28 de set de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 7

ATUALIDADE

Em se tratando da questão interpretativa, normalmente algumas religiões tradicionais costumam levar os seus adeptos ou simpatizantes lá para trás, até a época em que Jesus viveu.

Não estamos fazendo nenhuma crítica, mas não é assim que elas fazem? Costumam levar as criaturas hoje até os dias de Jesus. 

Porém, há um detalhe interessante: falar do texto lá atrás não nos interessa mais. Interessa? Não é nosso interesse ficar aqui analisando os textos exclusivamente dentro da fisionomia histórica. Não estamos para estudar a história do evangelho, não estamos estudando com a cabeça voltada para dois mil anos atrás. Isso, sem contar que vai ser muito difícil pegar a contingência do nosso contexto social de hoje, que é totalmente diferente, e tentar jogar naqueles dias da época de Jesus.

As escrituras sagradas, como livro da vida, trazem a expressão globalizada da história do planeta bem como a história individualizada de cada um de nós.

Todos os fatos e ensinamentos presentes nesse livro, embora estejam revestidos de características históricas inerentes ao tempo em que ocorreram, se refletem com muita tranquilidade nos dias atuais e isso se aplica a todos os textos bíblicos, sem exceção. Todos os ensinamentos neles referenciados são atemporais.

O importante nas mensagens, tanto do velho como do novo testamento, é entender que elas são universais e em razão disso apresentam atualidade em qualquer momento. Ficou claro? O evangelho, por exemplo, quer dizer boa nova. Denominação dada a alguns livros por tratarem de notícias inovadoras acerca da chegada do messias e de uma nova era que se abria para a humanidade.

E uma coisa bonita, que tem que ser guardada, é que as suas mensagens são de caráter espiritual, logo, são mensagens universais. E por serem mensagens universais apresentam atualidade em qualquer lugar e momento. Por isso, se você pensar bem, o evangelho tem um sentido de eternidade e de continuidade. Ele é algo do presente e nós vamos sempre bater nisso. Aliás, não vamos nos esquecer nunca: embora apresente milênios é indiscutível o seu caráter de contemporaneidade. O evangelho, nas suas bases, guarda a beleza do primeiro dia.

É por isso que o que Jesus Cristo disse ontem é como se ele dissesse hoje. Entendeu?

O evangelho é algo do presente e o seu conteúdo é a nossa história. Todos os ensinamentos e atos de Jesus constituem lições espontâneas para todas as questões da vida. Com ligeiras modificações, se aplica tanto aos dias em que ele viveu como se aplica hoje aos dias em que estamos vivendo. No imenso conjunto de valores apresentados, cada conceito ou situação se adapta a determinada circunstância do espírito nas estradas da vida. Isso é coisa para pensar.

As dificuldades e os desafios dos homens invariavelmente passam por alguma faceta ou linha que tange aquilo que foi mencionado em alguma passagem do evangelho.

E a missão do evangelho é muito mais bela e mais extensa do que se pode imaginar.

Jesus continua a trabalhar incessantemente. Ele continua derramando bênçãos todos os dias, continua a sua missão sublime de revelar Deus aos homens e de conduzir os homens a Deus. E não se assuste com o que eu vou dizer, mas os prodígios ocultos operados no silêncio do seu amor hoje são ainda maiores do que os verificados ontem. Ok? Mas é o Jesus histórico ou o Jesus interior? Isto é o que nós não podemos perder de vista. É lógico que é o Jesus interior.

Analise uma coisa comigo: a mensagem do evangelho, toda ela, é uma mensagem direcionada ao espírito, certo? Daí, o que estamos fazendo é um trabalho de natureza espiritual. Nós estamos aqui estudando a intimidade do ser, com um percentual maior ou menor de informação. Estamos estudando assuntos da nossa própria estrutura pessoal.

Enquanto as igrejas tradicionais nos levam até Jesus, o que temos que fazer é trazer Jesus para atualidade, saber interpretar toda a mensagem de redenção que nos foi trazida. Não partindo do hoje para o ontem, como tem sido feito, mas trazendo a boa nova para os dias e problemas atuais. O desafio é ir até lá e trazer o acontecimento para o agora. Ficou claro? Temos que ir lá atrás e trazer para cá, ir lá e trazer o evangelho para hoje. O Jesus da Galiléia, da Judéia, da Peréia está lá atrás na história. Concorda? Nós estamos falando agora é no Jesus íntimo.

O que nos interessa hoje é falar de nós mesmos, de nossa vida. Buscar sair do fato objetivo do texto e trabalhar facetas do nosso íntimo dentro do fato. Deu uma ideia?

O que nos interessa é trazer o ensino concreto e fazer uma conjugação de modo  a trabalhar a nossa intimidade. Afinal, é trabalhando o nosso íntimo que adentramos em um caminho novo, mais seguro, mais harmônico, mas próspero, mais feliz.

21 de set de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 6

INTIMIDADE

Você já pensou em uma coisa? Para quem já alcançou uma visão do que seja a vida no seu sentido amplo, para quem já tem certa percepção do mecanismo da evolução, o evangelho analisado sob a forma periférica não funciona mais. Vamos ter em conta isso. O evangelho, todo ele, é mensagem direcionada ao espírito na essencialidade. Ele opera mesmo é no plano transformador do ser, na intimidade.

A mensagem do evangelho tem sido levada a efeito na intimidade do ser, não mais nas pregações e sermões, embora isso ainda exista para uma multidão de pessoas.

O evangelho, todo ele, trabalha é dentro da gente. É na própria intimidade onde ele funciona realmente.

Basta a gente começar a ler e estudar, com maior aprofundamento da letra, para constatar que todo o território do evangelho está dentro da gente. O terreno do evangelho não é a Palestina. Didaticamente, foi lá; essencialmente, é aqui.

Deu uma ideia? O território da Judéia, da Galiléia, da Samaria, da Peréia, hoje, está tudo dentro da gente. Não está em outro lugar não, está tudo é dentro da gente.

A figura do personagem do evangelho que nós estamos estudando está representada hoje na nossa própria intimidade. O Jesus da Galiléia, da Samaria, da Judéia, da Peréia ficou lá para trás na história. Nós falamos agora é no Jesus íntimo. O que nos interessa é o Jesus dinâmico que se incorpora dentro da nossa intimidade, que está dentro da gente, que opera o plano da nossa transformação.

Enquanto eu não adentrar nas faixas mais profundas do evangelho, e não levar o seu conteúdo para as profundezas da minha personalidade, indo para a genuinidade da minha intimidade que é onde a simplicidade e a pureza permanecem, eu simplesmente não consigo fazer com que o plano que irradia de cima coincida com as necessidades que emanam de baixo. Deu uma ideia? E o bonito disso é entender que as suas mensagens são orientações faladas ao coração.

Quando eu penetro nas suas mensagens eu estou penetrando de alguma forma dentro do meu coração. Para descobrir porque é que eu tenho que fazer caridade, porque é que eu tenho que perdoar, o que é o perdão, o que ele me propicia, o que ocorre se eu não perdoar, em que a renovação íntima me favorece, e daí por diante.

Assim, fica fácil concluir que os ambientes dos textos, todos eles, sem exceção, encontram-se presentes na extensão territorial da nossa alma, praticamente definindo estados de espírito ou regiões psíquicas. 

Ficou claro? Então, onde é que está a Galiléia, a Peréia, a Samaria, Cafarnaum, Jerusalém, a cidade de Jericó? Onde está a recebedoria, o monte das Oliveiras, a manjedoura com toda a sua simplicidade? Onde? Está tudo dentro da gente, tudo em nosso mundo íntimo. Definem nossas moradas íntimas ou estados de espírito.

E com os personagens não é diferente. 

Certos personagens mencionados nos textos sagrados ainda se encontram dentro de nós. Percebeu o que eu estou dizendo? Muitos ainda representam insinuações dentro da gente. 

Em todos os textos eles chegam até nós dando-nos condições de identificá-los ou não em ângulos diversificados da nossa personalidade. Nos identificamos com vários quando os estudamos, como é o caso de Zaqueu ou do cego de Jericó. Mostrando uma diversidade de posições interiores e de posturas pessoais, o bonito é que nós podemos dar campo e inclusive fazer com que certos personagens possam ressurgir hoje para operarem novamente à partir de nós próprios.

18 de set de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 5

ROTEIRO

“EU SOU O CAMINHO, E A VERDADE E A VIDA; NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM.” JOÃO 14:6

Quando o assunto é iluminação espiritual, inexiste fonte alguma além do evangelho.

Ele é manancial inesgotável de recursos e ensinamentos. Vamos entender de uma vez por todas: para a elevação da alma só existe no mundo o evangelho sagrado de Jesus Cristo, que nenhum compêndio doutrinário poderá ultrapassar.

Todas as coisas humanas passam, todas as coisas humanas se modificam, o evangelho é a luz de todas as vidas terrestres, inacessível ao tempo e à destruição. Contínuo, ele não cessa, não acaba. Sua mensagem abundante de amor constituiu a eterna palavra da ressurreição, da fraternidade e da misericórdia.

O evangelho é um só!

E essa unicidade não é apenas na nossa esfera terrestre em que nos movimentamos, mas também em todas as esferas do plano invisível vinculados ao nosso orbe. O que significa isso? Que o assunto que nós estudamos aqui é também estudado nas hostes superiores, o mesmo versículo que estudamos aqui é estudado pela espiritualidade nos planos superiores.

A diferença é que lá ele é abordado com maior aprofundamento e sob ângulos ainda inimagináveis para nós. Ficou claro? O evangelho é o mesmo, porém lá se chega a interpretações bem mais ampliadas do que as nossas, é estudado num enfoque e condição bem acima das nossas possibilidades, analisado sob abrangência muito mais extensa.

"Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." (João 14:6) Sabe o que isso quer dizer? Que Deus é a meta através de Jesus. Simples e objetivo. 

Pense para você ver. Pense, analise, reflita, depois volte a pensar. Não tem outra, o evangelho, como dádiva suprema do céu, com vistas à marcha intérmina para o amor e a sabedoria, constitui a palavra sublime que encerra a eterna verdade.

As pessoas podem bater a cabeça, procurar o que quiserem, escolher o que desejarem, todavia embora as incontáveis veredas que nós insistimos em entrar ao longo das existências, o caminho legítimo para a felicidade é um só: começa na simplicidade da manjedoura e termina no sacrifício do calvário. Em suma, é por meio daquele que veio nos trazer vida, e vida em abundância. Cada dia mais espíritos descobrem, muitas vezes debaixo de duras penas, que o resto é ilusão.

Os ensinamentos do Cristo se dirigem a todos os espíritos do planeta. Todos. Sem distinção alguma, sejam eles espíritos encarnados ou desencarnados, estejam nesse ou naquele campo da evolução. Suas lições objetivam a redenção.

Roteiro de ascensão para todos os espíritos em luta e aprendizado no planeta rumo aos planos superiores do ilimitado, é da sua aplicação que decorre a luz do espírito.

Muita gente não entende porque estudamos o evangelho. Chegam até a questionar porque o fazemos.

Talvez não saibam que o seu conteúdo não tem nada de religião, que o mestre não ensinou atitudes religiosas, mas o processo científico de libertação do ser e de evolução da alma.

O conhecimento com Jesus é a claridade capaz de transformar vida, conferindo a cada um o dom de entender a mensagem viva de cada ser e o significado de cada coisa. Nada que nos acontece é por acaso e somente o entendimento do evangelho pode conduzir as criaturas a um plano superior de compreensão da própria existência.

14 de set de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 4

RENOVAÇÃO

“AS PALAVRAS QUE EU VOS DISSE SÃO ESPÍRITO E VIDA.” JOÃO 6:63

“ASSIM QUE, SE ALGUÉM ESTÁ EM CRISTO, NOVA CRIATURA É; AS COISAS VELHAS JÁ PASSARAM; EIS QUE TUDO SE FAZ NOVO.” II CORÍNTIOS 5:17

“VÓS, PORÉM, NÃO ESTAIS NA CARNE, MAS NO ESPÍRITO, SE É QUE O ESPÍRITO DE DEUS HABITA EM VÓS. MAS, SE ALGUÉM NÃO TEM O ESPÍRITO DE CRISTO, ESSE TAL NÃO É DELE.” ROMANOS 8:9

Tem muita gente no mundo que estuda o evangelho, mas estuda sabe como? Usando somente o intelecto. A pessoa quer estudar o evangelho, entender o evangelho e mudar o coração só com o uso da razão. Aí surge a pergunta: dessa forma tem jeito? Não tem. E daí o que acontece? Ela estuda, mas não vibra.

Estuda, mas não se encanta, não se entusiasma, não se envolve. Permanece na mesma. Parece que estuda, mas não aprende. Ou se aprende não assimila. E às vezes acaba desistindo, desinteressa do estudo pelo fato de não descobrir nada de atrativo.

Em muitas pessoas o ensinamento não passa da esfera do entendimento. Não passa da região puramente mental, não chega a atingir o sentimento. Não chega ao coração. 

Aí não tem jeito mesmo, porque é do coração que vem o bem e o mal, a virtude e o vício, a alegria e a tristeza. Muitos se mantém situados apenas na periferia do evangelho e somente com o intelecto não adianta, não se consegue chegar à sua essencialidade. O evangelho não é dirigido, bem como também não alcança, aqueles que permanecem restritos na clausura do "eu". E olha que nem estamos falando naqueles que buscam e pregam o evangelho apenas no sentido superficial. Quer dizer, falam sem sentir, ensinam sem vibrar.

Por outro lado, muitos se sentem motivados e encantados todas as vezes que tem a oportunidade de meditar acerca de suas belezas. Percorrem os seus versículos, adentram sua essência e modificam o jeito de pensar. Retificam conceitos, alteram comportamentos e se transformam em novas criaturas.

E por que isso acontece? Porque o conhecimento às vezes, por si só, não basta, o indivíduo precisa ser animado de uma força. O ensinamento de Jesus, como ele mesmo disse, é espírito e vida ("As palavras que eu vos disse são espírito e vida". João 6:63) e o homem material, conforme diz Paulo, não é capaz de compreender as coisas espirituais. Foi o próprio Paulo que disse: "Vós, porém, não estais na carne, mas no espírito, se é que o espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o espírito de Cristo, esse tal não é dele." (Romanos 8:9)

Está entendendo? E tudo se faz novo quando alcançamos esse estágio ("Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se faz novo." II Coríntios 5:17) E vale a pena saber que em se tratando de discussões sobre a pretensa superioridade de uma religião sobre outras o que conta é uma coisa só: a capacidade maior ou menor de viver o amor que aprendeu.

Você já percebeu uma coisa? O evangelho de muita gente está apenas na mente.

Isso mesmo. Só na mente, não chega no coração. São cristãos teóricos, não são cristãos de verdade. Para se ter ideia do que estou falando, quantos pregam a verdade sem se aderirem plenamente a ela? Quantos repetem fórmulas de esperança e de paz ao mesmo tempo em que desesperam ou perseguem? Ou semeiam a fraternidade enquanto discriminam no coração? Assim, se você está estudando o evangelho porque você quer ser um estudioso e entender de tudo, cuidado, pode ser que você pare o estudo em breve. Por outro lado, se está querendo se fortificar, facilitando a emersão da luz a nível de sentimento, aí irá notar que terá muito mais facilidade para entender e compreender.

Isso porque o evangelho é uma doutrina que precisa ser aprendida e sentida. Percebeu? Tem que ser estudado mais com o coração do que com a inteligência. Aquele que não sente em si mesmo a sua influência moral desconhece o que ele é, embora possa ter perfeito conhecimento teórico de seus preceitos.

Entender não é tudo. Não basta saber.

O evangelho propõe mais do que isso, propõe a elasticidade do sentimento. É preciso sentir o que se aprende. Sentir a verdade. A inteligência desacompanhada do sentimento não consegue penetrar a essência do evangelho.

Sem adesão do sentimento no âmago da individualidade qualquer manifestação religiosa se reduz a mero culto externo, e nada mais. Razão e fé, intelecto e coração, devem marchar juntas na conquista da renovação. Para nos convencermos das verdades de Jesus não basta só utilizarmos a mente, é preciso que o coração tome parte desempenhando a função que lhe compete, pois as verdades do céu falam tanto ao cérebro quanto ao coração. É fundamental nós recebermos, de forma consciente e inteligente, o influxo do espírito para que nos inteiremos do caminho a seguir. É preciso receber certa luz do céu para que se descubra através da letra que mata o espírito que vivifica.

Sem o auxílio dessa luz todas as dádivas do ensinamento passam desapercebidas, até mesmo às inteligências mais cultas e mais desenvolvidas.

Nós estamos nos esforçando para entender de forma clara a mensagem de Jesus e chegarmos não àquele evangelho religioso, tido como código de conduta moral imposto de fora para dentro, mas aquele evangelho edificado de modo vivo e seguro no próprio coração. Não é justo adquirirmos com o seu conteúdo somente a informação do raciocínio. É preciso também a luz do amor, pois o evangelho é luz e renovação nos campos do espírito e somente quando o entusiasmo e a harmonia estão presentes nós alcançamos a sua essência.

Então, vamos caminhar e operar com simplicidade. Porque enquanto não houver de nossa parte aquela simplicidade que vigorava nos primeiros tempos do evangelho nós ficamos trabalhando meramente ao toque da linha racional e não o valorizamos.

E assim como se dá com qualquer ofício ou atividade que se aprende, a religião também tem um trabalho específico no mundo. O ensinamento religioso não pode fugir à regra natural que rege qualquer espécie de ensino ou aprendizagem. Está entendendo o que eu estou dizendo? Da mesma forma que a medicina torna um indivíduo médico e em razão disso habilitado para tratar enfermidades, que a engenharia o torna engenheiro, capaz de elaborar projetos e construir pontes ou edifícios, e daí por diante, a religião tem que torná-lo uma pessoa melhor, equilibrada e justa. A religião tem que apurar os sentimentos e melhorar o caráter do indivíduo.

Da mesma forma que a ginástica aprimora o físico e fortalece os músculos, tornando a pessoa resistente, mais saudável, capaz de desempenhar melhor as atividades que lhe compete, o aprendiz do evangelho é convocado a equilibrar o seu pensamento e agir de forma harmônica em qualquer ambiente ou situação que se encontre. Afinal, religião é uma força viva transformando continuamente o homem para melhor e a que não consegue isso no fundo não é religião.

O evangelho vem trazendo para nós componentes informativos para que possamos ativar o processo de visualizar uma nova vida. Seu terreno aplicativo hoje não é mais na igreja, no templo ou no grupo espírita. Nesses locais nós devemos manter a postura de respeito, todavia antes do respeito puramente social no plano em que estamos ajustados temos que estar em paz com a nossa consciência, que é o legítimo templo do espírito. Estamos tentando recolher informações que favoreçam a implantação do evangelho nos nossos corações.

Na medida em que desenvolvemos seus conteúdos a gente nota que ele não apresenta apenas uma beleza na redação, mas também uma profunda mensagem na sua intimidade convocando-nos à grande luta de redenção interior. 

O desafio não é adquirir conhecimento, e sim incentivar o coração a mudar. 

Jesus é a força viva que adentrando nosso íntimo determina a sua constante transformação. O evangelho, como suprema religião da verdade e do amor, convoca todos os corações à vida mais alta. Trazido há milênios atrás, ele nada exige. Isso mesmo. Já pensou nisso? O evangelho nada exige. A sua finalidade não é outra, senão a de sanear a dureza do nosso coração. Sua mensagem objetiva clarear o nosso entendimento como se todas as anteriores fizessem o papel de preparação do terreno.

E alcançar esse ponto de abrir o sentimento não é fácil. Para conseguir alcançar isso várias manifestações externas religiosas, todas as que lembram o nome de Jesus  e se reportam de algum modo às suas lições, são recursos preciosos. Constituem sugestões edificantes para o caminho e visam sabe o quê? Sensibilizar os corações. Ver se abre o coração da individualidade para a compaixão.

Sem querer diminuir as atividades religiosas de qualquer religião, pense para você ver. Quantas vezes a pessoa precisa acompanhar as procissões por ocasião das comemorações da semana santa, vestida de preto, por exemplo? Não tem isso? Aquelas imagens tristes, a coroa de espinhos, os panos roxos, Jesus na cruz? Não acontece isso ainda? As procissões e romarias na semana santa? Essas imagens que vigoram nessas procissões marcaram e ainda marcam muitos corações através dos séculos: "Coitado de Jesus!" Visam o quê? Sensibilizar o coração das pessoas com todo aquele ambiente e imagem de sofrimento.

O desafio hoje é fazer o que é proposta periférica de redenção se tornar proposta íntima de revelação.

O evangelho não deve mais ser procurado apenas para exposições teóricas, mas visando cada qual o aperfeiçoamento de si mesmo por meio de melhorias no terreno definitivo do espírito. Pense comigo, o evangelho não é o edifício de redenção das almas? E se é edifício tem que ser construído. Concorda? Edifício não surge pronto. Tem que ser edificado tijolo a tijolo, bloco a bloco, etapa a etapa.

6 de set de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 3

IGREJA

“TEMOS UM ALTAR, DE QUE NÃO TEM DIREITO DE COMER OS QUE SERVEM AO TABERNÁCULO.” HEBREUS 13:10

“O ESPÍRITO É QUE VIVIFICA, A CARNE PARA NADA APROVEITA; AS PALAVRAS QUE EU VOS DISSE SÃO ESPÍRITO E VIDA.” JOÃO 6:63

“E NOS FEZ REIS E SACERDOTES PARA DEUS E SEU PAI; A ELE GLÓRIA E PODER PARA TODO O SEMPRE. AMÉM.” APOCALIPSE 1:6

Os homens em todos os tempos edificaram igrejas. Edificaram e edificam. Até hoje constroem altares em toda parte, a fim de reverenciar o supremo Senhor do universo.

Mas nota-se, infelizmente, que muitas delas tomaram do cristianismo somente o título. E é fato.

Originadas da ambição e egoísmo humanos, que tudo procura moldar aos seus interesses levianos, nutrem uma contínua rivalidade, ignorância, orgulho e preconceito. Estou certo ou você acha que estou exagerando? Pense comigo, o cristianismo, que deveria ser a mais ampla e a mais simples das escolas da fé, há muito tempo que se endureceu no superficialismo e na frieza dos templos. Muitas dessas igrejas estão longe da religião do amor e enquanto continuarem se digladiando entre si só continuarão demonstrando o total despreparo e que não conseguiram atingir o ideal sublime proposto pelo filho de José e Maria.

E uma coisa não dá para negar: em todos os lugares as igrejas e os núcleos espirituais estão cheios de gente. Entra dia, sai dia as pessoas neles adentram em número incontável.

No entanto, grande percentual dessas pessoas frequentam, mas sem se aterem à necessidade de iluminação íntima. Quer dizer, frequentam, mas não querem se melhorar como pessoas, não querem evoluir como espíritos eternos da criação divina. Buscam a espiritualidade e o Cristo, mas sabe para quê? Para serem servidas. Isso mesmo, para serem exclusivamente atendidas em seus anseios.

Cultivam a oração tentando subornar a justiça divina, compartilham demonstrações de fé na busca final de vantagens pessoais no imediatismo das gratificações terrestres, intentam encontrar na providência divina uma força subornável cheia de privilégios e preferências.

E enquanto muitos tentam subornar o poder celeste pela grandeza material das suas oferendas, outros tantos se socorrem do plano espiritual com o propósito único de solucionar problemas mesquinhos. Aliás, venhamos e convenhamos, os templos de pedra, todos eles, estão cheios de promessas injustificáveis e de votos absurdos.

A gente pensa em igreja e por conjugação rápida de ideias pensa em templo também. Não pensa? Na acepção literal do termo igreja é assembléia de fieis, um conjunto de fieis ligados por uma mesma fé e sujeitos aos mesmos chefes espirituais.

E na acepção profunda ela não exige necessariamente uma edificação física, não exige um templo físico.

Percebeu? Igreja representa o agrupamento de pessoas vinculadas a uma visão nova que o cristianismo sugere. Define aquelas criaturas que se unem em um grupo mais próximo de tendências, de conquistas e de padrões arregimentados. E, obviamente, a uma respectiva filosofia que cada membro passa a nutrir no coração. Ok? Deu uma ideia? Em suma, igreja sintetiza núcleo. É centro, uma unidade que aponta um agrupamento de corações que vai lidar de certa forma com apontamentos relacionados às responsabilidades assumidas.

E se estamos falando em igreja, podemos analisar como exemplo as sete igrejas do apocalipse, que definem a base onde se congregou todo o ideal cristão no passado. O que elas representam, o que ensinam? Elas representam os vários níveis em que os espíritos, tanto na vida física do planeta como no plano espiritual, podem ir se ajuntando, ajustando, afinando.

As mensagens contidas nessas sete cartas iniciais do apocalipse não são mensagens vagas, desconexas, sem sentido, que ficaram para trás e não atendem mais. Pelo contrário, elas são ainda hoje direcionadas à intimidade, cada uma direcionada à respectiva igreja visando atender a determinado agrupamento de espíritos.

Sem esquecer, e isso é importante, que à frente dessa igreja, à frente desse núcleo sempre vai haver alguém, sempre vai haver um responsável. Sempre. Cada uma dessas igrejas é administrada por um anjo, por uma entidade, por uma individualidade que, por sinal, nunca está só. Entendeu? Porque se estiver sozinho, se administrar sozinho, o trabalho se faz no relativo e passa a desejar muito.

Os templos físicos de fé religiosa, desde que consagrados à divindade do Pai, são departamentos da casa infinita de Deus onde Jesus ministra os seus bens aos corações da Terra, independente da escola de crença a que se filiam. Ficou claro? Qualquer que seja o templo em que se expresse, é santuário de educação da alma no seu gradativo desenvolvimento para a imortalidade. Isso tem que ficar claro. As igrejas normalmente são o veículo decodificador do pensamento divino a nível informativo através das quais os valores chegam ao plano perceptivo das criaturas. Definem uma capacidade reveladora capaz de atingir a todos os elementos embutidos nesses departamentos de percepção dos valores superiores em Deus. São núcleos que irradiam a luz para a iluminação das trevas.

Todo o templo de pedra dignamente erguido funciona como farol no seio das sombras indicando os caminhos retos aos navegantes do mundo, todavia o espiritualismo, nos tempos modernos, não deve restringir Deus entre as suas paredes.

A finalidade dos templos de pedra é basicamente uma: despertar a nossa consciência.

Eles visam, acima de tudo, expressar a nossa proposta íntima. Mas o importante mesmo é a gente adorar a Deus em espírito e verdade. E para essa adoração nós não dependemos do majestoso edifício do templo e nem tampouco dos seus cerimoniais, dos seus rituais, das suas prescrições ou mesmo da autoridade dos seus sacerdotes. Aliás, o templo pode perfeitamente ser transferido da sua linha exterior para dentro de cada um de nós. E o que estamos dizendo não deveria ser novidade para ninguém porque a nossa missão sublime é converter todo o planeta no templo augusto de Deus. E para isso cada criatura tem um santuário no espírito onde a sabedoria e o amor do Pai se manifestam através da voz da consciência.

O que estamos trazendo é uma questão de raciocínio. Se todos os templos na Terra são de pedra, o que Jesus fez? Veio abrir o templo da fé viva no coração dos homens.

Veio abrir o templo dos corações sinceros para que todo culto a Deus se converta em íntima comunhão entre o homem e seu criador. Deus é espírito e só em espírito deve ser adorado. Logo, a igreja efetiva é dentro da gente. Fora da gente é um auxílio na caminhada.

Espiritualizar a vida não é dar-lhe novas feições exteriores e, sim, reformá-la para o bem no âmbito particular. Daí, nós temos que adorar a Deus na igreja que consolidamos interiormente, erguer a igreja que se levanta no nosso íntimo, que tem o altar no coração.

O evangelho já transpôs os muros de pedras das igrejas para atingir os terrenos amplos da intimidade do ser. Já saiu da sua expressão exterior em que foi trabalho para se ajustar à intimidade, que é onde realmente opera no plano transformador.

Componente de libertação, o evangelho tem que ser trabalhado no terreno íntimo.

Ele opera no anonimato, revolvendo o coração de cada um de forma nítida e substanciosa.

É na nossa intimidade onde ele efetivamente funciona e por isso nós temos que encontrar o Cristo em nosso santuário interior. E nossos rituais religiosos vão se transformando à medida em que evoluímos e passamos a precisar de manifestações cada vez menos ostensivas.

Os altares de pedra foram substituídos, faz muito tempo, pelos nossos corações.

O movimento vital das ideias e das realizações baseia-se hoje na igreja viva do espírito, no coração dos homens. Como conclusão, nós não precisamos mais nos submeter aos sacerdotes tradicionais, e sabe por quê? Muito simples. Porque somos todos sacerdotes. Isso mesmo, o cristão que já acordou para as suas necessidades e responsabilidades tem que caminhar sendo o sacerdote de si mesmo, tem que ter uma autoridade dentro das próprias revelações doutrinárias.

Logo, se já nos situamos para além daquela postura pessoal de querer ser agraciado pela dádiva divina podemos nos considerar chefes da igreja. E isso não sou eu que estou dizendo. É a sagrada escritura que nos diz: "E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém." (Apocalipse 1:6)

Repare que o texto sugere uma relação entre ambos, isto é, entre reis e sacerdotes. O sacerdócio a gente sabe, é uma linha de âmbito interior, é toda nossa experiência de cunho espiritual. Define o canal de valores redentores do ser ao nível pessoal reeducacional.

Quanto a expressão reis, ela se refere a quê? Ao poder temporal. Rei não sintetiza isso? Não define acima de tudo um aspecto de autoridade? Significa que no fundo nós temos que manter uma postura resoluta, admitir uma certa autosuficiência naquilo que propomos fazer. Temos que ter uma autoridade dentro do exercício do sacerdócio. E trabalhar com afinco para ganhar essa autoridade. Mas uma autoridade legítima, ou seja, uma autoridade estruturada com humildade, toda ela moldada na fundamentação sublime que o amor propõe.

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