18 de out de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 10

COMEÇANDO A INTERPRETAR I

“SABENDO PRIMEIRAMENTE ISTO: QUE NENHUMA PROFECIA DA ESCRITURA É DE PARTICULAR INTERPRETAÇÃO.” II PEDRO 1:20

É grande o número de pessoas que comentam que não entendem a bíblia. Isso mesmo, dizem que não conseguem entendê-la por mais que a lêem. Que não a compreendem, que os textos não são claros, que falta objetividade a eles, que a linguagem é complicada, tanto no velho testamento quanto no novo testamento.

Muita gente gostaria que os textos fossem claros. Claros e objetivos. Que deveriam ser do tipo: em uma situação assim você faz desse jeito, em outra faça daquele jeito, chega perto de fulano, faz dessa forma, faz daquela, e tal... Bem, até parece que no mundo que nós vivemos nós realmente gostamos das claridades.

Mas não há como discordar, afinal de contas esses questionamento são legítimos. Querer que os registros de natureza espiritual se apresentem com regras básicas, que tudo seja direcionado de forma clara, sintética, que cheguem até nós de forma esmiuçada, pronta, definida, tem sido nosso grande anseio.

E para início de conversa, vamos partir do seguinte: as mensagens de natureza espiritual, todas elas, são caracterizadas por acentuada fundamentação simbólica. Ok? Então, não tem jeito de ser diferente. Isso sempre vai existir.

Vamos manter esse ponto bem entendido e como referência para o nosso encaminhamento daqui para a frente. A gente lê a bíblia e muita dificuldade encontrada na leitura ocorre porque a linguagem do velho e do novo testamento trabalha de uma forma bastante simbólica. Geralmente vigora uma tentativa de repassar a informação através desse elemento básico que é o símbolo.

E o símbolo, sem dúvida, é uma forma de passar a informação. O apocalipse, por exemplo, você já deve ter reparado, ele é todo direcionado em uma linguagem figurada. De forma que vamos nos ater a esse aspecto, ao estudarmos as sagradas escrituras nós estamos estudando em cima de registros figurados, não de registros objetivos. É por figuras que os valores essenciais conseguem abrir-se dentro de nós. E é na interpretação e no entendimento dos símbolos que vamos alcançar pontos embutidos na linguagem figurada que o texto apresenta de forma essencial para cada um de nós.

Isto é muito interessante de se ter em conta. E sabe por quê? Porque para muitos aprendizes e estudiosos as mensagens, tanto do velho quanto do novo testamento, apresentam um sentido de revelação linear sequenciada, e não é assim que funciona. Está dando para acompanhar? A gente quer clareza, mas a coisa não funciona assim. Toda mensagem bíblica não é uma revelação linear, em linha reta, objetiva, como muita gente acha. Está certo que as revelações tem chegado de um modo abrangente no mundo atualizado em que nós vivemos, no entanto vem tudo dentro de um sistema esotérico, que a gente tem que decodificar.

Você já imaginou se nós tivéssemos valores extraordinários, da maior amplitude e significância, todavia entregues ao acesso de todos, sem critério algum?

Já pensou? Haveria tanta coisa complicada e esdrúxula por falta sabe de quê? De uma capacidade perceptiva de entendimento.

Como demos o exemplo do apocalipse, é fácil notar que ele todo está em símbolos. Por quê? Pelo fato de que o próprio João Evangelista, que o redigiu, simplesmente não podia escrever àquela época realmente tudo aquilo que efetivamente ele viu. Está percebendo? Ele não tinha meios para isso. Por exemplo, se ele viu aviões lá, e não conhecia aviões, ele escreveu águias, escreveu pássaros. Está dando uma ideia? Se viu um tanque de guerra ou canhões lá, equipamentos para dar tiros, e naquele tempo totalmente desconhecidos, o que ele fez? Se viu algo estranho, ele deu nome a um animal qualquer.

A linguagem bíblica também não é objetiva por causa de outro ponto essencial: ela não pode interferir no momento de decisão do espírito, que é sempre sagrado.

A linguagem não pode ter a objetividade que nós gostaríamos.

As profecias apresentam todo aquele conteúdo abrangente a ser trabalhado conforme o piso ascensional de cada individualidade. E pelo fato das profecias e revelações apresentarem um conteúdo abrangente, elas precisam ser trabalhadas segundo o patamar íntimo de cada um. Isso tem que ser entendido. Tudo tem que ser trabalhado de acordo com o patamar individual. Afinal de contas, cada criatura apresenta um grau diferenciado de percepção e entendimento.

Vamos analisar com atenção, tudo o que é revelado para além do nosso contingente de capacidade perceptiva direta tem que ser direcionado em forma figurativa.

É assim e sempre vai ser assim, o que explica porque estamos envolvidos com a necessidade interpretativa da mensagem bíblica.

O evangelho é uma chamada para muita gente e nós temos que manter conosco a presunção de querer interpretá-lo. Temos que trabalhar as interpretações para compreender a grande proposta reeducativa que enfrentamos na atualidade. E não tem jeito, nós sempre teremos que passar por isso.

É por figuras que os valores essenciais conseguem abrir-se dentro de nós. É um fato que vai nos exigir continuadamente certo cuidado interpretativo. E como diz Pedro, em hipótese alguma nós podemos buscar uma interpretação fechada, de maneira definitiva. Pedro é claro nesta questão: "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da escritura é de particular interpretação." II Pedro 1:20.

Nenhuma das interpretações podem ser definidas de modo completo e inarredável.

De forma alguma é possível encontrar interpretações absolutas. Em qualquer parte do evangelho não existe nada absoluto, não podemos usar fechamento finalístico nos padrões.

Todos os textos da bíblica, sejam do velho ou novo testamento, apresentam sentido amplo de revelação e a revelação não cessa, se expande para novas faixas. As mensagens não podem apresentar uma diretriz de percepções restritas. Necessitam ser trabalhadas sob um aspecto globalizado. Logo, em hipótese alguma podemos fechar as interpretações. Ok? Nada de fecharmos qualquer interpretação de maneira finalística. Nunca vamos encontrar no conhecimento do evangelho, para se ter uma ideia, um ponto particularista e fechado.

A revelação não pode constituir um objeto de propriedade particular, como não se circunscreve a esse ou aquele grupo de indivíduos, a essa ou aquela escola. Nós não podemos simplesmente fechar a interpretação e dizer que está resolvido, que chegamos ao ponto final e que ela vai atender a todo mundo. Isso não existe. É ilusório. Ela pode, sim, é atender a determinados elementos de acordo com a necessidade deles em algum estágio específico da evolução.

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