10 de ago de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 10

A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA II

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

A letra, ao encontrar nosso plano de percepção, cria quase que de forma instantânea um estado de luta dentro da gente. Cria o conflito decorrente da necessidade intrínseca de se conquistar a paz. Por isto, a lição de Jesus é conhecida como a espada renovadora, o instrumento de luta íntima e geratriz da paz com o qual deve o homem lutar consigo mesmo extirpando os velhos inimigos do seu coração.

A letra aponta uma mensagem e se ela nos atinge é porque estamos em um campo de reação.

Então, não se inquiete. Todo conhecimento gera conflito quando chega. E esse conflito instaurado, essa luta franca e aberta, representa sabe o quê? Um componente que integra o sistema educacional de forma natural. É normal, no mecanismo da evolução ele aparece como um dos elementos que marcam de forma decisiva a metodologia da aprendizagem. A instrução (informação) que chega gera a luta e a formação educacional (aplicação) produz a paz, porque a paz é decorrente da luta. 

Sem luta não há paz. 

A informação detona a luta e a aplicação dessa instrução no campo prático da vida, a nível de formação de novos padrões, garante a paz. E na proporção em que vamos operando com clareza em cima do novo valor recebido nós vamos assinando os tratados de paz na vida consciencial. Vamos aprendendo a nos administrar.

O objetivo dessa luta é matar a criatura antiga (homem velho) e, ao mesmo tempo, vivificar a nova expressão (filho do homem). É esse o objetivo, nem mais nem menos.

E dessa morte, ou melhor dizendo, dessa pseudo-morte, em tese eu ressuscito na nova vida que eu proponho.

Quer dizer, a letra faz o papel de eliminação, de desativação, e a essência faz o papel de reedificação. A letra mata uma expressão de vida para fazer surgir uma outra feição de vivência.

Está conseguindo acompanhar? A letra fala para o homem velho e a expressão vivificante fala para o homem novo que quer nascer (o filho do homem). No sentido literal a letra (ou espada) mata, tem o objetivo finalístico de aniquilar uma expressão anterior, e no sentido essencial, substancial, ressurge na frente com novas colocações. Mata uma expressão de vida para fazer surgir outra feição de vivência.

A letra que chega de fora mata toda a configuração que selecionamos como suscetível de morrer, e por dentro tem o componente de vivificação que nós estamos tentando trabalhar com ele. A letra (espada) penetra e altera, de forma finalística, toda uma estrutura formada do ser. Em outras palavras, transforma. Funciona para matar a lei e fazer vivificar uma dimensão nova na moldura do amor.

Assim, na medida em que penetramos em espírito e verdade, na intimidade da letra, nós começamos a transformar o que era decretação de morte em uma eleição de vida em nova posição. Vivificamos na essência que a letra trouxe e mantemos uma vida tal que eliminamos a nossa maneira de viver de antes, mas sem perder o direito de existir em vida plena à partir daí.

Se você pensar bem, a cada momento nós estamos criando uma morte que atrás dela vibra uma vida abundante e melhor.

É uma morte que representa revivificação, morte que representa ressurreição.

O que é captado pela informação, como revelação, passa a ser componente de vida, de experiência, e essa experiência cria sabe o quê? Um sistema de morte para aquilo que era a nossa forma de viver. Quer dizer, a aplicação do valor novo vai matando uma soma de conceitos e de concepções e vai, ao mesmo tempo, abrindo um novo processo em termos de vivência. A gente vai vivendo o novo valor e isso vai reformulando os conceitos, vai mudando as concepções, vai alterando a nossa base. Valendo lembrar que nem sempre essa morte é imediata, nem sempre ela ocorre logo após a assimilação.

A letra mata. E a letra corresponde ao componente exterior. O próprio sofrimento que nos alcança representa a letra.

Todavia, como a proposta da lei não é apenas respaldar o destino e fazer com que paguemos a nossa dívida, ela busca acima de tudo nos direcionar para uma nova linha de crescimento. Quer dizer, a parte periférica da letra mata o conceito anterior, só que essa letra ou essa espada da lei não tem o objetivo de matar, ela visa a edificação do espírito atrás dessa morte aparente que avoca.

Porque o que tem dentro da letra ou da lei, que é a essência, não vem para matar, vem para fazer ressurgir uma nova personalidade. Ficou claro? A essencialidade contida na letra não vem para matar efetivamente, vem para dar vida a uma expressão nova.

A própria dor traz uma mensagem e uma essencialidade contida dentro dela, busca trazer vida em um parâmetro melhor. Daí, vamos entender de uma vez por todas que o sofrimento, como letra, não chega para acabar com a vida de ninguém. No campo profundo da alma a proposta das provações é matar, sim, mas matar para redirecionar o destino da pessoas a uma outra sistemática de vida.

O valor vem trabalhar a intimidade da individualidade de forma a projetar outra forma de viver.

É por isto que é preciso saber assimilar para implementar um sistema novo. É algo para a gente pensar com carinho. 

A letra mata, mas se nós não soubermos aprofundar além dessa letra, se nós não colocarmos um aprofundamento para que a vida surja dessa letra, para que redimensionemos os padrões mantenedores da nossa própria vida em novos parâmetros, em outros ângulos, não avançamos, desperdiçamos a oportunidade e simplesmente não damos o sentido dinâmico para o crescimento.

Sempre vamos lidar com esse mecanismo na jornada. Sempre. Razão pela qual, para que a evolução aconteça a paciência tem que ser acionada. Vamos guardar o seguinte: nada na vida é sem sentido. Pode até parecer não ter sentido às vezes, mas nada acontece sem finalidade. Atrás de toda a circunstância existe algo a ser transmitido.

O que precisamos é saber entender a mensagem dos acontecimentos. Como na passagem do cego de Jericó, o importante é a gente ter vista, a gente saber entender as coisas. 

E a conclusão disto é que tudo se torna bem enriquecedor quando conseguimos encontrar e entender a mensagem que vigora atrás dos acontecimentos que nos visitam. Lembrando que esse matar não é um matar para morrer, mas matar para reviver, porque no contexto da grandeza de Deus, da bondade Dele, não existe morte, existe propostas de vida.

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