30 de out de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 11

COMEÇANDO A INTERPRETAR II

Na medida em que o estudo se aprofunda, que ele se encaminha para ângulos mais subjetivos, passamos a observar que os aspectos de fundamentação metafórica, de modo alegórico, compõem uma linguagem figurada que aborda na sua intimidade assuntos da maior transcendência e da maior importância. 

Na medida em que vamos avançando no estudo, nós vamos observando alguns ângulos que vão definindo para nós uma análise mais substanciosa, mais essencial.

É como se vigorasse um processo em que vamos partindo inicialmente de pontos mais sintéticos e depois vai surgindo um sistema de abertura e aprofundamento.

Então, é preciso nos atermos ao fato de que entre o componente revelado, direcionado de cima para baixo, e a identidade nossa com as bases da revelação, vigora um terreno enorme a palmilhar, um caminho longo a trilhar.

E para começar, vamos entender o seguinte: todo o conteúdo bíblico é um conteúdo que vai permanecer. Ok? Vamos até repetir porque isso é muito importante: todo o conteúdo bíblico é um conteúdo que vai permanecer inalterado.

Ele não tem que ser renovado ou mesmo alterado de maneira objetiva como muitas pessoas gostariam. De forma alguma os textos precisam ser alterados. O que pesa muito na parte interpretativa não é a questão do fato analisado parecer estranho ou difícil, mas a nossa capacidade maior ou menor de compreender. Ficou claro? Assim, o componente chamado figura, ou melhor, letra, vai permanecer de forma natural, exigindo de nós uma melhor reflexão. Em outras palavras, se não entendemos algo o erro não está no texto, ele é puramente nosso de interpretação. Nós é que temos que nos renovar e passar a penetrar e percebê-lo de forma mais aprofundada.

Quando passamos a penetrar de modo mais intensivo e profundo na intimidade da letra do evangelho, é comum sentirmos que por mais aprofundada que seja essa linha de busca, nós nunca conseguimos alcançar a luz no seu fulcro irradiante. 

Deu para compreender? Nós sempre vamos pegar a luz refletida segundo o piso em que estamos ajustados, segundo o grau de conhecimento que possuímos, o grau de sensibilidade que conquistamos ao longo dos séculos. O evangelho é eterno, e se ele é eterno é infinito. Concorda? O evangelho é uma mensagem que se estende ao infinito. Não é preciso ser estudioso para perceber que ele é uma fonte de recursos que não se esgotam.

A coisa não funciona de forma final, assim: vamos caminhando, caminhando, entendemos, fechou, chegamos ao céu que procurávamos. Não! Não tem nada disso. Não fecha. Aliás, é mais profundo, não fecha nunca. O conhecimento não finda. O entendimento vai sempre abrindo novos parâmetros. Cada vez mais. Nós assimilamos, investimos e o entendimento vai precipitando novas indagações. A coisa funciona mais ou menos como as nossas metas e os nossos objetivos. Chegamos lá e o que acontece? Abrem-se outros. Nós chegamos ao monte que queríamos. O que tem depois? Outros montes, com certeza. É desse jeito.

A linguagem, tanto do velho como do novo testamento, trabalha de maneira extensiva.

Quer dizer, no campo de registro vai se adequando ao desenvolvimento da própria humanidade. Basta pensar, a humanidade não segue se desenvolvendo em todas as áreas? Nas áreas tecnológica, filosófica, científica, religiosa, médica, espiritual, em todo o tipo, enfim, a evolução e o progresso não é uma constante? Logo, em cada momento que vamos percorrendo o conteúdo, que ele apresenta para nós uma amplitude de metáforas e de figuras, é como se o ensinamento transcrito a nível figurado reservasse uma soma grande de elementos que vão sendo abertos, que vão sendo decodificados na proporção em que cada um de nós, segundo o patamar evolutivo, vai conseguindo penetrar e perceber.

Está dando para acompanhar? Nós vamos estudando e cada vez mais o saber se expressa e se verticaliza. Na medida em que evoluímos e que o conhecimento nos atinge, o texto passa a  abrir novas nuances para nós, até mesmo dentro de uma mesma terminologia. Pecado, por exemplo, se a gente pensar bem, se a gente entrar a fundo na questão, é um conceito novo para nós. Resultado: vamos ascendendo e ampliando nossos conhecimentos e vão surgindo conceitos novos.

O estudo tem aberto para nós continuamente uma série de reflexões. E a evolução é assim mesmo. O registro figurado insere uma soma grande de informações que nós vamos conseguindo abranger conforme o nosso próprio crescimento.

Os ensinamentos são dinâmicos e crescem em sabedoria à medida que cresce a capacidade da inteligência para melhor penetrá-los. Você já deve ter notado, hoje aprendemos o que ontem não entendíamos e amanhã entenderemos o que agora se nos mostra incompreensível. É que para uma infinidade de valores ainda nos faltam "ouvidos de ouvir e olhos de ver". Existem coisas que nós estamos aos poucos começando a entender. 

Para se ter ideia, às vezes temos que ficar anos arquivando uma informação, uma proposta, brigando dentro da gente com ela. Quer um exemplo? Uma vez, e isso já faz alguns anos, eu ouvi em uma reunião de estudo que participei uma frase bonita, sintética, profunda. Achei a frase interessante e a arquivei em meu computador. Vou confessar, levei aproximadamente quatro anos para entendê-la. E apenas a título de curiosidade, quer saber qual era a frase? "O filho do homem é a instauração do Cristo na sua segunda vinda". Profunda, sintética, objetiva.

O conhecimento não cessa, não finda!

Porque a evolução não para. Nunca. O processo funciona como se fosse uma espécie de espiral. Isto é, vamos até um ponto e retornamos e daí vão se abrindo novos lances que voltam a nos projetar para faixas mais à frente. Percebeu? A gente avança e retorna trazendo o que captou. E vai mais à frente depois. Constantemente vamos passando por um processo de reciclagem. Nós vamos reciclando elementos e caminhando para processos mais ampliados, mais definidos, mais detalhados, mais sutilizados à medida que prosseguimos. Vivemos muitos momentos no estudo que são reciclagens e aprofundamento de lances anteriores, ao mesmo tempo em que vão se abrindo novas frentes, expressões mais analíticas, mais específicas. E se voltarmos lá na frente a um assunto estudado hoje, e isso é muito comum, notamos que existem alguns ângulos que não foram devidamente compreendidos em nossa primeira abordagem.

As profecias e as mensagens das escrituras, todas elas, mantém certa linha de correlação.

Todos os documentos religiosos da bíblia se identificam entre si, razão pela qual precisam ser trabalhados dentro de um contexto. Vamos clarear esta questão? Repare que a simbologia vai se estendendo à medida em que vamos evoluindo. Certo? Isto já ficou claro para nós lá atrás. O sentido do símbolo vai se estendendo para além da sua faixa literal e a essência vai continuando. E normalmente, dentro da simbologia, as mensagens obedecem uma certa coerência, guardam proximidade interessante quanto ao plano essencial da mensagem.

Vai havendo certa coerência atrás dos textos em que as mensagens aparecem. O que eu quero dizer é que analisando uma parte do evangelho, e encontrando a linha de coerência, fica fácil perceber que ela se interliga com todas as outras partes do evangelho bem como dos outros livros do velho testamento. O texto começa a se expressar dentro de uma linha natural de suavidade e de alta expressão em termos de esperança, consolação e segurança na medida em que vamos encontrando essas linhas de relação entre elas. E nós ganhamos muito quando, no trabalho interpretativo, vamos sabendo relacionar e reciclar os fatos, os acontecimentos, os feitos. Está dando uma ideia? Nós vamos tendo condições de abrir e aprofundar sempre e cada vez mais. Como o evangelho apresenta linhas nítidas de coerência, ele tem que ser trabalhado sempre numa área coerente.

Se você pegar um versículo específico do evangelho, de forma isolada, você pode simplesmente não achar o que procura. Deu uma ideia? Analisando um versículo só, por exemplo, você é capaz de provar que existe reencarnação e em outro você pode concluir que não tem. Ficou claro agora? Na linha interpretativa, entre outras coisas, é fundamental saber trabalhar dentro do contexto.

18 de out de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 10

COMEÇANDO A INTERPRETAR I

“SABENDO PRIMEIRAMENTE ISTO: QUE NENHUMA PROFECIA DA ESCRITURA É DE PARTICULAR INTERPRETAÇÃO.” II PEDRO 1:20

É grande o número de pessoas que comentam que não entendem a bíblia. Isso mesmo, dizem que não conseguem entendê-la por mais que a lêem. Que não a compreendem, que os textos não são claros, que falta objetividade a eles, que a linguagem é complicada, tanto no velho testamento quanto no novo testamento.

Muita gente gostaria que os textos fossem claros. Claros e objetivos. Que deveriam ser do tipo: em uma situação assim você faz desse jeito, em outra faça daquele jeito, chega perto de fulano, faz dessa forma, faz daquela, e tal... Bem, até parece que no mundo que nós vivemos nós realmente gostamos das claridades.

Mas não há como discordar, afinal de contas esses questionamento são legítimos. Querer que os registros de natureza espiritual se apresentem com regras básicas, que tudo seja direcionado de forma clara, sintética, que cheguem até nós de forma esmiuçada, pronta, definida, tem sido nosso grande anseio.

E para início de conversa, vamos partir do seguinte: as mensagens de natureza espiritual, todas elas, são caracterizadas por acentuada fundamentação simbólica. Ok? Então, não tem jeito de ser diferente. Isso sempre vai existir.

Vamos manter esse ponto bem entendido e como referência para o nosso encaminhamento daqui para a frente. A gente lê a bíblia e muita dificuldade encontrada na leitura ocorre porque a linguagem do velho e do novo testamento trabalha de uma forma bastante simbólica. Geralmente vigora uma tentativa de repassar a informação através desse elemento básico que é o símbolo.

E o símbolo, sem dúvida, é uma forma de passar a informação. O apocalipse, por exemplo, você já deve ter reparado, ele é todo direcionado em uma linguagem figurada. De forma que vamos nos ater a esse aspecto, ao estudarmos as sagradas escrituras nós estamos estudando em cima de registros figurados, não de registros objetivos. É por figuras que os valores essenciais conseguem abrir-se dentro de nós. E é na interpretação e no entendimento dos símbolos que vamos alcançar pontos embutidos na linguagem figurada que o texto apresenta de forma essencial para cada um de nós.

Isto é muito interessante de se ter em conta. E sabe por quê? Porque para muitos aprendizes e estudiosos as mensagens, tanto do velho quanto do novo testamento, apresentam um sentido de revelação linear sequenciada, e não é assim que funciona. Está dando para acompanhar? A gente quer clareza, mas a coisa não funciona assim. Toda mensagem bíblica não é uma revelação linear, em linha reta, objetiva, como muita gente acha. Está certo que as revelações tem chegado de um modo abrangente no mundo atualizado em que nós vivemos, no entanto vem tudo dentro de um sistema esotérico, que a gente tem que decodificar.

Você já imaginou se nós tivéssemos valores extraordinários, da maior amplitude e significância, todavia entregues ao acesso de todos, sem critério algum?

Já pensou? Haveria tanta coisa complicada e esdrúxula por falta sabe de quê? De uma capacidade perceptiva de entendimento.

Como demos o exemplo do apocalipse, é fácil notar que ele todo está em símbolos. Por quê? Pelo fato de que o próprio João Evangelista, que o redigiu, simplesmente não podia escrever àquela época realmente tudo aquilo que efetivamente ele viu. Está percebendo? Ele não tinha meios para isso. Por exemplo, se ele viu aviões lá, e não conhecia aviões, ele escreveu águias, escreveu pássaros. Está dando uma ideia? Se viu um tanque de guerra ou canhões lá, equipamentos para dar tiros, e naquele tempo totalmente desconhecidos, o que ele fez? Se viu algo estranho, ele deu nome a um animal qualquer.

A linguagem bíblica também não é objetiva por causa de outro ponto essencial: ela não pode interferir no momento de decisão do espírito, que é sempre sagrado.

A linguagem não pode ter a objetividade que nós gostaríamos.

As profecias apresentam todo aquele conteúdo abrangente a ser trabalhado conforme o piso ascensional de cada individualidade. E pelo fato das profecias e revelações apresentarem um conteúdo abrangente, elas precisam ser trabalhadas segundo o patamar íntimo de cada um. Isso tem que ser entendido. Tudo tem que ser trabalhado de acordo com o patamar individual. Afinal de contas, cada criatura apresenta um grau diferenciado de percepção e entendimento.

Vamos analisar com atenção, tudo o que é revelado para além do nosso contingente de capacidade perceptiva direta tem que ser direcionado em forma figurativa.

É assim e sempre vai ser assim, o que explica porque estamos envolvidos com a necessidade interpretativa da mensagem bíblica.

O evangelho é uma chamada para muita gente e nós temos que manter conosco a presunção de querer interpretá-lo. Temos que trabalhar as interpretações para compreender a grande proposta reeducativa que enfrentamos na atualidade. E não tem jeito, nós sempre teremos que passar por isso.

É por figuras que os valores essenciais conseguem abrir-se dentro de nós. É um fato que vai nos exigir continuadamente certo cuidado interpretativo. E como diz Pedro, em hipótese alguma nós podemos buscar uma interpretação fechada, de maneira definitiva. Pedro é claro nesta questão: "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da escritura é de particular interpretação." II Pedro 1:20.

Nenhuma das interpretações podem ser definidas de modo completo e inarredável.

De forma alguma é possível encontrar interpretações absolutas. Em qualquer parte do evangelho não existe nada absoluto, não podemos usar fechamento finalístico nos padrões.

Todos os textos da bíblica, sejam do velho ou novo testamento, apresentam sentido amplo de revelação e a revelação não cessa, se expande para novas faixas. As mensagens não podem apresentar uma diretriz de percepções restritas. Necessitam ser trabalhadas sob um aspecto globalizado. Logo, em hipótese alguma podemos fechar as interpretações. Ok? Nada de fecharmos qualquer interpretação de maneira finalística. Nunca vamos encontrar no conhecimento do evangelho, para se ter uma ideia, um ponto particularista e fechado.

A revelação não pode constituir um objeto de propriedade particular, como não se circunscreve a esse ou aquele grupo de indivíduos, a essa ou aquela escola. Nós não podemos simplesmente fechar a interpretação e dizer que está resolvido, que chegamos ao ponto final e que ela vai atender a todo mundo. Isso não existe. É ilusório. Ela pode, sim, é atender a determinados elementos de acordo com a necessidade deles em algum estágio específico da evolução.

9 de out de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 9

JESUS COMO MESTRE

“E ELE DISSE-LHE: POR QUE ME CHAMAS BOM? NÃO HÁ BOM SENÃO UM SÓ, QUE É DEUS. SE QUERES, PORÉM, ENTRAR NA VIDA, GUARDA OS MANDAMENTOS” MATEUS 19:17

“VÓS ME CHAMAIS MESTRE E SENHOR, E DIZEIS BEM, PORQUE EU O SOU.” JOÃO 13:13

É muito comum alguém entrar em uma igreja e logo de início, no primeiro lance, visualizar no altar a imagem de Jesus crucificado: semblante abatido, cabeça baixa, queixo caído sobre o peito, olhos fechados.

Sem dúvida nenhuma, nos altares ainda predomina a figura de Jesus Cristo morto. Passam-se os anos e mantém-se o mesmo hábito, diante das emergências da vida o Cristo morto está sempre presente. Nos lares também não é muito diferente. Muitos indivíduos, inclusive, levam consigo, por onde passam, a mesma imagem no crucifico em correntes diversas penduradas no pescoço.

O tempo passa e as religiões, entra ano e sai ano, se mantém apegadas à mesma ideia.

Algumas não mantém imagens em seus núcleos, apenas a ideia do Cristo na cruz e da redenção surgida do seu sangue.

São memórias comumente trazidas do passado longínquo como se ainda estivéssemos na fase da infância espiritual, que provavelmente ainda devemos estar.

Em suma, é para a cruz e para o sofrimento que as pessoas apelam. Pense para você ver, aqui e ali se enfatiza Jesus pendente na cruz. Ficamos presos a isto. Tem igrejas que não apenas rememoram o sacrifício. Vão além. Fazem do sofrimento o objeto máximo do culto, esquecendo todo o ideal divino que o originou. Até parece que o sacrifício e a morte superam em muito o ideal divino. Assim fazem como se a morte representasse o valor supremo da obra de Jesus e a sua missão tivesse sido iniciada na manjedoura e finalizada no topo do calvário.

E dá para pensar: o que os religiosos realmente pretendem com o instrumento da sua morte?

Afinal, qual foi o maior, a sua morte ou o seu ensinamento que deveria ficar para sempre? Ao vir até aqui, Jesus teve por objetivo morrer na cruz ou nos ensinar o caminho da verdadeira vida? Sim, porque a sua crucificação foi um crime decorrente da cegueira dos homens. Um crime, aliás, previsto por ele mesmo.

E o que foi feito do Cristo ressuscitado? A gente tem que perguntar, porque afinal não ficamos órfãos do seu amor. Ele mesmo disso isto. Então, por que veneramos tanto o Cristo morto ao invés do Cristo vivo que prometeu manifestar-se e fazer morada em nossos corações? Por que buscá-lo na cruz, impotente e morto, quando podemos tê-lo vivo e forte a cada dia em nossas almas, ajudando-nos na superação dos nossos problemas e na conquista da vida eterna?

O fato de Jesus ter sido martirizado não representou necessidade. De forma alguma. Foi uma pedra que o egoísmo dos homens lançou para interromper-lhe os passos.

Todavia, o que o mestre fez? Ele simplesmente a removeu. E pronto. Aceitou passar por ela para nos ensinar o valor da ressurreição, ensinar que a vida plena exige sacrifício.

Assim, a humanidade não deve a sua salvação e redenção à cruz. Deve ao ensinamento e amor do Cristo. Nada justifica a adoração ou veneração à cruz. Nada. Não é na morte de Jesus que está a nossa libertação, é na sua vida, nos seus ensinos, nos seus exemplos. Aliás, hoje até nos abomina a lembrança de Jesus pregado na cruz.

O evangelho vem sendo trabalhado na essência no sentido de descaracterizar essa imagem triste. E graças a Deus que a cada dia um número maior de pessoas passa a visualizar um Jesus operante e dinâmico fora daquela condição. Depois daquela imagem triste, muitos já o estão descendo da cruz e alcançando os parâmetros de uma verdade nova. Uma verdade irradiante que traz conhecimento mais amplo e profundo, que possibilita-nos o entendimento acerca das revelações divinas, dos aspectos científicos e essenciais do evangelho.

Milhões de pessoas já descobriram Jesus. Isso é ótimo, porém observam Jesus em expressões ou óticas diferenciadas.

Como assim? Para um, Jesus é um revolucionário, para outro é o salvador, para um terceiro é um filósofo, para outro mais adiante é o sábio por excelência e, assim, sucessivamente. Cada qual o avalia e define segundo o contexto evolucional em que se encontra. 

Mas de uma coisa a gente não tem como discordar: até hoje o Cristo é considerado mais médico do que mestre. Concorda? Nós ainda consideramos Jesus como sendo aquela criatura colocada à nossa frente para sanar a nossa dificuldade e o nosso desconforto.

E não podemos mais ficar apenas no Jesus pregador.

Jesus se apresenta no cenário terreno como mestre. Foi dessa forma que ele mesmo se definiu. E não abriu mão disso. De maneira alguma. Este foi o único título com que ele se adornou, e nenhum outro: "Vós me chamais mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou". (João 13:13) Certa vez, quando o chamaram bom, ele retrucou: "Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus." (Mateus 19:17) Quando o definiram rei, repeliu de forma imediata. Lembra? Declarou que o seu reino não é deste mundo. Resultado: ele apenas quis ser mestre, e disso fez toda a questão. Ele se definiu como Mestre.

Por isso teve discípulos. Arrogou para si a denominação de mestre, considerando aqueles que o acompanhavam como discípulos. E ocupou-se em ensiná-los. De que forma? Pela palavra e pelo exemplo. E advertiu-lhes que só a ele o considerassem como mestre. Percebeu? Que a ninguém mais fosse concedida essa prerrogativa.

Falar de Jesus no seu sentido histórico parece fácil: como mestre, Senhor, como pão da vida. No entanto, falar na essencialidade dele é tão difícil. E não é nossa pretensão aqui querer avaliar Jesus. Primeiro, porque não temos capacidade para isso. Não temos sequer condição de saber até onde chega a sua estrutura. Compete-nos entender, por enquanto, que ele é a perfeição moral que a humanidade pode aspirar. É a expressão mais pura da lei do Senhor e veio ao mundo investido de uma missão. Renunciou em nosso benefício deixando-nos o padrão de altura espiritual que nos compete atingir. Para não deixar qualquer dúvida suas mensagens não se basearam em ponto de vista, mas em um trabalho sedimentado na cartilha prática. Sua didática foi a do exemplo e palavra alguma poderá superar essa exemplificação, que o seguidor sincero deve sempre ter como roteiro supremo da vida. De fato, expandir conhecimento é a tarefa de Jesus.

A palavra do evangelho é clara demais ao proclamar a necessidade do Cristo em nossa vida. Não de forma superficial, externa, e, sim, movendo nossos sentimentos, ideias, ações e conduta. O evangelho objetiva clarear o nosso entendimento, como se todas as mensagens anteriores fizessem o papel de despertamento.

Jesus opera especificamente com a essência. Você já pensou nisso? Ele não deixou ao mundo um compêndio de princípios escritos por suas próprias mãos. Aliás, ele não escreveu nada. Foi preciso que outros escrevessem. Os recursos humanos seriam insuficientes para revelar toda grandeza eterna de sua mensagem.

Jesus é aquele que responde ao nosso apelo por ajuda e orientação no que diz respeito ao melhor caminho para o destino que o nosso coração busca. Percebeu? Pense com carinho nisso. Da mesma forma que conhecemos certos caminhos, seguros e confiáveis, pelos quais já passamos tantas vezes, ele também conhece, e conhece muito bem, a estrada para as nossas esperanças despontadas e ambições frustradas.

Precisamos encontrar no excelso amigo não apenas o benfeitor que nos garanta a segurança, mas igualmente o mestre ativo que nos oferece a lição preciosa em troca de conhecimento e a luta íntima como preço da paz. Clareando nosso campo de ação, seus ensinos tocam todos os corações aguardando a ressonância de cada qual.

Sendo assim, precisamos deixar a velha concepção que nutrimos de encarar os núcleos do evangelho, sejam as igrejas, os templos, os grupos espíritas, como sendo hospitais, para enxergá-los sob uma nova ótica, um novo prisma: como escolas da alma.

O carpinteiro divino continua em ação. Sua missão está em plena atividade. Já podemos vê-lo hoje trabalhando: um Jesus dinâmico, sublime, forte, poderoso. Ele vive e viverá no coração de todos aqueles que tem fome e sede de justiça. E é óbvio que em nenhum de nós se abriga a pretensão de copiá-lo, todavia uma coisa nós precisamos entender: a necessidade de nos inspirarmos em suas lições.

6 de out de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 8

PRATICIDADE

Eu não quero que você fique desapontado ou desapontada com o que vou dizer, mas a lição de Jesus ainda não foi compreendida. 

Isso é a pura verdade. Nós todos estamos cheios de conhecimentos, estamos imensamente teorizados, com a cabeça cheia de informações, porém acentuadamente atrasados na capacidade de operar.

Concorda comigo ou acha que eu estou exagerando? Para exemplificar, vamos observar que se a entrada no reino dos céus estivesse condicionada à assimilação teórica, praticamente nós todos aqui seríamos aprovados e com louvor, já estaríamos batendo asinhas em cima das nuvens faz tempo. Dá até para imaginar algumas questões: O evangelho ensina que a gente deve amar ou agredir? Você está caminhando pela rua e ao se deparar com uma pessoa caída no chão deve estender a mão ou lhe dar um chute? Ao receber uma ofensa você deve revidar com energia ou entender e perdoar o agressor? E daí por diante.

O evangelho não é papo furado de beleza literária, muito menos teoria circunscrita ao campo da esperança. Antes de qualquer coisa, ele é princípio científico.

Jesus não ensinou nada em vão, tudo que ele falou tem uma finalidade. Aliás, ele não nos ensinou procedimentos religiosos e, sim, métodos científicos para o nosso próprio bem viver.

Apresentou muitas expressões simbólicas, todavia na prática não se trata de cerimônias ou rituais. De forma alguma. Trata-se de realidade positiva, de uma potência espiritual capaz de transformar o mundo quando soubermos compreendê-la e entrar em relação com ela. Seguir e viver cada dia melhor o evangelho não é apenas virtude.

O evangelho é para ser aplicado, sentido e vivenciado nas mínimas possibilidades e oportunidades. Seus ensinamentos são lições espontâneas para todas as questões da vida.

Desde a instauração do cristianismo no planeta todas as frentes religiosas vem trabalhando a importância aplicativa da mensagem de Jesus. Nós aqui temos continuamente dado ênfase toda especial a esta questão. Temos vivido períodos de acentuada conturbação no mundo e o evangelho não escapa à exigência da época.

Ou seja, o simples aprofundamento da filosofia não tem atendido as nossas necessidades mais íntimas. Percebeu? Não estamos vivendo mais na época das teorias. A época agora é de fatos, não de teorias. Somos todos hoje, sem dúvida alguma, convocados a não nos contentar com um evangelho descritivo ou histórico fixado no tempo e no espaço.

É impossível alguém conhecer o evangelho, como nós temos buscado conhecer, e ficar ainda preso a concepções filosóficas.

Precisamos do evangelho ajudando a nortear nossos passos e não podemos mais ficar no Jesus pregador. O evangelho é código moral que visa adentrar e trabalhar a intimidade, predispondo a criatura a um trabalho em favor dos que sofrem.

Ficou claro? O que nos interessa intimamente é o evangelho prático, aquele que nos auxilie no dia a dia. No fundo, o que queremos saber é como utilizá-lo para diminuir o sofrimento que nos tem afligido, como utilizar o evangelho para melhorar as nossas relações dentro de casa e com as pessoas em geral, como usar o seu aprendizado para realizar objetivos que são importantes para nós. É isto que é fundamental e nós vamos sempre bater nesse ponto.

O importante não são as colocações teóricas, o importante é a nossa postura dentro disso, com carinho e amor. O grande desafio não é a gente aprender que temos que amar. É por isso que o evangelho representa de algum modo a realização e a caridade. Ele chega para nos ajudar a amar efetivamente. Está dando uma ideia?

Porque não é possível compreender o evangelho sem a nossa integração prática nos exemplos do Cristo. 

O grande lance agora é fazer com que deixemos a posição passiva no contexto da evolução e adotemos uma postura nova de participação efetiva no plano de ajuda e cooperação junto àqueles que estão caminhando no mesmo ambiente de aprendizagem que nós. O evangelho vem definir um chamamento para fazermos aquilo que nós já sabemos e não fazemos ainda.

Na atualidade, vigora a necessidade de uma sensibilização de prática do conhecimento dele na vida comum nossa de cada instante em sua linha ampla de praticidade.

O que estamos fazendo? Estamos aprendendo o evangelho e investindo no evangelho para melhorar a caminhada. É imperioso termos o evangelho nos ajudando a nortear nossos passos dentro da jornada de vida. O código do amor pressupõe a instauração de uma mentalidade nova nos corações para o trabalho em favor dos que sofrem, em favor dos que estão em dificuldades maiores que as nossas.

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