10 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 6

A MORTE

“30PORQUE ESTAMOS NÓS TAMBÉM A TODA A HORA EM PERIGO? 31EU PROTESTO QUE CADA DIA MORRO, GLORIANDO-ME EM VÓS, IRMÃOS, POR CRISTO JESUS NOSSO SENHOR.” I CORÍNTIOS 15:30-31

“E O IRMÃO ENTREGARÁ À MORTE O IRMÃO, E O PAI O FILHO; E OS FILHOS SE LEVANTARÃO CONTRA OS PAIS, E OS MATARÃO.” MATEUS 10:21

A vida, em sua expressão essencial, espiritual, é o sistema de existência que cada individualidade elege. Cada criatura tem sua vida, que é a soma dos valores que ela cultiva e que cria a chama vivencial dela. Cada qual tem essa chama e vive hoje o contexto da vida que elegeu para si. Não é isso? Cada individualidade chega hoje trazendo consigo um contexto de vida. Esse contexto é como ela se veste, como ela se sente, como ela pensa, é como ela atua, como reage.

Agora, para se poder alcançar uma vida um pouco diferente, melhor, só mesmo a própria criatura se matando. Deu para pegar? Se ela não se matar ela não ressurge em outro patamar. Então, essa expressão de vida está sendo trabalhada para ser morta. Entendeu? Morta para quê? Para criar uma nova vida.

A finalidade dessa morte não é destruir o elemento, todavia vamos entender que sem morte não há ressurreição.

Essa morte é a desativação de componentes que vigoravam e que tinha expressão de vida, para dar lugar a novas expressões que irão entrar em um plano de vivência.

Quer dizer, a morte visa desativar o que tinha expressão viva dentro da gente e que já não nos atende mais, face ao imperativo do progresso. É preciso que haja uma proposta de morte dessa vida que não está nos atendendo, que deixou de ser conveniente e se tornou desconfortável. Ela morre ao mesmo tempo que ressuscita outra numa dimensão diferente. Pense para você ver, o conhecimento tem entregado tanta gente à morte, ou não tem? A gente lê uma página, ouve uma palestra, escuta uma orientação, e pensa: "Ai, meu Deus do céu, eu não posso mais continuar assim. Eu tenho que mudar isso, tenho que melhorar naquilo."

Resultado: a cada momento nós estamos trabalhando dentro de nós o sistema de morte e de vida.

Ao falar em matar, podemos usar a linguagem de Jesus no evangelho: "E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão" (Mateus 10:21). Parece uma linguagem relativamente dura, mas o que acontece é que quando se fala em morte no entendimento das lições divinas as pessoas geralmente conhecem apenas um gênero dela.

Porém, vamos notar de princípio que essa morte não é a desencarnação não. Ok? Não é a morte física.

Nós não estamos falando de morte no sentido físico, aliás, morte no evangelho não é para ser tratada de forma literal. A morte finalística nunca existe. Ficou claro isso? Não existe morte finalisticamente falando. Isto precisa ficar bem entendido. Quando falamos em morte nós podemos abordá-la sob vários aspectos, mas a morte nunca é finalística. Essa morte a qual nos referimos não visa matar e liquidar. Então, repetindo, estamos falando em morte e não é matar não.

A morte finalística não existe, e sabe por quê? Porque a morte não finda com a vida.

A vida está aqui no plano físico, como está lá no plano espiritual. E o que estamos tratando não é a morte fisicamente falando, não é a morte no sentido de cessação dos batimentos cardíacos, o coração parou e acabou a respiração. Não. Nada disso. Isso já era. Espiritualmente falando isso é uma questão que não atende mais.

É a morte de outra natureza. Estamos nos referindo à morte eleita por nós mesmos no plano reeducacional. Sabe qual morte? A morte das expressões que marcam a vida íntima da individualidade, a morte das concepções que o elemento trabalha com elas.

É a  morte em função da alteração e superação dos conceitos que a criatura nutre. 

Deu uma ideia? É um processo de luta reeducacional, de mudança de caracteres de vida no dia a dia. Morrer com a metodologia de vida que a gente tem levado. Afinal, o que nós estamos fazendo com o estudo é um processo de mortificação do homem velho pela ação das novas orientações que nos chegam.

Estamos elaborando uma morte que se dá pelo conteúdo que nos visita, e que promove a morte.

E uma coisa nós precisamos entender bem: essa morte a que estamos nos referindo não significa a eliminação. Não é uma morte definindo eliminação, não é morrer pelo fato de eliminar, acabar, extinguir. Não é morrer pela eliminação e pela violência. Não é por aí. Essa morte é no sentido de desativação.

Isso tem que ficar claro. O mecanismo é desativar, não é extinguir. Essa morte é a desvinculação daqueles padrões que vem nos prendendo à retaguarda. Se dá por um processo de desativação. É fazer com que os elementos que dominavam e comandavam a nossa vida não o façam mais. Nós estamos falando em uma morte no sentido de desativação dos reflexos que eram expressão de vida dentro de nós. Significa desativar os componentes que insistimos em manter e que dificultam a nossa capacidade de mudança que a realidade, por sua vez, sugere a cada dia. Eles deixam de assumir o posto de realização e de operação. Em suma, é a morte da nossa estrutura informativa e também formativa para ceder lugar a outra posição, outro ângulo da existência.

Essa desativação não quer dizer eliminação definitiva desses padrões. Essa morte não é extirpar. Isso não existe. A morte, voltamos a repetir, nunca é finalística.

A própria morte, na sua essência, não existe. Morte é uma terminologia usada, não existe propriamente morte. É morte no sentido de expressão de vida, no sentido de experiência vivencial, não de eliminação. Nessa morte esses reflexos se hibernam, se reduzem, encasulam em si próprios e são desativados.

No momento em que eu desativei determinado componente da minha estrutura psicológica, da minha condição mental, a minha irradiação de vida passa a não contar mais com aquele elemento. Porém, esses valores que estão na minha intimidade vão permanecer. Lá no fundinho do arquivo permanece a intimidade dos caracteres desativados, o potencial deles. É este o sentido da morte.

Os reflexos que trazemos podem ser desativados, desabilitados, jamais destruídos.

Então, nós temos certo caractere morto, quer dizer, desativado mediante uma transformação. Ele não está presente mais, a gente pôs uma pá de cal em cima, pôs numa sepultura e cimentou para ele não vigorar mais. Fizemos de tudo para ele não vir à tona, não se expressar, no entanto se bobear ele volta. Ficou claro? Nosso campo vivencial apresenta uma vibração diferente porque aquele elemento está morto, mas se der campo, se surgir uma brecha, este elemento ressurge nas mesmas condições de ontem e passa a reintegrar a nossa personalidade de novo. E com o mesmo vigor e a mesma capacidade de atuação.

A cada momento nós estamos trabalhando o sistema de morte e de vida. Este é o mecanismo do crescimento consciente. A cada momento nós estamos tirando um componente da nossa maneira natural de vida e colocando outro renovado no mesmo lugar.

Estamos desativando o valor que se expressava e que em razão do imperativo do progresso deixou de atender. A questão é desativar. Porque se você desativa você passa a dominar o fulcro gerador daqueles planos, daquelas áreas. Certo? Quem desativa, domina. De modo que temos que insistir continuamente para que os novos padrões ganhem corpo, assimilar para implementarmos um sistema novo de vida. Como? Recolhendo a informação e operacionalizando a informação. E isto mata a criatura antiga e vivifica a nova expressão. E dá-se o crescimento do componente novo e a diminuição do caractere antigo.

Nosso propósito maior é o nascimento de uma nova personalidade, o que vai gerar dentro de cada um de nós o filho do homem. Logo, é preciso que o filho nasça para que o pai, sintetizado nos padrões antigos, sucumba. O filho tem que nascer para que o pai morra de forma efetiva, que ele seja eliminado. E o primeiro passo é entregar à morte. E sabe o que é entregar à morte? É o plano de assimilação do componente informativo, é o processo de metabolizar o padrão novo recebido.

Na medida em que vamos sedimentando os novos caracteres, os novos padrões, os reflexos antigos que dominavam, que faziam e aconteciam dentro da nossa estrutura íntima, eles vão como que ficando desativados, vão perdendo a força de expressão.

Agora, enquanto a criatura se mantiver na área mental das suas determinações, da sua vontade, permanecer no âmbito da vontade, restrita ao campo mental de sua proposta, ela está apenas entregando à morte, programando a morte, planejando a morte desses valores antigos. Acompanhou? Ela está vivendo ainda com esses valores superados. Ela apenas assimilou outros valores informativos. E ela vai precisar matar esses padrões, e matar está para além de apenas ingerir.

Matar pressupõe a aplicação dos novos componentes no dia a dia de sua vida. 

De forma que só tem uma maneira dessa morte ser constatada para se dar o atestado de óbito, espiritualmente falando. E sabe como? Pela vivência do novo padrão. Quando a individualidade entrou em um novo sistema de vida.

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