3 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 5

O SUBCONSCIENTE E A RESISTÊNCIA  

Cada um de nós, quer se admita ou não, traz consigo o somatório amplo de reflexos que arregimenta e vem formando no psiquismo ao longo dos milênios.

O que isso quer dizer? Que a alma registra todas as suas experiências do aprendizado das lutas da vida no próprio patrimônio íntimo. E elas ficam armazenadas onde? No subconsciente. Então, nós temos nessa faixa psíquica toda a soma das nossas conquistas milenares.

Todas as características morais que arregimentamos em cada existência física ficam incrustadas no organismo perispiritual. Cada espírito é um registro vivo de si mesmo, trazendo nos caminhos da vida os arquivos de si próprio. Todas as trajetórias, desde as mais recuadas, nele se encontram gravadas. Existem muitos reflexos incrustados na nossa personalidade. E por reflexos nós entendemos o quê? Marcas.

Cada um de nós tem uma soma de valores incrustados no íntimo. E o passado milenar apresenta para nós um sistema em bloco. Isto é interessante de se ter em conta.

Quando nós retornamos ao plano físico, pela sistemática da reencarnação, uma infinidade de caracteres formam um bloco envolvendo toda a experiência de trás e que está embutida dentro de nosso campo íntimo. Está dando para acompanhar? A soma de nossas experiências passadas define o nosso eu, define onde assentamos as bases da nossa vida. Uma enormidade de caracteres, que estão embutidos em nossa intimidade psíquica, forma esse bloco envolvendo toda a experiência de trás. Eu não sei se ficou bem claro, mas existem parcelas em nossa intimidade que formam um bloco de condução de nossa vida, que tem uma ação preponderante. Nós temos aspectos em nossa vida que lideram as nossas atitudes e que a gente custa a dar conta disso, custa a entender o funcionamento desse mecanismo.

O nascimento é difícil, sabe por quê? Por causa da soma ampla desses caracteres que trazemos.

Todos esses registros embutidos nos acompanham e são fatores didáticos de aprendizagem que nos projetam para o crescimento. Quando um espírito reencarna no plano físico, pelas portas do nascimento, ele traz consigo esses miríades de caracteres que formam esse bloco envolvendo toda a sua experiência do passado e embutida dentro da sua individualidade. Quando ele reencarna ele carrega na estrada terrena esse bloco, como se fosse uma mochila da qual não tem como se desvencilhar.

Percebeu? Ele traz consigo e carrega esse bloco, essa mochila. 

E é simplesmente impossível deixar essa bagagem para trás. Não tem jeito. Você recebe um corpo novo, mas uma bagagem nova não. Pegar uma mala nova, com novos caracteres, zero quilômetro de tendências e de registros, não dá. É por isso que a maioria dos seres humanos em lutas expiatórias pode ser considerado como alguém lutando para desfazer-se do seu passado culposo, de modo a ascender gradativamente para uma vida melhor.

Cada um de nós hoje está dando seus passos para uma nova etapa, tentando acertar a caminhada e alcançar uma nova proposta, mas carregando a sua mochila, o seu recipiente íntimo com todos os padrões até então trabalhados ao longo do grande passado.

Isso são nuances que não podem passar desapercebidas ao entendimento. A gente não tem como simplesmente pegar uma borracha ou uma esponja com um líquido de limpeza e tirar todos os reflexos que trazemos do passado. Não é assim.

O processo exige elaboração.

O componente novo que chega, que aprendemos e nos interessamos por ele, nós o jogamos em cima do campo interior, da nossa casa mental, que todo ele está ocupado. Ficou claro? 

Podemos e devemos nutrir propostas lindas, que vamos buscar acioná-las no campo prático da vida, todavia temos ângulos negativos que nos mantém ainda suscetíveis e nos prendem a situações menos felizes. A soma de valores que trazemos na nossa estrutura íntima, e que praticamente representa a base da nossa personalidade, que são todos os reflexos incrustados em nosso subconsciente, isso é alguma coisa que domina o território íntimo.

O plano mental de cada um de nós não é recipiente de conteúdo imaginário, é repositório de forças vivas!

Existe uma soma de caracteres embutidos na faixa de nosso consciente, e isso é óbvio. Porém, o plano consciente se assenta nos fundamentos do subconsciente. E, pelo fato do subconsciente ser a base, toda alteração no campo do consciente recebe muita ressonância em termos de magnetismo dessas expressões vindas de baixo. Está dando para entender ou será que eu estou falando grego?

Nossa tendência, toda ela, é conservadorista. O que quer dizer? Que as dificuldades na elaboração de uma nova personalidade surgem quando nós acionamos os valores novos, apreendidos pela informação, e os colocamos em relação direta com os padrões que até então estamos vivenciando, e que de forma alguma querem abrir mão do espaço conquistado. Ok?

Isso cria naturalmente um conflito.

Sempre que nos lançamos no campo da mudança, da alteração dos nossos recursos, nós entramos em choques.

A rebelião interna se dá porque todo o nosso acervo passado rejeita a nova mentalidade.

Os novos conceitos se chocam com as concepções antigas ali existentes, resultantes de uma mentalidade que não produz paz e tampouco ameniza a nossa cota de desconforto. Os valores repetitivos e dominantes que somam o bloco de nossos reflexos milenares emergem da nossa individualidade numa luta com os caracteres que buscamos implementar e que também estão dentro de nós.

Não dá outra. Isso cria um conflito inevitável entre a nova norma que aprendemos e os padrões nos quais trabalhamos em cima deles ao nível de conhecimento e conquista. Dá-se um conflito entre aquilo que se tem e o que se quer ter, entre aquilo que se faz e o que se precisa fazer, para se conseguir o novo patamar visualizado.

Quando você recebe um conhecimento novo, instala-se dentro de você o quê? Entre o valor que a sua consciência passa a indicar, que você tem que adotar e fazer, e os caracteres estruturados no pretérito, e que você não quer abrir mão deles, surge o quê? Você entra em luta com os reflexos ajustados na sua intimidade.

Está acompanhando? É bonito demais entender o mecanismo da evolução. As dificuldades emergem quando nós colocamos os valores novos que aprendemos em relação, ou melhor, em choque com os padrões que até então estamos vivenciando. Esses padrões novos chegam para nos propor uma situação diferente de vida e quando buscamos aplicá-los é que se instaura o conflito interior.

Quando entramos no plano natural de realização reeducacional com a espada instaura-se a guerra de mudança dentro de nós. Entre a linha orientadora que chega, que corresponde à proposta reeducacional, valores novos que nos são sugeridos, e os padrões que nós alimentamos, aplicamos, vivenciamos, abre-se uma guerra íntima. Começa a luta.

E haja luta! E haja esforço e persistência para vencer a luta! 

Porque esses valores que dominam o território não querem abrir mão do espaço. Estruturados em cima daquilo que nós asseguramos como verdade, eles resistem. 

A aprendizagem instala dentro de nós uma guerra: entre o componente novo que chega, oriundo da informação, e os caracteres formativos condicionados que possuímos no íntimo. É quando buscamos aplicar o valor novo assimilado, que objetiva criar nova claridade em nós, que entramos em guerra. Guerra entre este conceito que chegou, e que entendemos como sendo válido, e o conceito antigo que trazemos condicionado em nós pelos reflexos, e que não querem perder o domínio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...