25 de ago de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 13 (Final)

A ESPADA DA JUSTIÇA

A vida de uma certa forma, indiretamente, exige que a gente mude, que a gente melhore. Isto está implícito na lei divina, está preceituado na determinação divina. Tanto está que para além do nosso livre-arbítrio, que é relativo, vigora o determinismo divino a indicar que todos estamos determinados a evoluir.

Até aí eu acredito que não exista dúvida.

E a espada, como vimos, tem a finalidade de propiciar a morte, a desativação dos padrões intrínsecos vigorantes para o surgimento da vida em nova configuração. Agora, o fato é que podemos escolher a maneira dessa mudança ocorrer. Não podemos? É claro que podemos. E para isso nós temos o livre-arbítrio ao nosso dispor.

Como todo sistema de crescimento consciente inicia-se por uma possibilidade de escolha, podemos enfatizar essa mudança sob dois parâmetros, podemos evoluir escolhendo a espada que melhor nos agrada. Quer dizer, avançamos usando a espada de Jesus, avocando princípios do amor por uma linha de dentro para fora, ou somos empurrados pelos imperativos da justiça mediante os impactos menos felizes da vida de fora para dentro. Como se diz na linguagem popular, ou nós vamos pelo amor ou vamos pela dor. Mas que vamos, vamos!

Não podemos desconsiderar esse entendimento de forma alguma. A questão é saber qual aspecto vamos privilegiar.

A espada do cristo só pode ser avocada de dentro para fora. Ela chega ao nível da educação sob a tutela áurea do amor. Somente ela vem e nos orienta. Por ela aprendemos o caminho de forma suave, por uma capacidade de assimilar a nível informativo. Ela chega para nos fazer realizar um trabalho no campo psíquico. Mudamos por meio dela a nossa conduta de vida. Aprendemos e apropriamos o conteúdo pela prática do que ela ensina dentro do mecanismo de formação de caracteres.

É uma questão de lógica, pois aquele que muda de dentro para fora escolhe, seleciona os mecanismos de vida. E cá pra nós, é infinitamente melhor mudar anteriormente, de dentro para fora, do que sermos constrangidos a mudar de fora para dentro.

E quando não agimos no sentido de acionar a luta interior, quando não aceitamos vivificar o espírito pela luta íntima com essa espada seletiva, sabe o que acontece? Mecanismos externos passam a atuar sobre nós. Se ficamos indiferentes à busca consciente por melhoria a mudança passa a ser operada por uma fisionomia sofrida de fora para dentro. Está percebendo? Ou mudamos de dentro para fora ou somos mudados de fora para dentro pelas circunstâncias menos felizes. Em outras palavras, ou mudamos ou mudarão.

Mas o importante é que quando o tempo está determinado para o crescimento, se não for de dentro para fora, de maneira suave e espontânea, vai de fora para dentro pela imposição da mudança, sob a tutela da justiça. Aí avançamos pelo plano da justiça, aprendemos pelo impacto dos acontecimentos. Avançamos mediante os constrangimentos da dor, recebendo a espada da justiça de fora para dentro. Ficou claro? Muda-se a configuração, o indivíduo passa a mudar pelo constrangimento da dor.

A vida tem nos ensinado isso, continuadamente. Todas as vezes que a faixa interior não foi capaz de remodelar, reestruturar e reajustar, ficamos sujeitos à reforma oriunda do plano exterior. Quer dizer, ao invés de usarmos a espada do Cristo e desarmar o coração, a espada da lei, representada pelas circunstâncias que surgem, passa a agir de fora para dentro exercendo pressão na linha da individualidade.

A espada da lei chega sem avisar e passa a agir. Dá-se o sofrimento imposto de fora para dentro.

O interessante é que não precisamos ir muito longe para entender essa lição. Basta a gente olhar à nossa volta e vamos ver inúmeros exemplos e inúmeras expressões de comunicação de fora para dentro definindo esse chamamento. O indivíduo que está recebendo essas pressões de fora ele é obrigado a mudar, ele é constrangido a ajustar-se, a buscar melhoria, de uma forma ou de outra. Você não conhece aquele ditado que diz que a necessidade faz o sapo pular? Pois então, a questão é que quase sempre essa mudança vai ser debaixo de um sofrimento maior.

Os ângulos que propõe o crescimento passam a se manifestar não em função de uma eleição ou de uma conduta adequada, mas o ensinamento vem pelo constrangimento em cima da dor criada pela própria pessoa. O aprendizado chega sob as expressões menos felizes das lágrimas e, não raras vezes, essa luta de fora para dentro cria inconformação, revolta, desilusão, frustração, tristeza e sensação de perda.

A grande verdade é que em razão da nossa teimosia e fragilidade em aplicar a lei divina, se não nos ajustamos ao imperativo do progresso e buscamos crescer de dentro para fora, usando a espada do Cristo, a espada da justiça passa a agir e faz o papel cortante no âmbito da lei de causa e efeito. Ou seja, quando não aceitamos vivificar o espírito pela luta íntima a espada chega na sua feição literal e mata de fora para dentro tentando, pela retirada de um estado de conforto e segurança, nos chamar a uma nova postura. A dor chega vem avisar, chega sem anúncio prévio, o acontecimento exterior chega e corta o barato da criatura.

A realidade chega e esfacela a ilusão. 

O exército da realidade maior chega para intimar a individualidade ao justo redirecionamento, colocando os valores em ordem para a reparação, recomeço, submissão e aprendizagem. Esses elementos menos felizes de fora para dentro cortam a pseudo ou legítima posição do indivíduo no contexto.

Em suma, as circunstâncias externas visam agir sobre todo aquele que não edificou a si próprio.

O ensinamento é muito profundo: todo aquele que ainda não se despertou está caminhando para problemas de sofrimento e lágrimas amanhã. E isto não sou eu que estou dizendo. É da lei! Nós precisamos entender isto com tranquilidade.

Tem muita gente mudando porque a espada cortou de fora para dentro. A vida está cheia de situações assim. Todos nós temos inúmeros exemplos perto da gente. A dor faz um papel extraordinário chamando as criaturas. Precisamos de muita calma nos momentos de dificuldades, sejam elas nossas ou de outrem, porque existem muitos envolvidos pelas dores e aflições maiores que estão sob a tutela da lei. Está percebendo? Estão debaixo da necessidade de se despertarem para certos ângulos. Pense nisso. Muitos irmãos de humanidade precisam ser trabalhados ainda pelos processos tristes e violentos da educação do mundo.

Não são poucas as ocasiões em que surge uma proposta de fora para dentro a fim de que a pessoa possa ativar de dentro para fora uma nova postura diante da própria vida.

A espada da lei busca direcionar o ser para que ele empunhe a espada de Jesus.

Ela visa aparar a linha de ação para melhor. Então, não fique triste com o que eu estou dizendo. Faz parte da vida. A resposta da lei também tem o caráter de espada. Toda disciplina imposta externamente é caminho, até que a alma encontre a capacidade de realizar o plano disciplinador de dentro para fora sob o parâmetro do amor.

E para concluir vamos pensar no seguinte: a espada não é a palavra? Nós já vimos que é. Logo, vamos avaliar no fundo do coração, para o nosso próprio bem, como temos utilizado a palavra no dia a dia, especialmente nas relações com os semelhantes.

Vamos analisar com atenção a natureza do que temos verbalizado e lançado no terreno do destino. Porque, às vezes, uma palavra nossa mal direcionada pode machucar alguém. Não pode? Machuca e nós nem notamos o peso dela. No momento em que a nossa fala sai de forma dura, coercitiva, ríspida para com o semelhante, nós estamos ferindo ou maltratando. Isso acontece. Em quantas ocasiões nós usamos indevidamente a palavra para ferir, magoar, menosprezar e entristecer o nosso semelhante? Falamos bobagem, acusamos, maltratamos e tiramos o bem estar dos outros pela nossa voz e dureza das palavras.

A gente costuma machucar os outros até em nome da verdade. Vamos pensar. Inúmeras expressões verbalizadas que soltamos também podem representar manifestações das nossas dificuldades, das nossas fraquezas e imperfeições. E tem só mais um ponto importantíssimo. Em qualquer tempo e em qualquer ambiente nós sempre vamos receber segundo o que exteriorizamos. Sempre. Assim, como instrumento que nós avocamos a espada é algo que pode nos machucar consideravelmente no campo cármico das responsabilidades. Afinal, a gente não conhece aquele ditado popular que diz que "a palavra é o chicote do corpo"? Pois então. Vamos levar conosco o ensinamento de Simão Pedro: "Quem quer amar a vida e ver os dias felizes, refreie a sua língua do mal." (I Pedro 3:10).

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