14 de ago de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 11

O REFREAMENTO

No primeiro toque da revelação é possível notar que ela vai nos exigir certa postura de refreamento. Basta lembrar que ela sempre nos chega sob a forma de justiça.

O sistema de refreamento é um dos lados (ou gumes) da espada. Certo? Vamos entender de forma clara: um lado da espada trabalha o aspecto do não fazer.

Isto precisa ficar bem claro para nós. Vamos crescer usando a espada de dois gumes. E o primeiro lado desativa as influências mais intensivas dos reflexos inferiores que nós sentimos são possíveis de serem superados. 

Visa cercear a linha que emerge do nosso subconsciente e que pode nos levar a situações tristes e às quedas. Deu uma ideia? A espada é um instrumento de progresso que inicialmente corta as nossas más inclinações em uma postura de intensa batalha íntima pela continência de nossos impulsos menos felizes. 

O erguimento da espada reeducacional praticamente apara e corta os elementos de natureza inferior que nós ainda cultivamos. Aponta aquele ângulo em que cada dia vamos cortando uma parcela da complicação, vamos cortando as arestas representativas das nossas dificuldades, das nossas falhas, dos nossos vícios.

Não tem outra, para levarmos a efeito a edificação sublime precisamos começar pela disciplina de nós mesmos.

Acho que não há dúvida a este respeito. Estamos todos, cada qual a seu modo, tentando recompor e reestruturar nossas vidas, e se estamos trabalhando a questão da morte dos padrões menos felizes sabemos que essa morte se expressa pela desativação dos mesmos, como sabemos que não triunfaremos no mundo apenas em função daquilo que fizermos, mas igualmente pelo que deixarmos de fazer no âmbito de nossas falsas grandezas.  Isso, sem contar que em meio às nossas ações e reações do dia a dia nos é dado medir a paz que já alcançamos.

Vamos falar uma coisa, sem crítica: Qual é o ponto básico, fundamental, que vigora no meio das religiões tradicionais com o objetivo de se conseguir essa desativação? Você já reparou? Já pensou nisso? É um acerto na ótica dos seguidores. 

Eu não estou dizendo isso para criticar ninguém. De forma alguma, mas é o não posso beber, não posso falar palavrão, não posso vestir tal roupa, não posso passar em tal lugar, não posso me relacionar com tal pessoa, não posso fazer isso, não posso fazer aquilo, e haja não posso. Fica tudo debaixo de cordas, amarrado, cerceado, bloqueado. E muita gente tem vivido assim. 

Esse é um método que visa a desativação unicamente pelo mecanismo da justiça. Quer dizer, consiste apenas no bloqueio da manifestação indesejada e nada mais. 

Fica restrito à postura do refreamento, do não fazer. Ocorre pela pressão de fora para dentro no sentido de evitar a exteriorização do padrão que se quer desativar. Trabalha-se apenas cerceando ou evitando a manifestação dos reflexos inferiores, o que, aliás, é um método relativamente dolorido e que pode, inclusive, levar o indivíduo a um processo místico e fanatizante.

A gente fala em reeducação e a maioria das pessoas fica só no tamponamento dos erros, no cerceamento das condutas menos felizes. E não é por aí. Só bloquear as manifestações das faixas inferiores da personalidade ou só dando certos lances ocasionais de conduta feliz talvez não atenda à segurança e harmonia de alguém.

É só pensar. O pensamento represado é uma carga inestancável. Vira uma panela de pressão. E se a individualidade apenas bloqueia a sua manifestação ela pode como que ir se acumulando, e quando essa carga expande, o que acontece? Não é difícil imaginar. Sai de baixo, aquilo pode sair de uma forma sem controle.

A soma irreverente de nossos padrões, e que cada qual trás consigo do pretérito, ainda domina a gente. Então, nós temos que ficar atentos, temos mesmo que tamponar e colocar barreiras para que eles não se expressem de forma contundente. Em muitas ocasiões, precisamos mesmo colocar corda, amarrar.

Mas é preciso entender e analisar a questão de uma maneira mais profunda, de maneira mais abrangente. Em outras palavras, é preciso ir além dessas amarras.

Analise o seguinte: alguém vai viver amarrado, vai viver controlado a vida inteira? Está entendendo? Ninguém vai. Aliás, mais cedo ou mais tarde na trajetória da evolução sempre vai chegar um momento em que vai ter que soltar o indivíduo, que vai ter que desamarrar. Por isso, tem que ver como é que o processo vai evoluir a nível prático para que essas cordas possam ser desamarradas e afrouxadas gradativamente e a criatura possa entrar num padrão novo que vai ser capaz de sedimentar a desativação. Tem que pensar e trabalhar para que isso aconteça.

Logo, as ações tem que se conjugar adequadamente. É preciso trabalhar de fora para dentro no plano de contenção, no plano de bloqueio, de controle das manifestações difíceis, mas também vai ser preciso haver uma incorporação de dentro para fora no plano operacional de novas diretrizes, de novos ângulos. Ficou claro?

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