31 de ago de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 2

RELIGIÃO II

Vamos pensar juntos: se o problema da iluminação exterior mereceu e continua merecendo tanto esforço da inteligência e raciocínio, não podemos também desconsiderar o problema da iluminação íntima, deixando-o à margem de nossas necessidades.

Nada é finalístico e tudo caminha para uma melhoria contínua. O homem lá atrás procurava a unidade básica da matéria, não procurava? Ele achou o átomo e ficou feliz de tê-lo achado, no entanto, não conhece de todo a energia que mantém a linha de relação dos elétrons com os núcleos, embora sabe que para além do elétron e do núcleo existem os nêutrons e os prótons e descobriu também os quarks.

E por que estamos dizendo isto? Porque todos os dias ruem princípios convencionais mantidos a título de invioláveis durante séculos, o que faz continuamente com que a mente humana, perplexa, seja compelida às transições.

O evangelho é um conjunto de verdades sublimes que se dirigem preferencialmente ao coração humano e é impossível penetrar-lhe a grandeza divina com a nossa imperfeita faculdade de observação ou recolher-lhe as águas puras com o vaso sujo dos nossos raciocínios viciados nos erros de muitos milênios.

E uma coisa é bem fundamental: nós temos que estar com as nossas mentes abertas para as mudanças. Temos que estar com nossas mentes abertas para rever os nossos conceitos. É imperioso descaracterizarmos essa ideia de tradição religiosa. Isso é coisa que já não deve mais se acomodar nos nossos cérebros.

O evangelho já deixou de ser assunto de religião, faz tempo, para se tornar um assunto de vida.

Em matéria de realidade espiritual nós estamos muito atrasados. Porque não reconhecer, sem exagero, que ainda estamos dando os primeiros passos? Nós estamos aqui estudando e tentando trabalhar a capacidade perceptiva do nosso entendimento para melhorar o contexto evolucional. O que estamos fazendo aqui, reunidos de uma certa forma, senão buscando conhecimentos para clarear o nosso campo mental, objetivando aprender orientações seguras para a nossa caminhada rumo a um futuro melhor? É óbvio que, em razão das nossas deficiências nós vamos continuar aprendendo pelos erros e acertos, todavia, em vez de aprender apenas pelo ensaio dos erros, aprender somente levando pancada da vida, estamos buscando arregimentar informações seguras dentro do plano que a lógica propõe.

A proposta não é ficarmos restritos a uma interpretação particular e exclusivista, mas abrir horizontes mais claros ao raciocínio refazendo o edifício da fé que as religiões tradicionais esqueceram.

Os homens esclarecidos, à medida que novos fatos e novas leis vão se revelando, vão sabendo separar o que é real do que é fantasia.

Em matéria religiosa, satisfazer-se alguém com o rótulo, sem qualquer esforço de melhoria interior, é tão perigoso para a alma quanto deter designação honrosa com menosprezo à responsabilidade que ela impõe. É tempo da gente sacudir as vestes esfarrapadas do passado e buscar conhecer de fato o que é verdadeiro.

Precisamos sair do misticismo insistente que vem nos batendo através dos séculos a fim de entrarmos em um plano natural de bom senso e de lógica, lembrando que se apenas mudar de crença religiosa pode ser modificação de caminho, em muitas ocasiões pode representar somente continuidade da perturbação.

O evangelho nos ensina que a religião pura diante de Deus é uma coisa bem diferente da que temos conhecido.

Estamos nos referindo à religião na sua acepção legítima, aquela que se desenvolve e nos projeta para o criador religando-nos a Ele no terreno interior da renovação. Como expressão da verdade, diz respeito à importância de se colocar a espiritualização, o crescimento e a redenção do ser na fisionomia da libertação, mediante um direito insubstituível que cada um de nós tem de ser feliz e de buscar essa felicidade. Deve ser compreendida como o sentimento divino que clarifica o caminho da alma e que cada espírito aprenderá individualmente na pauta do seu nível evolutivo.

E por traduzir o religamento com o criador, é fundamental voltarmos o nosso coração a Deus.

E não tem outra, religião legítima é aquela cujas exteriorizações são sempre de amor nas expressões mais sublimes. Repousa acima de tudo no caráter de melhoria íntima, na busca da santificação, no aprimoramento constante, na caridade incessante e na tranquilidade da consciência. Religião, na acepção profunda da palavra, representa o cotidiano, a forma como se vive, a prática da vida a todo momento, inclusive nas coisas mais simples. É a nossa existência, a circunstância de vida em todas as ocasiões, as nossas realizações a nos conduzir para Deus.

Logo, eu não quero desapontar você. De forma alguma. Mas olhando o assunto a fundo nós não precisamos tanto de religião, precisamos de mais, precisamos de religiosidade!

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