28 de ago de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 1

RELIGIÃO I

Com o objetivo de preservar os seres humanos, seus filhos, dos perigos presentes ao longo da jornada evolutiva, Deus direcionou a luz do conhecimento superior de modo a acordar as almas para a glorificação imortal. 

Quer dizer, sua misericórdia suprema confiou à religião a tarefa de velar pelo desenvolvimento das almas, propiciando-lhes abençoadas luzes para a jornada de ascensão.

E na inquietação que lhe é característica, o que o homem fez? Dividiu-se em numerosas religiões.

E o que é religião? À primeira vista, é a crença em uma força considerada criadora do universo que deve ser adorada e obedecida e a manifestação dessa crença por meio de doutrina e ritual próprios, acompanhada, lógico, de preceitos éticos. Sintetiza a virtude do homem que presta a Deus o culto que lhe é devido. E embora o fato das religiões terem sido usadas em todos os tempos da humanidade como instrumento de dominação, todas elas, sem exceção, exigem pleno respeito às suas concepções.

O homem tem necessidade de ser religioso. A própria etimologia do vocábulo religião (religare) indica que o seu objetivo é ligar os homens entre si, ligando-os consequentemente a Deus.

O espírito humano, em razão da sua ignorância primária nos tempos remotos, foi se deixando levar desde a antiguidade por alegorias, se deixando absorver e fascinar por dogmas inaceitáveis, por teorias absurdas e ideias de toda sorte, muitas das quais não passam de fantasias extravagantes. Assim, em todos os cantos do mundo cada individualidade enquadra a sua vida mental a um determinado tipo de interpretação religiosa, no intuito de reverenciar o supremo criador por meio do modo que supõe ser o mais digno. O resultado é que nas subdivisões do eterno santuário comparecem os tutelados do Cristo em diferentes graus de compreensão e para cada faixa da evolução remanescem crenças e cultos próprios para as suas necessidades. Em suma, nós estamos estudando o evangelho, participando de cultos e reuniões, mas continuamos místicos.

E não tem outra, nós somos religiosos de tradição. Envergamos incontáveis paramentos ao longo da evolução, muitas e muitas indumentárias religiosas.

Já trocamos de religião, saímos de uma igreja para outra achando que ia resolver o problema, porque nutríamos a concepção de que Deus deve estar em um lugar privilegiado e nós temos que nos situar debaixo desse privilégio. E infelizmente muitas pessoas ainda acham que evangelho é religião. Pensam em evangelho e, automaticamente, o associam à ideia de igreja e religião, o que não é novidade para ninguém.

A verdade é que tem muita gente amarrada ao sentido religioso do evangelho. A pessoa vive tão amarrada a ponto de considerar que para a vida andar bem ela tem que participar de forma sistemática das reuniões. Amarrada ao ponto de considerar que a semana, para ser positiva para ela, está obrigatoriamente vinculada à sua participação semanal no culto religioso. Percebeu? E quando ela fala em reunião, em missa, em culto, chega até ao ponto de dizer: "Eu não estou bem essa semana porque não fui à reunião". Isso é uma verdadeira desinformação, mostra toda a dificuldade dela em assumir uma postura.

E aqui e ali, lá e acolá, existem seguidores nos ritos religiosos mais diversificados. E nós sabemos que no fundo certas manifestações religiosas não passam de vícios populares de natureza exterior. 

Ou seja, embora certas atitudes religiosas de superfície apresentem relativo valor para determinadas pessoas em certos estágios da evolução, uma enormidade dessas atitudes não representam nenhum atestado de religiosidade. Daí, é fácil concluir que muitas pessoas acreditam ser religiosas quando não são. Isso mesmo, não passam de simples ritualistas, e nem todo bom ritualista é uma boa pessoa. Concorda? Ser bom ritualista não é sinônimo de ser uma pessoa boa.

Tem pessoas, e não são poucas, que se mantém envolvidas nos planos da religião, frequentam as missas, as reuniões, os cultos, com criteriosa regularidade, no entanto permanecem dia após dia sem qualquer indicativo de alguma conquista iluminativa. 

Está acompanhando? Frequentam mas não se melhoram interiormente, não aplicam na vida prática as luzes que assimilam, ou talvez nem cheguem a assimilar. Isso sem contar naquelas que até consideram que os cultos nos templos de pedra apresentam um certo convencionalismo sem muito sentido, mas continuam. Por quê? Pelo convívio social. Percebeu? Os cultos são de muito agrado social para elas em razão dos encontros pessoais que possibilitam e das múltiplas conveniências que deles resultam. Isso é um assunto para a gente pensar com muito carinho.

O sol é o componente máximo de iluminação natural que vigora no planeta. Agora, e quanto à luz artificial? Você conhece o caminho trilhado pela luz artificial? A trajetória da luz criada pelo homem? Vamos, então, a um breve resumo? 

Inicialmente, em tempos longínquos, nós tivemos o candeeiro, em que a luz se originava da queima do óleo produzido pela oliveira. Era a luz artificial surgindo de uma forma abrangente em seus primeiros movimentos.

A seguir, surgiu o lampião com querosene. Trouxe uma melhoria considerável, no entanto a gente sabe bem, era uma luz relativamente difusa, que vinha acompanhada de odor e de fumaça.

Em seguida, surge o lampião à base de gás trazendo maior percentual de claridade e uma luz inodora. O gás imperou, então, como rei dos sistemas de iluminação, até ser destronado e relegado a planos inferiores com a chegada da eletricidade.

A eletricidade passou a ser o sol de nossas noites trazendo vantagens indiscutíveis. 

A primeira lâmpada elétrica desenvolvida com sucesso por Thomas Edison foi em 1879. Tratava-se da lâmpada incandescente, constituída de filamento dentro de um bulbo de vidro que se aquecia colocado no vácuo e em meio gasoso apropriado. Com o tempo, o filamento se desgastava e se rompia. Ela teve os seus melhoramentos até surgir, em seguida, as lâmpadas fluorescentes, aquelas com um invólucro translúcido de vidro transparente e eletrodos nas extremidades.

E não parou por aí.

Hoje contamos com tecnologia nova em plena expansão: as lâmpadas de LED, nome dado à sigla diodo emissor de luz. De tamanho reduzido, alto desenvolvimento tecnológico e consumo bem menor de energia, chegou para substituir as lâmpadas incandescentes e fluorescentes que se tornaram obsoletas. Trata-se de semicondutores que convertem corrente elétrica em luz.

Agora, vamos aprofundar um pouco mais no assunto e pensar no seguinte. Em se tratando de iluminação exterior, se já deixamos, faz tempo, o azeite pelo petróleo, o petróleo pelo gás e o gás pela eletricidade, porque não fazer o mesmo em temos de iluminação íntima com os velhos e ultrapassados dogmas que herdamos e cultivamos ao longo do tempo? E o que é pior, sem questionar. Se em matéria de luz artificial o progresso contínuo não para, com sistemas e métodos mais avançados surgindo de tempos em tempos, o mesmo não deve ocorrer quando o assunto é luz espiritual?

Se nos desapegamos dos candeeiros, sem sentirmos a mínima saudade deles, porque não nos desprendermos das superstições religiosas e dos credos falsos? É assunto para pensar.

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