6 de set de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 3

IGREJA

“TEMOS UM ALTAR, DE QUE NÃO TEM DIREITO DE COMER OS QUE SERVEM AO TABERNÁCULO.” HEBREUS 13:10

“O ESPÍRITO É QUE VIVIFICA, A CARNE PARA NADA APROVEITA; AS PALAVRAS QUE EU VOS DISSE SÃO ESPÍRITO E VIDA.” JOÃO 6:63

“E NOS FEZ REIS E SACERDOTES PARA DEUS E SEU PAI; A ELE GLÓRIA E PODER PARA TODO O SEMPRE. AMÉM.” APOCALIPSE 1:6

Os homens em todos os tempos edificaram igrejas. Edificaram e edificam. Até hoje constroem altares em toda parte, a fim de reverenciar o supremo Senhor do universo.

Mas nota-se, infelizmente, que muitas delas tomaram do cristianismo somente o título. E é fato.

Originadas da ambição e egoísmo humanos, que tudo procura moldar aos seus interesses levianos, nutrem uma contínua rivalidade, ignorância, orgulho e preconceito. Estou certo ou você acha que estou exagerando? Pense comigo, o cristianismo, que deveria ser a mais ampla e a mais simples das escolas da fé, há muito tempo que se endureceu no superficialismo e na frieza dos templos. Muitas dessas igrejas estão longe da religião do amor e enquanto continuarem se digladiando entre si só continuarão demonstrando o total despreparo e que não conseguiram atingir o ideal sublime proposto pelo filho de José e Maria.

E uma coisa não dá para negar: em todos os lugares as igrejas e os núcleos espirituais estão cheios de gente. Entra dia, sai dia as pessoas neles adentram em número incontável.

No entanto, grande percentual dessas pessoas frequentam, mas sem se aterem à necessidade de iluminação íntima. Quer dizer, frequentam, mas não querem se melhorar como pessoas, não querem evoluir como espíritos eternos da criação divina. Buscam a espiritualidade e o Cristo, mas sabe para quê? Para serem servidas. Isso mesmo, para serem exclusivamente atendidas em seus anseios.

Cultivam a oração tentando subornar a justiça divina, compartilham demonstrações de fé na busca final de vantagens pessoais no imediatismo das gratificações terrestres, intentam encontrar na providência divina uma força subornável cheia de privilégios e preferências.

E enquanto muitos tentam subornar o poder celeste pela grandeza material das suas oferendas, outros tantos se socorrem do plano espiritual com o propósito único de solucionar problemas mesquinhos. Aliás, venhamos e convenhamos, os templos de pedra, todos eles, estão cheios de promessas injustificáveis e de votos absurdos.

A gente pensa em igreja e por conjugação rápida de ideias pensa em templo também. Não pensa? Na acepção literal do termo igreja é assembléia de fieis, um conjunto de fieis ligados por uma mesma fé e sujeitos aos mesmos chefes espirituais.

E na acepção profunda ela não exige necessariamente uma edificação física, não exige um templo físico.

Percebeu? Igreja representa o agrupamento de pessoas vinculadas a uma visão nova que o cristianismo sugere. Define aquelas criaturas que se unem em um grupo mais próximo de tendências, de conquistas e de padrões arregimentados. E, obviamente, a uma respectiva filosofia que cada membro passa a nutrir no coração. Ok? Deu uma ideia? Em suma, igreja sintetiza núcleo. É centro, uma unidade que aponta um agrupamento de corações que vai lidar de certa forma com apontamentos relacionados às responsabilidades assumidas.

E se estamos falando em igreja, podemos analisar como exemplo as sete igrejas do apocalipse, que definem a base onde se congregou todo o ideal cristão no passado. O que elas representam, o que ensinam? Elas representam os vários níveis em que os espíritos, tanto na vida física do planeta como no plano espiritual, podem ir se ajuntando, ajustando, afinando.

As mensagens contidas nessas sete cartas iniciais do apocalipse não são mensagens vagas, desconexas, sem sentido, que ficaram para trás e não atendem mais. Pelo contrário, elas são ainda hoje direcionadas à intimidade, cada uma direcionada à respectiva igreja visando atender a determinado agrupamento de espíritos.

Sem esquecer, e isso é importante, que à frente dessa igreja, à frente desse núcleo sempre vai haver alguém, sempre vai haver um responsável. Sempre. Cada uma dessas igrejas é administrada por um anjo, por uma entidade, por uma individualidade que, por sinal, nunca está só. Entendeu? Porque se estiver sozinho, se administrar sozinho, o trabalho se faz no relativo e passa a desejar muito.

Os templos físicos de fé religiosa, desde que consagrados à divindade do Pai, são departamentos da casa infinita de Deus onde Jesus ministra os seus bens aos corações da Terra, independente da escola de crença a que se filiam. Ficou claro? Qualquer que seja o templo em que se expresse, é santuário de educação da alma no seu gradativo desenvolvimento para a imortalidade. Isso tem que ficar claro. As igrejas normalmente são o veículo decodificador do pensamento divino a nível informativo através das quais os valores chegam ao plano perceptivo das criaturas. Definem uma capacidade reveladora capaz de atingir a todos os elementos embutidos nesses departamentos de percepção dos valores superiores em Deus. São núcleos que irradiam a luz para a iluminação das trevas.

Todo o templo de pedra dignamente erguido funciona como farol no seio das sombras indicando os caminhos retos aos navegantes do mundo, todavia o espiritualismo, nos tempos modernos, não deve restringir Deus entre as suas paredes.

A finalidade dos templos de pedra é basicamente uma: despertar a nossa consciência.

Eles visam, acima de tudo, expressar a nossa proposta íntima. Mas o importante mesmo é a gente adorar a Deus em espírito e verdade. E para essa adoração nós não dependemos do majestoso edifício do templo e nem tampouco dos seus cerimoniais, dos seus rituais, das suas prescrições ou mesmo da autoridade dos seus sacerdotes. Aliás, o templo pode perfeitamente ser transferido da sua linha exterior para dentro de cada um de nós. E o que estamos dizendo não deveria ser novidade para ninguém porque a nossa missão sublime é converter todo o planeta no templo augusto de Deus. E para isso cada criatura tem um santuário no espírito onde a sabedoria e o amor do Pai se manifestam através da voz da consciência.

O que estamos trazendo é uma questão de raciocínio. Se todos os templos na Terra são de pedra, o que Jesus fez? Veio abrir o templo da fé viva no coração dos homens.

Veio abrir o templo dos corações sinceros para que todo culto a Deus se converta em íntima comunhão entre o homem e seu criador. Deus é espírito e só em espírito deve ser adorado. Logo, a igreja efetiva é dentro da gente. Fora da gente é um auxílio na caminhada.

Espiritualizar a vida não é dar-lhe novas feições exteriores e, sim, reformá-la para o bem no âmbito particular. Daí, nós temos que adorar a Deus na igreja que consolidamos interiormente, erguer a igreja que se levanta no nosso íntimo, que tem o altar no coração.

O evangelho já transpôs os muros de pedras das igrejas para atingir os terrenos amplos da intimidade do ser. Já saiu da sua expressão exterior em que foi trabalho para se ajustar à intimidade, que é onde realmente opera no plano transformador.

Componente de libertação, o evangelho tem que ser trabalhado no terreno íntimo.

Ele opera no anonimato, revolvendo o coração de cada um de forma nítida e substanciosa.

É na nossa intimidade onde ele efetivamente funciona e por isso nós temos que encontrar o Cristo em nosso santuário interior. E nossos rituais religiosos vão se transformando à medida em que evoluímos e passamos a precisar de manifestações cada vez menos ostensivas.

Os altares de pedra foram substituídos, faz muito tempo, pelos nossos corações.

O movimento vital das ideias e das realizações baseia-se hoje na igreja viva do espírito, no coração dos homens. Como conclusão, nós não precisamos mais nos submeter aos sacerdotes tradicionais, e sabe por quê? Muito simples. Porque somos todos sacerdotes. Isso mesmo, o cristão que já acordou para as suas necessidades e responsabilidades tem que caminhar sendo o sacerdote de si mesmo, tem que ter uma autoridade dentro das próprias revelações doutrinárias.

Logo, se já nos situamos para além daquela postura pessoal de querer ser agraciado pela dádiva divina podemos nos considerar chefes da igreja. E isso não sou eu que estou dizendo. É a sagrada escritura que nos diz: "E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém." (Apocalipse 1:6)

Repare que o texto sugere uma relação entre ambos, isto é, entre reis e sacerdotes. O sacerdócio a gente sabe, é uma linha de âmbito interior, é toda nossa experiência de cunho espiritual. Define o canal de valores redentores do ser ao nível pessoal reeducacional.

Quanto a expressão reis, ela se refere a quê? Ao poder temporal. Rei não sintetiza isso? Não define acima de tudo um aspecto de autoridade? Significa que no fundo nós temos que manter uma postura resoluta, admitir uma certa autosuficiência naquilo que propomos fazer. Temos que ter uma autoridade dentro do exercício do sacerdócio. E trabalhar com afinco para ganhar essa autoridade. Mas uma autoridade legítima, ou seja, uma autoridade estruturada com humildade, toda ela moldada na fundamentação sublime que o amor propõe.

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