14 de set de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 4

RENOVAÇÃO

“AS PALAVRAS QUE EU VOS DISSE SÃO ESPÍRITO E VIDA.” JOÃO 6:63

“ASSIM QUE, SE ALGUÉM ESTÁ EM CRISTO, NOVA CRIATURA É; AS COISAS VELHAS JÁ PASSARAM; EIS QUE TUDO SE FAZ NOVO.” II CORÍNTIOS 5:17

“VÓS, PORÉM, NÃO ESTAIS NA CARNE, MAS NO ESPÍRITO, SE É QUE O ESPÍRITO DE DEUS HABITA EM VÓS. MAS, SE ALGUÉM NÃO TEM O ESPÍRITO DE CRISTO, ESSE TAL NÃO É DELE.” ROMANOS 8:9

Tem muita gente no mundo que estuda o evangelho, mas estuda sabe como? Usando somente o intelecto. A pessoa quer estudar o evangelho, entender o evangelho e mudar o coração só com o uso da razão. Aí surge a pergunta: dessa forma tem jeito? Não tem. E daí o que acontece? Ela estuda, mas não vibra.

Estuda, mas não se encanta, não se entusiasma, não se envolve. Permanece na mesma. Parece que estuda, mas não aprende. Ou se aprende não assimila. E às vezes acaba desistindo, desinteressa do estudo pelo fato de não descobrir nada de atrativo.

Em muitas pessoas o ensinamento não passa da esfera do entendimento. Não passa da região puramente mental, não chega a atingir o sentimento. Não chega ao coração. 

Aí não tem jeito mesmo, porque é do coração que vem o bem e o mal, a virtude e o vício, a alegria e a tristeza. Muitos se mantém situados apenas na periferia do evangelho e somente com o intelecto não adianta, não se consegue chegar à sua essencialidade. O evangelho não é dirigido, bem como também não alcança, aqueles que permanecem restritos na clausura do "eu". E olha que nem estamos falando naqueles que buscam e pregam o evangelho apenas no sentido superficial. Quer dizer, falam sem sentir, ensinam sem vibrar.

Por outro lado, muitos se sentem motivados e encantados todas as vezes que tem a oportunidade de meditar acerca de suas belezas. Percorrem os seus versículos, adentram sua essência e modificam o jeito de pensar. Retificam conceitos, alteram comportamentos e se transformam em novas criaturas.

E por que isso acontece? Porque o conhecimento às vezes, por si só, não basta, o indivíduo precisa ser animado de uma força. O ensinamento de Jesus, como ele mesmo disse, é espírito e vida ("As palavras que eu vos disse são espírito e vida". João 6:63) e o homem material, conforme diz Paulo, não é capaz de compreender as coisas espirituais. Foi o próprio Paulo que disse: "Vós, porém, não estais na carne, mas no espírito, se é que o espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o espírito de Cristo, esse tal não é dele." (Romanos 8:9)

Está entendendo? E tudo se faz novo quando alcançamos esse estágio ("Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se faz novo." II Coríntios 5:17) E vale a pena saber que em se tratando de discussões sobre a pretensa superioridade de uma religião sobre outras o que conta é uma coisa só: a capacidade maior ou menor de viver o amor que aprendeu.

Você já percebeu uma coisa? O evangelho de muita gente está apenas na mente.

Isso mesmo. Só na mente, não chega no coração. São cristãos teóricos, não são cristãos de verdade. Para se ter ideia do que estou falando, quantos pregam a verdade sem se aderirem plenamente a ela? Quantos repetem fórmulas de esperança e de paz ao mesmo tempo em que desesperam ou perseguem? Ou semeiam a fraternidade enquanto discriminam no coração? Assim, se você está estudando o evangelho porque você quer ser um estudioso e entender de tudo, cuidado, pode ser que você pare o estudo em breve. Por outro lado, se está querendo se fortificar, facilitando a emersão da luz a nível de sentimento, aí irá notar que terá muito mais facilidade para entender e compreender.

Isso porque o evangelho é uma doutrina que precisa ser aprendida e sentida. Percebeu? Tem que ser estudado mais com o coração do que com a inteligência. Aquele que não sente em si mesmo a sua influência moral desconhece o que ele é, embora possa ter perfeito conhecimento teórico de seus preceitos.

Entender não é tudo. Não basta saber.

O evangelho propõe mais do que isso, propõe a elasticidade do sentimento. É preciso sentir o que se aprende. Sentir a verdade. A inteligência desacompanhada do sentimento não consegue penetrar a essência do evangelho.

Sem adesão do sentimento no âmago da individualidade qualquer manifestação religiosa se reduz a mero culto externo, e nada mais. Razão e fé, intelecto e coração, devem marchar juntas na conquista da renovação. Para nos convencermos das verdades de Jesus não basta só utilizarmos a mente, é preciso que o coração tome parte desempenhando a função que lhe compete, pois as verdades do céu falam tanto ao cérebro quanto ao coração. É fundamental nós recebermos, de forma consciente e inteligente, o influxo do espírito para que nos inteiremos do caminho a seguir. É preciso receber certa luz do céu para que se descubra através da letra que mata o espírito que vivifica.

Sem o auxílio dessa luz todas as dádivas do ensinamento passam desapercebidas, até mesmo às inteligências mais cultas e mais desenvolvidas.

Nós estamos nos esforçando para entender de forma clara a mensagem de Jesus e chegarmos não àquele evangelho religioso, tido como código de conduta moral imposto de fora para dentro, mas aquele evangelho edificado de modo vivo e seguro no próprio coração. Não é justo adquirirmos com o seu conteúdo somente a informação do raciocínio. É preciso também a luz do amor, pois o evangelho é luz e renovação nos campos do espírito e somente quando o entusiasmo e a harmonia estão presentes nós alcançamos a sua essência.

Então, vamos caminhar e operar com simplicidade. Porque enquanto não houver de nossa parte aquela simplicidade que vigorava nos primeiros tempos do evangelho nós ficamos trabalhando meramente ao toque da linha racional e não o valorizamos.

E assim como se dá com qualquer ofício ou atividade que se aprende, a religião também tem um trabalho específico no mundo. O ensinamento religioso não pode fugir à regra natural que rege qualquer espécie de ensino ou aprendizagem. Está entendendo o que eu estou dizendo? Da mesma forma que a medicina torna um indivíduo médico e em razão disso habilitado para tratar enfermidades, que a engenharia o torna engenheiro, capaz de elaborar projetos e construir pontes ou edifícios, e daí por diante, a religião tem que torná-lo uma pessoa melhor, equilibrada e justa. A religião tem que apurar os sentimentos e melhorar o caráter do indivíduo.

Da mesma forma que a ginástica aprimora o físico e fortalece os músculos, tornando a pessoa resistente, mais saudável, capaz de desempenhar melhor as atividades que lhe compete, o aprendiz do evangelho é convocado a equilibrar o seu pensamento e agir de forma harmônica em qualquer ambiente ou situação que se encontre. Afinal, religião é uma força viva transformando continuamente o homem para melhor e a que não consegue isso no fundo não é religião.

O evangelho vem trazendo para nós componentes informativos para que possamos ativar o processo de visualizar uma nova vida. Seu terreno aplicativo hoje não é mais na igreja, no templo ou no grupo espírita. Nesses locais nós devemos manter a postura de respeito, todavia antes do respeito puramente social no plano em que estamos ajustados temos que estar em paz com a nossa consciência, que é o legítimo templo do espírito. Estamos tentando recolher informações que favoreçam a implantação do evangelho nos nossos corações.

Na medida em que desenvolvemos seus conteúdos a gente nota que ele não apresenta apenas uma beleza na redação, mas também uma profunda mensagem na sua intimidade convocando-nos à grande luta de redenção interior. 

O desafio não é adquirir conhecimento, e sim incentivar o coração a mudar. 

Jesus é a força viva que adentrando nosso íntimo determina a sua constante transformação. O evangelho, como suprema religião da verdade e do amor, convoca todos os corações à vida mais alta. Trazido há milênios atrás, ele nada exige. Isso mesmo. Já pensou nisso? O evangelho nada exige. A sua finalidade não é outra, senão a de sanear a dureza do nosso coração. Sua mensagem objetiva clarear o nosso entendimento como se todas as anteriores fizessem o papel de preparação do terreno.

E alcançar esse ponto de abrir o sentimento não é fácil. Para conseguir alcançar isso várias manifestações externas religiosas, todas as que lembram o nome de Jesus  e se reportam de algum modo às suas lições, são recursos preciosos. Constituem sugestões edificantes para o caminho e visam sabe o quê? Sensibilizar os corações. Ver se abre o coração da individualidade para a compaixão.

Sem querer diminuir as atividades religiosas de qualquer religião, pense para você ver. Quantas vezes a pessoa precisa acompanhar as procissões por ocasião das comemorações da semana santa, vestida de preto, por exemplo? Não tem isso? Aquelas imagens tristes, a coroa de espinhos, os panos roxos, Jesus na cruz? Não acontece isso ainda? As procissões e romarias na semana santa? Essas imagens que vigoram nessas procissões marcaram e ainda marcam muitos corações através dos séculos: "Coitado de Jesus!" Visam o quê? Sensibilizar o coração das pessoas com todo aquele ambiente e imagem de sofrimento.

O desafio hoje é fazer o que é proposta periférica de redenção se tornar proposta íntima de revelação.

O evangelho não deve mais ser procurado apenas para exposições teóricas, mas visando cada qual o aperfeiçoamento de si mesmo por meio de melhorias no terreno definitivo do espírito. Pense comigo, o evangelho não é o edifício de redenção das almas? E se é edifício tem que ser construído. Concorda? Edifício não surge pronto. Tem que ser edificado tijolo a tijolo, bloco a bloco, etapa a etapa.

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