20 de ago de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 12

A IMPLANTAÇÃO

Essa desativação que nós estamos estudando pode se processar de duas formas: por meio da justiça ou por meio da vivência do evangelho. Aliás, é bom lembrar que todas as vezes em que assimilamos a palavra nós passamos a operar com dois instrumentos fundamentais que são o instrumento da morte e o instrumento da vida.

Temos que buscar crescer na marcha gradativa utilizando essa espada de dois gumes. Quer dizer, aprendemos e evoluímos de forma simultânea pelo impositivo da justiça, de fora para dentro, como também em função da revelação do amor.

Essa espada de dois gumes é utilizada, em tese, por todos aqueles que começam a abrir o campo dos seus valores intelectivos na busca de realizações espirituais. Ela é trabalhada em várias partes do evangelho e em outros livros da bíblia vamos notar igualmente a sua presença.

É muito bonito e interessante esse sistema e nele vigora uma sincronia extraordinária. A evolução em favor da nossa felicidade caracteriza-se pela luta com essa espada.

E afinal de contas, se ela tem dois lados quais são eles?

A espada funciona com uma sistemática de ação em que vamos tentando, pelo conhecimento, realizar dois pontos fundamentais. Ou seja, entramos em um sistema de luta e de investimento para conseguir realizar duas coisas de forma simultânea. Primeiro, trabalhar cerceando as manifestações intempestivas e irreverentes dos reflexos que dominam de forma automática dentro da gente. Deu uma ideia?

Um lado da espada opera sob o aspecto negativo, do não fazer. Visa cercear as manifestações indesejáveis, desativar as nossas dificuldades, cortar um pouco da complicação a cada dia.

E o outro lado objetiva trabalhar o aspecto positivo, do fazer, operar com componentes novos sensibilizando a nossa intimidade para outros ângulos de ação.

Este segundo lado praticamente abre caminhos para novas propostas de realização. Implementa padrões novos pelo superconsciente. Paralelamente àquela linha inicial de refreamento, busca arregimentar novos caracteres na formação de uma nova personalidade.

Em suma, os dois lados definem que é essa espada que elimina o que há de ruim em nossas experiências e, ao mesmo tempo, nos faz selecionar novos pensamentos, palavras e ações que nos garantem a vitória sobre nós mesmos. Acompanhou?

A espada de Jesus é a única capaz de promover a paz interna. Não tem outra, só ela é capaz de criar a paz verdadeira, a paz que traz saúde e alegria ao espírito.

Na medida em que adentramos em uma postura nova, nós a avocamos mediante uma eleição de mudança de dentro para fora e passamos a cuidar da solução dos nossos problemas sem os lances duros do sofrimento periférico de fora para dentro. Entendeu esta parte? É muito importante essa questão, porque essa espada só pode ser empunhada por nós mesmos, de forma consciente  e com iniciativa e espontaneidade. Ela só pode ser avocada de dentro para fora, pela adesão firme do sentimento e com o uso da nossa vontade.

A gente não precisa sofrer tanto. O evangelho aponta a melhor maneira de sanearmos as nossas dificuldades, sejam elas quais forem. A sua sistemática é infinitamente menos dolorida. É uma forma suave e vem sendo trabalhada de maneira tranquila. Com outro detalhe fundamental, o que ela conquista é duradouro.

No campo das concepções mentais, mais precisamente do pensamento, ela é suscetível de projetar uma vida mais segura e feliz, que é a vida que Jesus definiu como sendo abundante. De forma que quanto mais trabalharmos em uma nova postura vibracional, vai acontecendo que nós vamos conseguindo transformar a nossa configuração íntima em uma base mais firme e mais harmônica.

O segundo gume da espada se caracteriza pelo sentido operacional. Abre terreno para recebimento de novos padrões no intuito de alcançarmos o crescimento consciente. Consiste no chamamento para fazermos aquilo que já sabemos, mas não fazemos ainda. É só a gente pensar um pouco: a questão é apenas tamponar aspectos da nossa imperfeição ou fazer por onde abrir perspectivas novas de crescimento? Porque uma espada pode ter um papel acentuadamente intimidador, como pode também apresentar sugestão de ação e trabalho. E o pressuposto básico para quem quer evoluir de forma consciente é subir os degraus com segurança e tranquilidade em uma linha de dentro para fora.

A mudança que você deseja na sua vida, e que eu desejo na minha, essa alteração que desejamos para melhor com certeza não vai ocorrer pelo constrangimento, pelo cerceamento, pelo bloqueio, mas por uma capacidade assimilativa.

Quer dizer, para desativar um ponto, seja ele qual for, nós temos que ativar outro.

É assim que o mecanismo evolutivo se desenvolve. A proposta passa a ser a assimilação. É necessário que outro elemento, outro valor novo, seja capaz de apresentar um grau de interesse acima daquele ponto a ser superado. A desativação por meio do evangelho decorre da ativação de novos padrões, é a desativação decorrente da ativação de outros componentes, de novos caracteres.

Está acompanhando o raciocínio? Uma terapia eficiente não se dá só pelo cerceamento, e sim pela laboração simultânea de padrões positivos. Isto tem que ficar muito claro, não dá para a gente avançar no estudo sem o devido entendimento a este respeito. Ninguém vai erradicar um vício unicamente pelo refreamento da ação. Sabe porquê? Porque se ocorrer simplesmente um tamponamento no interesse é provável que aquilo que se quer superar volte novamente mais cedo ou mais tarde, e o que é pior, volte ainda de forma bem mais intensa. Então, vamos guardar: para que eu cerceie a manifestação de pontos negativos eu tenho que gradativamente incorporar outros de natureza positiva.

A cada momento nós estamos desativando alguma coisa. Já pensou nisso? A cada momento nós estamos desativando, mas só teremos êxito nessa desativação se, ao mesmo tempo, estivermos edificando caracteres novos. Porque não tem como retirar alguma coisa sem uma respectiva substituição.

A reestruturação ocorre pela mudança da postura mental e também pela sedimentação de novas posições por meio da prática de valores positivos. Essa é a maneira acertada. O que sedimenta a morte? O nascimento em um novo ângulo.

Você ativa outras frentes e acaba sendo feliz no que diz respeito à vitória sobre os chamamentos que eram comuns. Só é possível êxito na desativação se, ao mesmo tempo, houver a edificação de aspectos novos, se houver a abertura de potenciais capazes de reduzir a intensidade daqueles ângulos negativos suscetíveis de levar a criatura a sofrimentos e desequilíbrios. Logo, a sistemática é recolher a informação e operar a informação. Aprender e fazer o que aprendeu. Isso mata a antiga postura do indivíduo e o revivifica em outra posição.

Se objetivamos a redenção espiritual, somos todos convocados a um piso de harmonia e paz no momento oportuno. Tanto a regeneração quanto a evolução não se alcançam sem um preço e o mecanismo ascensional exige planejamento, estudo e elaboração. A morte que nós buscamos decorre da luta, ocorre pela aplicação dessa espada em uma postura pessoal de testemunho.

Então, de forma resoluta lutemos para fixar componentes novos no intuito de apaziguarmos nosso espírito, pois se soubermos suar no trabalho honesto não precisaremos chorar depois no resgate justo.

A questão básica é saber se vivemos no Cristo tanto quanto ele vive em nós, porque não existe tranquilidade real em nossa consciência sem a sua presença. Mais cedo ou mais tarde, todos nós que transitamos nas estradas do mundo aprendemos uma coisa: crescimento sem a vivência do evangelho não é evolução, é ilusão!

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