31 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 9

A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA I

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

O texto fala em letra e espírito. E o que é a letra? A princípio, vamos notar que a letra do evangelho não é a essência do conhecimento. Ok? A letra não é a essência, o espírito é que é, todavia mesmo não sendo a essência ela faz um papel importantíssimo.

Basta analisar que não é possível direcionar uma essência, levar uma essência, seja ela de qual natureza for, sem um instrumento de natureza exterior que a encaminhe. Uma essência não pode ficar esparsa, solta, ao léu, ela precisa estar contida em algo, em um invólucro, envolvida em uma embalagem e esse algo é a letra.

Então, a letra é a embalagem, é o invólucro, o instrumento material que traz em seu íntimo todo o conteúdo. 

Ela é a forma, o componente exterior. É como se fosse uma caixa ou como se fosse a casca de uma fruta que envolve, protege e contém em seu íntimo o próprio fruto.

A letra é o veículo, a expressão periférica, o componente de natureza exterior. O elemento que traz as revelações, o canal, o instrumento comunicador responsável pela veiculação e encaminhamento de toda a essência que se encontra dentro de si mesma. A letra aponta e direciona uma mensagem que está contida em seu interior. Canaliza para uma essência contida em seu íntimo, afinal não há como direcionar qualquer essência sem uma letra que a transporte.

A letra é o dispositivo legal, instrumento revelador da verdade. Material didático que tem que ser trabalhado, decodificado. Repare que todo mecanismo de evolução visa direcionar uma essência. E como tudo na natureza se transforma, os valores estruturais são suscetíveis de alteração, de forma que a letra se forma e se decompõe.

Outro ponto é que letra não realiza o trabalho vivificante, isso é questão do espírito.

A letra é objeto que temos que usar para decodificar a mensagem que nos chega.

Está dando para acompanhar? Ela é o casulo que mantém guardada a essência dos ensinamentos, faz o papel de síntese para abrir uma nova proposta de vida interior. O que ela faz é nos conduzir de maneira aprofundada para o componente espiritual. Ela nos encaminha, faz o trabalho como que de enxada abrindo o solo do coração para um tesouro que é de nossa própria iniciativa pessoal alcançar.

A parte de fora do evangelho é a letra. E o que estamos buscando num estudo como este? Tentar ver o que tem dentro da letra. Estamos querendo ir além da parte periférica e ter acesso ao conteúdo, à essência do conhecimento. É por isto que interpretar é pegar a letra e ver o que tem dentro dela, porque o espírito, sim, é a essência, é o conteúdo, o aprendizado efetivo, o fator vivificante.

Todas as lições presentes em todos os livros da bíblia tem tanto aspectos literais, que é a parte exterior, como tem também as partes de profundidade, de característica espiritual na intimidade delas. O que é necessário é realizar um trabalho de extrair o espírito de dentro da letra, porque se a letra representa a verbalização de lá para cá, o amor por sua vez é manifestação de cá para lá.

Vamos observar que inicialmente, por meio da nossa busca, resultante daquilo que o nosso íntimo grita e deseja, a palavra que chega passa ser assimilada por nosso grau de percepção. E nós passamos a apreender padrões novos, a ingerir valores informativos. 

Lembrando que cada individualidade vai decodificando o fator novo, assimilando e enxergando aquele ângulo quase sempre compatível com os seus próprios padrões e as suas necessidades. Entendeu essa parte? Cada qual interpreta o que chega com o que tem dentro de si. Dessa forma, a palavra recebida penetra o corpo. Não o corpo físico, material, óbvio, penetra o corpo de concepções, o corpo de ideias, de conceituações e valores íntimos.

E qual objetivo finalístico da letra? O texto é claro, a letra mata. Certo? Para ser mais completo, a letra mata e espírito vivifica. Logo, se a letra mata, o início é pela letra. 

E alguém pode perguntar como é que a letra mata, como ela consegue matar.

O que acontece é que a letra é a proposta de justiça que nós ingerimos. A primeira coisa no processo de evolução consciente é o conhecimento que nos visita, são as linhas delineadas de uma nova vida que chegam. Chega em forma de letra e ela começa a apontar situações que vivemos e que necessitam ser reexaminadas e recicladas. Por esta razão é que quando trabalhamos a letra nós estamos trabalhando os instrumentos da morte. A letra cria um estado de morte, isto é, ela nos coloca em uma ameaça de morte. Este é o papel, nas faixas mais exteriores do evangelho vigora a letra que faz um papel de morte, de entregar à morte.

O detalhe é que a letra só mata quando ela é percebida, quando não é ela não tem perigo nenhum de matar. Aliás, estamos cansados de ver coisas e de aprender coisas que não propiciam alteração nenhuma, que não mudam nada. Concorda?

É comum alguém dizer assim, após conversar com uma pessoa: "Pois é, eu falei algumas coisas para ele, pra ver se ele acorda. E se ele pensar no que falei, vai ter que refletir." Mas quer saber? Muita vezes não pensa. Às vezes, o que ouviu vai passar o resto da vida e vai desencarnar sem ter pensado naquilo. Porque aquilo não é algo interessante na ótica perceptiva dele. Ele não está nem aí. Ele está com a cabeça voltada para outras coisas, aquilo não lhe interessa.

Às vezes, também, acontece de um fio da espada tocar apenas o plano perceptivo de entendimento do indivíduo. Ou seja, ele entendeu o que chegou, mas o outro lado, que é o lado do seu sentimento, não foi tocado. Aprendeu, mas não acolheu. Ele entendeu racionalmente, achou lógico, achou válido, achou interessante, mas não passou disso. O toque não foi além, ele não se sensibilizou.

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