Cada um de nós hoje está dando seus passos para uma nova etapa, tentando acertar a caminhada e alcançar uma nova proposta, mas carregando a sua mochila, o seu recipiente íntimo com todos os padrões até então trabalhados ao longo do grande passado.

Isso são nuances que não podem passar desapercebidas ao entendimento. A gente não tem como simplesmente pegar uma borracha ou uma esponja com um líquido de limpeza e tirar todos os reflexos que trazemos do passado. Não é assim.

O processo exige elaboração.

O componente novo que chega, que aprendemos e nos interessamos por ele, nós o jogamos em cima do campo interior, da nossa casa mental, que todo ele está ocupado. Ficou claro? 

Podemos e devemos nutrir propostas lindas, que vamos buscar acioná-las no campo prático da vida, todavia temos ângulos negativos que nos mantém ainda suscetíveis e nos prendem a situações menos felizes. A soma de valores que trazemos na nossa estrutura íntima, e que praticamente representa a base da nossa personalidade, que são todos os reflexos incrustados em nosso subconsciente, isso é alguma coisa que domina o território íntimo.

O plano mental de cada um de nós não é recipiente de conteúdo imaginário, é repositório de forças vivas!

Existe uma soma de caracteres embutidos na faixa de nosso consciente, e isso é óbvio. Porém, o plano consciente se assenta nos fundamentos do subconsciente. E, pelo fato do subconsciente ser a base, toda alteração no campo do consciente recebe muita ressonância em termos de magnetismo dessas expressões vindas de baixo. Está dando para entender ou será que eu estou falando grego?

Nossa tendência, toda ela, é conservadorista. O que quer dizer? Que as dificuldades na elaboração de uma nova personalidade surgem quando nós acionamos os valores novos, apreendidos pela informação, e os colocamos em relação direta com os padrões que até então estamos vivenciando, e que de forma alguma querem abrir mão do espaço conquistado. Ok?

Isso cria naturalmente um conflito.

Sempre que nos lançamos no campo da mudança, da alteração dos nossos recursos, nós entramos em choques.

A rebelião interna se dá porque todo o nosso acervo passado rejeita a nova mentalidade.

Os novos conceitos se chocam com as concepções antigas ali existentes, resultantes de uma mentalidade que não produz paz e tampouco ameniza a nossa cota de desconforto. Os valores repetitivos e dominantes que somam o bloco de nossos reflexos milenares emergem da nossa individualidade numa luta com os caracteres que buscamos implementar e que também estão dentro de nós.

Não dá outra. Isso cria um conflito inevitável entre a nova norma que aprendemos e os padrões nos quais trabalhamos em cima deles ao nível de conhecimento e conquista. Dá-se um conflito entre aquilo que se tem e o que se quer ter, entre aquilo que se faz e o que se precisa fazer, para se conseguir o novo patamar visualizado.

Quando você recebe um conhecimento novo, instala-se dentro de você o quê? Entre o valor que a sua consciência passa a indicar, que você tem que adotar e fazer, e os caracteres estruturados no pretérito, e que você não quer abrir mão deles, surge o quê? Você entra em luta com os reflexos ajustados na sua intimidade.

Está acompanhando? É bonito demais entender o mecanismo da evolução. As dificuldades emergem quando nós colocamos os valores novos que aprendemos em relação, ou melhor, em choque com os padrões que até então estamos vivenciando. Esses padrões novos chegam para nos propor uma situação diferente de vida e quando buscamos aplicá-los é que se instaura o conflito interior.

Quando entramos no plano natural de realização reeducacional com a espada instaura-se a guerra de mudança dentro de nós. Entre a linha orientadora que chega, que corresponde à proposta reeducacional, valores novos que nos são sugeridos, e os padrões que nós alimentamos, aplicamos, vivenciamos, abre-se uma guerra íntima. Começa a luta.

E haja luta! E haja esforço e persistência para vencer a luta! 

Porque esses valores que dominam o território não querem abrir mão do espaço. Estruturados em cima daquilo que nós asseguramos como verdade, eles resistem. 

A aprendizagem instala dentro de nós uma guerra: entre o componente novo que chega, oriundo da informação, e os caracteres formativos condicionados que possuímos no íntimo. É quando buscamos aplicar o valor novo assimilado, que objetiva criar nova claridade em nós, que entramos em guerra. Guerra entre este conceito que chegou, e que entendemos como sendo válido, e o conceito antigo que trazemos condicionado em nós pelos reflexos, e que não querem perder o domínio.

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